20 de dez de 2009

Governo Serra e Kassab trabalhando por você - Bairros têm suspeita de leptospirose

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As unidades de saúde registram ainda pacientes com diarreia, dor de cabeça, febre e vômitos

Renato Machado, Eduardo Reina

Casa de Rosalina está infestada de larvas, que aparecem na água suja

Além dos transtornos provocados pelas ruas alagadas há duas semanas, os moradores da região do Jardim Romano e de bairros vizinhos na zona leste de São Paulo começam a sofrer com as doenças transmitidas pela água, como leptospirose e diarreias. A Secretaria Municipal de Saúde contabilizou pelo menos nove casos suspeitos de leptospirose, transmitida pela urina de ratos. A doença pode ser fatal, caso não seja adequadamente tratada. As sete unidades de saúde da região registram ainda grande demanda de pacientes com diarreia, dor de cabeça, febre e vômitos.

A casa da aposentada Rosalina dos Santos, de 63 anos, como muitas outras, está infestada de larvas que nasceram na água suja que inundou o local. “Estou morrendo de medo porque não sei se é dengue ou algo pior. Minha casa e de todos os meus vizinhos estão cercadas por essas coisas”, diz Rosalina.

O perigo de infecção por doenças transmitidas pela água contaminada “é imediato”, de acordo com o infectologista Artur Timerman, do Albert Einstein. “Essa população precisaria de antibióticos para evitar a leptospirose. O correto seria tomar vacina também contra hepatite e febre tifoide.”

Todos os casos suspeitos de leptospirose são de moradores com dor no corpo, febre alta e mal-estar. As primeiras suspeitas provocaram uma corrida em busca de atendimento e, por isso, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) registrou grande movimento. “Comecei a sentir fortes dores no corpo e febre alta. Fiquei preocupada porque todo mundo só fala nessa leptospirose”, diz Alda Rosânia Almeida, de 42 anos. Seu filho teve os mesmos sintomas na madrugada do dia 16. Um exame de sangue foi feito e não apontou nada. “Hoje (ontem) eu vim e não me pediram exame. Só me deram injeções de dramin e dipirona. E me disseram para voltar se continuar os sintomas. Aí não pode ser tarde?”

Um segurança da AMA e duas atendentes confirmaram que houve um aumento no movimento. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde informou que houve somente 158 atendimentos até as 17 horas de ontem, ante uma média diária de 180

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Após a crise da varrição, lixo de feira deixa de ser recolhido

Nas zonas oeste, norte e leste, os resíduos de 63 feiras de quinta não foram retirados das ruas. Empresa afirma que cumpre contrato, que prevê o recolhimento apenas do que estiver ensacado. Prefeitura diz que multou empreiteira

Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br

Lixo da feira de quinta na Rua Aimberê, em Perdizes, zona oeste da capital


Os moradores das regiões de 13 das 31 subprefeituras da capital amanheceram ontem com o lixo de 63 feiras livres realizadas na quinta-feira esparramado pelas ruas e calçadas. Os resíduos, espalhadas pelas chuvas e carros, deveriam ser recolhidos pela Loga, Logística Ambiental de São Paulo S/A, concessionária que presta serviço de coleta para a Prefeitura. Entre as áreas afetadas estão Lapa, Pinheiros, Sé e Mooca.

Em agosto, o corte dos gastos com varrição prejudicou o serviço de limpeza urbana. A queda de braço entre a administração e as empresas contratadas para o serviço foi agravado por uma forte chuva, situação que pode se repetir agora (leia texto abaixo).

A coleta do lixo das feiras só foi executada por volta das 16h de ontem, com quase 24 horas de atraso, pela própria Prefeitura. Normalmente, o serviço deve ser feito logo após o término das feiras. A administração municipal afirma que multará a Loga. O valor pode chegar a R$ 100 mil.

A Secretaria Municipal de Serviços afirma que a varrição das ruas foi mantida e creditou o problema à Loga, que não teria feito a coleta dos resíduos varridos. Porém, o presidente da empresa, Luiz Gonzaga, afirma que cumpre o contrato, que prevê que apenas o lixo ensacado pelos feirantes deve ser retirado. “Em nenhum momento a Loga deixou de cumprir suas responsabilidades contratuais”, afirmou (leia abaixo).

Moradores das ruas onde são realizadas as feiras livres confirmam que os caminhões e funcionários da empresa estiveram, anteontem, recolhendo apenas o lixo ensacado. “Eles costumam atrasar, mas nunca deixaram de recolher o lixo no mesmo dia. E pela primeira vez não levaram o lixo que não estava ensacado”, conta o segurança Wendell Correia Barbosa, de 23 anos, que trabalha na Rua Aimberê, em Perdizes, zona oeste. “A feira acabou e os garis juntaram o lixo em ‘montinhos’. O caminhão passou e só pegou os sacos, o resto ficou na rua”, diz a aposentada Nadir das Chagas Batista, de 63, que mora na Rua Augusto Gil, na Vila Dionisia, zona norte da capital.

Gonzaga afirma que a concessionária recolheu apenas o lixo ensacado para conscientizar a população. “A população precisa aprender a fazer a sua parte. É cômodo deixar para a empresa recolher todo o lixo. É uma forma de conscientizar as pessoas. Todos os resíduos que se encontravam ensacados foram coletados, transportados”, afirmou.

A Prefeitura e a Associação dos Feirantes de São Paulo culparam os feirantes irregulares por descumprirem as regras de ensacar o lixo produzido. “É uma questão antiga: os feirantes regulares cumprem o decreto, mas os irregulares, não. Eles não respeitam e não ensacam o lixo”, afirma Jorge Okawa, administrador da associação.

Em nota, a Secretaria de Serviços informou que a situação foi resolvida depois que “as subprefeituras providenciaram, emergencialmente, a limpeza para evitar que os resíduos se espalhassem e causassem problemas à população”. Na região sudeste, atendida pela Ecourbis, os serviços foram executados normalmente.

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