10 de set de 2009

Programa Banda Larga terá 70 mil escolas conectadas até 2010

Em questão - 10.09.09
Inclusão digital, informatização das escolas e a manutenção do monopólio dos Correios foram alguns dos temas abordados pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, na manhã desta quinta-feira (10) no Bom Dia Ministro. Na entrevista de rádio, transmitido ao vivo via satélite para emissoras de todo Brasil, Costa também falou do programa Banda Larga nas Escolas, que já beneficiou mais de 30 mil escolas urbanas do país. Leia abaixo os principais trechos do Bom Dia Ministro, programa produzido pela Secretaria de Imprensa da Presidência.

Programa Banda Larga
Nosso programa atende, neste momento, apenas as zonas urbanas. Já chegamos a aproximadamente 30 mil escolas em todo o país. Até o final do ano devemos ter cerca de 50 mil escolas conectadas e esperamos chegar ao final do governo, em dezembro de 2010, com cerca de 60 a 70 mil escolas. Isso vai cobrir em torno de 80% de todos os alunos da zona urbana este ano. E até o ano que vem, 100% dos alunos matriculados nas escolas públicas na zona urbana. O problema que temos na zona rural começa com a falta de energia ainda em alguns lugares. Estamos trabalhando junto com o Ministério das Minas e Energia para que o programa Luz para Todos possa suprir essa deficiência e já estamos com a proposta determinando que a frequência de 450 Mhz da telefonia móvel seja usada, exclusivamente, para a telefonia rural e banda larga rural. A partir de janeiro de 2010, queremos que as torres do interior sejam substituídas pela frequência de 450 Mhz, que tem um raio de alcance de 50 quilômetros. Isso não só vai levar a telefonia celular para toda zona rural, mas à de terceira geração, que permite fazer a conexão de internet banda larga em altíssima velocidade.

Empresa Correios

É importante a permanência dos Correios, ou da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Se ela não tiver o monopólio da entrega de cartas comerciais e pessoais, a empresa fecha, a empresa quebra. Não tem condições de continuar operando. Existem três ou quatro grandes empresas internacionais disputando com os Correios o mercado da entrega de volumes. Mas ninguém quer entregar volume ou cartas no interior do Brasil. Lá no interior do Amazonas, lá no Vale do Jequitinhonha, no interior da Bahia, ninguém quer fazer isso. Quem faz isso é a Empresa Brasileira de Correios. E para fazer essa entrega, inclusive depois de passar um dia com um carteiro dentro de um barco no estado do Amazonas para poder entregar uma única correspondência, chegar ao interior, a todos os pontos do Brasil ela tem que ter algum privilégio. Se não tivermos o privilégio da carta comercial, não conseguiremos pagar pela entrega da correspondência de volumes em qualquer ponto do território nacional. É importante citar que esse monopólio postal é exclusivamente para cartas. O resto das operações dos Correios é disputado com as maiores e mais poderosas empresas de logística do mundo. Mesmo assim, os Correios do Brasil são exemplo mundial. Seu lucro vai chegar, em dezembro, em torno de quase R$ 1 bilhão, com 116 mil empregados no Brasil.

Internet na tomada
Não temos ainda uma regulamentação sobre de que maneira a internet banda larga vai trafegar pelas linhas elétricas no país. Houve uma decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), há dois meses, autorizando as empresas de energia elétrica a fazer os primeiros testes. Este procedimento de internet trafegando em linhas elétricas ocorre quando o sistema elétrico é todo subterrâneo, e normalmente quando ele é em 220 volts. É o que acontece na Europa. Isso facilita o tráfego porque, se pusermos a internet nas linhas aéreas, como temos no Brasil, tem-se uma tremenda interferência em todo o sistema de rádio e televisão e de telefones no país. Isso precisa ser resolvido primeiro. Também ainda não temos um marco regulatório para a internet como um todo, e muito menos com respeito à internet que vai trafegar pelas linhas elétricas. Esta é uma questão especial, porque a internet é um instrumento internacional de comunicação no qual não se pode tomar decisões precipitadas e muito menos que conflitam com os parâmetros da internet internacional. Isso geraria uma série de problemas para o País. Estamos preparados para a modernidade e até achamos que este é o caminho de a internet chegar nas regiões mais pobres. Ou chegamos no sistema sem fio, no sistema wi-fi, ou então pela linha elétrica.

TV Digital
Ela está dois anos à frente do cronograma estabelecido pelo Ministério das Comunicações. Na verdade, tem havido pouca divulgação da TV Digital, mas ela já é um sucesso no Brasil por várias razões. Hoje já existe cobertura em 65% do território nacional com as transmissões da TV digital. Todas as grandes cidades brasileiras estarão cobertas até 31 de dezembro. Até agora, temos 18 capitais cobertas e teremos cerca de 32 cidades com cobertura digital até dezembro. O país está coberto, as transmissões estão sendo feitas na TV Digital. O que falta é a própria televisão fazer propaganda do seu grande instrumento de modernidade e inovação. As emissoras precisam ter interesse em divulgar um processo de inovação que é, na verdade, a salvação do sistema. Porque em 2014 estaremos preparados para acabar com a TV analógica do jeito que se tem hoje nas casas. Em 2016, vamos desligar completamente o sistema analógico. Ele não vai existir mais. É um processo que está em andamento e não tem como voltar. A televisão analógica ocupa um espaço muito grande e não permite a democratização do sistema. Onde tem um canal analógico, cabem seis canais digitais. O Brasil conseguiu convencer os países sul-americanos a adotarem o sistema de televisão digital do Brasil. O Peru já assinou com o Brasil e está implementando o sistema brasileiro-japonês. A Argentina acabou de assinar também. Isto significa que a industria da televisão brasileira é a que mais ganha nesse momento, porque produzimos hoje cerca de dez milhões de aparelhos de televisão. Com a implantação da TV digital em todo o Cone Sul, produziremos 20 milhões de aparelhos de TV.

Mercado de televisores
Não existe uma previsão de reciclagem dos equipamentos de televisão porque todos, inclusive os mais antigos, podem ser utilizados no sistema de televisão digital. Para isso é que foi criado os conversores, um adicional ao seu televisor, seja ele da idade que for. Se o seu televisor tiver 30 anos de existência, ainda assim ele pode receber a televisão digital, desde que tenha um conversor - que atualmente custa em torno de R$ 150 e R$ 180. Não existe previsão de se pegar maciçamente todos os televisores velhos e jogar fora. Isso está acontecendo no Japão. E, de certo modo, nos Estados Unidos, onde as pessoas estão optando por comprar um novo. Isso cria um impacto ambiental muito grande, porque são milhões de televisores jogados no lixo.
No Brasil não acontece isso. Produzimos dez milhões de aparelhos por ano, mas é para atender pessoas que estão comprando e, em sua maioria, nunca tiveram um. Há uma renovação de estoque que representa, mais ou menos, três milhões de aparelhos/ano, incluindo os adquiridos por causa da nova tecnologia, ou seja, quem troca o aparelho antigo por um moderno, de tela plana, plasma, LCD, etc.

Nenhum comentário:

Postar um comentário