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17 de out. de 2009

Pressão da promotoria contra Kassab (DEM-SP), a imprensa não divulga. Criança (3 anos) dormindo na sala sentada.


Promotoria quer crianças de até 3 anos nas cresches de SP.

ALINE MAZZO e ADRIANA FERRAZ - "AGORA" 15-10-09

O Ministério Público entrou com ação na qual pede a matrícula de alunos com até 3 anos em creches paulistanas a partir do ano que vem.
Desde janeiro, a gestão de Gilberto Kassab (DEM) tem enviado alunos dessa idade para Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil), na tentativa de reduzir o deficit de vagas em creche, que é de 84.807 -uma das principais promessas de Kassab é zerar o deficit ao fim do mandato.
Segundo promotores, as Emeis não possuem espaço adequado, além de reunirem um número excessivo de alunos em sala, o que é incompatível com os cuidados necessários nessa faixa etária.
Pelo menos 48 mil alunos de 3 anos foram postos direto em Emeis de forma "ilegal", segundo promotores.
A ação diz que, por maior que seja a demanda nas creches, isso "não autoriza o sucateamento de serviço de educação infantil" da rede.
O Ministério Público levou em conta na ação um parecer de professores da Faculdade de Educação da USP que aponta falta de infraestrutura nas Emeis para atender crianças de até 3 anos -o texto afirma, inclusive, que a estrutura é inadequada até para alunos de 4 e 5 anos.
Também chamam atenção para o fato de as Emeis terem turnos de 4h -contra as 10h das creches-, não terem instalações para descanso de crianças e não darem atendimento individualizado.
Antes da ação, os promotores visitaram Emeis a fim de verificar os problemas.

Outro lado
A Secretaria Municipal da Educação informou que não comentaria a ação movida pelo Ministério Público por não ter sido notificada ainda.
Caso a Justiça atenda à demanda da ação dos promotores, a administração municipal estará sujeita a pagar multa diária de R$ 1.000 para cada sala de aula de Emei que estiver com crianças com idade inferior a 4 anos.

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Ministério Público flagra alunos dormindo sentados

Aline Mazzo e Fernanda Barbosa - Agora - 15-10-09

Salas superlotadas, pouco espaço e condições inadequadas para atender às crianças foram os problemas encontrados pelas promotoras e assistentes sociais do Ministério Público em visita a duas Emeis da cidade.

Na Emei Regente Feijó, no Cambuci (zona sul de SP), a sala de alunos de três anos (primeiro estágio) tinha 40 crianças, que se apertavam para ouvir a professora contar história. Algumas até dormiam sentadas, debruçadas sobre as mesas, pois não havia espaço para que elas descansassem.

A professora ainda disse que os pais não podem enviar os medicamentos dos filhos, pois ela não tem possibilidade de controlar as doses devido ao número excessivo de crianças.

Na Emei Ângelo Martino, na Bela Vista (centro de SP), a sala, segundo o documento, não comportava seus 30 alunos mais a professora, a diretora e os integrantes da Promotoria. E criança de três anos vão ao banheiro sozinhas, pois a professora não pode deixar o local. Mesmo assim, alguns pais se contentam por ter a vaga. "Meu filho tem muitos amiguinhos e sempre fala deles", diz Volmir Adriano dos Santos, 35 anos.

Prefeitura anuncia plano para reduzir nº de alunos por sala

Secretário informou, via Twitter, que ideia é ter, no ano que vem, no máximo 30 crianças por turma; hoje, são 35

Medida vale para estudantes do ensino infantil; secretaria não informou como será possível ampliar o número de escolas e de salas de aula

