16 de jun de 2009

Pré-sal. A Noruéga e o petróleo

Por
Professor Sérgio - 15.06
.09

Pré-sal é nosso...

Com uma área territorial bem menor que Minas Gerais, e uma população de 4,7 milhões de habitantes (menos da metade da cidade de São Paulo), a Noruega, país europeu situado na Península Escandinava, liderou o Índice Global da Paz em 2007, possui o segundo maior PIB nominal per capita (atrás de Luxemburgo) e apresenta o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (empatada com a Islândia) conforme dados da Nações Unidas em 2007. A receita: nenhum milagre, apenas matemática. A renda média de cada habitante é cinco a oito vezes maior que a dos brasileiros, lembrando que somos um dos países com maiores índices de concentração de renda, ou seja, muita gente ganhando menos que essa média.

A Noruéga tem acumulado os seus excedentes orçamentais, derivados do petróleo, num fundo governamental que em 2003 foi avaliado em 114 bilhões de dólares americanos.

Três meses de férias por ano, e a maior parte da renda familiar gasta com lazer. Os estudantes recebem um salário (gordo) do governo. Assim relatava a reportagem do Fantástico sobre a Noruega, há alguns anos. Tudo por causa da exportação de petróleo (veja mais no quadro ao lado).

Longe desse sonho, temos, no entanto, a esperança de que o petróleo encontrado no pré-sal seja nossa galinha dos ovos de ouro. E, podem ter certeza, muitas organizações do capital têm seus olhos voltados e as garras prontas para explorar nosso petróleo.

Pré-sal é a denominação da faixa de petróleo considerado de alta qualidade que se localiza na costa marinha entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina abaixo de uma camada de sal, a cerca de sete mil metros de profundidade. Segundo Márcio Rocha Mello, geólogo e ex-funcionário da Petrobrás, a área do pré-sal poderia ser bem maior do que os 800 quilômetros, se estendendo de Santa Catarina até o Ceará.

O maior exemplo disso é a tentativa da oposição no Congresso de armar uma campanha de desmoralização da Petrobrás, usando CPIs somente para desgastar a imagem da "estatal" e acabar em pizza. Mas assim, essa é a esperança deles, abrem caminhos para um eventual governo do Serra na presidência conseguir a privatização da Petrobrás, fracassada (ainda bem) no governo FHC (Veja ao final, a matéria de Paulo Henrique Amorim e do Luiz Carlos Azenha).

Estamos em um caminho de contínua redução do índice de concentração de renda desde 1989, especialmente pelo aumento das exportações agrícolas dos últimos anos, como indicam os especialistas. Até o FMI, nosso antigo credor, nos cita como exemplo de diminuição da concentração de renda.

Crescer é bom, mas o ritmo não acompanha a demanda acumulada em cinco séculos da receita: poder de poucos e exploração de muitos. Os desafios são grandes. Precisamos de muito dinheiro para educar mais e melhor nossas crianças. Até que o mundo substitua uma de suas principais fontes de energia, o petróleo, pela energia solar, hidrogênio ou outra tecnologia, temos a chance de nos tornarmos um dos maiores exportadores de petróleo e gás. Significa aumento substancial do PIB, da renda per capita, e, portanto, distribuição de renda. Contudo, temos de seguir alguns exemplos da Noruega, onde o Estado é interventor das políticas econômicas e sociais.

Nunca a Petrobrás, ou qualquer estatal, teve tamanha importância estratégica para os planos de crescimento do Brasil. Por isso, ela vai ser alvo das notícias e campanhas eleitorais daqui pra frente. Explorar, administrar e exportar o petróleo será tarefa que merecerá grande cuidado. Produzir demais poderá esgotar reservas, desvalorizar o produto, ou supervalorizar o câmbio ampliando as importações (saída de dinheiro) e derrubar outros setores exportadores como já aconteceu em alguns países. Por isso, esse setor estratégico não pode cair nas mãos de organizações especulativas capitalistas que desejam vantagens imediatas sem nenhum compromisso com a população.

