27 de mar de 2012

QUARTO DE ESTUDANTE, de Roberto Freire


Escrito pelo psicanalista, dramaturgo, escritor e jornalista Roberto Freire, o espetáculo estreia no dia 4 de abril de 2012, no Espaço dos Satyros I, na Praça Roosevelt.


Muitos dizem que os jovens de hoje perderam os sonhos e as esperanças e não têm vontade de mudar o mundo. Mas poucos sabem o que realmente acontece na vida de cada um deles. No espetáculo “QUARTO DE ESTUDANTE”, escrito pelo psicanalista, dramaturgo, escritor e jornalista Roberto Freire, que estreia no dia 4 de abril de 2012, no Espaço dos Satyros I, na Praça Roosevelt, podemos perceber que o texto encenado pela primeira vez em 1974 no Teatro Oficina não perdeu o vigor, nem nas palavras, nem na força da própria juventude. E que eles ainda têm muito a dizer. A direção desta montagem é de Néia Barbosa e Marcelo Medeiros, que, juntos já dirigiram “Performances”, de Murilo Dias César; “Game Over”, de Wilson Fumoy e “Rapunzel” de Walcyr Carrasco.

Os atores Mariana Boccara e George Gottheiner, em atuação intensa, exploram as emoções, sentimentos, as inseguranças e incertezas, geradas a partir das pressões que a sociedade exerce sobre o jovem, quase sempre vulnerável à incompreensão e intolerância. São dois universitários que enfrentam “aquelas pessoas da sala de jantar, preocupadas em nascer e morrer”, assim como foi eternizada o conceito de família pelo grupo Mutantes, e vão fazer valer o sonho de serem atores, a contragosto dos pais, que alimentam forte preconceito contra o exercício das artes cênicas como profissão.

A história acontece dentro de um quarto, onde dois estudantes de arquitetura ensaiam um espetáculo, interpretando os palhaços "Chuleta e Chupeta". O trabalho no teatro se mistura às situações reais de vida dos dois personagens: o abandono do curso na faculdade para seguirem a vocação artística, a amizade, o amor. “Para chegarmos à essência dos personagens utilizamos experiências reais de vida, vivencias pessoais, pois moramos sozinhos na vida real”, explica a atriz Mariana Boccara. Para compor os personagens, uma experiência que é cara da juventude: os dois se vestiram de palhaço e foram às ruas da cidade de São Paulo “ver a reação das pessoas e levar o palhaço que existia dentro nós mesmos”, explica Boccara.

O uso da linguagem circence como o malabares, também ganha destaque no espetáculo, que tem como pano de fundo um apartamento com a cara e a personalidade de um jovem morador de uma grande cidade: decorado com cores fortes e material reciclado: móveis de papelão, baratos, um costume “importado” dos jovens europeus. Outras características que trazem o texto para a atualidade são as gírias comuns utilizadas pelos de hoje, a questão das drogas, masturbação e o fato de um homem e uma mulher morarem juntos, fato contemporâneo e comum aos dias atuais.

SOBRE O AUTOR ROBERTO FREIRE

Roberto Freire nasceu em São Paulo, em 1927. Formou-se em Medicina no Rio de Janeiro e especializou-se em psicanálise. É considerado como um dos grandes divulgadores das teorias de Wilhelm Reich no Brasil e deixou pesquisas importantes sobre o corpo no ambiente psi. Também desenvolveu práticas que abordavam a interface da psicologia com a política. Foi o criador da SOMA, um tipo de terapia, que se baseia nas ideias de Wilhelm Reich e nas técnicas do Jogo de Capoeira Angola. Roberto abandonou a psicanálise no início da década de 60 e passou a se dedicar ao teatro e ao jornalismo. Voltou às atividades terapêuticas alguns anos depois, para descobrir um método literário que pudesse servir as pessoas com problemas emocionais, de qualquer nível social e econômico.

