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15 de fev. de 2012

Madame condena protesto contra racismo em Higienópolis e justifica: “tá cheio de empregado negro”

Do Pragmatismo polítco - 14.02.12

“A ciência já provou a inexistência de ‘raças’ entre seres humanos… Mas continua um mistério a estranha tendência das armas de fogo de atingirem jovens negros” – Laerte

28 de jan. de 2011

PROUNI RECEBE MAIS DE 1 MILHÃO DE INSCRIÇÕES E BATE RECORDE


O MEC (Ministério da Educação) informou nesta quarta-feira que foram registradas 1.048.631 inscrições para o ProUni (Programa Universidade para Todos) até a noite de ontem, quando foi encerrado o prazo para concorrer a uma das bolsas oferecidas.
 
Com isso, o processo deste ano é o com maior número de candidatos da história. Criado em 2004, pelo governo Lula a maior marca registrada pelo programa tinha ocorrido em 2010, quando foram recebidas 822 mil inscrições. O resultado em primeira chamada será divulgado na sexta-feira (28) no site do programa.
 
No dia 11 de fevereiro, será divulgada a lista dos pré-selecionados em segunda chamada, com prazo de comprovação de documentos até 17 de fevereiro.
 
Nesta edição estão sendo oferecidas 123.170 bolsas de estudo em 1.500 instituições privadas de ensino superior. Do total, 80.520 são integrais e 42.650 parciais, que custeiam 50% da mensalidade.
 
As bolsas integrais são destinadas aos alunos com renda familiar mensal per capita de até um salário mínimo e meio. Já as bolsas parciais são para os candidatos cuja renda familiar mensal per capita é de até três salários mínimos.
 
Caso ainda haja bolsas disponíveis, o Ministério da Educação abrirá um novo período de inscrições entre os dias 21 e 24 de fevereiro, com divulgação da primeira lista de pré-selecionados em 27 de fevereiro. Quem já tiver conseguido uma bolsa na primeira etapa de inscrições não poderá participar da disputa.

Por Helena - Os amigos do Lula - 28.01.2011

30 de nov. de 2010

Nota pública de instituições comunitárias atuantes no bairro do Complexo do Alemão

FAzendo Média - 30.11.2010

Diante dos acontecimentos recentes na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão – formado por 14 Comunidade e com população estimada em 400 mil pessoas -, que culminaram na ocupação desta área por forças policiais do estado e das Forças Armadas, as Organizações da Sociedade Civil abaixo assinadas, com atuação há mais de 10 anos nesta região, vêm a público propor e Requerer dos governos nas esferas Federal, Estadual e Municipal um compromisso efetivo. São necessários investimentos para tirar do papel um conjunto de propostas e projetos de caráter sócio-ambiental, cultural e nas áreas de educação, saúde, mobilidade urbana, saúde ambiental, esportes, assistência social e segurança pública. Lembrando que muitas destas propostas já foram objetos de projetos não concretizados ao longo dos anos, esperamos que a partir de agora possam ser implantadas em benefício da população e da proteção deste território que historicamente foi abandonado pelos sucessivos governos e com isso ficou marcado por décadas pelo seu crônico esvaziamento econômico, pela violência, degradação urbana e como área de sacrifício ambiental.

Somos o Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, fruto de uma aliança entre diversas organizações locais já mobilizadas em torno da defesa da Serra da Misericórdia, movimento social que conquistou nos anos 90 seu reconhecimento legal como uma Unidade de Conservação da Natureza reconhecida pelo Decreto Municipal Nº 19.144 de 16 de novembro de 2000 – Área de Proteção Ambiental e de Recuperação Urbana – APARU da Serra da Misericórdia. Trata-se, portanto, de um coletivo que agrega, além das instituições do Comitê, moradores das favelas ocupadas militarmente, entidades comunitárias locais, bem como ativistas e pesquisadores, todos com longa atuação nesta região e vivência nessas comunidades.

