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4 de out. de 2012

Cultura com Haddad foi um ato para a história de São Paulo

Poucas vezes a cidade de São Paulo foi tão a cidade desejada quanto ontem no Teatro Jaraguá.

No centro o Diretor Teatral Zé Celso Martinez, com Fernando Haddad e vários intelectuais - Foto: Paulo Pinto

Quando se fala da São Paulo cosmopolita, criativa, antenada, global, fala-se dessa São Paulo que na noite de ontem declarou apoio a Haddad.

Por Renato Rovai - Revista Forum - 03.10.12

Quando se fala da São Paulo solidária, coletiva, participativa e que recebe a todos de braços abertos, fala-se dessa São Paulo que na noite de ontem declarou apoio a Haddad.

Quando se fala da São Paulo inteligente, questionadora, inquieta e fascinante, fala-se dessa São Paulo que na noite de ontem declarou apoio a Haddad.

Quando se fala da São Paulo displicente, irreverente, antropófaga, fala-se dessa São Paulo que na noite de ontem declarou apoio a Haddad.

Quando se fala da São Paulo que estuda, que rala, que não se entrega, que defende suas ideias, fala-se da São Paulo que na noite de ontem declarou apoio a Haddad.


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16 de jun. de 2012

Ariano Suassuna faz 85 anos.

Diário de Pernambuco
Ariano Suassuna, um defensor da cultura do Nordeste, é um dramaturgo brasileiro, autor de Auto da Compadecida e A Pedra do Reino.
Ariano Suassuna, advogado, professor, teatrólogo e romancista, nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, PB, em 16 de junho de 1927. Filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e de Rita de Cássia Dantas Vilar Suassuna, tinha pouco mais de três anos de idade quando seu pai, que governava Paraíba no período de 1924 a 1928, foi assassinado no Rio de Janeiro em conseqüência de disputas políticas que se desencadearam às vésperas da Revolução de 1930. Nesse mesmo ano, D. Rita Vilar Suassuna mudou com os nove filhos do casal para o sertão paraibano, indo instalar-se na Fazenda Acahuan, de propriedade da família, e depois na vila de Taperoá, onde Ariano Suassuna fez os estudos primários.

27 de mar. de 2012

QUARTO DE ESTUDANTE, de Roberto Freire


Escrito pelo psicanalista, dramaturgo, escritor e jornalista Roberto Freire, o espetáculo estreia no dia 4 de abril de 2012, no Espaço dos Satyros I, na Praça Roosevelt.


Muitos dizem que os jovens de hoje perderam os sonhos e as esperanças e não têm vontade de mudar o mundo. Mas poucos sabem o que realmente acontece na vida de cada um deles. No espetáculo “QUARTO DE ESTUDANTE”, escrito pelo psicanalista, dramaturgo, escritor e jornalista Roberto Freire, que estreia no dia 4 de abril de 2012, no Espaço dos Satyros I, na Praça Roosevelt, podemos perceber que o texto encenado pela primeira vez em 1974 no Teatro Oficina não perdeu o vigor, nem nas palavras, nem na força da própria juventude. E que eles ainda têm muito a dizer. A direção desta montagem é de Néia Barbosa e Marcelo Medeiros, que, juntos já dirigiram “Performances”, de Murilo Dias César; “Game Over”, de Wilson Fumoy e “Rapunzel” de Walcyr Carrasco.

Místero Buffo – Grupo La Mínima (teatro grátis)



Até 3 de junho – GRÁTIS de quinta e sexta
Com texto de Dario Fo e direção de Neyde Veneziano
Comédia tem elenco formado por Domingos Montagner, Fernando Sampaio e Fernando Paz.
Mistero Buffo revisita milagres com irreverência

Imagens: divulgação

3 de dez. de 2010

Utopia e barbárie



Por Roberto Saturnino Braga -  Fundação Perseu Abramo - 02.12.2010


UTOPIA E BARBÁRIE é um filme de cultura, não é um filme de entretenimento; é um filme de História e de Política; é um filme de Filosofia. Devia ser passado nas escolas de nível médio de todo o País. Sim, porque, se é realmente importante ter computador para os alunos nas escolas, é importante também passar filmes de cultura seguidos de comentários e debates sobre o conteúdo, enriquecer a consciência crítica dos jovens.

