5 de mai de 2010

Jogadas desleais: a cobertura política da imprensa brasileira

O "vale-tudo" da cintura pra baixo

Claudio Ribeiro - Palavras Diversas - 03.05.2010

Ano eleitoral apenas acirra um posicionamento muito conhecido da "grande imprensa brasileira", o direcionamento político editorial de suas publicações, emissoras de rádio e tv, portais de internet etc. Sempre alinhado aos grupos políticos que defendem seus interesses ou vice-versa, o que for mais vantajoso na ponta do lápis.
Ao longo dos "anos Lula" percebeu-se, pela primeira vez, um endurecimento desses meios de comunicação com o governo central, o que não se via desde a golpe militar de 1964.
Isso é um fato consumado, uma briga de "cachorro grande".
Alguns veículos de informação tem se destacado na defesa de seus interesses privados e no ataque ao governo e seus aliados, na vanguarda estão O Globo, Folha de São Paulo, Veja, Época, Estadão, TV Globo entre outras.


A capa acima da Folha de São Paulo demonstra claramente o esforço que é feito para defender seu candidato e poupá-lo dos desgastes que suas ações poderiam provocar se a informação chegasse as pessoas de maneira isenta, ao menos de forma ética.
A capa da esquerda circulou apenas em São Paulo e fala do aumento da criminalidade na capital paulista...um robusto crescimento do índice de homicídios, alarmante.
A capa da direita foi a publicada e comercializada país afora, retirando justamente essa "informação sem qualquer relevância" para o (e)leitor brasileiro, no seu lugar, colocaram uma chamada "denunciando" o governo federal pelo aumento nos gastos públicos. Lamentável que o leitor desse jornal nos outros estados não possam também ficar estarrecidos com a chamada de capa para "consumo interno" apenasde São Paulo...


Quanto ao Jornal O GLobo, seus ataques tem sido diários, mais constantes agora em 2010, a linha editorial desse jornal se propõe a desconstruir qualquer notícia boa para o governo, transformá-la, muitas vezes segundo seus "especialistas" (geralmente ex-ministros de FHC), em vaticínios do fim do mundo, da crise que virá e acabará com o país.
A capa mostrada é um típico caso de "mãozinha" à oposição, soa absurdamente incoerente, porque quem acompanha o noticiário nacional sabe o quanto o PSDB luta contra o Bolsa Família no Congresso, o quanto tentam, com a ajuda dos "Marinhos" destruir um programa que, segundo a ONU, é somente o maior e mais bem sucedido programa mundial de transferência de renda. Típica manchete para causar constrangimento ao governo, roubar-lhe o máximo de popularidade que usufrui junto ao povo brasileiro, além de ser um oportunismo político sem tamanho, tanto dos tucanos, que satanizam o Bolsa Família, quanto do O Globo, que o classifica como esmola.


A revista Época, da editora Globo, é outro desses veículos de desinformação atuantes, uma de suas principais batalhas é travada contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, todo o corpo editorial dessa revista trabalha para desconstruí-lo, fazer o golpe acontecer contra Chávez, na impossibilidade de fazê-lo contra Lula...
A capa publicada é mais uma das criações desleais e bizarras desse tipo de jornalismo que fabrica fatos, molda-os de acordo com as oportunidades políticas/econômicas. A edição da imagem é feita claramente para criar um retratado obscuro, amedrontador, uma clássica imagem do mal...Artifício barato, maldoso e sistemático, atentando contra a imagem de Chávez e, principalmente, sobre o que ele representa.


Mas nada supera o servilismo conservador e reacionário da RevistaVeja, suas edições, capas, articulistas, enfim, seus "cães de guarda", todos estão a serviço da desmoralização do que representa o governo Lula e sua continuidade política, agem descaradamente e ostensivamente contra sua imagem e seus aliados.
As capas acima são de entrevistas realizadas com os candidatos a presidência, Dilma e Serra, mas há uma notória má fé na edição das capas e uma exagerada,até exorbitante, "forcinha" na "simpatia contagiante" do Serra e na "apatia incorrigível" de Dilma, como buscou representá-los aos leitores o panfleto da direita...Como perceber isso em capas publicadas com um intervalo de tempo razoável? Taí um truque para ludibriar os leitores.


