27 de abr de 2010

O voto aos 16 e as escolhas da Juventude
















Por Bruno Elias

Odeio os indiferentes.

(...) acredito que "viver significa tomar partido".

Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário.

(...) Vivo, sou militante.
(Antônio Gramsci)

A Juventude do PT entrará, nos próximos dias, na reta final de mobilização da sua Campanha de Voto aos 16 anos, lançada neste mês de Abril. Até o dia 5 de maio, prazo final para emissão do título de eleitor, serão realizados dezenas de atos, debates e panfletagens em todo o país, que têm como objetivo incentivar o alistamento eleitoral dos jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo.

Esta mobilização, que é a primeira etapa de uma ampla campanha do PT com e para os jovens brasileiros, também é mais uma grande oportunidade de refutar as teses conservadoras de que os jovens de hoje não participam da vida política do país como as gerações anteriores ou que são apáticos e alienados. Nem mesmo o reconhecimento de que os jovens foram afetados de maneira contundente nos anos neoliberais por valores como o individualismo e competitividade é suficiente para sustentar tais teses.

Em outra conjuntura e de maneira distinta das gerações que protagonizaram importantes movimentos juvenis no passado, quando o movimento estudantil foi a principal representação política da juventude - ainda que mesmo na época não envolvesse a maioria da juventude brasileira - hoje os jovens constroem uma rede cada vez mais ampla e diversificada de organizações.

Além da importância de dialogarmos com essa diversidade, há um conjunto de fatores que agregam importância atual ao tema da Juventude. Depois de décadas de baixo crescimento econômico e regressão social, podemos dizer que os jovens foram os maiores afetados pelo modelo de desenvolvimento conservador e pelo neoliberalismo no país. O desmonte da educação e saúde pública, a precarização do acesso ao mundo do trabalho, a escalada da violência nos centros urbanos, a concentração da propriedade no campo, entre outras faces do legado neoliberal, atingiram fortemente a vida dos jovens brasileiros.

Com a abordagem dada pelo governo Lula, a juventude foi um dos segmentos mais beneficiados pelo conjunto das políticas sociais, a exemplo da ampliação dos postos de trabalho e dos investimentos na educação. Ademais, os jovens passaram a ser compreendidos como sujeitos de direitos, acompanhando a criação de estruturas institucionais específicas como a Conferência Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Juventude e a Secretaria Nacional de Juventude, ligada a Presidência da República.

A ampliação desses avanços deve considerar o momento especial de transição demográfica do país, em que o número de jovens alcançará seu maior patamar, hoje já representando mais de um quarto da população brasileira – a ser seguido de uma trajetória posterior de envelhecimento médio do conjunto da população. Este retrato impõe a necessidade de um olhar estratégico do Estado brasileiro no sentido de garantir o desenvolvimento integral dos jovens e antecipar soluções a dilemas no campo do trabalho, saúde pública e previdência social que teremos a médio e longo prazo.

Nestas eleições, portanto, mais do que implicações eleitorais, tratar a juventude como estratégica tem vínculos profundos com o novo tipo de desenvolvimento que queremos. Trata-se de implementar políticas de juventude abrangentes e com escala, que criem condições de inserção social e produtiva capazes de romper com o ciclo de reprodução da pobreza e que transformem essa geração em vetor de um projeto de desenvolvimento de novo tipo, democrático e popular.

Envolver a juventude brasileira nesta grande disputa de projetos em curso exigirá uma ação política específica e sintonizada com os interesses desta população. Apesar de importante, a mera comparação de projetos dos campos neoliberal, de José Serra, e o democrático-popular, de Dilma Roussef, é insuficiente. Aos jovens é de suma importância que a candidatura Dilma apresente uma agenda de conquistas e mudanças para o futuro, já que muitos pela idade não vivenciaram com tanta nitidez o contraste entre os governos tucanos e os avanços do governo do campo democrático e popular.

Com o mote “As escolhas da juventude mudam a história”, a campanha da JPT relembra personagens – Che, Zumbi, Pagu e Chico Mendes - que fizeram história desde a juventude pela soberania dos povos da América Latina, na trajetória de luta e resistência dos negros no Brasil, na luta pelos direitos das mulheres e por um modelo de desenvolvimento sustentável ambientalmente. Mais do que um apelo à participação dos jovens nas eleições de outubro, a campanha reafirma o papel pedagógico da ação partidária e a mensagem de que “a política pode mudar a vida e nós podemos mudar a política”.

As escolhas da juventude de pessoas como Dilma, ao resistir à ditadura e lutar pela democracia, colocaram-na ao lado daqueles que querem um país mais justo, soberano e democrático. Lutemos para que nossas escolhas também mudem a história e a elejam como a primeira mulher presidente do país e com um programa transformador para a juventude brasileira.

Bruno Elias é Coordenador de relações internacionais da JPT


Um comentário:

  1. Acesse o blog http://vivendoideais.blogspot.com/ e da uma olhadinha no artigo sobre o voto dos jovens!
    Seu blog está muito bom!

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