Acho que essa é uma função de responsabilidade da ANCINE no capítulo da formação cultural de platéias. Acho que é também uma responsabilidade do Ministério da Cultura no capítulo da formação cultural da nossa juventude.

UTOPIA E BARBÁRIE, este excelente documentário de Silvio Tendler, foi passado recentemente na ASA, uma associação cultural e recreativa de judeus esquerdistas que fica na rua São Clemente; foi aplaudido de pé por um auditório cheio e seguido de um debate de quase duas horas que teve de ser interrompido pelo horário da sala, porque a platéia queria mais. O próprio diretor, Silvio Tendler, participava do debate.

Meu sentimento aponta para uma carência profunda em nossa sociedade, que imagino seja de outras também do mundo de hoje. É a carência de filosofia, de pensamento e discussão em profundidade sobre a vida, o modo de vida atual, a ética e o ser do homem de hoje.

Penso que o próprio conceito corrente de cultura (e de política cultural, por conseguinte) está quase exclusivamente ligado ao conjunto das artes, música, cinema, teatro, artes plásticas, literatura. Ninguém argüirá nada contra as artes, evidentemente, pelo que elas têm de essencial na constituição do ser humano.

Mas acho que é necessário, urgentemente necessário, dentro deste conceito de cultura, abrir um espaço próprio para a Filosofia, a História, a Cultura Política. A propósito, esta é a característica principal do projeto do Instituto Cultural Casa Grande, que um grupo de pessoas ligadas à tradição daquele grande teatro está procurando desenvolver, até agora sem nenhuma compreensão ou interesse dos poderes públicos.

A Utopia é necessária, imprescindível mesmo à Humanidade, como farol iluminador de objetivos de longo prazo, e nunca foi desprezada ao longo da História, senão nas últimas décadas, quando o realismo exigente no dia a dia das sociedades contemporâneas dissolveu não só o espírito religioso do passado mas os sonhos utópicos do futuro.

 A meu juízo, é indispensável recompor a idéia e a formulação de utopias, como algo constituinte da própria humanidade do ser humano. E esta recomposição da utopia não virá da Ciência, cujo desenvolvimento, e cujo culto, constituem talvez as causa maior deste realismo radical das sociedades atuais. 

Só poderá vir da Filosofia esta recomposição; da Filosofia iluminada pela História e trabalhada pela razão comunicativa proposta por Habermas.

Fonte: Correio Saturnino 141

6 de dez. de 2009

Kassab, o incompetente.



Do Blog do Júlio Falcão - 06.12.09

Para quem não sabe, há um projeto de revitalização da Praça Roosevelt que está parado há 3 anos na mesa do prefeito Kassab. Foi desenvolvido pela Emurb, empresa municipal de urbanização. Já houve empenho de verbas. Mas várias vezes o processo de licitação das obras foi interrompido, por absoluta incompetência do afilhado do Serra.


Se tudo tivesse corrido nos conformes e desde o início o prefeito fizesse sua parte e cuidasse da cidade, provavelmente o dramaturgo Mario Bortolotto não estaria na UTI da Santa Casa de Misericórdia. Ele e um colega de teatro foram baleados durante um assalto no Espaço dos Parlapatões.


O projeto é uma beleza. Faz com que aquela aberração de cimento seja colocada abaixo e no lugar surja algo minimamente parecido com uma praça de verdade, habitável. Essa obra tem um custo baixo, R$ 40 milhões. E 85% serão financiados pelo BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a juros subsidiados e longuíssimo prazo. Faz parte da verba destinada aos vários projetos voltados para a retomada urbana do centro da capital paulista.


