10 de mar de 2012

60º ano da morte de Alexandra Kollontai

Alexandra Kollontai
Por Glauco Pereira dos Santos - Blog Manifesto-me - 09.03.2012
É curioso que um dia após o Dia Internacional da Mulher tenha morrido a mulher que primeiramente reivindicou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Há exatos 60 anos falecia Alexandra Kollontai, no dia 09 de março de 1952. Mas quem hoje se lembraria de uma pessoa falecida há tanto tempo, “jogada na lata de lixo da história”, já que foi uma comunista soviética de primeira hora? Poucos. Eu mesmo só me apercebi da efeméride porque queria postar uma frase sua no Facebook, por ocasião da proximidade com a data de ontem. Daí então, pesquisando sobre a sua vida é que descobri que hoje faz 60 anos de sua morte, então como não li nada sobre ela na data de hoje em lugar nenhum (seria demais imaginar que o Google fizesse uma logomarca personalizada), resolvi eu fazer a minha homenagem. A quem interessar possa.

Alexandra Kollontai foi uma das mais importantes ativistas da reivindicação e promoção dos direitos das mulheres de fins do século XIX e do século XX. Ela participou ativamente da revolução russa, apesar de sua origem aristocrática. Seu pai era general do Czar.

Casada, insatisfeita com a vida de dona de casa, dedicou-se à literatura, tendo escrito um romance que retrata as infelicidades de uma jovem mulher de sua época.

Cansada da “tirania do amor”, deixou o marido e o filho para ingressar na vida política e poder estudar Economia na universidade. Também trabalhou como voluntária, conhecendo de perto a situação de pessoas extremamente pobres.

Ainda no século XIX, ingressou no Partido Social Democrata Operário Russo, de viés marxista.

No início do século XX esteve em Paris no mesmo período em que Rosa Luxemburgo lá esteve.

Em 1905, de volta à Rússia, presenciou “in loco” o “Domingo Sangrento” em frente ao Palácio de Inverno, no qual operários em passeata pacífica foram massacrados pelas forças do Czar.

No ano de 1906 participou do Congresso da Internacional Socialista como única delegada da Rússia e iniciou um trabalho para reivindicar o 8 de março como dia internacional de lutas das mulheres operárias, em homenagem às mulheres estadunidenses queimadas em um incêndio criminoso numa fábrica de New York.

Alexandra foi uma das primeiras mulheres a batalhar pela organização setorial das mulheres no seio do movimento operário, promovendo comícios específicos de mulheres.

Foi presa política na Alemanha e na Suécia antes da revolução de 1917.

Em 1917, foi a primeira mulher eleita para o Soviete de Petrogrado e editou o jornal A Operária, além de organizar o primeiro congresso das mulheres operárias de Petrogrado.

Com a revolução vitoriosa e a tomada do poder pelos bolcheviques, Alexandra foi eleita para a Assembleia Constituinte e logo depois é nomeada como Comissária do Povo do Bem-Estar Social, o equivalente ao cargo de Ministra. Aliás, a única mulher no ministério do primeiro governo revolucionário. Nessa condiçãoe daí por diante, ela responsabilizou-se pela aprovação de um conjunto de leis que determinavam a igualdade salarial entre homens e mulheres, a criação de direitos de assistência, a aprovação de creches, o direito ao voto para as mulheres, a direito ao divórcio e ao aborto. Foi também Comissária do Povo para a Segurança (ou Assistência) Social, tendo promovido também medidas para a proteção da infância e da maternidade,

Assim como Che Guevara, não tinha apego a cargos políticos, e, ao divergir de Trotsky na condução da Iª Guerra Mundial (o comandante do Exercito Vermelho defendia a assinatura de um tratado de paz bilateral com a Alemanha), renunciou ao cargo de Ministra. Contudo, não abandonou a militância política e organizou o Primeiro Congresso das Mulheres Trabalhadoras de Toda a Rússia, no qual foi criado o Departamento de Mulheres do Partido Comunista. Não foi a primeira a dirigir o Departamento, mas foi a Segunda.

Em 1922, Alexandra Kollontai aderiu à Oposição Operária, defendendo uma desburocratização do partido e maior liberdade de discussão política para todos. Como prêmio, foi destituída do cargo no Departamento de Mulheres, mas logo em seguida foi designada para a carreira diplomática, tendo sido pioneira, mais uma vez nessa área.

Ela tem uma vasta obra, não apenas novelística, mas também na área da economia política, da psicologia social e da política, com títulos como A situação da classe operária na Finlândia, Base social da questão feminina,  Sociedade e maternidade, Quem precisa da guerra?, A classe operária e a nova moral, A nova mulher, O comunismo e a família e A moral sexual.

Sobre o Dia da Mulher, Alexandra tem um texto, com o mesmo nome, escrito em 1913, no qual escreveu: “O Dia da Mulher é um elo na longa e sólida cadeia da mulher no movimento operário. O exército organizado de mulheres trabalhadoras cresce a cada dia (...) Uma força poderosa! Uma força com a qual os poderes do mundo devem contar quando se põe sobre a mesa o tema do custo de vida, da segurança da maternidade, do trabalho infantil ou da legislação para proteger os trabalhadores”.

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