Esse comportamento voraz, como em pragas de gafanhotos, é que levou à crise mundial atual. E sempre que acontece, os que ganharam muito, correm apavorados, retiram todo o seu dinheiro do mercado, escondendo-o nos seus colchões, e deixam aos governos e aos povos, as dívidas e os estilhaços. Até a poupança, que sempre foi estratégia de segurança econômica para os menos favorecidos e para a classe média, virou alvo dos especuladores, diante da taxa de juros do mercado em baixa. Na primeira chance oportunista que tivessem, veríamos sua revoada, quebrando a poupança e a nós, os não-ricos, como fizeram com as bolsas. Isso obrigou o governo federal a proteger a nossa poupança, limitando a entrada desse tipo de dinheiro (especulativo), e estimulando-o a ficar fora nos investimentos de risco. Querem privatizar os lucros e socializar (ou estatizar) os prejuízos.

Assim, fiquemos atentos a este debate, se é que a mídia não irá ocultá-lo, já que distorcê-lo vai, com certeza. A Petrobrás é nossa. Deveremos combater qualquer tentativa de privatização, pois precisamos muito desses ovos de ouro. E a nossa galinha será cada vez mais desejada pelos abutres. Para isso, não tenham dúvida: a estratégia será desvalorização e essa campanha já começou. Vão falar qualquer coisa para te convencer a vender, bem barato, a nossa estatal. E aí, se acontecer, deixaremos o sonho para depois, caminhando em passos lentos. E o Brasil continuará o eterno país do futuro.

Por: Sérgio Ricardo Antiqueira

Fontes de pesquisa e consulta:
Wikipédia - verbetes: Noruega, Brasil,
São Paulo, Renda per Capita

Leia mais nestes links:
Cai concentração de renda no Brasil, mostra Bird
FMI cita Brasil como exemplo de redução da desigualdade
Quadro de recessão já está superado, dizem economistas

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Por que o PSDB quer a CPI? É para privatizar o pré-sal

Por Paulo Henrique Amorin - No Conversa Afiada -
15.05.2009

Essa bandeira já derrotou muito tucano
A bandeira da campanha do Serra: o petróleo é vosso!

Saiu na Folha Online: por GABRIELA GUERREIRO - 15/05/2009

Lula ataca PSDB por CPI da Petrobras e critica falta de patriotismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva partiu para o ataque contra os senadores do PSDB, que conseguiram criar hoje a CPI da Petrobras. Lula disse que não se intromete em assuntos do Congresso, mas afirmou que essa investigação foi articulada pelo PSDB.

“O governo não se intromete na atuação do Congresso Nacional, respeita a autonomia do Congresso, mas essa é uma CPI que não é do Congresso. É muito mais do PSDB”, disse ele hoje na Base Aérea de Brasília antes de embarcar para a Arábia Saudita.

O presidente atrelou a criação da CPI à crise econômica internacional e afirmou que era pouco patriótico fazer esse tipo de investigação no atual cenário. “Num momento de crise internacional, levantar uma CPI contra a Petrobras é ser pouco patriota, pouco responsável pelo país.”

O presidente afirmou que não acredita na existência de irregularidades na Petrobras que precisem ser investigadas. “O país não pode viver uma eterna CPI porque há outros meios de investigação.”Os tucanos querem desmoralizar e desestabilizar a maior empresa brasileira para servir a seus patrões: os privatizadores.

Fernando Henrique abriu a exploração aos grupos estrangeiros na esperança de destruir a Petrobrás e vendê-la.Fernando Henrique era a favor da privatização da Petrobrás. Ele e aquele que ele chama de “brilhante”, Daniel Dantas.

Daniel Dantas recebeu de Antônio Carlos Magalhães a incumbência de estudar a privatização da Petrobrás como forma de o PFL contribuir com o governo que se iniciava, o de Fernando Henrique Cardoso.

Como primeiro passo do marketing de privatização da Petrobrás, os cérebros que cercavam Fernando Henrique iam mudar o nome da empresa para “Petrobrax”, marca evidentemente mais globalizada…O sufixo “bras” provocava comichão em Fernando Henrique, que, em entrevista à Revista Piauí, qualificou a solenidade do 7 de Setembro de “uma palhaçada” (ele deve comemorar o 4, o 9 ou o 14 de Julho, em silêncio).

