Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

2 de dez. de 2010

Desmatamento na Amazônia tem queda recorde e é o menor em 23 anos

 
Número representa queda de 13,6% sobre estimativa do ano passado.
Do Globo Amazônia, em São Paulo e Brasília

O ritmo do desmatamento da Amazônia alcançou seu menor nível desde 1988, batendo novo recorde em relação ao ano passado.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (1º), o dado mais recente de desmatamento na Amazônia representa redução de 13,6% em relação à área devastada no ano passado, quando 7.008 km² de mata foram derrubados.

A área desmatada no bioma é a menor desde 1988, quando as estatísticas começaram a ser feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulga nesta quarta o desmatamento anual computado pelo Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).
 

Do Blog do Saraiva - 01.12.2010

25 de jun. de 2010

Festival de Parintins começa hoje com transmissão da Band

Todos os  detalhes dos desfiles do Caprichoso e do Garantido serão exibidos pela  Band

Foto: Divulgação



Todos os detalhes dos desfiles do Caprichoso e do Garantido serão exibidos pela Band

Da Redação

entretenimento@band.com.br

A partir das 22h desta sexta-feira, dia 25, é dada a largada oficial para o Festival de Parintins. Com exclusividade, a Band irá transmitir as três noites daquela que é uma das maiores manifestações folclóricas do país.

Em mais de 12 horas de programação, o evento será apresentado por Téo José e Nadja Hadah diretamente do estúdio da emissora no Bumbódromo. As reportagens ficam com Ricardo Neves. No camarote Coca-Cola/Band, Luize Altenhofen comanda a festa.

Para quem não quer perder um só detalhe, entrarão em cena dez câmeras que irão exibir os desfiles dos Bois Garantido e do Caprichoso em alta definição (HD).

Apresentações

Nessa quinta-feira, dia 24, houve o sorteio da ordem das apresentações nos três dias. Quem abre a festança na sexta é o Garantido, às 22h, no horário de Brasília. Na sequência vem o Caprichoso para fechar o dia.

No sábado, o contrário: Caprichoso abre e Garantido encerra. Situação que se mantém no domingo. Na segunda-feira, dia 28, a partir das 13h, acontece a aguardada apuração para definir o grande vencedor do 45º Festival de Parintins.

Redator: Tanara de Araújo

---------------------------------------------------------------------------------
Leia mais notícias sobre a cidade de Parintins da Amazônia



21 de jul. de 2009

Meio Ambiente - Depois de produção de documentário, Amazônia virou foco da BBC


Durante o processo de elaboração do programa científico da 61ª Reunião Anual da SBPC foi lançado o desafio de se colocar o tema "mídia e Amazônia" em discussão. E na última quarta-feira (15), durante a conferência "Da Amazônia para o mundo: bastidores e repercussão da série de documentários produzidos pela BBC", o jornalista e editor responsável pela América Latina e Caribe da BBC (British Broadcasting Corporation), Américo Pacheco Martins, falou sobre a experiência de coordenar a série de documentários sobre a Amazônia.

Martins enfatizou que, até pouco tempo, o tema ‘Amazônia' não estava nas prioridades de cobertura internacionais na BBC. No entanto, ele teve interesse pelo tema e decidiu propor aos colegas editores o desafio de fazer uma série de documentários sobre a Amazônia. A negociação durou um ano e meio. "Então, foram enviados jornalistas para a Amazônia com um leque de opções de entrevistados, entre eles especialistas, moradores da região, empresários e habitantes das aldeias indígenas. A regra era encontrar boas e reais histórias", conta. Foi o maior projeto jornalístico da BBC e envolveu 10 línguas diferentes e 33 jornalistas.

A série começou a ser vinculada em TV paga no dia 15 de meio de 2008, com transmissões ao vivo de flutuantes direto do Rio Negro. No entanto, alguns trechos podem ser acessados no site da BBC.

As conclusões do trabalho - embora não tenha sido realizada nenhuma pesquisa específica sobre isso - é que o nível de debate interno na BBC, no que se refere a Amazônia, está em outra dimensão. "As discussões estão mais aprofundadas", diz Martins que acredita também na contribuição dos documentários para desmistificar o olhar estrangeiro sobre a Amazônia (assista aqui).

A BBC é uma empresa pública que tem seu orçamento a partir de arrecadação do imposto de renda por residência com televisão. O imposto vai direto para a BBC o que garante maior independência financeira. A BBC está disponível em 33 línguas para o mundo inteiro. São 260 milhões de pessoas, por semana que acessam os veículos de rádio, televisão e internet.