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA - "AGORA" - 17-10-09

A Prefeitura de São Paulo anunciou ontem um plano para reduzir o número de alunos por turma no ensino infantil (geralmente crianças de três a cinco anos). O anúncio foi feito pelo secretário da Educação, Alexandre Schneider, via Twitter.
Segundo o secretário, a ideia é que a redução seja feita de forma gradual. Hoje, em média, são 35 alunos por sala. A previsão de Schneider é que, a partir de 2010, cada turma tenha, no máximo, 30 crianças. Em 2011, o número será reduzido para 25. Em 2012, chegará a 20.
A proposta de mudança ocorre dois dias após o Ministério Público entrar com uma ação civil pública para que alunos com menos de quatro anos sejam matriculados em creches em vez de escolas de ensino infantil, as Emeis. A ação pede um docente a cada 15 alunos.
Desde o início do ano, a gestão Gilberto Kassab (DEM) tem enviado alunos de três anos para as Emeis, na tentativa de reduzir a demanda por creches, que é de 84.807 vagas. Para o Ministério Público, porém, essa faixa etária necessita de cuidados específicos presentes somente em creches.
No Twitter, Schneider disse que as novas vagas serão abertas por conta das obras de reforma das escolas. A Secretaria da Educação, no entanto, questionada ontem durante todo o dia, disse que só hoje poderia dar detalhes de quantas salas e escolas serão construídas.
Nas escolas particulares, a média é de 20 alunos por classe. No Vértice, particular paulistana com o melhor desempenho no Enem 2008, são 12 alunos por sala, no caso das crianças de três anos; 15, no caso das de quatro e 18, nas de cinco anos.
Em todas elas, ao contrário do que acontece na maioria das escolas da rede municipal, há uma professora e uma assistente na sala.

(TAI NALON)

25 de ago. de 2009

EDUCAÇÃO INFANTIL DEVE DAR ÊNFASE PARA BRINCADEIRAS E PARA O SOCIAL

Simone Harnik

Em São Paulo do UOL 24-08-09


A creche e a educação infantil, de acordo com especialistas ouvidos pelo UOL Educação, devem ser estágios lúdicos do ensino. Ou seja, se você é pai ou mãe e deseja que seu filho de até seis anos tenha uma carga de conteúdos densa para chegar preparado aos vestibulares e ao mercado de trabalho, não é na pré-escola que isso deve se manifestar. Para uma criança de até cinco anos, o importante na instituição de ensino é ter estímulo para brincar, aprender a conviver com os coleguinhas e ter a segurança física garantida.

"Na pré-escola, o colégio deve valorizar as brincadeiras e não só o conteúdo. É importante ter conteúdo também, mas ele tem de ser trabalhado nos jogos, por exemplo. É importante que a criança tenha um espaço ao ar livre para brincar e jogos desafiadores", afirma a professora da Faculdade de Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Maria Del Cioppo Elias.

Bruno Miranda/Folha Imagem

Na educação infantil, escola deve ser um espaço para brincadeiras desafiadoras (29.ago.2006 - Bruno Miranda/Folha Imagem)

Isso não significa, no entanto, que a criança deva participar apenas de atividades bobinhas e leves. "Não pode ser o brincar pelo brincar. Os jogos têm de ter finalidade", aponta a presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), Quézia Bombonatto.

Segundo Maria, na hora de selecionar uma instituição de ensino, é fundamental olhar se o número de profissionais é adequado para atender os alunos. Além disso, o pai só deve matricular seu filho se puder participar do processo de adaptação do estudante. "Existem escolas que o pai só pode ficar na porta, do lado de fora, e isso não é recomendável", aponta.

Outro ponto a ser observado é se os profissionais da escola lidam bem com os problemas de relacionamento entre os estudantes. "Na faixa etária da pré-escola, muitas vezes uma criança fica submissa à outra dentro do grupo. A escola tem de ter um cuidado muito grande com isso, um grupo de funcionários que preste atenção às atividades no recreio. E ser capazes de lidar com estudantes mais agressivos, pois crianças batem e mordem muito nessa idade", diz.

Agora, se seu filho estiver já na pré-escola e reclamando de apanhar dos professores ou dos coleguinhas, cuidado: pode não ser verdade. "A criança pode fantasiar e aumentar as histórias. Por isso, é importante que a família esteja próxima da escola. Deve participar das reuniões e estar atenta, não só para a alfabetização. Muitas vezes o aluno começa ter sintomas de não aprender para mostrar que está insatisfeito", adverte Quézia.

