3 de jun de 2009

Colunista da Folha insinua que Lula suborna blogs

Do Blog Cidadania.com - 01.06

Em sua coluna na página A2 da Folha de São Paulo, o colunista Fernando de Barros e Silva (foto) deu notícias pouco comentadas e que explicam sobremaneira o mau-humor da grande mídia em relação ao governo Lula.

Mas o colunista do maior jornal vendido em bancas – e a outros compradores cada vez mais óbvios – não ficou só nisso. Ele também afirmou que o governo Lula suborna blogs para que falem bem dele. Leiam, abaixo, o que o sujeito escreveu, que comento em seguida.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

O Bolsa-Mídia de Lula

SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo.

Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008.

O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país.

Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade".

Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula.

Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí.

Ficamos sabendo muito através dessa coluna, concordam? Sabemos agora que este governo pulverizou as verbas de publicidade que eram doadas só aos grandes veículos à época em que FHC e seus antecessores estavam no poder, o que produziu essa situação de concentração da mídia de hoje, na qual Folhas, Vejas e Globos são grandes porque têm muito dinheiro e têm muito dinheiro porque são grandes.

A tese de Barros e Silva é muito interessante. O governo teria que comprar publicidade só em grandes veículos porque esses, como têm muito dinheiro, não mudam de opinião em favor do governo justamente por serem ricos e por não precisarem do dinheiro que o governo dá. Já os veículos menores...

Qual é a solução? Dar dinheiro só a quem tem muito dinheiro, o que, no Brasil, chega a ser um pleonasmo ideológico.

O colunista da Folha também insinuou que o governo suborna blogs aos quais não deu nomes. Muito ruim, porque não conheço blogs que apóiam o governo – ou que, ao menos, não embarcam na malhação do judas federal que pratica uma Folha – que veiculem publicidade oficial. Então, o dinheiro público seria doado a esses blogs por baixo do pano...

Gostaria de saber por que nunca me ofereceram dinheiro ou publicidade oficial. Este blog tem tido um desempenho muito bom ao mostrar que a Folha, por exemplo, sabota o país ao tentar, reiteradamente, sabotar o governo - em minha opinião, ao menos.

E uma diferença do blog Cidadania para a Folha, entre outras, é que faz acusações de frente, citando nomes, enquanto a Folha põe seu editor de política para fazer acusações irresponsáveis aleatoriamente, comprometendo todos os blogs que não se alinham com a grande mídia tucana.

É por essas e por outras que pretendo fazer uma consulta ao setor jurídico do Movimento dos Sem Mídia para saber se este e outros blogs que apóiam o governo federal ou que não se alinham ao ataque massivo e irresponsável a ele pela grande mídia têm o direito de exigir judicialmente que o colunista diga a que blogs se referiu.

O que é que vocês, leitores, acham da minha idéia? E você, blogueiro independente, o que você acha? Se você não se alinha ao discurso político da Folha, seu blog foi tachado de vendido para falar bem do governo pelo simples fato de você lhe reconhecer méritos ou por não atacá-lo incessantemente como faz a Folha, que ainda se abstém de criticar José Serra.

Aliás, nesse aspecto, seria interessante comentar sobre como o governo paulista age diferente do federal nesse aspecto da publicidade oficial.

Andei ouvindo uns boatos por aí de que durante o caso da “ditabranda” a Folha perdeu cerca de duas mil assinaturas. Disseram-me que os atendentes do setor de assinaturas daquele jornal, quando alguém ligava para cancelar assinatura por conta do editorial que disse que a ditadura militar foi “branda”, tentavam convencer o assinante a mudar de idéia porque o jornal recuara da opinião etc., etc. e tal.

Mas, segundo os boatos, o governador José Serra minimizou o prejuízo da Folha comprando-lhe cinco mil assinaturas para distribuir às escolas públicas junto com os livros didáticos de qualidade equivalente ao desse jornal que esse governo tem distribuído.

Seria uma excelente oportunidade para se abrir também uma CPI em Brasília para examinar a publicidade oficial dos governos Federal, estaduais e municipais. Há alguns anos, ficamos sabendo que o governo Geraldo Alckmin doava muito dinheiro público a veículos que lhe faziam apologia. Há essa denúncia da Folha contra o governo federal e sobre compra oportunista de assinaturas de jornalões por Serra.

Enfim, pelo menos do lado da Blogosfera, penso que os blogueiros que, a exemplo deste, nunca viram um centavo de dinheiro público na frente, deveriam interpelar esse jornalista – e também seu jornal – pedindo esclarecimentos. Assim sendo, a Folha e seu colunista podem ter certeza de que vou tentar levar adiante estas idéias que acabo de expor.

Reclame à Folha

Reproduzo, abaixo, carta que enviei à Folha de São Paulo hoje por conta da coluna supra mencionada. Recomendo a você que tampouco gostou do texto, que faça o mesmo. Pode enviar a mensagem para leitor@uol.com.br e para ombudsma@uol.com.br. Segue o texto que enviei àquele jornal.

Tenho 49 anos, sou natural de São Paulo, atuo como representante comercial e não sou vinculado a nenhum partido político ou sindicato.

Em 2006, vendo que a mídia pretendia derrubar Lula – e porque aquela minha opinião ceifou meu espaço nas colunas de leitores dos grandes jornais, com alguma exceção na Folha que foi diminuindo até me tornar vetado no Painel do Leitor –, criei um blog para denunciar que a mídia serve à oposição tucano-pefelê.

Lendo a coluna de Fernando Barros e Silva de hoje, vi que ele insinua, por não dar nomes aos bois, que qualquer blog simpático ao governo Lula é subornado por ele, porque o governo Lula não põe publicidade oficial na dita Blogosfera e, assim, se dá dinheiro a blogs depreende-se que seria de forma ilegal.

Tenho feito acusações de partidarismo à mídia dando nomes aos bois. Acho que a Folha é aliada de José Serra e trabalha para elegê-lo em 2010. Não sei se ele dá dinheiro público à Folha por isso, mas, como contribuinte paulista, gostaria de saber.

Por fim, sendo signatário de um blog que apóia o governo Lula como é direito de qualquer um na democracia – e que, jornalisticamente, é uma posição muito mais digna do que daqueles veículos que, como a Folha, apóiam Serra e não assumem –, penso que Barros e Silva deveria dar nomes aos bois.

Tenho certeza de que há muitos blogs que não aderiram ao golpismo midiático e que, por isso, foram acusados injustamente pelo editor do caderno de política da Folha e, assim, querem maiores esclarecimentos sobre sua acusação.

Eduardo Guimarães

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