Moleza. Causaria um impacto extremamente positivo na região central e no chamado Baixo Augusta. É uma obra estratégica para a cidade, que diminuiria de imediato a insegurança que ronda a área. E daria alguma dignidade para a atual gestão.


A praça hoje é um lixo. Foi sendo degradada ao longo de anos de descaso e abandono. Já começou mal. Só uma mente doentia poderia criar um jardim de concreto, frio e desumano. Fica bem no início do famigerado Minhocão. Adivinha obra de quem é mais essa aberração urbanística? Bingo. Maluf.


É feia, suja, perigosa. Foi invadida por drogados, bandidos e moradores de rua. É uma minicracolândia. Desafio o prefeito a passar à noite por ela, sem seus seguranças. Seu destino seria o mesmo do dramaturgo.


Em seu entorno, de forma heróica, um grupo de artistas foi lá se instalando e, numa guerra de guerrilha, levantou teatros e bares repletos de gente jovem, inteligente e feliz. A companhia teatral Os Satyros, dos valentes Ivam Cabral e Rodolfo Vazquez, foi a pioneira desse movimento de resistência desarmada.

Ano que vem, em um edifício abandonado da praça, será implantada a SP Escola de Teatro, que funciona atualmente no Brás, na Zona Leste. É uma iniciativa dos Satyros patrocinada pelo governo do Estado. Sim, do Serra. O pai político do Kassab, o prefeito que nada fez. Nessa, ele vai ficar sozinho, sem álibi nem comparsas.

Um homem público se mede por suas obras. E por suas omissões. Muitas vezes, o que se deixou de fazer é mais determinante para se saber a grandeza de um homem. Ou sua pequenez. O Papa que se calou diante do nazismo. O presidente que nada fez para impedir a tortura nos porões do Estado. O prefeito que não revitalizou uma praça. E deixou um corpo lá, estendido no chão.

Fonte: Blog do Provocador

6 de out. de 2009

ESCOLA LIVRE DE TEATRO DE SANTO ANDRÉ SOB AMEAÇA

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Escola Livre de Teatro de Santo André sob ameaça

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Integrantes da Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, denunciam que seu projeto pedagógico está seriamente ameaçado. No dia 8 de setembro, a prefeitura da cidade demitiu, sem justificativas, o coordedenador pedagógico da escola, o ator Edgar Castro.

Aprendizes da comunidade da Escola Livre de Teatro de Santo André, apoiados por artistas dos principais grupos do ABC e de São Paulo fizeram um grande movimento na Câmara Municipal de Santo André, nesta quinta-feira, durante a Sessão Plenária. Os aprendizes fizeram uso da Tribuna Livre para defender a Continuidade do Projeto Artístico-Pedagógico Original da Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT)

O movimento busca sensibilizar os representantes do Poder Legislativo para que eles sejam interlocutores junto ao Poder Executivo, que vem negando todas as reivindicações da comunidade e descumprindo os prazos de resposta acordados em reunião.

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, está com seu projeto pedagógico seriamente ameaçado.

No dia 8 de setembro de 2009, o coordenador pedagógico da ELT, o ator Edgar Castro – professor da escola há 11 anos e escolhido como coordenador pelo corpo de mestres, foi demitido sem justificativas.

Desde janeiro de 2009 a comunidade da ELT tem se reunido para conhecer o projeto cultural da atual gestão para a cidade de Santo André. No dia 28 de novembro de 2008 organizou um ato público: o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal o então candidato Aidan Ravin (PTB), que acabou sendo eleito prefeito. Ravin não compareceu, mas fez-se representar por assessores e pelo vereador recém eleito Gilberto do Primavera (PTB), que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.

