25 de jun de 2010

INTERNET - Blogs: o surgimento de escritores populares no mundo virtual

Jéssica Balbino - Cultura Marginal - 23.06.2010

Por dia,
75 mil blogs são criados no mundo; a febre chegou a Poços de Caldas e blogueiros contam sobre a atividade

Jéssica Balbino o Jornal Mantiqueira
fotos: Marcos Corrêa

Poços de Caldas, MG – Por minuto, 270 mil palavras são postadas nas plataformas que hospedam blogs – diários virtuais – no Brasil. O número, de acordo com uma pesquisa do Technoratti, o número de blogs ativos no mundo é 70,6 milhões e por dia 175 mil novos blogs são criados. Ainda segundo o levantamento, são feitas 18 atualizações por segundo.
Se não fosse por causa deles, essa matéria nem existiria. A condição para que ela fosse escrita é de que todas as entrevistas fossem feitas virtualmente, por e-mail ou programas de conversação instantânea – como MSN e twitter - , onde as divulgações dos endereços sobre os mais variados tipos de assunto circulam.
Pode ser moda, jornalismo, política, sentimento, esportes e assuntos cotidianos. Esses são alguns dos assuntos que cativam cada dia mais leitores. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) aponta que o número de leitores pulou de 9,5 milhões para 11,6 entre dezembro de 2007 e 2008.
Esse crescimento já é superior ao da expansão da internet no mesmo período. O país já é o segundo país com maior número de blogs, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Na sequência aparecem países como Turquia, Espanha, Canadá e Reino Unido, respectivamente.
A febre tem se espalhado e na cidade, são poucas as pessoas que ainda não tem um endereço na web para tratar do assunto preferido.
Tal crescimento só é possível por conta da Web 2.0, um ambiente de interação utilizado no mundo, pela primeira vez, em 2004 e que hoje engloba inúmeras linguagens e motivações, como a oferecida ao mundo através dos diários virtuais.

Política na rede
Os blogs políticos são os mais famosos no universo batizado como blogosfera. Parlamentares criam endereços virtuais e postam notícias a seu favor. Entretanto, há jornalistas como Milene Guerra, 28 anos, que há quase um ano mantém um domínio na rede mundial de computadores para escrever sobre jornalismo político. “Atualizo diariamente, mas ultimamente tenho escrito bastante sobre relacionamentos e cotidiano”, conta.
Para ela, o surgimento dos blogs e a facilidade de criação abriram as portas para divulgar as próprias ideias. “A arte de blogar tem um crescimento exponencial e assume hoje um caráter abrangente que leva as entidades e pessoas a utilizarem a ferramenta como um meio alternativo de divulgação”, coloca.
http://www.mileneguerra.blogspot.com/

Jornalismo alternativo
Assim como os blogs políticos, os jornalísticos ocupam grandes espaços e levam os leitores e espectadores a outro ambiente: o virtual.
Assim aconteceu com o produtor de TV João Daniel Alves, 26 anos. Há 2,5 anos ele tomou a iniciativa de fazer um blog porque sempre gostou de interagir com o público. Por conta da profissão, criou um espaço para debates de assuntos cotidianos. “Apesar de serem noticias do dia-a-dia, as informações que parecem bem simples muitas vezes não chegam ao conhecimento de algumas pessoas”, diz.
Entretanto, a febre que o atingiu não durou muito tempo. Apenas seis meses. Há quase dois anos o blog não é atualizado, entretanto, durante o período em que o fez, confessa que se divertiu muito. “Eu andava para cima e para baixo com uma câmera fotográfica e qualquer flagrante eu registrava e punha no blog”.
A falta de tempo para se dedicar e fazer um produto jornalístico de qualidade desmotivou o jovem, que mesmo assim, até hoje, mantém o endereço ativo.
Porém, um ponto que congrega cada dia mais pessoas para o ambiente dos diários virtuais é a possibilidade de postar qualquer tipo de informação sem que esta tenha que passar por um filtro ou mesmo ser aprovada por um superior.
Esse também é um dos motivos que levaram o jovem Felipe Eduardo a começar a postar em blogs desde 2007. Atualmente ele alimenta o Escrita Hip Hop e se dedica às notícias do mundo da cultura periférica. “Os blogs são armas fortes de comunicação porque são gratuitos e administrados por pessoas comuns”, considera.
http://www.joaodanielalves.blogspot.com/ e http://www.escritahiphop.blogspot.com/