Fonte: Com Ciência - SBPC - 20.07.09

11 de jul. de 2009

FÉRIAS NO SESC (BRASIL) e a programação em ITAQUERA

No SESC a programação em todas as unidades do País está aqui, consulte a sua cidade.

Na Unidade Itaquera, a diversão é garantida nas férias : As atrações são muitas, Literatura e teatro Infantil, atividades recreativas, intervenções artísticas e oficinas de criatividade. Além de música, cinema e exposição.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

TEATRO
espetáculos
BONECOS NO ITAQUERA!
Espetáculos de Teatro de Bonecos, com técnicas variadas e bate papo com os grupos, apresentando seus trabalhos e formas de produção. De julho a outubro de 2009.

Melancia e Coco Verde
Texto e direção: Natália Grisi. Com o Núcleo Girândola. Bia, Ana Clara, Rafael e Vladmir são amigos de escola, sendo preparados para a vida com muita alegria e imaginação. 50 min. CineTeatro. Lotação: 140. Livre para todos os públicos
05/07. Domingo, 13h.

Papo de Sapo
Com a Cia. das Cores. As divertidas peripécias do sapo Pemba que encontra outros sapos, personagens de histórias infantis. 50 min. CineTeatro. Lotação: 140. Livre para todos os públicos.
12/07. Domingo, às 13h.

Peixoto Recicla!
Direção: Márcia Fossa. Com a Cia. Presente. O peixe Peixoto e sua turma pedem ajuda a Netuno e outros amigos para despoluir seus lares. Ao final, as crianças ajudam, construindo brinquedos recicláveis. 50 min. CineTeatro. Lotação: 140. Livre para todos os públicos
19/07. Domingo, 13h.

Zezé Porcaria
Com a Cia das Cores. Espetáculo que aborda questões sobre a alimentação infantil na cozinha do menino Zezé, onde os utensílios ganham vida e alegria. 50 min. CineTeatro.
lotação: 140. Livre para todos os públicos
26/07. Domingo, 13h.

INFANTIL
espetáculos

CIRCUS VARIETÉ
Trupe Trolhas. Dois palhaços, um acordeon e uma mala recheada de instrumentos, bonecos, malabares e muitas brincadeiras. 40 min. Espaços abertos da unidade.
LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
29/07. Quarta, às 11h e às 13h.

AYURCA
Criação: Tercio Emo. Com a Cia. Os Pândegos. Improvisação interativa com palhaços e música ao vivo. 40 min. Espaços abertos da unidade.
LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
30/07. Quinta, às 11h e às 13h.

BRINCADEIRAS NO PARQUE
Trupe Trolhas. Intervenção artístico-musical com improvisos, brincadeiras e música ao vivo. 40 min. Espaços abertos da unidade. LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
31/07. Sexta, às 11h e às 13h.

MÚSICA
shows
Quinteto em Branco e Preto
Formado por dois grupos de irmãos Magnu e Maurílio, de Santo Amaro e Everson, Yvison e Vitor Hugo, de São Mateus, todos são instrumentistas e compositores. Com participação especial de Fabiana Cozza e Osvaldinho da Cuíca. Palco da Orquestra Mágica.
Livre para todos os públicos 26/07. Domingo, às 15h.

música erudita
TODOS OS SONS
Difusão de todos os gêneros da cultura musical.

Duo MPB
Com Gianni Visoná e Ilso Muner (violino e piano). No programa: clássicos do cinema e da MPB. 60 min. Café Aricanduva. Livre para todos os públicos
05/07. Domingo, às 15h.

Duo acústico
Com Fabiano de Castro e Ricardo Zohyo (Baixo Acústico e Piano). No programa: música instrumental brasileira. 60 min. Café Aricanduva. Livre para todos os públicos
12/07. Domingo, às 15h.

Duo Flauta e Piano
Com Marta Karassawa e Gabriela Machado (Flauta e Piano). No programa: MPB, Chorinho e Jazz. 60 min. Café Aricanduva. Livre para todos os públicos
19/07. Domingo, às 15h.

contação de histórias

CONTE OUTRA VEZ
Com a Cia. do Mapinguary. Contos tradicionais "Maria Borralheira", "O Homem do Saco" e "O Marido da Mãe D'Água", apresentados com parlendas e canções. 45 min. Sede Social.
LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
05/07. Domingo, 11h.

JOÃO E MARIA E OUTRAS HISTÓRIAS
Com a Cia. do Mapinguary. "João e Maria", "O Saci", "Uroshima Taro" e outras histórias, com participação infantil e brincadeiras. 45 min. Sede Social. LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
12/07. Domingo, 11h.

ALÉM DAS MONTANHAS
Contos, causos e lendas das cidades de Minas Gerais, com participação do público infantil. 45 min. Sede Social. LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
19/07. Domingo, às 11h.

