20 de ago de 2009

BURACOS TOMAM CONTA DE CORREDORES DE ÔNIBUS em São Paulo

Talis Mauricio - Agora 20-08-09

A falta de investimentos da Prefeitura de São Paulo no sistema viário da cidade tem refletido na má conservação dos corredores de ônibus. Buracos, asfalto saturado e pintura falha são problemas encontrados em quase todas as dez faixas exclusivas --117,8 km-- que existem na capital.

O Agora teve acesso aos dados do SEO (Sistema de Execução Orçamentária) da prefeitura e constatou que, da verba prevista para ser investida na manutenção de corredores, ruas e avenidas em 2009, apenas 18,86% foram gastos até agora --de um total de R$ 369.437.348,23 previstos para serem gastos durante todo o ano, foram injetados, até este mês, R$ 69.666.025,32. Em todo o ano de 2008, foram gastos R$ 204.553.000,44, ou 79,31% da previsão de R$ 257.910.749,84.

Questionada pela reportagem sobre a redução dos gastos e o destino do dinheiro não usado, a SPTrans (empresa que responde pelos corredores) disse que há manutenção com frequência (leia ao lado).

Em 2008
Em novembro do ano passado, o Agora já havia mostrado que parte dos corredores de ônibus encontrava-se em situação precária. Em um deles, o Campo Limpo/Rebouças/ Centro, havia uma cratera na avenida Francisco Morato, via movimentada que liga a região do Butantã (zona oeste de SP) ao centro da capital.

Ontem, a reportagem voltou ao local (dez meses depois) e constatou que o buraco continua lá, na altura do número 1.800 da avenida, ocupando quase toda a faixa. É comum ver motoristas de ônibus e táxis tentando desviar.

A situação ainda piora na região da Rebouças, no Jardim Paulista (zona oeste de SP). Do número 2.000 ao 1.000, no sentido bairro-centro, há vários trechos com asfalto saturado. Na altura do 1.200, por exemplo, há três grandes buracos, um atrás do outro.

Já nos corredores Santo Amaro/Nove de Julho/Centro e Itapecerica/João Dias/Santo Amaro (ambos na zona sul de SP), além de buracos, há diversos trechos em que a pintura da faixa exclusiva no asfalto é falha ou não existe. Em alguns pontos, os carros de passeio aproveitam a deficiência e invadem a área.

Perigo de acidentes
Para Cyro Vidal, presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, a falta de manutenção nos corredores aumenta em quase 100% a chance de acidentes. Além disso, diz, faz com que a prefeitura gaste mais com a manutenção dos ônibus. "Ao desviar de buracos, ônibus e táxis podem acabar fechando outros veículos. O risco é muito grande."

Segundo Vidal, os motoristas que se sentem prejudicados têm o direito de entrar com uma ação indenizatória na Justiça.

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