15 de fev. de 2012
Madame condena protesto contra racismo em Higienópolis e justifica: “tá cheio de empregado negro”
14 de out. de 2011
28 de jan. de 2011
PROUNI RECEBE MAIS DE 1 MILHÃO DE INSCRIÇÕES E BATE RECORDE
30 de nov. de 2010
Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão
17 de nov. de 2010
Mais jovens de classe D que de A na universidade
Com filhos da elite em proporção cada vez menor, alunos de baixa renda são maioria: classes C, D e E correspondem a 73,7%
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Ronald é o primeiro da família a entrar em uma universidade.Ele trabalha como voluntário em pré-vestibular social ajudando outros jovens| Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia |
POR MARIA LUISA BARROS - O Dia - 16.11.2010
Rio - Um fenômeno recente está dando novo rosto às universidades brasileiras e mudando, para melhor, a vida de milhares de famílias. Pesquisa inédita do Data Popular, instituto especializado em mercado emergente no Brasil, revela que, pela primeira vez na década, jovens de baixa renda são maioria nas faculdades. Eles são 73,7% dos universitários. “É um contingente enorme que representa a primeira geração de suas famílias a obter um diploma de nível superior”, constata Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa.
O estudo mostra que os estudantes da classe D, oriundos de famílias que ganham menos de 3 salários mínimos (R$ 1.530), ultrapassaram os filhos da elite nos campi. Uma das razões para esta revolução no ensino apontada por Meirelles foi o Programa Universidade para Todos (ProUni) que já atendeu 747 mil estudantes de baixa renda nos últimos seis anos.De 2002 a 2009, as faculdades, públicas e particulares, receberam 700 mil estudantes da classe D — média de 100 mil jovens a cada ano. Se há oito anos eles ocupavam somente 5% do bolo universitário, em 2009 chegaram a 15,3%. Já os da classe A perderam participação no total: a fatia caiu de 24,6% para 7,3%.
Ronald Rosa Fonseca, 25 anos, passou pelo funil da exclusão social. Filho de uma doméstica e de um mecânico, teve o apoio dos patrões da mãe para cursar o 4º período de Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica (PUC). “Eles permitiram que eu morasse na casa deles, no Leme, onde minha mãe trabalha. Não teria condições de estudar morando em Magé”, conta ele, que passou em 11º lugar no vestibular. Graças ao bom desempenho, a PUC deu a ele bolsa integral, passagem,
INVESTIMENTO PESADO
permitiram que eu morasse na casa deles, no Leme, onde minha mãe trabalha. Não teria condições de estudar morando em Magé”, conta ele, que passou em 11º lugar no vestibular. Graças ao bom desempenho, a PUC deu a ele bolsa integral, passagem, alimentação e livros.INVESTIMENTO PESADO
De acordo com Meirelles, para esses jovens a universidade é um investimento pesado, mas que vale a pena: “A família vê no estudo a única chance de mudar as condições de vida de todos”. Em retribuição à ajuda que recebeu para entrar na faculdade, Ronald voltou para o pré-vestibular gratuito mantido pela empresa ExxonMobil como coordenador. “Quem consegue entrar tem quase um compromisso de voltar e fazer o mesmo por outros jovens”, diz ele. Além do curso, os alunos participam de oficinas culturais, palestras, visitas a museus, universidades e empresas. Em janeiro, será aberta nova seleção. Informações: 2505-1233 e 2505-1256.
Número de universitários cresceu 57% em sete anos
Entre 2002 e 2009, o número de universitários no Brasil passou de 3,6 milhões para 5,8 milhões, um avanço de 57%.
Noventa por cento da população ganham até 10 salários mínimos e movimentam R$ 760 bilhões ao ano.
As classes A e B detêm 26,3% das vagas no ensino superior, enquanto estudantes da C, D e E representam 73,7% do total.
Em todas as classes sociais, houve aumento dos homens nas faculdades, mas as mulheres são a maioria (57%).
A média da idade dos universitários aumentou: passou de 25,87 em 2002 para 26,32, em 2009.
A necessidade de trabalhar para pagar a faculdade faz com que a maioria prefira estudar à noite ou em meio período.
Rede de apoio para estudantes carentes
Para atravessar os portões das universidades, estudantes de baixa renda contam com extensa rede de apoio que inclui programa de bolsas em faculdades privadas, orientação profissional e pré-vestibular social patrocinados por grandes empresas. É o caso do estudante Carlos Henrique Simões, 22 anos, morador de Realengo, Zona Oeste, que será o primeiro da família a prestar vestibular.