Na superfície, os senadores tucanos querem a CPI para salvar o mandato. O objetivo, porém, corre em águas profundas.

O que os tucanos querem é impedir que se crie uma nova agência estatal para administrar o pré-sal e, como na Noruega, através de um fundo de investimento, transferir os recursos para a educação.

Os tucanos, como os seus antecessores do PiG (*) fora do PiG (*), Assis Chateaubriand e Roberto Campos, estão a serviço do capital estrangeiro.

Tomara que a ministra Dilma Rousseff e o presidente Lula, nos palanques da campanha de 2010, digam assim, com todas as letras: o Serra vai privatizar a Petrobrás.

Por Paulo Henrique Amorim

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CPI da Petrobras: O objetivo é produzir manchetes para o Ali Kamel

por Luiz Carlos Azenha

16.05.2009

Quando eu era repórter da Globo, entre 2005 e 2006, durante meses o Jornal Nacional dedicava de três a dez minutos diários à cobertura de três CPIs: a do Mensalão, a dos Correios e a do Fim do Mundo.

As reportagens registravam acusações, ilações e suposições geradas diariamente nos corredores do Congresso, a grande maioria delas desprovada mais tarde. Não importa. O objetivo óbvio era produzir fumaça e as manchetes que faziam Ali Kamel delirar. O capo da Globo ficou tão excitado que despachou para Brasília uma assistente pessoal, cuja tarefa diária era percorrer os bastidores do Congresso para passar e receber informações, além de monitorar os colegas de emissora.

Uma CPI como a da Petrobras fornece o argumento essencial para Kamel e seus asseclas: estamos apenas "cobrindo os fatos", argumentam. Já escrevi aqui ene vezes sobre 2006: capas da Veja alimentavam o Jornal Nacional, que promovia a devida "repercussão", gerando decisões políticas que alimentavam outras capas da Veja, que apareciam no JN de sábado e geravam indignação em gente da estirpe de ACM, Heráclito Fortes e Arthur Virgílio.

Só essa "indignação seletiva" é capaz de explicar porque teremos uma CPI da Petrobras mas nunca tivemos uma CPI da Vale ou das privatizações.

Porém, os farsantes de hoje correm alguns riscos:

1. Especialmente depois da CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, em que o Parlamento brasileiro foi privatizado para defender um banqueiro, o próprio instituto das CPIs está desmoralizado.

2. À CPI da Petrobras faltam detalhes picantes. Já imaginaram qual será o grande momento da investigação? O depoimento de um contador? De um fiscal da Receita? A essa altura o Ali Kamel deve estar pendurado ao telefone com o Demóstenes Torres exigindo algum cadáver, alguma secretária traída, qualquer coisa que tenha apelo. Para não afundar ainda mais a audiência do JN.

3. O brasileiro se identifica com a Petrobras. Os inquisidores da empresa correm o risco de serem tachados de entreguistas, de prejudicarem a empresa e, portanto, a imagem do Brasil no Exterior. É óbvio que o PSDB pretende usar a CPI para fazer barganha política nos bastidores, especialmente agora que estão em discussão as regras para a exploração do pré-sal. Em relação a 2010, não há nada mais poderoso do que acusar os tucanos de buscarem a privatização da Petrobras. No segundo turno de 2006, lembram-se? Lula, acusado de desperdício por ter comprado um avião presidencial novo, passou a dizer que Alckmin pretendia privatizar "até o avião da Presidência".

Isso forçou Alckmin àquele momento patético:

alckmin.jpg

Vamos ver, agora, se a Petrobras continuará despejando dinheiro público nos intervalos do Jornal Nacional ou nas páginas de jornais e revistas cujo objetivo é servir ao projeto tucano de privatizá-la. Feito o filho do FHC com a jornalista da Globo, produzir a "Petrobrax" é algo que os tucanos nunca assumem.

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