Nosso Objetivo é aprofundar o debate com a sociedade, o poder público e a mídia para além da ocupação militar.  Para isso, queremos, através de uma AGENDA SÓCIO-AMBIENTAL PARA O TERRITÓRIO DA SERRA DA MISERICÓRDIA E OS COMPLEXOS DE COMUNIDADES DO ALEMÃO, DA VILA CRUZEIRO E DA PENHA, apresentar idéias, sugestões, projetos e propostas objetivas e viáveis que possam colaborar com o desenvolvimento humano e a melhoria das condições socioeconômicas e sanitárias desta região e dos moradores. Assim, destacamos como prioridades:

1.      Reconhecer o quão significativo é a ocupação do estado em áreas que antes eram dominadas por grupos ligados ao varejo de drogas não pode significar uma interpretação equivocada do contexto de violência e ilegalidade da cidade. Resumir a política de segurança pública a esta ocupação militar ou mesmo creditar às ações dos últimos dias uma triunfal “derrubada do tráfico” – o midiático dia “D” – apenas contribui para a criminalização das áreas de favelas e esvaziamento do debate. Essa interpretação pode gerar uma superficial e limitada cortina de fumaça sobre as causas reais que levaram a esta grave situação assim como camuflar as razões históricas que levaram ao abandono deste território e de sua população que vive há décadas em precárias condições de vida, e sem acesso a direitos elementares. Consideramos que para além das manchetes sensacionalistas que buscam induzir a sociedade e, principalmente, os moradores que vivem nas favelas cariocas a crerem que com a ação militar do Alemão o problema estaria superado e que nossa cidade estaria livre do crime de maneira definitiva, é preciso fazer uma análise profunda para comprovar que isto não se sustenta. A ação de combate ao varejo de drogas tem seus méritos, no entanto, não se pode associar toda a violência que assola a cidade apenas ao território das favelas dominadas pelo tráfico. Diversas variáveis interferem nesse contexto, muitas delas de amplo conhecimento da população e das autoridades públicas: corrupção policial, tráfico de armas, narcotráfico internacional, fortalecimento dos grupos milicianos, desigualdades sociais, ausência do Estado em grande parte da cidade, entre outras. É preciso, portanto, ressaltar os avanços presentes nos fatos dos últimos dias sem deixar de apontar as muitas frentes onde ainda precisamos atuar.
Além disso, a cobertura da grande mídia e as ações governamentais que se seguirão devem ter o cuidado de não reforçar estereótipos históricos e preconceitos sociais associados às favelas, já que os moradores dessas áreas são sempre os mais atingidos pela violência. No momento em que o estado se mostra disposto a enfrentar esta realidade é preciso todo esforço para que não se repitam condições históricas que acabam por reforçá-la. Por isso, são inaceitáveis e não podem ser visto como “mal menor”, certos acontecimentos aos quais estão sujeitos hoje os moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, entre os quais destacamos a falta de energia elétrica; o fechamento das escolas; a entrada violenta por parte das forças policiais nas residências; o furto de objetos nestas residências. Esses fatos devem ser profundamente combatidos, prestando contas à sociedade. Por outro lado, apesar dos casos de posturas inadequadas de alguns policiais, é importante destacar que as ações dos últimos dias divergem daquilo que se viu nas últimas duas décadas no que diz respeito à ação policial, ao menos nas favelas do Alemão. É notável que a inteligência foi privilegiada em detrimento da repressão desmedida. Se há relatos de abusos, muitos são também os relatos que reconhecem uma postura por parte dos policiais da maneira que se espera deles: com respeito aos direitos dos cidadãos. Não cabe elogiar aquilo que, na verdade, é a conduta correta das forças que representam o estado, mas é forçoso destacá-la uma vez que historicamente não foi esta a realidade experimentada pela comunidade.
 
2.      Esta ação aponta para uma profunda transformação no cotidiano das favelas do Alemão, por isso, este coletivo avalia ser necessário aliar uma ampla diversidade de atores sociais para que ela possa se consolidar. A atuação conjunta entre as várias forças estatais (tanto no campo da segurança quanto no campo social), somada à participação dos moradores e das organizações locais que há anos lutam pela melhoria das condições de vida da região podem fortalecer este processo, dando-lhe transparência e legitimidade. Esta é precisamente a razão pela qual as instituições que assinam esta nota buscam agregar outros atores locais e estabelecer um diálogo amplo e duradouro com o poder público.
Para isso, propomos a construção coletiva de uma Agenda Propositiva para o Conjunto de Favelas do Alemão. As instituições que já se envolveram neste debate têm buscado contribuir nos campos nos quais já acumulam ampla experiência, principalmente com propostas de projetos nas áreas da cultura, meio-ambiente, educação e esporte. Destaca-se a longa vivência destas instituições nas diversas comunidades do Complexo do Alemão, onde há anos desenvolvem projetos sócio-ambientais, educativos e culturais em geral sem qualquer apoio dos governos ou da iniciativa privada. Da mesma forma, é necessária e deve ser urgente, por parte do poder público, a abertura de canais para o diálogo com as entidades comunitárias locais, bem como de participação no processo que envolve a Agenda.