Há um ano, ele frequenta as aulas do pré-vestibular custeado pela empresa petrolífera Exxon Mobil, em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). Os alunos recebem bolsa-auxílio de R$ 100 por mês e vale-transporte para que não abandonem os estudos. “Eles chegam com tanta vontade de fazer faculdade que demonstram uma força imensa, capaz de superar qualquer obstáculo”, diz Valéria Lopes, supervisora do CIEE.
Desde que foi criado, em 2004, o Programa Mais ajudou 51 estudantes a ingressar na universidade. Carlos não só está próximo de realizar seu sonho, como está levando junto a família. “Minha mãe voltou a estudar e está a caminho de concluir o Ensino Médio. Meu irmão mais velho também retomou os estudos”, conta o estudante, que fará Serviço Social.
Renda aumentou e mensalidade despencou
A ascensão dos jovens de baixa renda aos bancos universitários foi favorecida pela universalização do Ensino Médio e pela expansão das faculdades privadas, que fez despencar o preço das mensalidades. Além disso, foram criados cursos universitários de dois anos e a classe D obteve aumento na renda. “Depois de pagar a comida, aluguel e condução, começou a sobrar dinheiro para pagar os estudos”, observa Renato Meirelles.
Segundo ele, a classe C já representa o maior número de alunos em escolas privadas, com mais de 4 milhões de crianças matriculadas. “É um círculo virtuoso baseado na reciprocidade. Quem é ajudado ajuda outros a melhorar de vida”, explica. Ainda na classe C, 68% das pessoas estudaram mais do que os pais; entre a classe A esse percentual é de apenas 10%.
A partir do ano que vem, jovens terão mais um incentivo. A UFRJ vai destinar 20% das vagas para estudantes de escolas públicas. Os candidatos serão aprovados por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A instituição planeja dar mil bolsas-auxílio, Bilhete Único Intermunicipal e netbooks.
2 de nov. de 2010
Ataques ao Nordeste surgem na web após vitória de Dilma, que venceria sem região
| Divulgação |
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Não basta punir apenas os playboyzinhos escrotos de São Paulo, é preciso ir atrás dos grandes disseminadores do preconceito no país
6 de out. de 2010
Bullyng eleitoral
Povo, ás ruas... O Futuro do país está em nossas mãos.
30 de ago. de 2010
Ibope - Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra
Ela subiu oito pontos percentuais nas intenções de voto. Foi para 51%. Serra caiu cinco pontos percentuais - de 32% para 27%. Marina Silva oscilou de 8% para 7%.
Todos os adversários de Dilma somam 34% de intenção de voto. Ela tem 17 pontos percentuais a mais do que eles. Se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno.
imagem chupada do blog Brizolaço |
No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).
Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.
A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.
Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.
Na faixa de renda logo acima - de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.
Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.
A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.
A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.
Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).
Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que Dilma é a candidata de Lula.
O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.
E pensar que há exatos doze meses, tivemos que ler isso em Ibope: Lula não fará sucessor:
Em entrevista a "Veja", o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, diz que Lula não fará o seu sucessor, e que o PT está em processo de decomposição. Para ele, Marina Silva é um golpe na candidatura de Dilma Rousseff. [...] A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. [...] Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula". [...] Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também. [...] A Marina é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. [...] Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma.
"Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana", afirmou. "O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff." Segundo Montenegro, a ex-ministra da Casa Civil vem se conduzindo de forma convincente e confirma, na prática, o que o presidente disse sobre ela na histórica entrevista concedida à ISTOÉ na primeira semana de agosto: “Lula acertou. Dilma é um animal político. Está mostrando muito mais capacidade do que os adversários."
Eu nunca vi, em quase 40 anos de Ibope, uma mudança na curva, como aconteceu nesta eleição, reverter de novo. Por mais que ainda faltem 30 e poucos dias para a eleição, o Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Ela tem 80% de chances de resolver a eleição no primeiro turno. Mas, se não for eleita agora, será no segundo turno.
Houve uma série de fatores. Primeiro a transferência do Lula, que realmente vai sair como o melhor presidente do Brasil. Um pouco acima até do patamar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. O segundo ponto é o preparo da candidata Dilma. Ela tem mostrado capacidade de gestão, equilíbrio, tranquilidade e firmeza. A terceira razão é seu bom desempenho na televisão, inclusive nos debates e entrevistas. Lula acertou ao dizer, em entrevista à ISTOÉ, que ela era um animal político. Está mostrando muito mais capacidade que os adversários e mostra que tem preparo para ser presidente.
