19 de nov de 2011

Belo Monte: polêmica e gigantismo

Belo Monte será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo

Terminou, no final de abril, uma batalha judicial que suspendeu, duas vezes, o leilão para decidir qual o consórcio responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As opiniões dividem-se e geram um debate polêmico e apaixonado dos dois lados – contra e a favor, com alcance internacional. Ambientalistas condenam o projeto sob a alegação de que a obra provocará fortes impactos ambientais, atingindo terras indígenas e inviabilizando a vida da população ribeirinha, instalada às margens do Rio Xingu. Em outra ponta, políticos e empresários saem em defesa daquela que será, na sua capacidade máxima, a terceira maior usina do mundo, ficando atrás apenas de uma instalada na China (Três Gargantas) e outra brasileira, a de Itaipu. Seus defensores fundamentam-se não só na necessidade de geração de energia para atender o crescimento projetado para o Brasil nos próximos anos, a geração de novos empregos e de uma nova realidade socioeconômica para a região, como também na garantia de que, ao longo dos últimos anos, estudos aprofundados equacionaram as questões ambientais.


O engenheiro Carlos Moya, professor do Instituto Mauá de Tecnologia há 26 anos, atuou como gestor do processo de elaboração do estudo de impacto ambiental realizado a pedido de um consórcio formado por três grandes empreiteiras que envolveram, nesse trabalho, especialistas no tema e profissionais renomados do País na área ambiental. “Quando tudo começou, na década de 1980, a usina Kararaô, nome inicial, tinha outra configuração. Na verdade, a ideia era instalar na região cinco ou seis usinas. Foi quando tiveram início os primeiros estudos de impacto ambiental para avaliação do projeto e suas consequências”, lembra o professor Moya.

De lá para cá, muita coisa evoluiu e, mais recentemente, os estudos foram retomados e o grupo começou a trabalhar num reinventário do Rio Xingu, que acabou por apontar novos caminhos para a usina, agora  denominada Belo Monte. “Entre outras tantas mudanças, temos a definição de que será construída no Rio Xingu apenas uma usina, a Belo Monte, e não mais cinco ou seis como se pretendia na década de 1980. Na versão agora aprovada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e validada pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), a usina, com inauguração prevista para 2015, terá potência instalada de 11.233 MW e não inundará nenhuma terra indígena”, esclarece o professor Moya.

Em quase cinco anos de intensos estudos e um plano de comunicação que promoveu constantes debates com a população local, inclusive a população indígena envolvida direta e indiretamente, essa equipe multi e interdisciplinar, com especialistas das áreas – Social e Econômica, entre outras, e de alto nível profissional, elaborou um total de 40 volumes de análises e recomendações técnicas acompanhadas passo a passo pelo IBAMA (Instituto  Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).  “Todo o estudo considerou as alternativas para as três comunidades indígenas da região na área de influência direta que sofrerá algum tipo de impacto, porém não será inundada”, afirma o professor.
Segundo o professor Moya, realizado o leilão e definido o consórcio responsável pela obra, uma série de etapas têm início, entre elas, ações que visam detalhar as medidas mitigadoras e preventivas, além das compensatórias visando à sua implantação.

 Um salto tecnológico

Belo Monte será a terceira maior usina do mundo. À sua frente, continuará figurando uma usina instalada na China, com geração de 22.500 MW de potência, e a brasileira Itaipu, que tem 14 mil MW de potência. Belo Monte terá potência instalada de 11.233 MW, com previsão de estar operando e integrada ao sistema brasileiro em 2015, a partir de uma subestação que fica na interligação com a Linha de Transmissão Tucuruí - Manaus (Pará). Para se ter uma ideia da grandiosidade, o Brasil consome hoje cerca de 66 mil MW (demanda de ponta – ou seja, a máxima demanda medida no horário de pico). A região Sudeste consome cerca de 44 mil MW e o Estado de São Paulo, aproximadamente 18 mil MW.

“Projeta-se um crescimento de demanda de energia da ordem de 4% a 5% ao ano, para os próximos anos, já que o consumo de energia está diretamente relacionado com o crescimento econômico do País. Isso demonstra a importância que tem a Belo Monte para garantir nosso crescimento socioeconômico”, analisa o professor Alexandre Rocco, que leciona desde 2005 na Mauá no curso de Engenharia Elétrica. 

“Belo Monte contará com as mais avançadas tecnologias para esse fim e vai operar com dois tipos de turbina. A “Francis”, mais tradicional, e a “Bulbo”, que é uma turbina horizontal, totalmente hermética (encapsulada). Belo Monte será a terceira usina de grande porte do Brasil a atuar com esse tipo de turbina (depois de Santo Antonio e Jirau em fase de construção no Rio Madeira (RO)”, destaca o professor Rocco. Outros aspectos importantes são: a Belo Monte traz em sua licitação a exigência de um fornecimento energético ao custo de R$ 83,00 / MWh, operando no conceito fio d’água e, mesmo assim, exigindo um alagamento de uma área de aproximadamente de 516 km2 para manter uma queda de 90 m. 

Fonte: Info Mauá

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