Rio de Janeiro, 30 de novembro de 2010.

Assinam esta nota:

Instituto Raízes em Movimento

Verdejar – Proteção Ambiental e Humanismo

Movimento de Integração Social – Éfeta

Oca dos Curumins

Observatório de Favelas

17 de nov. de 2010

Mais jovens de classe D que de A na universidade


Com filhos da elite em proporção cada vez menor, alunos de baixa renda são maioria: classes C, D e E correspondem a 73,7%

Ronald é o primeiro da família a entrar em uma universidade. 
Ele trabalha como voluntário em pré-vestibular social ajudando outros jovens 
| Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia

 

POR MARIA LUISA BARROS - O Dia - 16.11.2010

 

Rio - Um fenômeno recente está dando novo rosto às universidades brasileiras e mudando, para melhor, a vida de milhares de famílias. Pesquisa inédita do Data Popular, instituto especializado em mercado emergente no Brasil, revela que, pela primeira vez na década, jovens de baixa renda são maioria nas faculdades. Eles são 73,7% dos universitários. “É um contingente enorme que representa a primeira geração de suas famílias a obter um diploma de nível superior”, constata Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisa.

O estudo mostra que os estudantes da classe D, oriundos de famílias que ganham menos de 3 salários mínimos (R$ 1.530), ultrapassaram os filhos da elite nos campi. Uma das razões para esta revolução no ensino apontada por Meirelles foi o Programa Universidade para Todos (ProUni) que já atendeu 747 mil estudantes de baixa renda nos últimos seis anos.
De 2002 a 2009, as faculdades, públicas e particulares, receberam 700 mil estudantes da classe D — média de 100 mil jovens a cada ano. Se há oito anos eles ocupavam somente 5% do bolo universitário, em 2009 chegaram a 15,3%. Já os da classe A perderam participação no total: a fatia caiu de 24,6% para 7,3%.

Ronald Rosa Fonseca, 25 anos, passou pelo funil da exclusão social. Filho de uma doméstica e de um mecânico, teve o apoio dos patrões da mãe para cursar o 4º período de Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica (PUC). “Eles permitiram que eu morasse na casa deles, no Leme, onde minha mãe trabalha. Não teria condições de estudar morando em Magé”, conta ele, que passou em 11º lugar no vestibular. Graças ao bom desempenho, a PUC deu a ele bolsa integral, passagem,

INVESTIMENTO PESADO

permitiram que eu morasse na casa deles, no Leme, onde minha mãe trabalha. Não teria condições de estudar morando em Magé”, conta ele, que passou em 11º lugar no vestibular. Graças ao bom desempenho, a PUC deu a ele bolsa integral, passagem, alimentação e livros.

INVESTIMENTO PESADO


De acordo com Meirelles, para esses jovens a universidade é um investimento pesado, mas que vale a pena: “A família vê no estudo a única chance de mudar as condições de vida de todos”. Em retribuição à ajuda que recebeu para entrar na faculdade, Ronald voltou para o pré-vestibular gratuito mantido pela empresa ExxonMobil como coordenador. “Quem consegue entrar tem quase um compromisso de voltar e fazer o mesmo por outros jovens”, diz ele. Além do curso, os alunos participam de oficinas culturais, palestras, visitas a museus, universidades e empresas. Em janeiro, será aberta nova seleção. Informações: 2505-1233 e 2505-1256.

Número de universitários cresceu 57% em sete anos

Entre 2002 e 2009, o número de universitários no Brasil passou de 3,6 milhões para 5,8 milhões, um avanço de 57%.

Noventa por cento da população ganham até 10 salários mínimos e movimentam R$ 760 bilhões ao ano.

As classes A e B detêm 26,3% das vagas no ensino superior, enquanto estudantes da C, D e E representam 73,7% do total.