MISTÉRIOS DA AMAZÔNIA
Lendas amazônicas como a "Vitória Régia", o "Uirapuru", o "Japim", o "Curupira" e a "Serpente Arco-Íris". 45 min. Sede Social.
LIVRE - esta atividade será melhor aproveitada por todas as crianças
26/07. Domingo, 11h.


LITERATURA

especial
EM BOA COMPANHIA
Descubra o prazer da leitura com escritores de vários gêneros literários, nos caminhos que percorrem na construção de histórias. Livre para todas as idades.

Que palavra é essa?
Recital brincante de poemas no qual a platéia participa ativamente de tudo sendo autora do momento. Com Cláudio Thebas, escritor e palhaço. Sede Social.
Livre para todos os públicos
19/07. Domingo, das 14h às 15h.

A Menina dos pais crianças
A história aberta e a reconstrução do roteiro numa experiência interativa com o público. Com Kiara Terra, escritora e contadora de histórias. Sede Social. Livre para todos os públicos
26/07. Domingo, das 14h às 15h.

NATUREZA E MEIO AMBIENTE

especial

ESTÁ NO AR....
Painéis infláveis, lúdicos e divertidos convidam você a descobrir o universo invisível das partículas que compõem o ar, como elas se comportam dentro e fora do corpo e o que podemos fazer para manter saudável a qualidade do ar nas grandes cidades. Ginásio de esportes. Informações e Agendamento de grupos e visitação livre: 2523-9286/9287.
De 16/04 a 29/11. Quarta a domingo, das 9h30 às 16h30.

Trilha da Alimentação Saudável
Uma divertida brincadeira onde os mitos e verdades da alimentação serão desvendados. Para crianças a partir de 6 anos. Praça de Eventos.
29/07, 30/07, 31/07. Quarta a sexta, às 10h.

SERVIÇO: SESC ITAQUERA
Endereço: Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000
Telefone para informações: 11 2523-9200
Preços de Portaria: R$ 2,00 a R$ 6,00 (acesso à unidade de Quarta a Domingo)
Estacionamento R$ 3,00 (Quarta a Sábado) , R$ 5,00 (Domingos e Feriados) Para informações sobre outras programações ligue 0800-118220 ou acesse o portal www.sescsp.org.br

Sueli Freitas
Assessoria de Imprensa
Fones : 2523-9267 - 9602-0023
sueli@itaquera.sescsp.org.br

10 de jul. de 2009

Educação e tecnologia - Recursos para ciência e tecnologia somaram R$ 2 bi em 2008

O Bom Dia Ministro desta quinta-feira (9) entrevistou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. No programa, realizado com âncoras de diversas rádios, Rezende falou sobre o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para Desenvolvimento Nacional, conhecido como PAC da Ciência, e das ações do governo para ampliar a formação de mestres e doutores. O Bom Dia é produzido e coordenado pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República e transmitido ao vivo, via satélite, para emissoras de todo o País. Leia abaixo os principais trechos.

PAC da Ciência

"O Plano é muito abrangente. Costumo ressaltar que o importante é que pela primeira vez temos um plano de ação para quatro anos, uma vez que ciência e tecnologia são preocupações muito novas em nossa sociedade e não estão ainda difundidas nas empresas. A população não percebe bem como se beneficiar desse conhecimento acumulado e as próprias universidades começaram a montar grupos de pesquisa há 40, 50 anos, no máximo. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) também é jovem, criado há 24 anos. Nesse tempo, teve épocas muito atribuladas. Pela primeira vez, não tem apenas uma política genérica, mas um plano de ação, com quatro prioridades e recursos definidos. O objetivo do Plano é dar maior dimensão à ciência e fazer com que ela cumpra um papel abrangente, intensificando as ações no centro de pesquisas, nas universidades, chegando às empresas, que precisam ser competitivas, fazer inovação, além de alcançar pequenos produtores a jovens."

Recursos para pesquisa
"Eles têm aumentado consideravelmente. O principal fundo de apoio à pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, fora das universidades, é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico Tecnológico (FNDCT). O fundo teve em 2002 R$ 350 milhões executados. Em 2008 esse número já alcançou R$ 2 bilhões. Os recursos estão aumentando. Tivemos esse ano, uma crise econômica mundial. Apesar da crise econômica mundial, os recursos para ciência e tecnologia não estão diminuindo esse ano em relação a 2008."

Fomento para novas empresas
"Temos avançado muito nesse setor. Empresas tradicionais não têm a cultura de fazer inovação, de investir num processo de investigação, porque isso demora tempo, mas estamos de qualquer maneira ampliando as ações para empresas tradicionais. O grande campo no Brasil é exatamente estimular novas empresas de tecnologia, aquelas que são criadas por pesquisadores das universidades, por técnicos e estudantes."

