23 de set de 2009

Analfabetismo cresce em SP : ABSURDO!

Número de crianças de 10 a 14 anos que não sabem ler no Estado passou de 29 mil para 51 mil em 1 ano

Política do Serra (PSDB) comandando o Estado de São Paulo (15 anos).

Simone Iwasso e Alexandre Gonçalves

Jornal da Tarde de 23-09-09

O Estado de São Paulo registrou aumento no número de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos analfabetos pelo segundo ano seguido, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008 do IBGE. Antes da alta, o número de analfabetos nessa faixa etária havia recuado por dois anos seguidos no Estado.

O levantamento aponta que saltou de 29 mil, em 2007, para 51 mil, em 2008, o total de crianças entre 10 e 14 anos que não sabem ler nem escrever. Na faixa etária dos 8 e 9 anos, esse número subiu de 56 mil para 79 mil . Estão incluídos nos dados tanto crianças matriculadas nas redes de ensino como as que estão fora da escola. Em relação ao total da população nessa faixa etária, 5,9% das crianças de 8 e 9 anos moradoras do Estado não estavam alfabetizadas em 2008 - o porcentual em 2007 estava em 4%.

Na faixa etária seguinte, entre 10 e 14 anos, quando elas deveriam estar cursando a segunda etapa do ensino fundamental, há um crescimento de 0,8% para 1,5%. O índice de SP puxou uma pequena alta no Sudeste. No País, o dado ficou estável. Na avaliação da Secretaria da Educação, a diferença pode ser explicada pela margem de erro do IBGE (leia ao lado).

Ana Lúcia Sabóia, uma das responsáveis pelos indicadores de educação da Pnad, explica que os dados realmente têm uma margem de erro, pois são baseados em amostragem. Mas a diferença no número de crianças analfabetas entre um ano e outro no Estado de São Paulo, segundo ela, não poderia ser explicada pela margem de erro, menor do que a variação observada. Para o IBGE, houve crescimento real no período.

Para quem convive diariamente com crianças e adolescentes carentes, os números fazem sentido. Na organização não-governamental Casa do Zezinho, cerca de 40% das crianças atendidas entre 10 e 14 anos chegam ao local analfabetas. O alto índice de jovens nessa condição fez com que a ONG criasse um projeto próprio de alfabetização. Das 1.200 crianças atendidas, cerca de 540 estão entre 10 e 14 anos.

Na avaliação da educadora Vera Masagão, coordenadora de programas da ONG Ação Educativa, outro fator que pode colaborar para o aumento dos números é a maior conscientização das famílias. “São os pais ou responsáveis que dão a informação sobre os filhos para os pesquisadores. Eles podem estar mais atentos, entendendo que estar na escola não significa estar aprendendo.”

Elisangela da Silva Santos, de 10 anos, aluna do 5º ano do ensino fundamental de uma escola estadual na zona norte, diz que “não sabe ler nem escrever quase nada”. Ela só sabe seu endereço porque memorizou as letras. A mãe de Elisangela, a auxiliar de limpeza Lucimara Aparecida da Silva, conta que a filha decora números e palavras que fazem parte da rotina. “Eu vou lendo e ela vai decorando”, afirma.

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