Em todas as classes sociais, houve aumento dos homens nas faculdades, mas as mulheres são a maioria (57%).

A média da idade dos universitários aumentou: passou de 25,87 em 2002 para 26,32, em 2009.

A necessidade de trabalhar para pagar a faculdade faz com que a maioria prefira estudar à noite ou em meio período.

Rede de apoio para estudantes carentes


Para atravessar os portões das universidades, estudantes de baixa renda contam com extensa rede de apoio que inclui programa de bolsas em faculdades privadas, orientação profissional e pré-vestibular social patrocinados por grandes empresas. É o caso do estudante Carlos Henrique Simões, 22 anos, morador de Realengo, Zona Oeste, que será o primeiro da família a prestar vestibular.

Há um ano, ele frequenta as aulas do pré-vestibular custeado pela empresa petrolífera Exxon Mobil, em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). Os alunos recebem bolsa-auxílio de R$ 100 por mês e vale-transporte para que não abandonem os estudos. “Eles chegam com tanta vontade de fazer faculdade que demonstram uma força imensa, capaz de superar qualquer obstáculo”, diz Valéria Lopes, supervisora do CIEE.

Desde que foi criado, em 2004, o Programa Mais ajudou 51 estudantes a ingressar na universidade. Carlos não só está próximo de realizar seu sonho, como está levando junto a família. “Minha mãe voltou a estudar e está a caminho de concluir o Ensino Médio. Meu irmão mais velho também retomou os estudos”, conta o estudante, que fará Serviço Social.

Renda aumentou e mensalidade despencou

A ascensão dos jovens de baixa renda aos bancos universitários foi favorecida pela universalização do Ensino Médio e pela expansão das faculdades privadas, que fez despencar o preço das mensalidades. Além disso, foram criados cursos universitários de dois anos e a classe D obteve aumento na renda. “Depois de pagar a comida, aluguel e condução, começou a sobrar dinheiro para pagar os estudos”, observa Renato Meirelles.

Segundo ele, a classe C já representa o maior número de alunos em escolas privadas, com mais de 4 milhões de crianças matriculadas. “É um círculo virtuoso baseado na reciprocidade. Quem é ajudado ajuda outros a melhorar de vida”, explica. Ainda na classe C, 68% das pessoas estudaram mais do que os pais; entre a classe A esse percentual é de apenas 10%.

A partir do ano que vem, jovens terão mais um incentivo. A UFRJ vai destinar 20% das vagas para estudantes de escolas públicas. Os candidatos serão aprovados por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A instituição planeja dar mil bolsas-auxílio, Bilhete Único Intermunicipal e netbooks.

2 de nov. de 2010

Ataques ao Nordeste surgem na web após vitória de Dilma, que venceria sem região

Preconceito chega ao topo dos assuntos mais comentados do Twitter

Divulgação

Dilma em carreata em Minas Gerais, onde ela abriu 1,7 milhão de votos sobre o tucano José Serra
Wanderley Preite Sobrinho e Amanda Polato, do R7
A vitória da petista Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de domingo (31) desencadeou uma onda de preconceito contra nordestinos na internet. O que os responsáveis por transformar esses ataques no assunto mais comentado no Twitter não sabiam é que Dilma venceria o candidato do PSDB, José Serra, mesmo sem os votos das regiões Norte e Nordeste. 