Primeira Empresa Inovadora
"O programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) oferece recursos para empresas criadas até dois anos. São recursos não-reembolsáveis. Para recebê-los, as empresas entram numa competição muito grande. Para fazer essa competição em todo o País, a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) credenciou 17 incubadoras de empresa. Existem mais de três mil empresas inscritas no Programa. As empresas novas estão recebendo apoio para o financiamento."

Monitoramento da Amazônia
"O controle do Brasil sobre a Floresta Amazônica melhorou muito nos últimos dez anos em grande parte porque hoje temos um sistema de satélite, desenvolvido junto com a China, que é o CBERS. Ele passa a cada 1h40 pela mesma latitude em torno da Terra, dando 13 voltas por dia, fotografando, mandando eletronicamente as imagens para uma estação que tem em Cuiabá. Não é um monitoramento diário porque a cada hora o satélite passa por um local diferente. A cada 15 dias temos o retrato da Amazônia. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fornece aos órgãos de fiscalização a imagem do que está ocorrendo. Pelo controle do Inpe houve um aumento do desmatamento há um ano e meio. Há dois anos, o governo tomou medidas não só de fiscalização, mas de restrição. Por exemplo: atualmente os bancos oficiais estão exigindo certificação da origem do gado para que os frigoríficos tenham financiamento."

Base de Alcântara
"O programa brasileiro tem dois principais componentes: um é o de fabricar satélites, e no momento o Inpe já tem a competência para fabricar satélites de observação da Terra, e está fazendo isso. A outra linha é a de colocar um satélite em órbita. A base de Alcântara tem essa finalidade: soltar foguetes que coloquem o satélite em órbita. Ocorre que para lançá-lo precisa ter o domínio do combustível e o Brasil ainda não domina completamente essa tecnologia. A torre que havia em Alcântara era usada experimentalmente para lançar foguetes, que não conseguia colocar o objeto em órbita. Eram foguetes experimentais, que subiam um certo número de quilômetros e caíam no mar e eram estudados. Houve aquele acidente sério e tivemos muitas dificuldades desde 2004 porque foi realizada uma licitação para uma empresa reconstruir a torre. A empresa que perdeu entrou na justiça. Só agora a torre de Alcântara está sendo reconstruída e estará pronta antes do final do ano. Isso atrasou os testes. Fizemos um acordo com a Ucrânia e criamos uma empresa binacional que chama Alcântara Cyclone Space. Ano que vem, receberemos um foguete feito na Ucrânia, grande fornecedora do programa espacial da União Soviética. O primeiro foguete será inteiramente ucraniano, mas o segundo já terá componentes nacionais. "

Formação de Mestres e doutores
"O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) foi criado em 1951. Nas décadas de 50 e 60 e um pouquinho em 70 a maior parte dos bolsistas iam para o exterior. Atualmente, o CNPQ tem cerca de 70 mil bolsas de pós-graduação e, dessas, apenas duas mil para outros países. Passamos a ter no Brasil programas de mestrado e doutorado de qualidade internacional. Muitos bolsistas nem querem ir para o exterior. E, aqueles que querem, entram numa competição muito grande, porque o número de bolsas é pequeno. Há uma expansão do Sistema Universitário. Empresas estão contratando, principalmente mestres, mas também doutores e em muitas áreas faltam pessoas. Em 1987, o Brasil formou aproximadamente mil doutores e quatro mil mestres. No ano passado, formamos cerca de 40 mil mestres e doutores. Em 21 anos, aumentamos o número de mestres e doutores por um fator dez."

Ciência nas escolas
"O Ministério da Educação tem um programa de colocar laboratórios de informática em todas as escolas públicas de todos os níveis. São poucas federais, mas são muitas estaduais e municipais. Já há laboratório de informática em cerca de 70 mil escolas de ensino médio em operação. Elas estão sendo gradualmente interligadas à internet por um programa que o governo federal lançou no ano passado. Teremos até o final deste ano cerca de 50 mil escolas públicas ligadas e alguns governos estaduais estão tomando iniciativas para melhorar isso. Como a Educação ficou meio desassistida durante muito tempo, não se resolve o problema da educação de uma hora para outra. É preciso um conjunto de programas. Há uma melhora considerável no uso de tecnologias e no resultado do ensino público no Brasil."

Por Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº 842 - Brasília, 9 de Julho de 2009

9 de jul. de 2009

Premio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde.