No entanto designaram para a Escola, como primeira medida, uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em três de fevereiro de 2009 uma assembléia foi realizada com a presença de toda comunidade ELT, da nova coordenadora - Eliana Gonçalves - e do atual Secretário de Cultura, Edson Salvo Melo, que reiterou a afirmação anterior sobre a continuidade do projeto artístico-pedagógico.

Passados quase nove meses da nova gestão e de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade e a coordenadora Eliana Gonçalves, a comunidade foi surpreendida pela repentina e não justificada demissão do mestre Edgar Castro, feita pelo Diretor de Cultura, Pedro Botaro, no dia 8 de setembro de 2009.

No dia 11 de setembro, mais de trezentos artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre eles as atrizes Maria Alice Vergueiro, Leona Cavalli, Georgete Fadel, o ator Antônio Petrim, a diretora Cibele Forjaz – fizeram uma passeata da Praça Rui Barbosa, sede da Escola, até o Paço Municipal, onde foi entregue uma carta de reivindicações ao Secretário de Cultura do município.

No dia 14 de setembro uma comissão formada por mestres e aprendizes representantes da ELT, esteve com o Secretário de Cultura de Santo André, em reunião sugerida por ele, para obter a resposta sobre o ato realizado na semana anterior. O secretário discutiu cada ponto da carta entregue pelo Coletivo, mas negou as duas principais reivindicações, firmando a decisão de afastar Edgar Castro, tanto de sua função de coordenador quanto de mestre da escola, e de manter Eliana Gonçalves como coordenadora.

A comissão deixou claro que não aceitaria essa decisão - uma ameaça ao projeto pedagógico original, que tem a autogestão e a definição da coordenação pedagógica pela comunidade como principais características. Após três horas e meia de reunião, o Secretário prometeu encaminhar uma carta pública à comunidade nesta quinta-feira promessa não cumprida. Como estratégia de desmobilização o Secretário pediu dois a três dias para responder às reivindicações.

Por fim, no dia 17 de setembro, foi dada a resposta final: negaram todas as reivindicações. Ainda não entregaram nenhum documento oficial respondendo ou justificando nenhuma das atitudes tomadas pela prefeitura.

Dessa forma a comunidade decidiu ir em peso, à Câmara, pedir o apoio dos representantes do Poder Legislativo para a manutenção do projeto artístico-pedagógico original da Escola Livre de Teatro de Santo André, junto ao Poder Executivo do município.

"O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da TRAVESSIA"

João Guimarães Rosa - Grandes Sertões: Veredas

Por Antonio


23 de set. de 2009

Teatro na Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato

Fonte Catraca Livre - 21.09.09

Em comemoração do Ano da França no Brasil, a Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato apresenta programação especial que tem como tema a literatura infantil francesa: Charles Perrault e La Fontaine em Monteiro Lobato. De 21 a 25 de setembro, com entrada Catraca Livre.

Programação Teatral

Fabulinhas (Dias 22 e 24, às 15h)

Intervenções teatrais das fábulas de La Fontaine adaptadas por Lobato. Grupo Timol.

As fábulas e a infância: Educação e cultura (Dia 23, às 14h)

Com as professoras Azilde Andreotti e Ana Lúcia Brandão. Mediação: Nelson Somma Jr.

Mesa-redonda sobre a influência das fábulas na literatura infantil e na educação. Haverá apresentação da peça Fabulinhas, do Grupo Timol, durante os intervalos.

Narração de histórias de Charles Perrault

Contos de fadas recontados por Charles Perrault na França do século 17. As narrações ocorrem em sala da ambientada com mapas e fotos da França.

É necessário fazer agendamento pelo telefone: 3256-4438.

A Gata Borralheira (Dia 21, às 10h)

Com Maria Haila de Oliveira.

Rquette Topetudo (Dia 22, às 14h)

Com Maria Cecília Coscia Graner.

Os Presentes das Fadas (Dias 23, às 10h)

Com Aparecida Uliani.

O Gato de Botas (Dia 24, às 14h)

Com Irany de Lourdes Ferreira.