Desde os primórdios da web
Quanto o acesso à internet ainda era limitado e a conexão feita via linha telefônica, o jornalista João Fernando Baldan, 29 anos criou o primeiro blog. Isso aconteceu há cerca de 10 anos e o motivo é o mesmo dos demais blogueiros: expor ideias e pontos de vista.
Apaixonado por cultura digital e pela escrita, ele se dedica a postagens esporádicas, mas já teve um endereço que foi um dos mais visitados de um portal nacional de notícias. Hoje, passa mais tempo no microblog twitter, que permite postagens de apenas 140 caracteres. “Infelizmente o twitter roubou um pouco do charme dos blogs, mas por outro lado acho que isso deu uma peneirada nos diários virtuais”, coloca.
Mesmo assim, ele mantém o endereço onde posta textos literários de não-ficção, ligados a outra paixão: o jornalismo literário.
Quando questionado sobre a frequencia com que a atualiza o “diário” virtual, confessa que o ritmo se tornou lendo. “É um slow blog. Atualizo quando realmente acho que tenho algo interessante a dizer. Talvez de dois em dois meses. A preocupação de postar sempre foi transferida para o twitter. Porém, blogar é uma forma de exercer e melhorar a técnica de escrita. Não deixa de ser uma janela própria”, considera.
Em relação ao microblog twitter, que criou antes da novidade se tornar uma febre em todo mundo, o jornalista avalia como uma grande sacada, entretanto, pondera: “mas só quando não vira mero diário da pessoa”. Por outro lado, ele tem a mesma opinião em relação aos blogs. “É muito chato você ler alguém que escreveu algo como ‘estou comendo hambúrguer que minha mãe fez’. O trivial pelo trivial não é legal. Você pode até escrever sobre isso, mas de outra forma, com criatividade, ironia ou crítica”, avalia.
Neste caminho, ele lembra o escritor Manuel Bandeira, que disse existir muita poesia no lugar-comum. “Vai da sua intenção e do jeito que você escreve. O twitter tornou-se uma importante ferramenta de informação, crítica e nas devidas proporções, até um termômetro sócio-cultural”.
http://www.foradesintaxe.wordpress.com/

Novidade e diversão
Por hobby e diversão, o estudante Wagner Alves, 22 anos, criou, em companhia de dois amigos, o blog Ipochoclo, para divulgar as ideias criativas e risíveis que surgiram após uma vez em que os três participaram no último mês de setembro. “Por conta de outros compromissos, o blog não era inicialmente algo sério. Tentávamos fazer posts de humor e atualizações sobre o que estivesse acontecendo na mídia”.
Entretanto, postagens bizarras fazem parte do repertório dos amigos e o texto “Como se portar em banheiro público” é um dos que ele cita como uma das grandes criações.
Atualmente, o blog é atualizado semanalmente e mesmo sendo um hobby, permite aos jovens um espaço para mostrarem o que querem. “Você vira um colunista sem limites lá. O que vejo no blog é uma tendência contrária a que acontece no diário. Ambos tem a mesma intenção de exteriorizar um sentimento ou uma ideia, mas, o blog é o posto do que fica confidenciado no meio das folhas. É a oportunidade de mostrar para o mundo o que você está pensando e fazendo”, diz.
http://www.ipochoclo.blogspot.com/



Alterego e humor
Por falar em humor, um novo blogueiro é Alcebíades Cantão, personagem criado como alterego apenas para dar vida a um blog de notícias curtas, sempre com uma piada embutida.
Questionado sobre a febre, o criador do blog é taxativo: “O Alcebíades entrou na febre. No dia que fez o blog, estava com 48º, brinca.
O personagem tem 46 anos e é um jornalista de interior, casado com Jurema do Meio Cantão e não tem filhos, apenas um Chevette 78.
Em poucos meses, as piadas curtas já conquistaram quase quatro mil visitas e oito seguidores podem ser vistos numa das barras laterais da plataforma virtual. Recentemente, o personagem se tornou também colunista do jornal Mais Poços.
Entre os blogs que o assistente social Eduardo Herrera, 24 anos acessa diariamente estão humor, documentários e jornalismo.
Ponto para o criador do blog do Informanti, onde Alcebíades é o personagem e também colunista. Para Herrera, que não tem paciência para administrar um diário virtual mas não abre mão de ler o que circula pela web, os blogs acrescentam um conteúdo que não é encontrado em outras mídias. “A liberdade da internet faz com que se tenha acesso a uma linguagem versátil. O blog assume essa postura”, acredita.
http://www.blogdoinformanti.blogspot.com/