Por Ricardo Kotscho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos.
Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.
Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.
Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.
Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, o senhor assume novas responsabilidades na história.Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.
Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. Ambientalistas protestam durante premiação de Lula, foi o título da página A7 do Estadão.
O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório.O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amazônia tem que ser realmente preservada?, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.
Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.
A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.
É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.
Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.
Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.
O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.
Valeu, Lula. Parabéns!

O caso Lúcio Flávio Pinto - Jornalista é condenado pela Justiça do Pará

Do Observatório da Imprensa

MAIORANA vs. LÚCIO FLÁVIO PINTO

Jornalista é condenado pela Justiça do Pará

Por Rose Silveira em 8/7/2009

O repórter e editor do Jornal Pessoal de Belém (PA), Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana (ORM), uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo.

A sentença, expedida no último dia na segunda-feira (6/7), refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual abordava as atividades de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos 1950, o que teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.

O juiz Chagas Filho entende que o jornalista à frente de seu jornal, que é um alternativo, tem ampla capacidade de pagamento da indenização, como se comprova a partir da sua sentença, na qual ainda afirma que o jornalista agiu de forma mentirosa com a intenção de obter lucros. “A fixação do valor da indenização por danos morais deve valorar a extensão do dano, a capacidade de pagamento do autor do ilícito e o efeito pedagógico da medida que tem objetivo de evitar novas ocorrências. A capacidade de pagamento dos requeridos (Jornal Pessoal e Lúcio Flávio Pinto) é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhes garante um bom lucro. Assim sendo, a indenização não poderá ser insignificante, sob pena de restar inócua, perdendo seu caráter preventivo e educativo, posto que seria mais vantajoso enfrentar pedidos de indenização na justiça do que ser mais comedido em informações inverídicas, mas que aumentam a audiência e, por conseguinte, o faturamento da empresa com a venda dos exemplares”, argumentou.

Sem patrocínio, sem anúncios

Não é a primeira vez que o jornalista sofre um revés em função de artigos envolvendo a família Maiorana. No dia 12 de janeiro de 2005, Lúcio Flávio Pinto foi agredido fisicamente por Ronaldo Maiorana e seus dois seguranças (policiais militares exercendo funções privadas) em um restaurante de Belém, alegando o empresário ter sido motivado pela publicação do artigo “O Rei da Quitanda”, que versava sobre o irmão, Romulo Maiorana Júnior, e sua atuação como empresário de comunicação. Condenado ao pagamento de cestas básicas, Ronaldo Maiorana levou adiante as ações inibitórias da atividade do jornalista.

Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d´Oro per La Pace; e em 2005, em Nova York, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor de 14 livros, tendo como tema central a Amazônia; os mais recwentes são Contra o Poder, Memória do Cotidiano e Amazônia Sangrada (de FHC a Lula).

***

Reação de Lúcio Flávio Pinto à condenação

Ao caro leitor

Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem [6/7] me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª Vara Cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.

O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.

O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.

O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.

As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.

O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, “meses antes de tamanha inspiração”, me envolvi “em grave desentendimento” com eles.

O “grave desentendimento” foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.

Inversão de pólos

O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.

Diz o juiz que o texto possui “afirmações agressivas sobre a honra” de Romulo Maiorana pai, tendo o “intuito malévolo de achincalhar a honra alheia”, sendo uma “notícia injuriosa, difamatória e mentirosa”.

A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.

Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.

Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.

Constituição violada

Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.

Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.

O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de 40 mil reais, dizendo que a “capacidade de pagamento” do meu jornal “é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro”.

Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.

O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc. O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.

Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.

Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à Constituição do Brasil e ao Estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.

Ira e represália

Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica - todas e por todo - as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.

Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, o Jornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.

Belém, 7 de julho de 2009

Lúcio Flávio Pinto

8 de jul. de 2009

AMA SEM ANTIBIÓTICO DEIXA OS PACIENTES NA MÃO

Gilberto Yoshinaga - do Agora - 07.07.09

Pacientes chegam com a receita médica nas mãos, não conseguem o medicamento desejado e também não são informados sobre como ou quando podem obtê-lo.

A cena se repete várias vezes por dia na AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Vila Moraes, no Cursino (zona sul de SP). Segundo contagem feita entre anteontem e ontem pelo Agora, menos de um terço dos pacientes acha o remédio de que necessita --de 28 pessoas que procuraram remédios lá, 20 voltaram para casa de mãos abanando.

Vários medicamentos estão em falta, incluindo antibióticos, antialérgicos, xarope e até antidepressivos. O remédio mais barato que o Agora constatou estar em falta na AMA Vila Moraes é o indutor de sono Clonazepam, que nas farmácias custa R$ 8,27. O mais caro é o xarope Percof, que sai por R$ 18,73 nas farmácias.

