24 de fev de 2012

Educação e inclusão para todos. Todos?

 O menino João, filho de Maria Elvira
  
Por Maria Elvira - Blog a Cidade na palma da mão

Meu filho João, completou 6 anos em dezembro e portanto passou para a 1 série do ensino fundamental. Ele possui uma limitação nos membros inferiores e portanto é cadeirante. O ano passado ele estava matriculado e estudando numa EMEI que é da Prefeitura, não tivemos problema para conseguir transporte para ele, já que a prefeitura tem um programa de inclusão. Acontece que para minha surpresa, ele foi transferido para uma escola Estadual, em Ermelino Matarazzo, a Escola chama-se Prof. Lúcio de Carvalho Marques, que de tão longe de casa não conseguimos sequer ter referências. 
Bom mesmo assim eu me encaminhei para lá no inicio do ano, para garantir a vaga. Fiquei um pouco chocada porque tive de pegar duas conduções e ainda caminhar um pouco para chegar lá. Tive que enfiar a cadeira de rodas na parte de trás de um dos ônibus pois o mesmo não era sequer adaptado. Ao chegar na escola, comecei a conversar com o responsável pela matrícula, ele me disse que não sabia o que iria fazer já que não tinha acolhido um aluno cadeirante que morasse tão longe antes. Efetuei a matrícula e pedi que ele verificasse junto ao órgão competente que atitudes tomar frente a esta situação. 

  Alguns dias depois telefonei, e ele me perguntou, o que eu tinha conseguido. Fiquei atônita. Porque pensei que seria como na prefeitura em que o caso é encaminhado e eles disponibilizam o transporte para criança. Não é!
  Ele então pediu pra que eu providenciasse um laudo junto a AACD para que ele pudesse apresentar ao orgão competente. Requeri o laudo e depois de 10 dias o laudo estava pronto. Fui novamente a escola e entreguei. 
  Quando foi nessa última semana, um pouco depois do inicio das aulas, liguei para o diretor e ele me disse, que pelo Estado, teria que ser montado um processo, e que o transporte somente seria disponibilizado em meados de junho. Junho? Eu me escandalizei! Perguntei se havia outra maneira. Ele disse que alguém que eu não consegui entender quem, iria ver (vago assim) uma vaga para o meu filho numa escola mais próxima.
  Isso foi na quinta dia 09. Na sexta dia 10 eu resolvi ir a uma escola da prefeitura proxima da minha casa para tentar vaga. A escola chama-se Emef Pedro Aleixo, localizada no Jardim Cidade Pedro Nunes. A atendente me avisou, que não estava garantindo minha matrícula e sim, apenas fazendo uma inscrição e caso houvesse desistência ele poderia ser encaixado. A primeira coisa que vi, é que a escola também tinha rampas apropriadas para cadeira de rodas. Vi que os funcionários foram conversar com o diretor, e vieram com uma resposta negativa em relação a vaga. E ainda ouvi: Seu filho está cadastrado como uma criança normal, sem direito a prioridade pela deficiência. 
  Entrando em parafusos me dirigi a Drem na subprefeitura de S. Miguel Paulista. Ao chegar lá me deparo com uma fila, e não surpreendentemente mães na mesma situação absurda. Todos os funcionários respondiam, veja seu filho está cadastrado no sistema, e foi o SISTEMA que por alguma razão o levou a uma escola tão longe. Indo para lá já ouvi uma vizinha dizendo que seu sobrinho tinha sido transferido da região da Vila Jacui para Itaquera. Uma distância enorme, ainda mais quando se tratam de pessoas carentes, sem condições para pagar condução!
   Enquanto estava na fila ouvi os casos. E ao chegar minha vez, e explicar desde o inicio o meu caso, a funcionária me disse, que infelizmente não poderia fazer nada. E que eu procurasse os meios (que ela não sabia indicar quais) para que eu pudesse resolver minha situação.  O que mais me deixou indignada além de toda a situação de frustração, foi o desdém com que as pessoas tratam os casos das mães que querem apenas ter seus filhos na escola. Todos, referindo-se sempre ao SISTEMA. 
  Bom nessa altura eu entrei em desespero, e comecei a chorar passando pelo predio da subprefeitura de S. Miguel aos prantos. Um senhora da portaria me indicou então, o Conselho Tutelar localizado no mesmo prédio. Chegando lá fui bem atendida. E o Conselheiro Silvio me recebeu com muita atenção, ao explicar meu caso pra ele, ele pareceu tão escandalizado quanto eu, primeiro por se tratar da distância da escola para minha casa, e segundo e mais grave por se tratar de uma criança que necessitaria de uma atenção especial devido a sua dificuldade de locomoção. O que ele fez foi escrever o caso numa ficha, que foi protocolada pela Drem, e que será enviada a Escola na qual quero matricular meu filho. EMEF Pedro Aleixo. Porém isso, pode não resolver a questão, apenas pressionar para que talvez haja abertura de uma vaga. Temo que terei ainda que tomar algumas atitudes. Por exemplo recorrer ao Ministério Público. 
  O que me indigna é que o povo já tem uma vida sofrida, e muitas mas muitas mães não tem tanto acesso as informações necessárias e tampouco aos seus direitos. E o funcionalismo público encosta-se na comodidade do tal Sistema, para sequer tratar as pessoas com a devida atenção, prestando serviços dignos, tais como informações que possam resolver o problema. Ou seja nós não temos a quem recorrer. E o Estado está ferindo os Direitos da Criança, que em tese seriam a garantia de todos os seus direitos. Somos órfãos, mas vemos nossos governantes aumentarem os impostos dizendo que que será destinado a educação e saúde. Não é o que vemos na prática. Eu além de simples mãe, enfrento todos os problemas referentes a acessibilidade. Tomara que este texto ajude a alguém mais que eu e esteja na mesma situação. Porque nessa hora só podemos contar mesmo com a justiça de Deus. 

Sugestão de Camila de Oliveira

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