Serviço:

O Que: Teatro na Biblioteca Monteiro Lobato
Quando: Seg 21/09 às 10:00 (Mais datas)
Quanto: Catraca Livre
Onde: Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato
Endereço: R. General Jardim, 485, Vila Buarque. Telefone: (11) 3256-4438.

As informações acima são de responsabilidade do estabelecimento e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

8 de jul. de 2009

Relembrar - Boal comenta sobre a TELEVISÃO

em dia com a cidadania
Homenageado pela Unesco, o diretor e dramaturgo Augusto Boal afirma que a televisão pratica “crime estético”

Foi no Théâtre de Ville, em Paris, que Augusto Boal celebrou, 27.03.09, o Dia Mundial do Teatro. Homenageado pela Unesco, o diretor, dramaturgo e ensaísta brasileiro de 78 anos via o trabalho que realiza desde os anos 1960 ser mundialmente aplaudido.

O Teatro do Oprimido, o método que Boal desenvolve desde os anos 1960, é tão conhecido quanto impalpável. Muita gente já ouviu falar dele. Mas o que é, de fato, esse teatro que se propõe a ser, a um só tempo, arte, ação social e movimento político? Boal, ex-integrante do Teatro de Arena e escritor incansável, diz, na entrevista a seguir, que se trata de uma ação capaz de transformar a sociedade e de fazer frente à estética dominante.

CartaCapital: Em poucas palavras, como o senhor definiria o Teatro do Oprimido?

Augusto Boal: Defendemos que todos nós podemos fazer teatro, que todos podemos ser personagens, de fato, de nossas próprias vidas. Por que temos de seguir a estética determinada pela classe dominante? O Teatro do Oprimido traz consigo a estética do oprimido. Ou seja, queremos que as pessoas retomem suas próprias palavras, imagens e sons.

CC: Na prática, isso significa o quê?

AB: Significa compreender que, hoje, todas as formas de expressão e comunicação estão nas mãos dos opressores. O que a televisão oferece é um crime estético. E ainda acham estranho que alguém saia matando quinze pessoas de uma só vez. O cérebro das pessoas está impregnado dessas imagens. As rádios também repetem o mesmo som o tempo todo. Sem falar no tecno, que desregula até marcapasso, e é pior que ouvir gente quebrando tijolo em construção. O que a gente quer, no Teatro do Oprimido, é lutar nestes três campos: palavra, imagem e som.

CC: Dê um exemplo desse trabalho. Como ele é feito, que resultados proporciona?

AB: O Teatro do Oprimido é seguido, por exemplo, pelo MST. Há uns dez anos, eles fundaram um grupo e quase 30 camponeses vieram conhecer o nosso trabalho. Passamos para eles tudo o que podíamos. Eles não vieram para consumir uma técnica, mas para receber instrumentos que pudessem usar em suas terras. Esta é também a ideia do Teatro do Oprimido ponto a ponto, que difunde o trabalho pelo Brasil. Temos multiplicadores do que fazemos aqui no Rio de Janeiro. Estamos em dezesseis estados.

CC: O que significa, para uma organização como o MST, ter grupos de teatro?

AB: Significa ter o direito de tratar de certos assuntos a partir da visão deles, expor uma visão dos acontecimentos que não é aquela dos jornais, que coloca o MST como um bando de brutamontes. O teatro permite que o pensamento que está por trás do movimento seja exposto, retrabalhado.

CC: Em linhas gerais, qual a sua avaliação do teatro brasileiro hoje?

AB: Existe um mundo de teatros no Brasil. Nunca vi um espetáculo no Amazonas ou no Pará, então não posso avaliar. O que posso dizer é que a Lei Rouanet assassinou a criatividade do teatro. Ao transferir do governo, que representa o povo, para as empresas a decisão de onde investir, a lei substitui o pensamento criativo pelo publicitário. Essa lei tem de acabar.