Desorientados, os pacientes têm de procurar outros postos de saúde ou tirar dinheiro do bolso, como fez o instalador Manoel Messias dos Santos, 25 anos. "Faltei ao trabalho para procurar dois remédios para a minha mãe. Em três AMAs, não achei", lamentou ele, ontem, na unidade Vila Moraes. "Ninguém soube me dizer onde eu encontro [os medicamentos]. Vou comprar na farmácia."

Outro paciente que desistiu de contar com o serviço municipal e resolveu comprar os remédios foi Expedito Batista da Silva, 47 anos. Ele foi ontem de manhã à AMA Vila Moraes, mas não encontrou o antibiótico Azitromicina nem o xarope Percof para a mulher. "Fazer o quê? Vou ter que comprar", afirmou ele, ainda sem saber os preços dos dois produtos. Em uma farmácia, o Agora encontrou o primeiro sendo vendido a R$ 15,08. Já o xarope custava R$ 18,73.

Com problemas na perna esquerda, devido a um acidente de trabalho que sofreu, o ajudante José da Silva Durães, 34 anos, caminha com dificuldade, usando uma bengala. Em vão, ele foi à AMA Vila Moraes, anteontem, procurar remédios para a filha de nove anos. "Só me falaram que não tem, mais nada", contou ele, com dores na perna. "Vou continuar procurando em outros postos de saúde", disse.

Nota fiscal
A dona de casa Dalvani Maria de Souza, 48 anos, procurava anteontem o antialérgico Loratadina para sua filha de três anos. "As funcionárias falaram que não tinha e me recomendaram ir a outro posto de saúde", contou. Ela, então, foi à UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila das Mercês, a um quilômetro dali, mas perdeu a viagem novamente.

Dalvani resolveu pagar R$ 10 em uma farmácia, ontem. "Não teve jeito. Se não comprasse, ficaria sem remédio", afirmou ela, que guardou a nota fiscal, na esperança de ser reembolsada pela prefeitura. "Mas eu não acredito que eles vão devolver esse dinheiro."

Lula: "O alerta é válido e a Amazônia deve ser preservada"





Aqui para nós, esse Lula é mesmo um grande estadista.

Por Terror do Nordeste - 08.07.09

---------------------------------------------

Lula esbanjou simpatia e referendou manifestantes do Greenpeace



Lula esbanjou simpatia e referendou manifestantes do Greenpeace

- por Zé Augusto, do blog Amigos do Presidente Lula

Ao receber da UNESCO o premio Félix Houphouët-Boigny, pela promoção da Paz, o presidente Lula, exercitou a própria paz.

Durante a premiação, dois manifestantes do Greenpeace se infiltraram no palco, a poucos metros do presidente, e desenrolaram as faixas "Lula, salve a Amazônia, salve o clima".

Os seguranças da organização entraram em ação. Um manifestante se sentou no palco, sendo retirado, mas sem tumulto, nem resistência. Um outro manifestante entregou ao presidente um globo do planeta Terra.

Ao iniciar seu discurso na premiação, presidente com excelente humor entrou no clima do Lulinha paz e Amor:

Começou "pedindo desculpas aos jovens que entraram aqui com as faixas" porque não havia entendido o objetivo da manifestação na primeira hora.

"Muitas vezes, por um problema de língua, não se sabe quem é. E o papel da segurança é não permitir isso, mas o alerta desses jovens é válido para todos nós...

...De qualquer forma, o mal entendido permitiu que toda a imprensa fotografasse a manifestação...

...a preocupação desses jovens é de toda a humanidade. A Amazônia tem de ser preservada", disse o presidente, sob aplausos da platéia.

GOLPE EM HONDURAS

No discurso, Lula criticou enfaticamente o golpe em Honduras.

Defendeu avanços na criação de um Estado palestino, e defendeu reforma das organizações internacionais para que os países emergentes tenham maior representatividade.

Por André Lux - Do tudo em cima - 08.07.09

Jornalismo é crime!

Por Azenha - Vi o mundo - 08.07.09

Jornalista mentir, deturpar, inventar, omitir, para atender a interesses político-econômicos dos patrões, pode. A mídia corporativa faz isso o tempo inteiro. Já revelar a verdade, corre-se o risco de processo. O caso do Leandro Fortes é exemplar. Devido a reportagem publicada em Carta Capital, está sendo processado por Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal (STF).

Agora, a condenação do Lúcio Flávio Pinto. Ildeber Avelar relata de forma brilhante este absurdo. Nossa solidariedade a Lúcio, que está sendo punido apenas por fazer o que todo jornalista deveria fazer: jornalismo.