Os comentários preconceituosos partiram principalmente de eleitores do Sul e do Sudeste, que acreditavam que a vitória de Dilma só foi possível porque o Nordeste votou em peso na petista. De fato, ela venceu com folga na região: 18,4 milhões de votos, contra 7,7 milhões de Serra.
Em um Estado nordestino e em dois da região Norte, Dilma ganhou em todas as cidades. No Piauí, Serra só levou em dois municípios; no Ceará, em apenas um.
Ao notar a importância dos nordestinos na eleição da petista, uma estudante de direito postou o seguinte comentário no Twitter ainda no domingo: "nordestino não é gente, façam um favor a SP, mate um nordestino afogado!”. A responsável pelo tuite cancelou seu perfil.
Mesmo assim, em pouco tempo um grande volume de internautas repassou a mensagem e começou a manifestar opiniões parecidas. A reação, no entanto, não demorou a chegar.
Ainda no domingo foi criada a tag "#orgulhodesernordestino", responsável por tornar o assunto o mais comentado do microblog. Logo em seguida, um site foi criado para reunir as mensagens preconceituosas, o Diga Não à Xenofobia.
O que os preconceituosos não sabiam é que, segundo dados TSE (Tribunal Superior Eleitoral), se os votos das regiões Norte e Nordeste fossem cancelados, Dilma seria eleita com uma diferença de 275 mil votos. Somando-se o Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ela foi escolhida por 33,2 milhões de pessoas, enquanto o tucano recebeu os votos de 32,9 milhões de eleitores.
Dilma não teria vencido se não fossem os votos de dois Estados justamente do Sudeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro – segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do Brasil. A decepção dos tucanos foi maior em Minas, do ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB), onde a petista venceu com uma diferença de 1,7 milhão de votos, a mesma vantagem conseguida no Rio de Janeiro, diminuindo o impacto da vitória de Serra em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.
Ao recolocar o Norte e Nordeste no mapa do Brasil, Dilma teve mais de 55 milhões de votos contra 43 milhões de Serra.

Veja, abaixo, como ficou a divisão dos votos nos Estados :

Do R7 - 02.11.2010

Não basta punir apenas os playboyzinhos escrotos de São Paulo, é preciso ir atrás dos grandes disseminadores do preconceito no país


Os babacas antinordestismos no twitter nada mais fazem do que reproduzir os preconceitos que observam diariamente no PIG. Programas humorísticos de gosto duvidoso, tanto na TV quanto no rádio; programas de debates políticos e culturais, novelas, reportagens, editoriais... Todo um batalhão de publicistas do racismo, munidos de arsenal de conceitos esteriotipados que só prestam para perpetuar preconceitos de cor, classe, regionais, estéticos, culturais, linguísticos. Os escrotos do twitter provavelmente sofrerão algum tipo de sanção, e as hienas do PIG, quem cala? 

Segue abaixo uma lista dos maiores divulgadores do preconceito no Brasil:


Ali Kamel, eminência parda do Brasil colonial

Eliane Cantanhede, a musa da massa cheirosa

Reinaldo Azevedo, paraninfo da elite fascistóide


Diogo Mainardi, porta voz da direita delinquente

Otávio Frias, herdeiro do DOI-CODI

Victor Civita, o publicitário do fascismo

Danilo Gentili, o herói da direita descolada e modernosa

Boris Casoy, o último dos CCC


Como esses, há muitos outros, estão por aí a galvanizar as centelhas do fascismo, não admitem que a classe trabalhadora tenha acesso a cidadania. Como cada vez mais perdem espaço no poder, querem botar fogo no país. Suas crias, por enquanto, agem apenas nas redes sociais de elite da internet. É preciso barrar  essa corja e todos os seus seguidores.


PS: Quero ver essa playboyzada destilar seu fascismo na quebrada, relinchar em frente do computador é fácil. Aqui o chicote estrala burguesada de merda!
 
Do Blog do CApacete - 02.11.2010

6 de out. de 2010

Bullyng eleitoral

 