Sustentabilidade
Em setembro, o blog Atitude Eco completa um ano e surgiu durante a divulgação de um congresso de atitude sustentável no último ano. O assunto em pauta há algum tempo é considerado a tendência do futuro.
De acordo com o editor do blog, Túlio Lengi Malaspina, 23 anos, a afinidade com as plataformas e mídias sociais fizeram com que ele desse continuidade ao trabalho que passou a assuntos mais “hippies” como ele mesmo considera. “Passei a postar permacultura, agricultura familiar, agroflorestas e aos poucos fui colocando mais artigos sobre o dia-a-dia, compostagem, reciclagem e hoje gosto de trabalhar o lado educacional, mais social e ativista”, diz.
O canal é atualizado semanalmente com textos e vídeos, justamente para falar com o público mais apressado.

Histórias de família
A possibilidade de escrever sobre qualquer cosia que o leitor, que deixa o papel de receptor de informação e passa ao de emissor é produto de estudos.
Conforme explica a pesquisadora Érica Peçanha do Nascimento, a produção estabelecida entre as produções de uma determinada realidade social desencadeia relações de amizade entre as pessoas. “E promove uma atuação cultural em comum”, acredita.
É por isso que a revisora de textos Delma Maiochi, 49 anos criou, há poucos meses um blog. O Gli Antenati – os antepassados – permite a ela a publicação de histórias ouvidas ao longo da vida. Resolveu tornar públicas as memórias dos familiares, imigrantes europeus que fazem parte da história de Poços de Caldas. “Meus pais e tios sempre me contaram histórias do tempo que viviam em fazendas e de quando meus bisavós chegaram no país. Isso não poderia ficar perdido ou guardado apenas comigo”, diz.
Para ela, a internet, por meio do blog, é a maneira mais democrática de divulgar as memórias para o restante da família. “Escolhi este meio porque a maioria dos parentes tem acesso e também pelo custo. É mais fácil ter um blog do que publicar um livro”, pondera.
http://www.gliantenati.blogspot.com/


Um blog pede outro
Por dia, a publicitária, jornalista e blogueira Daniella Pimenta, 27 anos, visita cerca de 10 blogs. Isso acontece porque a jovem trabalha com mídias sociais e é obrigada a visitar domínios nacionais e internacionais para estar informada.
Há dois anos se dedica ao Groovin Mood, espaço onde posta sobre o mundo da música na Jamaica e assume a responsabilidade de transmitir um conteúdo informativo e profissional, com entrevistas com os artistas, notícias, biografias e agendas de festas.
A paixão pelo tema obriga a jornalista a conciliar o tempo e fazer atualizações semanais, mesmo com o tempo curto. “Hoje eu vejo os blogs como veículos alternativos de comunicação. Passaram de simples diversão para algo que define tendências”, pontua.
A opinião dela é confirmada pela desenhista Andresa Pires Reis, 27 anos, que já foi blogueira, hoje se dedica apenas a captar informações e pretende criar outro espaço na internet para divulgar pesquisas.
Ela já foi dona de um blog sobre música e política, mas por não ter tempo para se dedicar a um acompanhamento e por isso abriu mão. Fica apenas na leitura de postagens sobre arquitetura e moda, que ela acredita que ajudam a aprimorar a criatividade. “Ás vezes a ideia de alguém num blog e me desperta para outra. É como se eu não pedisse opinião, mas ganhasse uma”.
Andresa espera se reorganizar e voltar a blogar, só que desta vez sobre o estudo das religiões que vem fazendo há algum tempo. “É uma forma democrática de expor os pensamentos”.
Desta maneira, a Web 2,0 marca o amadurecimento do uso potencial e colaborativo da internet, interferindo no dia-a-dia de todas as castas sociais e pessoais, permitindo que qualquer pessoa com acesso ao universo online tenha a possibilidade de criar o próprio conteúdo e ainda interagir com os receptores deste material, proporcionando a sensação, mesmo que marginal, de pertencer ao mundo, ainda que virtual.

Um comentário:

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