Ronaldo Maiorana, da corja dos Marinho, espanca e sai livre; Lúcio Flávio Pinto faz jornalismo e é condenado

Idelber Avelar, em O Biscoito fino e a Massa

Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal , empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes. Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987, foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do banco e procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.

Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento, crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.

Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando, prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado --, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava. O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos, entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n'O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.

Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal. O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.

O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário -- inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?

Vá ao excelente blog do Ildeber Avelar, para ler outras preciosidades.

---------------------------------

Por Luis Nassif - 08.07.09

O caso Lúcio Flávio Pinto

Do Observatório da Imprensa

MAIORANA vs. LÚCIO FLÁVIO PINTO

Jornalista é condenado pela Justiça do Pará

Por Rose Silveira em 8/7/2009

O repórter e editor do Jornal Pessoal de Belém (PA), Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana (ORM), uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo.

A sentença, expedida no último dia na segunda-feira (6/7), refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual abordava as atividades de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos 1950, o que teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.

O juiz Chagas Filho entende que o jornalista à frente de seu jornal, que é um alternativo, tem ampla capacidade de pagamento da indenização, como se comprova a partir da sua sentença, na qual ainda afirma que o jornalista agiu de forma mentirosa com a intenção de obter lucros. “A fixação do valor da indenização por danos morais deve valorar a extensão do dano, a capacidade de pagamento do autor do ilícito e o efeito pedagógico da medida que tem objetivo de evitar novas ocorrências. A capacidade de pagamento dos requeridos (Jornal Pessoal e Lúcio Flávio Pinto) é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhes garante um bom lucro. Assim sendo, a indenização não poderá ser insignificante, sob pena de restar inócua, perdendo seu caráter preventivo e educativo, posto que seria mais vantajoso enfrentar pedidos de indenização na justiça do que ser mais comedido em informações inverídicas, mas que aumentam a audiência e, por conseguinte, o faturamento da empresa com a venda dos exemplares”, argumentou.

Sem patrocínio, sem anúncios

Não é a primeira vez que o jornalista sofre um revés em função de artigos envolvendo a família Maiorana. No dia 12 de janeiro de 2005, Lúcio Flávio Pinto foi agredido fisicamente por Ronaldo Maiorana e seus dois seguranças (policiais militares exercendo funções privadas) em um restaurante de Belém, alegando o empresário ter sido motivado pela publicação do artigo “O Rei da Quitanda”, que versava sobre o irmão, Romulo Maiorana Júnior, e sua atuação como empresário de comunicação. Condenado ao pagamento de cestas básicas, Ronaldo Maiorana levou adiante as ações inibitórias da atividade do jornalista.

Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d´Oro per La Pace; e em 2005, em Nova York, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor de 14 livros, tendo como tema central a Amazônia; os mais recwentes são Contra o Poder, Memória do Cotidiano e Amazônia Sangrada (de FHC a Lula).

***

Reação de Lúcio Flávio Pinto à condenação

Ao caro leitor

Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem [6/7] me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª Vara Cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.

O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.

O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.

O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.

As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.

O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, “meses antes de tamanha inspiração”, me envolvi “em grave desentendimento” com eles.

O “grave desentendimento” foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.

Inversão de pólos

O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.

Diz o juiz que o texto possui “afirmações agressivas sobre a honra” de Romulo Maiorana pai, tendo o “intuito malévolo de achincalhar a honra alheia”, sendo uma “notícia injuriosa, difamatória e mentirosa”.

A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.

Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.

Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.

Constituição violada

Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.

Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.

O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de 40 mil reais, dizendo que a “capacidade de pagamento” do meu jornal “é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro”.

Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.

O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc. O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.

Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.

Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à Constituição do Brasil e ao Estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.

Ira e represália

Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica - todas e por todo - as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.

Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, o Jornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.

Belém, 7 de julho de 2009

Lúcio Flávio Pinto



11 de jun. de 2009

Caravana do 'Terra Legal' quer retirar 46 municípios da lista de desmatadores


A Caravana faz parte do programa Terra Legal, que envolve 13 ministérios além de bancos públicos
Agência Brasil - O governo federal pretende retirar 46 municípios da lista dos maiores desmatadores do País. Com esse objetivo, três carretas deixaram nesta quarta-feira, 10, Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e vão percorrer mais de 20 mil quilômetros para levar serviços públicos e iniciar a legalização de propriedades rurais em nove estados da Amazônia Legal.

A caravana faz parte do programa Terra Legal, que envolve 13 ministérios além de bancos públicos, empresas e autarquias. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Terra Legal tem por meta regularizar em três anos 296 mil imóveis rurais de até 15 módulos fiscais (1.300 hectares) ocupados por posseiros. O marco legal que permite a atuação do Terra Legal foi aprovado na polêmica MP-458.