CC: Muitos produtores dizem exatamente o oposto: se acabar a lei, acaba o teatro.

AB: Não é a verdade. Há muitos grupos produzindo por aí. Esse dinheiro da lei deveria ser transferido para um fundo. A verba do fundo seria distribuída de acordo com a avaliação de comissões constituídas pela sociedade. A lei não incentiva companhias como a minha, ou as de Zé Celso (Martinez Corrêa), Antunes Filho, Aderbal (Freire Filho) ou grupos como o Tapa. Ela só funciona para projetos isolados, individualistas. Se eu depender do apoio de uma empresa de macarrão, como vou produzir uma peça como Ralé, de Gorki, que fala sobre a fome?

CC: Qual a sua avaliação do Ministério da Cultura?

AB: Desde que o Gilberto Gil assumiu, temos, pela primeira vez, um Ministério da Cultura. Antes, até houve pessoas interessantes na pasta, mas nunca um ministério de fato. Também acho que, pela primeira vez, deixou-se de pensar em cultura apenas como erudição, no sentido dos grandes clássicos literários, dos grandes pintores. O governo indicou que o Brasil deveria se apropriar do que já existia, daquilo que o povo faz. A cultura não é apenas o que o povo consome, é também o que o povo produz. Os pontos de cultura são isso, eles apoiam o que já existia.

CC: O Teatro do Oprimido também foi beneficiado, não?

AB: Sim, e o Gil disse até que servimos de inspiração para os pontos de cultura. Mas também trabalhamos com outros ministérios, como Educação e Saúde. Fizemos um trabalho em escolas de cinco cidades, nas proximidades do Rio, e vimos o poder de transformação que o teatro exerceu sobre os alunos.

CC: Exemplifique essa transformação proporcionada pelo teatro.

AB: No caso dos hospitais psiquiátricos, há uma diminuição absurda no consumo de medicamentos. Trabalhamos com a saúde e não com a doença mental. Procuramos ativar a parte saudável do cérebro doente, estimulá-lo no que tem de vivo e criativo. Com isso, o teatro é capaz de devolver ao convívio social alguém que tinha se isolado. Nas comunidades carentes acontece o mesmo. Os programas populares da televisão são um massacre, impedem que as pessoas percebam o que está dentro delas. Elas apenas consomem o que lhes é imposto. O Teatro do Oprimido procura ajudá-las a encontrar seus próprios meios de expressão.

CC: Que episódios, nessas andanças, mostraram ao senhor o sentido do seu trabalho?

AB: Vários. Lembro de um presídio, no interior de São Paulo, que funcionava como um leprosário. A população da cidade queria o isolamento total daqueles presos. Resolvemos fazer uma peça de teatro, com os presos, no meio de uma praça pública, e um morador era chamado para entrar em cena. Isso amenizou aquela relação conflituosa e violenta. Também lembro de um preso que era engraçado e, numa cena, fez uma menina de 10 anos rir. A menina foi elogiá-lo. Ele se vira para mim e diz: “É a primeira vez na minha vida que alguém me diz que eu sirvo para alguma coisa”.

CC: Na semana passada, o senhor estava na França, recebendo uma homenagem da Unesco. Aqui no Brasil o senhor se considera reconhecido?

AB: Sou reconhecido no meu trabalho, mas pela mídia, não. A imprensa só se interessaria pelo nosso grupo se formássemos três bailarinos que fossem dançar no Bolshoi. A mídia gosta de campeões. Campeão de Fórmula 1, filme campeão de bilheteria, qualquer coisa que chegue na frente, que represente a vitória. Mas o ser humano não é cavalo de corrida.

CC: Nos anos 1950, o senhor fez parte do Teatro de Arena, que teve grande projeção e, ao seguir o caminho do Teatro do Oprimido, mudou o rumo da sua carreira. Foi consciente essa escolha?