Ainda na década de 60, durante a ditadura militar, Roberto Freire participou ativamente de atividades políticas e culturais. Por isso, foi preso e torturado, de 1963 a 1979. Foi durante esse período que perdeu a visão do olho direito. Escreveu romances que renderam vários jovens fãs ao psicanalista e escritor, como “Cléo e Daniel”, de 1965, “Coiote”, de 1988 e “Os Cúmplices”, de 1996. Também teve êxito ao escrever na área da psicologia e política, com os “Ame e Dê Vexame”, “Utopia e Paixão” e “Tesudos de Todo Mundo, Uni-vos!”. Além disso, Roberto Freire realizou diversas conferências por todo o país, para debater sobre suas obras e levou um grande número de jovens para esses debates. Roberto Freire também foi um dos editores da revista Caros Amigos, redator de programas de televisão como “Malu, Mulher”, “A grande família” e “Obrigado, Doutor”. Roberto Freire morreu em 2008, aos 81 anos.

Sobre a equipe

Néia Barbosa, atriz das peças: A Paixão de Oscar Wilde (2009), de Murilo Dias Cesar; E a vida continua..., (2009/2010), Chá das Seis (2008), de Alessandra Reis; Rapunzel, de Walcyr Carrasco (2006); O Mercador de Veneza de W. Shakespeare (2005); Jesus Homem, de Plínio Marcos, (2002), entre outras. Diretora teatral de A Paixão de Oscar Wilde de Murilo D. César e Quarto de Estudante (2009), de Roberto Freire; As Irmãs Siamesas, de José Rubens Siqueira (2007/2008); A Violência da Carne (2004/2006), de Marcelo Medeiros; Rapunzel de Walcyr Carrasco, Vôo Noturno e Game Over de Wilson Fumoy (2002 e 2003). Atualmente é Orientadora artística o Grupo de Teatro da Poli – GTP na USP.
Marcelo Medeiros é dramaturgo e diretor teatral. Dirigiu E a vida continua... de Orlando Vieira; A Paixão de Oscar Wilde e São Bernardo de Murilo D. Cesar, Rapunzel de Walcyr Carrasco, Jesus Homem de Plínio Marcos, Game Over de Wilson Fumoy. Como dramaturgo, é autor da peça vencedora do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos - Anália Franco - Um candeeiro sobre o alqueire, além de Elektra On Line, Úteros Urbanos, A Violência da Carne, O Peregrino da Tarde, entre outras.
George Gottheiner, ator, esteve em Memórias Emparedadas, autoria e direção de Néia Barbosa/2010; Filhos do Brasil, musical de Oswaldo Montenegro/2010; A Paixão de Oscar Wilde de Murilo D. Cesar, direção de Marcelo Medeiros e Néia Barbosa/ 2009, Rapunzel, de Walcyr Carrasco; Vida de Droga, texto de Walcyr Carrasco; Violência da Carne, de Marcelo Medeiros, Game Over, de Wilson Fumoy. É ator do grupo Zauara – Corpo de Arte.
Mariana Boccara é atriz formada pela Escola de Teatro Célia Helena, radialista, bailarina e integrante do grupo Zauara - Corpo de Arte. Começou a estudar teatro desde nove anos na Escola Municipal de Artes Maestro Fêgo Camargo na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. Suas primeiras peças teatrais profissionais foram: Rapunzel, de Walcyr Carrasco e direção de Marcelo Medeiros (2007), E a vida continua... de Orlando Vieira, direção de Marcelo Medeiros (2009/2010) e A estranha História da Família Coelho texto e direção de Márcio Mehiel (2010). Na televisão, atuou na segunda temporada da série Morando Sozinho
do canal Multishow e em diversos filmes publicitários.



FICHA TÉCNICA

Autor - Roberto Freire Direção - Néia Barbosa e Marcelo Medeiros Elenco - Mariana Boccara e George Gottheiner Assistente de Direção - Rodrigo Horta Figurinos - Fabio Parra Programação Visual - Camila Cossermeli Iluminação - Zauara - Corpo de Arte Fotografias - Fernanda Santiago Preparação Circense - Kiko Belluci Preparação de Ballet - Marlon Vila Nova Produção - Zauara - Corpo de Arte Produção Executiva - Néia Barbosa, Mariana Boccara e George Gottheiner Assistente de Produção Juliana Tedeschi Realização - Zauara - Corpo de Arte

SERVIÇO
Teatro dos Satyros I - Praça Roosevelt n° 214 – Tel: (11) 3258 6345
Temporada - 04/04 a 30/05 - Quartas-feiras - 21h
Ingresso - R$ 20,00 (meio ingresso R$ 10,00)
Duração - 60 minutos
Classificação - 16 anos
Gênero - Comédia Dramática
Capacidade do teatro - 75 lugares


Por Márcia Marques - Canal aberto

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