O Brasil nunca viveu um momento tão bom. E as pessoas estão com medo de perder esse momento. O Plano Real acabou derrotando o Lula duas vezes. Mas o Lula, com o governo dele, sem querer ou por querer, acabou criando um plano que eu chamo de imperial. É o império do bem, em que cerca de 80% a 90% das pessoas pelo menos subiram um degrau. Quem não comia passou a comer uma refeição por dia, quem comia uma refeição passou a fazer duas, quem nunca teve crédito passou a ter crédito, quem andava a pé passou a andar de bicicleta ou moto, quem tinha carro comprou um mais novo e quem nunca viajou de avião passou a viajar. Os industriais também estão felizes, vendendo o que nunca venderam. Os banqueiros idem.
Leia na revista IstoÉ, "O Brasil já tem uma presidente"
Do blog do Alê - 29.08.2010
5 de mai. de 2010
Ó xente, que maravilha, bá! O Nordeste puxa a a fila.
O Nordeste tem 27% da população brasileira. Essa, portanto, deve ser sua participação ideal numa economia equilibrada. O avanço, que pode parecer pequeno, representa, proporcionalmente, muito. Principalmente porque tem sido enorme a expansão do crédito no país, como um todo.
Diz a matéria que o Nordeste lidera a expansão do crédito nos últimos cinco anos em termos percentuais, com alta acumulada de 331,5% até o fim de 2009. Em segundo lugar aparece o Norte, com avanço de 296%, seguido por Centro-Oeste (259%), Sul (245,7%) e Sudeste (243,6%). De olho neste potencial, os bancos estão aumentando sua rede de agências e postos na região.
Sinal que esta região historicamente injustiçada está avançando e- que bom para todos nós – tornando o Brasil um país menos desigual. Ano passado, uma matéria do Estadão mostrou que mesmo no pior da crise, no Governo Lula, o crescimento do Nordeste ficou acima da média nacional. Um carioca-gaúcho como eu só pode ficar feliz vendo nossos irmãos nordestinos, finalmente, tendo direito a um quinhão do progresso brasileiro.
O triste é que continue existindo tanto preconceito. Ao ler o jornal impresso, com a matéria correta e muito informativa do repórter Murillo Camaroto, do Recife, me deparei com um subtítulo e uma abertura que, certamente, foram acrescentados na edição, em São Paulo: “NORDESTE ROUBA FATIA DAS DEMAIS REGIÕES BRASILEIRAS NO CRÉDITO”, seguida do texto que diz que “o crescimento da oferta de crédito no Nordeste, que há pelo menos cinco anos avança em ritmo mais acelerado que o das demais regiões do país, é alimentado com recursos captados na Região Sudeste, centro financeiro do país(…) “
Dá para perceber quanto preconceito se contém nessa forma de apresentar os fatos. Um pena que existam pessoas na elite brasileira que não conseguem entender que este país não poderá ser bom para ninguém se não puder ser bom para todos. O castigo do egoísmo é o medo e o drama de ter, mais cedo ou mais tarde, sua vida invadida pela miséria que cerca sua riqueza.
27 de abr. de 2010
Economia no Brasil - PIB de 2010 será o 3º maior do mundo.
Do amigo navegante Carlos Barbosa.
Deu no IG:
Octavio de Barros: PIB terá 3ª maior alta do mundo
Economista do Bradesco projeta expansão de 6,4% para o PIB brasileiro neste ano
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá em 2010 o terceiro maior crescimento entre as 30 maiores economias do mundo. Segundo Octavio de Barros, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Bradesco, o Brasil deverá crescer 6,4% neste ano, “podendo chegar a 7%”.
Falando a uma plateia de investidores internacionais no evento Brazil Internacional Summit, organizado pela Terrapinn, nesta terça-feira, em São Paulo, Barros destacou que a taxa é “acima do que podemos crescer”. Nas projeções do economista, o crescimento sustentável do PIB está na casa dos 4,7%. “Poderia crescer mais, mas somos céticos com relação ao apetite por reformas.”