AB: Totalmente. A escolha individualista nunca esteve no meu horizonte. Quando era pequeno e trabalhava na padaria do meu pai, via aqueles operários que passavam o dia com um pão com manteiga e uma média e pensava: “Isso não pode continuar assim”. Eu acredito na solidariedade. Estou com 78 anos. Isso é muito tempo. Foi outro dia que nasci e não deu tempo de fazer nem metade do que eu queria. Mas, mesmo com todas as dificuldades, o Teatro do Oprimido me realizou. Cidadão não é aquele que vive em sociedade, cidadão é aquele que transforma. E acredito que o Teatro do Oprimido tenha deixado alguma coisa para o mundo.

por Ana Paula Sousa - 28.03.09 - Carta na Escola

19 de jun. de 2009

Ex-militante marxista, sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, o escritor Mia Couto...

Isto É
... ganhou o 5º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, com a obra O outro pé da sereia (em cartaz no Sesc Paulista - até 28.06), pelo melhor romance publicado em língua portuguesa nos últimos dois anos.

Um dos maiores autores da língua portuguesa, o moçambicano Mia Couto critica a uniformização do português e, ex-militante marxista, diz que não sabe mais o que é ser de esquerda

Sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras, o moçambicano Mia Couto é um dos maiores escritores contemporâneos africanos e da literatura de língua portuguesa. É o autor de seu país mais traduzido no mundo e, só em Portugal, seus livros somam quase meio milhão de exemplares vendidos. No final de agosto, ele veio ao Brasil para a 12ª Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo (RS). Sua mais recente obra, O outro pé da sereia, ganhou o 5º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, pelo melhor romance publicado em língua portuguesa nos últimos dois anos. A vitória valeu um prêmio de R$ 100 mil. Couto também é biólogo e dirige uma empresa de estudos de impacto ambiental em Moçambique, um dos 20 países mais pobres do mundo, onde metade da população é analfabeta.

Filho de portugueses, Couto era militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e lutou pela independência do país contra Portugal (1964-74). Foi um dos compositores do hino nacional de sua pátria e trabalhou para o governo durante a guerra civil (1976-92). Embora um pouco desapontado com os rumos tomados pela Frelimo, que abandonou o marxismo em 1990, ele ainda se diz simpático ao agora partido político, que continua no poder em Moçambique. Couto é um escritor acostumado aos prêmios. Neste ano, tornou-se o primeiro africano a vencer o União Latina das Literaturas Românticas, entregue em Roma, e seu primeiro romance, Terra sonâmbula, foi eleito um dos 12 melhores livros de toda a África no século XX. Fã dos escritores brasileiros, ele é, assim como Guimarães Rosa, um inventor de palavras – que, quando vêm à cabeça, anota em papéis e guarda no bolso para não esquecer.

Leia a entrevista

Isto É - Set.2007
Por Jorge Furtado

O OUTRO PÉ DA SEREIA

Peça baseada no romance homônimo do Escritor Moçambicano Mia Couto, conta a história de uma mulher que, após anos de isolamento, retorna à sua cidade natal, levando a imagem de uma santa, e encontra um lugar transformado pela guerra e pelo tempo. (Fonte Sesc)

Com a Cia. de Teatro Fábrica São Paulo.
Direção: Roberto Rosa
Texto: Mia Couto

Atores: Ed Moraes, Fernando Bezerra, Lina Agifu e outros

Sesc Avenida Paulista Espaço 12º andar
Av. Paulista, 119 - Bela Vista - Centro.
Telefone: 3179-3700.
Ingresso: R$ 5 a R$ 20.
Duração: 80 minutos

Quando:
Até dia 28.06
Sexta a domingo: 21h

Classificação: 14 anos

Mais informação
Não tem área para fumantes. Não aceita cheques.
Tem ar condicionado. Tem acesso para deficiente.
70 lugares. Estac. (R$ 7 p/ 4 h mais h adicional,
na r. Leôncio de Carvalho, 98 - convênio).