Orientações gerais

Outros pontos também podem ser observados e valem tanto para a escolha da educação infantil, da creche e do início do ensino fundamental. Confira:

Alimentação - A escola oferece alimentação? Como é o funcionamento da cantina? É preciso levar dinheiro para comprar ou a escola oferece selos, que o pai compra e dá para o filho? "E a qualidade dos alimentos oferecidos também deve ser observada. Porque o filho pode começar a voltar da escola e não querer comer em casa, por ter tomado muito refrigerante, por exemplo", diz Quézia.

Infraestrutura - Qual é a estrutura do imóvel? Ele tem área de lazer? As classes são iluminadas e claras? Há limpeza e segurança para os estudantes?

Mensalidade - Não tente dar um passo maior do que a perna e procure colégios que caibam dentro do orçamento. "A escola que tem muitos inadimplentes acaba comprometendo seu serviço", aponta Quézia.

Passeios e atividades fora da escola - Os estudantes terão muitos trabalhos de campo, visitas a museus, cinemas, teatros? A princípio, atividades como estas estimulam o aprendizado. No entanto, podem ser a exclusão do aluno cuja família não pode pagá-las. Pergunte à diretora sobre os custos anuais das viagens.

Perfil do seu filho - Seu filho é um miniartista? Um desenhista em potencial? Um atleta? Precisa de rigidez ou é tímido? Veja qual o perfil da criança e procure instituições de ensino que estimulem sua aprendizagem.

Transporte - Nas grandes cidades, como São Paulo, a distância da escola pode representar um problema. Ainda mais se os pais trabalharem e precisarem buscar os filhos no colégio. É fundamental escolher uma instituição localizada em área estratégica para a família - seja perto de casa ou perto do trabalho.

Avaliação - Como a escola mostra os resultados dos estudantes? Há nota ou conceito? A família tem acesso ao boletim? Vale lembrar que existem diferentes tipos de avaliação (há escolas que aplicam provas e outras que não aplicam, por exemplo), e você pode procurar o colégio mais adequado aos seus valores.

Lição de casa - O colégio dá tarefas longas para seu filho levar para casa? Isso pode ser bom ou ruim, dependendo de cada família. Veja se você tem condições de orientar seu filho nas lições de casa e se elas exigem a participação dos pais.

Biblioteca - A biblioteca tem o acervo atualizado e permite que as crianças manipulem os livros? "A biblioteca tem de ter livros destinados à faixa etária dos estudantes. Não adianta ter uma coleção maravilhosa de enciclopédias para adultos", afirma Cristiano Muniz, professor da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília).

Mobiliário - Os móveis são adequados para as crianças? Ou os estudantes são obrigados a sentar em cadeiras de um braço só? Veja se as mesinhas e cadeiras estão em bom estado. Se for o caso de uma creche, confira se a escola tem móveis adaptados para trocar as crianças e se há espaço para soneca.

Perguntas essenciais:

rguntas Essenciais

Visita à escola: os alunos fazem barulho?

"Não é natural uma sala de aula silenciosa, porque a produção do conhecimento
gera barulho", diz professor da Faculdade de Educação da UnB

Educação infantil: qual é a importância das brincadeiras?

Para uma criança de até cinco anos, o importante é ter estímulo para brincar, aprender a conviver com os coleguinhas e ter a segurança física garantida

Educação infantil: de quantos alunos cada professor tem de cuidar?

Segundo recomendações do MEC, é preciso haver, no mínimo, uma professora para cada agrupamento de 6 a 8 crianças de 0 a 2 anos; veja outras recomendações

1º ano: o que você quer para a educação do seu filho?

Para professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, a boa escola para o início do ensino fundamental é aquela que "balanceia o conteúdo e o faz de conta"

5º ano: Como o seu filho aprende? De que matérias gosta?

Ao mudar de escola, pré-adolescentes e adolescentes já têm uma vivência a ser considerada; os pais devem considerá-la na escolha da escola

Ensino médio: o que seu filho acha da escola "nova"?

Além de levar em conta a qualidade da escola, é importante visitar os colégios junto dos filhos e, de preferência, durante o horário das aulas

Fundamental e médio: sabe como acompanhar a rotina escolar do seu filho?

Cultuvar o hábito da leitura, conversar com os professores e acompanhar as lições de casa são algumas das recomendações feitas pelo MEC; confira outras