Clique aqui para ler a matéria de Klinger Portella no portal IG
Do Conversa Afiada - 27.04.2010
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8 de out. de 2009
IPEA - Instituto quer debate com redes de conhecimento
Ideia do Ipea é retomar o pensamento crítico nacional para o planejamento de longo prazo
Houve consenso, também, sobre o fato de que ainda há muito a fazer: o Brasil continua a ocupar lugar de destaque no ranking dos mais desiguais e precisa crescer com melhor distribuição de riqueza e sustentabilidade ambiental. Como promover esse tipo de desenvolvimento? As discussões sobre o tema farão parte de uma rede de conhecimento que o Ipea está construindo com 25 instituições regionais de estudo e pesquisa, anunciou Mário Lisboa Theodoro, diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais (Dicod) do Ipea. Ele convidou a Fundaj a integrar a rede.
No seminário Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional, Theodoro mostrou ao público um panorama da economia brasileira com taxa de desemprego de 7,2% em 2008, menor patamar desde 1996, o que significa mais recursos previdenciários e poder de ampliação da rede de proteção social. Para ele, esse é um caminho sem volta que o Brasil precisa percorrer.
"Grande parte da equidade conseguida no País se deve ao sistema de proteção social. Precisamos reconstruir um sistema de planejamento de proteção social que pense o Brasil até 2030", afirmou, depois de observar a tendência de baixa fecundidade e aumento no número de idosos previsível nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Papel das instituições
O pesquisador do Ipea Giorgio Romano Schutte, ao expor sobre a inserção internacional do Brasil na governança global, apontou alguns acertos do País nas relações internacionais, por conta de ter mantido bancos públicos, políticas sociais e foco no crescimento com melhor distribuição de renda.
Trata-se, segundo ele, de um debate que já ocorria internacionalmente na Organização das Nações Unidas (ONU). "Na década de 1990, as crises financeiras mostravam os limites do Consenso de Washington para os países emergentes", disse. "A crise financeira global mostrou a importância do papel das instituições nacionais e internacionais", ponderou, ao lembrar que o "milagre" de alguns países asiáticos ocorreu justamente porque eles não seguiram o receituário do consenso.
Romano acredita que a crise agilizou a volta do coletivo e do Estado, e que não está em debate a desglobalização, mas sim a globalização organizada, a governança global. "Falta uma convenção sobre o desenvolvimento, e o Brasil terá papel de destaque nessa convenção", acrescentou o pesquisador ao observar que o País foi convidado a integrar o G-20, o Comitê da Basileia e acaba de conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. As mudanças climáticas, na visão de Romano, também "criaram um novo paradigma tecnológico com janelas de oportunidades para áreas ricas em biodiversidade, como o Brasil".
Mercado interno
Para a economista da Fundaj Tania Bacelar (foto), um dos maiores acertos da política econômica dos últimos anos foi o de investimento no mercado interno. Na região Nordeste, representou uma diminuição de 50% da pobreza. "Mas ainda há muito a ser feito. Continuamos desiguais e com índice de desenvolvimento humano muito baixo", afirmou. Ela sugeriu que o Ipea e a rede de pesquisadores do Nordeste discutam a reforma da estrutura fundiária "perversa" que existe na região. "O quadro econômico e social no meio rural precisa ser revisto", ressaltou.
A economista destacou os benefícios dos investimentos da Petrobras no Nordeste, mas observou que a região parece ter ficado de fora da integração com os países vizinhos. "Vão fazer rodovias ligando vários estados aos países vizinhos, mas o Nordeste parece estar meio esquecido nesse planejamento", destacou, ao solicitar estudos a respeito do assunto.
O diretor da Dicod anunciou que em breve o Ipea vai complementar o sistema de formação de quadros técnicos no Brasil. Já está pronta a minuta de um projeto de lei que o governo pretende mandar ao Congresso criando a Escola Nacional de Planejamento para o Desenvolvimento, que funcionará no Instituto. A proposta é formar mais técnicos que pensem o planejamento em longo prazo.
3 de out. de 2009
Paulo Renato: classe média não deve fazer as provas do ENEM em favelas!
Paulo Renato (PSDB-SP), ex-ministro da Educação de FHCe atual secretário da Educação de São Paulo
Talvez esteja interpretando, equivocadamente, o comentário que o secretário da Educação de São Paulo, Paulo Renato Costa Souza (PSDB-SP), fez ao Estadão sobre o aparato logístico montado pelo MEC e que, segundo o ex-ministro da era FHC, teria sido falho. A falha - de logística ou não - foi comprovada, a partir da denúncia de vazamento do conteúdo das provas, e trouxe prejuízos, sobretudo, psicológicos aos candidatos.