Nesta outra capa da Veja sobre o câncer de Dilma, a revista coloca em dúvidas suas possibilidades de ser a candidata de Lula a sucessão, faz previsões tenebrosas sobre o estado de sua saúde, cria enormes interrogações sobre a real possibilidade dela se recuperar, enfim, praticamente escreve o epitáfio, não apenas da candidatura, mas da pessoa Dilma Roussef, exemplo cruel de jornalismno político desumano e pragmático de destruição de imagens públicas.


Destaque para uma sugestão do que poderia ser a capa de Vejafalando sobre o cateterismo a que se submeteu, mais ou menos na mesma época, o governador e atual candidato do PSDB e das corporações da mídia a presidência, José Serra...A saúde de Serra não mereceu nada além de pequenas notas, nenhuma capa foi produzida para "escandalizar" e "prever" a morte do político tucano. Apesar de José Serra ser bem mais velho que Dilma e os homens brasileiros possuírem uma expectativa de vida menor que a das mulheres...


E o que foi o esforço "Hercúleo" da redação da revista em afirmar, claramente em suas linhas impressas, que os resultados das chuvas em São Paulo foi obra única e exclusiva da natureza, associado a falta de consciência das pessoas, notadamente os mais pobres dos subúrbios paulistanos...Em São Paulo, São Pedro e os nordestinos provocaram a catástrofe, tudo porque o governador e o prefeito da capital paulista são aliados e apostas políticas da Veja para 2010...


No Rio de Janeiro, a revista cobrou, com veemência, a responsabilidade das autoridades, governador e prefeito da capital, aliados de Lula. Apesar das chuvas no Rio terem sido a maior de toda a sua história, o destaque da matéria foi sobre aquilo que poderia ter sido feito para evitar a tragédia. São Pedro e os pobres do Rio nada tiveram a ver com isso, segundo a revista, e diga-se de passagem, nada tem a ver mesmo, foram as maiores vítimas. A Veja deveria ter feito sua cobertura em São Paulo como fez no Rio de Janeiro...
Pena que lá, pobres/nordestinos e São Pedro, foram os únicos responsabilizados pela tragédia, não as autoriddes, poupadas do desgaste público em assumir suas limitações administrativas que levaram a cidade ao caos.
Editoriais oportunistas em cima de tragédias humanas.
O que se percebe com muita nitidez é que essa exacerbação dos posicionamentos políticos dos principais veículos de comunicação do país possa se transformar num imenso suicídio de suas credibilidades, ou do que ainda resta delas. O movimento está escancarado, é possível identificar a reação de descrédito das pessoas em relação a tais matérias e tentativas golpistas de manipular a opinião das pessoas, deformando-as para interesses próprios e excludentes.
A concorrência, ainda em condições de muita desvantagem, com a blogosfera e, principalmente, os blogueiros independentes, demonstra que a informação pode resistir aos ataques em massa de desinformação produzidos por esses veículos de comunicação. Há uma luz no fim do túnel, o túnel não parece tão extenso, mas como "nunca antes na história desse país" foi-se lá conferir, como agora se faz, ve-se que o monstro que lá habita em suas trevas não é tão grande e feio como pintavam.


Pra encerrar essa análise, nada tão simbólico e alentador como a "profética" capa de Veja de 2005, com alusões explícitas à "novela Collor", que praticamente decretava o fim político de Lula e do PT, dando como certo, segundo análises de seus articulistas, o fim do governo e de suas pretensões eleitorais para 2006. O resultado está aí, hoje, estampado em revistas internacionais como a Time, reconhecido internacionalmente.
É ou não é alentadora essa batalha?

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