"É importante ressaltar que o presidente Lula é a favor dos posseiros, e não dos grileiros", disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pouco antes de as carretas seguirem destino.

"Temos instrumentos que nos permitirão diferenciar posseiros de grileiros ou de seus laranjas. A transparência é um desses instrumentos. Tanto a internet quanto as próprias prefeituras disponibilizarão as informações. Havendo divergências, a própria população terá condições para fazer denúncias", completou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

A previsão é de que entre os dias 18 e 20 de junho o programa já esteja funcionando nos primeiros municípios a serem atendidos: Alta Floresta (MT), Marabá (PA) e Porto Velho (RO).

As caravanas seguem carregadas de equipamentos e mobiliário para atendimento à população dos municípios. A infraestrutura conta com Notebooks, antenas de conexão para internet via satélite, impressoras, copiadoras multifuncionais, TVs LCD, projetores multimídia, telas para projeção, equipamentos de sonorização, estruturas de sinalização e mobiliário geral.

O controle e o combate ao desmatamento, em consonância com a regularização fundiária e a sustentabilidade da produção, são o foco estruturante do Arco Verde Terra Legal. “Você não combate o desmatamento na Amazônia só com punição. É preciso criar alternativas sustentáveis para garantir a produção sem desmate. E isso começa com a regularização fundiária”, ressaltou Carlos Minc.

Além do pagamento por serviços ambientais e a contratação de brigadistas para conter os incêndios da floresta, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai incentivar o manejo florestal comunitário. “De forma organizada, criam-se emprego e renda com uma economia de base florestal sem predação. A floresta em pé gera mais divisas e empregos”, afirmou o ministro do MMA.

Ribeirinhos, indígenas, quilombolas, assentados e agricultores familiares vão receber capacitação, apoio técnico e recursos para trabalhar na floresta de forma sustentável a partir dos planos de manejo comunitário.

Floretas Nacionais e empregos - Em referência explícita ao agronegócio, o ministro do Meio Ambiente Calos Minc disse que enquanto há "gente querendo derrubar a floresta", o Serviço Florestal Brasileiro está fazendo a segunda licitação para concessão de exploração sustentável de madeira em uma Floresta Nacional, a de Saracá-Taquera, no Pará, que vai gerar 2.800 empregos e a empresa ganhadora da licitação pagará ao governo R$ 7 milhões por ano pela concessão.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que vai vetar artigos incluídos pelo Congresso na Medida Provisória 458 , que prevê a regularização de 67 milhões de hectares na Amazônia . O objetivo é manter o texto original do governo.

A MP foi classificada pelo ministro Cassel, de MP do fim da grilagem. "Se o sujeito quiser fazer um esqueminha e colocar um laranja, esse laranja vai ser preso. O programa vai ser feito com a maior transparência possível para que irregularidades apareçam", disse.

Minc também defendeu a medida, dizendo que a regularização fundiária vai ajudar a combater a violência e o desmatamento na Amazônia, mas confirmou que pediria alguns vetos ao presidente Lula.

"Os ruralistas não estão com essa bola toda. Eles levaram uma surra no Parlamento, foram derrotados por 190 a 90 (votos na Câmara). Eles conseguiram desfigurar alguns pontos e nós vamos pedir alguns vetos ao presidente Lula, sobretudo daqueles pontos que dificultam diferenciar o posseiro do grileiro", disse, em referência à tentativa da bancada rural na Câmara de retirar do texto cláusulas resolutivas que obrigam o receptor do título da terra a não desmatar.

A aprovação da MP-458, como já foi dito aqui algumas vezes, é um enorme avanço do ponto de vista fundiário e ambiental. Concordo com a ex-ministra Marina Silva quando ela afirma que da forma como ela foi aprovada no Parlamento, permite a regularização de quem não merecia ser regularizado. Realmente ela não separa o joio do trigo. Se forem confirmados os vetos do presidente Lula aos artigos levantados pela bancada do PT no Senado, o estado volta a ter poder para regularizar apenas aqueles que vivem na região com posse pacífica, sem transformar as terras públicas em mercadoria. Os vetos têm o apoio até dos consevadores editorialistas do Estadão.

De qualquer forma, do ponto de vista ambiental o ministério do Meio Ambiente e o Incra passarão a ter um marco regulatório poderoso para exigir o cumprimento das legislação ambiental ao mesmo tempo em que permite ao produtor acesso às ferramentas para produzir de forma sustentável. O pior dos mundos é a ilegalidade que impera na região amazônica.

Leia também:






Do Blog o Terror do Nordeste - 11.06.09
Colaboração da amiga Nancy Lima.