Entretanto, não consigo digerir um aspecto da fala do ex-ministro. Refiro-me à exemplificação para o argumento de que houve falhas logísticas no ENEM/2009: "Problemas de logística vinham acontecendo. Começaram a chegar casos de alunos de classe média de tal bairro que teriam de fazer a prova em favelas". Interessante, para não dizer assustador, a constatação do secretário do PSDB. É essa a proposta do tucanato para a Educação: manter a classe média estudantil longe das favelas? Quer dizer, então, que "alunos de classe média" são de uma assepsia tamanha que não "teriam de fazer a prova em favelas"? E os alunos originários de classes menos abastadas devem ser confinados em seus redutos, posto que, pelo raciocínio do ex-ministro da Educação, não deve haver trânsito espacial entre entes de realidade social e econômica diversa? Os que moram em favelas são seres acometidos de um mal que os segrega e com os quais não se deva ter contato? Os bancos escolares das instituições fincadas em favelas transferem para quem neles se sentem as mazelas e as dificuldades por que passam os que ali estudam? Foram perguntas que turvaram minha mente ao ler o que um ex-ministro da Educação deixou escapar nas entrelinhas.
Este é o projeto de Educação de José Serra (PSDB-SP) exposto pela boca do oráculo Paulo Renato, Secretário da Educação paulista: alunos de "classe média" não devem testar seus conhecimentos em ambientes "impróprios" (diga-se, favelas!), ainda que este o exame tenha caráter nacional como o ENEM.
Aos candidatos (de qualquer origem social e econômica) resta buscar oxigênio, aproveitar a extensão do prazo dado para a realização das novas provas e voltar ao preparo. A nós, professores, cabe retornar ao campo de batalha e trabalhar para garantir a nossos alunos, indistintamente, a concretização do tão sonhado ingresso no tão sonhado curso de nível superior. Ao MEC cumpre determinar a apuração rigorosa desse lamentável imbróglio. A Polícia Federal está aí para servir o povo brasileiro e não para agradar a A ou a B.
Leia o que foi dito pelo secretário da Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato, ao Estadão. (Aqui)
Professor Di Afonso - Terra Brasilis - 03.10.2009
25 de set. de 2009
Divulguem - Programa Nova Africa, na TV Brasil
A série tem como objetivo retratar o continente africano da perspectiva dos africanos. Como escreveu o autor Mia Couto, a África vive uma tripla condição restritiva: prisioneira de um passado inventado por outros, amarrada a um presente imposto pelo exterior e, ainda, refém de metas que lhe foram construídas por instituições internacionais que comandam a economia.
Nesta série os africanos narram seus problemas e soluções: trabalhadores, políticos, assim como intelectuais, artistas e ativistas sociais africanos, cujas vozes e idéias estão quase ausentes no cotidiano dos brasileiros são nossos entrevistados.
Vários países africanos foram e estão sendo visitados e priorizamos os países com os quais o Brasil - pelas relações históricas estabelecidas ao longo de séculos - tem maiores afinidades culturais e econômicas, além dos acordos de cooperação firmados na atualidade.
Informamos, ainda, que temos um blog que pretendemos tornar um espaço de diálogo entre a equipe e o público em geral sobre o continente africano. Vamos disponibilizar fotos, textos, vídeos e publicarmos comentários. o endereço é www.tvbrasil.ebc.com.br/
Ficha Técnica
Direção Geral: Henry Daniel Ajl e Luiz Carlos Azenha
Direção de Fotografia: Markus Bruno
Projeto editorial: Luiz Carlos Azenha e Conceição Oliveira
Coordenação de Produção: Tatiana Barbosa
Reportagem: Aline Midlej
Produção: Paulo Eduardo Palmério
Assistentes de produção: Erica Teodoro, Yuri Gonzaga
Montagem: Marco Korodi, Augusto Simões
Roteiro programa estréia: Eduardo Prestes Diefenbach
Roteiro: Angela Canguçu
Consultoria Histórica: Conceição Oliveira
Finalização Gráfica: Fernando Clauzet
Trilha Original e Mixagem: Rafael Gallo
Coordenação de Pós-produção: Eduardo Prestes Diefenbach
Narração: Phil Miler
Narração "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões: Gero Camilo
Agradecimentos a: Carlos Serrano, Rita Chaves e Adelto Gonçalves.
