10 de set de 2009

Cidadania não faz parte da educação de Serra e Kassab - APÓS CHUVA, PREFEITURA LIMPA BUEIROS SÓ POR FORA

Adriana Ferraz, Aline Mazzo e Fabio Braga - Agora - 10.09.09

São Paulo amanheceu ontem repleta de lixo e com vários bueiros entupidos após a forte chuva de anteontem. Na Vila Leopoldina (zona oeste de SP), a reportagem flagrou uma equipe da prefeitura fazendo uma limpeza superficial da sujeira de uma boca de lobo da avenida Mofarrej.

Fabio Braga/Folha Imagem

Lixo espalhado no local foi recolhido pelos funcionários

Lixo espalhado no local foi recolhido pelos funcionários

O caminhão da prefeitura estacionou na avenida por volta das 14h30. Dois funcionários tiraram o "grosso" do lixo --caixote de madeira, papelão e lixo orgânico --, mas não abriram a tampa da galeria para retirar o restante dos resíduos jogados na via, uma dos pontos de alagamento registrado na terça-feira.

Em dias de chuva, o bloqueio dessas galerias aumenta o risco de enchentes na cidade. Após observar a limpeza parcial feita no local, os repórteres abriram parte das tampas e flagraram uma quantidade enorme de sujeira acumulada nas cavidades que deveriam estar livres para o escoamento da água. Em seguida, a equipe fechou a boca de lobo. Os próprios funcionários confirmaram que só tinham que tirar o que estava do lado de fora. Havia de tudo lá dentro, como pedaços de madeira, plástico e folhas.

Fabio Braga/Folha Imagem

Bueiro repleto de lixo, o que dificulta vazão da água

Bueiro repleto de lixo, o que dificulta vazão da água

A reportagem também constatou que o corte de 20% do Orçamento prejudicou a limpeza em outras regiões, como na avenida Aricanduva (zona leste) e nas ruas Sólon e Oriente (região central). Os caminhões vistos nas ruas ontem não faziam o trabalho de limpeza das bocas de lobo, essencial na época de chuva.

Corte de grana
Balanço do Seo (Sistema de Execução Orçamentária) mostra que o corte de 20% no repasse às empresas contratadas para fazer a limpeza urbana não foi o primeiro promovido pela gestão Gilberto Kassab (DEM) em 2009. O orçamento previsto para este ano é de R$ 765 milhões, contra R$ 1 bilhão de 2008.

Apesar da diferença de números, a administração reafirma que vai intensificar a fiscalização sobre o serviço prestado pelas empresas, a fim de evitar falhas no atendimento à população. Atualmente, 83 fiscais fazem o monitoramento nas ruas.

A prefeitura, porém, não informa quantas multas foram aplicadas neste ano. As empresas responsáveis pela varrição e coleta de entulhos também não falam sobre a queda na qualidade do serviço. Os empresários e a prefeitura estão em uma queda de braço por conta da reavaliação dos contratos.

A redução de gastos já provocou a demissão de 1.600 funcionários. O sindicato dos trabalhadores de varrição afirma que esse número pode aumentar ainda mais na capital. Os garis anunciaram uma paralisação para a próxima semana.

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Kassab gastou no ano só 7% da verba para piscinões

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), gastou neste ano apenas 7,3% da verba prevista para a construção de piscinões na cidade,

O Orçamento de 2009 prevê um gasto total de R$ 18,5 milhões em novos piscinões e reservatórios de águas das chuvas. Foram congelados R$ 17,1 milhões e empenhados até agora apenas R$ 1,3 milhão.

De Evandro Spinelli - Folha - 10.09.09

O congelamento de verba para obras de piscinões contrasta com os gastos em outras obras de drenagem, especialmente canalização de córregos, onde já foram aplicados 99% dos R$ 56,4 milhões previstos.

Dos R$ 27,5 bilhões previstos de receita para este ano, R$ 6,3 bilhões foram congelados. Kassab argumenta que a arrecadação será muito menor que o previsto por conta da crise financeira internacional, daí a necessidade de congelamento.

Apesar de importantes, obras de retenção de água (como piscinões) e uma melhor manutenção da cidade reduziriam o impacto, mas não evitariam as enchentes de anteontem, segundo Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Para ele, o principal é o combate à impermeabilização e erosão do solo, causadas por novas construções.

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