Aline veste: Kailash e Neon
Produtora: BaboonFilmes: http://www.baboon.com.br/
********
A seguir um artigo do Diretor Luiz Carlos Azenha a respeito da nova série
Como vai ser a série Nova África
A repórter Aline Midlej faz anotações ao sair de um vilarejo dos Himba quase na fronteira da Namíbia com Angola, na África. Notem o braço avermelhado dela. Uma mulher Himba aplicou na repórter a mistura de gordura e ocre que tinge as mulheres himba de vermelho.
por Luiz Carlos Azenha
Nos próximos dias pretendo apresentar a vocês um projeto do qual orgulhosamente faço parte. Trata-se da revista Nova África, que estréia dia 25 de setembro, 10 da noite, na TV Brasil. Uma série de 26 programas semanais em que uma equipe da Baboon Filmes viaja pela maior parte do continente.
Mas, antes, uma explicação: a Baboon Filmes disputou uma concorrência pública com várias produtoras de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília -- todas interessadas em fazer o projeto. E venceu. A Baboon pertence a dois jovens empresários de São Paulo, Henry Ajl e Markus Bruno, ambos repórteres cinematográficos. Fui convidado pela produtora para escrever o projeto editorial, o que fiz em parceria com a historiadora Conceição Oliveira. E, depois de 28 anos como repórter de televisão -- comecei em 1980, na TV Bauru, da Rede Globo -- faço minha estréia como diretor.
Na verdade integro uma equipe de feras, uma mistura de gente que tem grande experiência no ramo, como eu, e de novatos como a repórter Aline Midlej. Estou certo de que vocês vão se encantar com a Aline. É uma mulher batalhadora e dedicada, que ontem estava com o Henry em algum lugar do Congo, a caminho de um encontro com os pigmeus na região fronteiriça com Ruanda. Como a maioria dos brasileiros afrodescendentes, ela tem poucas informações sobre suas raízes na África. Nossa idéia foi colocá-la não só como repórter, mas também como personagem dessa descoberta, que é de muitos.
Para todos os envolvidos no projeto, aliás, tem sido uma descoberta. Quando eu comecei a me interessar pela África eu ainda morava nos Estados Unidos. Fui notando aos poucos que quase toda a historiografia refletia o olhar europeu sobre um continente partilhado pelas potências européias no auge do imperialismo mercantil. E que, mesmo títulos recentes, embora descartassem o racismo mais aberto, estavam impregnados de preconceito. Notei que quase não existia nada escrito em português sobre a rebelião Mau-Mau no Quênia, a matança dos Herero no que hoje é a Namíbia ou os crimes do rei Leopoldo no Congo. Pela dimensão dessas tragédias, há pouco escrito sobre esses temas mesmo em inglês.
Com certeza, não é por acaso. Descobri também que quando os europeus buscaram ocupar fisicamente o território africano, em nome do "comércio, cristianismo e civilização", se esforçaram para apagar a história da África e descrevê-la como território dos "bárbaros". Os negros como símbolo de barbárie era do que os europeus precisavam para justificar a expropriação das terras, a exploração dos recursos naturais e a implantação de regimes racistas, dos quais o da África do Sul se tornou símbolo, embora vários tenham sido tão perversos quanto o dos africâners.
Entendendo episódios como a rebelião Mau Mau e outros eventos que podemos classificar grosseiramente na categoria de lutas de resistência, cresce a admiração pelas estratégias que os africanos adotaram para preservar sua cultura e tradição. Foi o que vimos, por exemplo, na ilha de Moçambique, com o povo Macua. Os Macua reciclaram as influencias que "desembarcaram" na costa de Moçambique mas nunca perderam a energia vital -- podemos vê-la hoje por aí, nas ruas do Rio de Janeiro e Salvador.
A África real também é surpreendente por não se encaixar na África "da diáspora". Como observou com propriedade o pintor moçambicano Naguib, numa entrevista que gravamos com ele em Maputo, os afrodescendentes muitas vezes idealizam, à distância, uma África que já não existe mais. E resistem bravamente a qualquer fato que não se encaixe nesse mundo idealizado, em que a cor de pele é definidora de quem é "herói" e quem é "vilão".
Modestamente, aos poucos, pretendemos dar conta dessa complexidade, ouvindo especialmente os protagonistas que o Jornalismo em geral relegou ao papel de "coadjuvantes exóticos": os próprios africanos.