Eduargo Guimarães*

Estou impressionado com um caso relatado pelo amigo Arnóbio Rocha, tuiteiro com quem dividi os corredores do hospital em que minha filha Victória e Letícia, uma das filhas dele, estiveram internadas ao mesmo tempo há alguns meses.
Esse caso dá uma idéia das barbaridades que estão sendo praticados nesta campanha eleitoral, que pode passar à história como uma das mais sujas que este país já viu depois da redemocratização.
Vale relatar que tudo se deve ao candidato da mídia, bem como a própria, não estarem aceitando limites sobre o que usar para vencer a eleição presidencial.
Arnóbio relata, via Twitter, bullying que uma de suas filhas sofreu na escola em que estuda devido aos seus pais serem eleitores declarados de Dilma Rousseff.
O caso me parece extremamente grave. Inaceitável numa democracia. Este é o primeiro relato de dois que pretendo fazer hoje sobre o clima que o candidato José Serra, o jornal Folha de São Paulo, a Rede Globo, o Estadão e a revista Veja, entre outros, estão impondo ao país.
Arnóbio começa seu relato explicando o que é bullying: “Termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender”.
Segundo Arnóbio, sua filha de 9 anos estuda em uma escola cristã de classe média de São Paulo e foi vítima de “bulliyng pesado” por “defender Dilma”. Teria sido importunada por coleguinhas cujos pais votaram em Serra, que debochavam dela alegando que o tucano teria “vencido” o primeiro turno e Dilma, “perdido”.
A garota, segundo o relato, teria revidado dizendo que havia “mais eleição” pela frente – bela resposta para uma criança de nove anos. Todavia, naquele momento os coleguinhas começaram a gritar “Dilma Assassina”, e que ela “foi presa”, que “roubava” e que “mata crianças”.
Agora a parte mais revoltante e assustadora: a filha de Arnóbio diz ter sido caçada, encurralada e recebido socos e pontabés, além de os agressores terem pisado na mochila dela enquanto gritavam insultos e deboches.
Quando a mãe da menina foi buscá-la na escola, encontrou a filha aos prantos tentando relatar a agressão que sofrera.
Ainda segundo meu companheiro de hospital – alguém que tem a filha primogênita, de doze anos, sofrendo de leucemia -, este é o perfil dos pais dos alunos da tal escola: curso superior e salários, em média, de R$12 a 15 mil.
Arnóbio ainda assevera que “Nem em 1989 Collor ousou pregar o ódio de forma tão aberta” e que “Transformaram as eleições num inferno, em São Paulo”. E conclui dizendo que “não dá mais para ficar calado”.
Na classe da vítima dessa nova forma de bullying inventada pela campanha de Serra, o “bullying eleitoral”, dos 21 alunos 4 dizem que os pais votam em Dilma e todos estão sendo vítimas dos demais.
Arnóbio não quer revelar o nome da escola, no que julgo que está certo. Mas só até o ponto em que essa instituição tomar providências. Se tal não ocorrer, penso que ele deve tomar uma atitude. Não denunciar essa barbaridade equivale a aceitar ter a sua liberdade de expressão e de opinião desrespeitada.

Aguardemos…

*Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

Do blog do Saraiva - 06.10.2010

Povo, ás ruas... O Futuro do país está em nossas mãos.


Em vez de esperar por Marina, PT deve tomar ruas e mídias

O futuro do Brasil e do continente latino-americano será decidido em outubro. Não em 31 de outubro, mas em todos os dias do mês. Tudo o que for feito hoje e amanhã terá reflexos no dia da votação. Deve ficar claro que o povo brasileiro vai escolher entre dois projetos. O liderado por Dilma-Lula, cuja proposta é de desenvolvimento com distribuição de renda e fortalecimento do Estado, ou o de Serra-FHC, que defende o livre mercado gerador de desigualdades.
Em vez de esperar 15 dias pelo PV, ou Marina Silva, o PT deve ocupar as ruas e as mídias, todas quanto possível, para comparar os dois projetos e combater as mentiras e informações distorcidas contra Dilma. Não vale a pena esperar o PV por dois motivos. Um de seus mais importantes caciques, Alfredo Sirkis, é de extrema direita. Presidente do partido no Rio, duvido que permita apoio ao PT. Em segundo lugar, os eleitores de Marina não são militantes orgânicos a ponto de acatar uma decisão partidária. Então não vale a pena esperar. Se o apoio vier, ótimo. Se não vier, vida que segue.
Apesar de não ter vencido no primeiro turno, Dilma teve excelente votação. Se não a maior, seguramente uma das maiores votações em primeiro turno na história do país. Cerca de 47 milhões de brasileiros apertaram o 13 no domingo dia 3 de outubro. Desses, a maioria veio das classes populares. Em favelas da zona norte do Rio, por exemplo, Dilma chegou a ter 60% dos votos contra cerca de 15% dos adversários. Já na zona sul, como Ipanema e Leblon, a petista perdeu feio. O corte de classe ficou evidente. No segundo turno, manter a estratégia para os espaços populares e repensá-la da classe média pra cima.
Boa parte dos votos que a candidata petista deixou de receber se deve à campanha aberta que fizeram as corporações de mídia durante todo o mês de setembro. Nesse período, praticamente não houve debate sobre o país. Foi denuncismo puro, o que envolveu Dilma numa agenda extremamente negativa. Isso deve, pelo menos, servir para a esquerda entender a importância de democratizar os meios de comunicação de massa.
Mas não a sangria não se deu apenas em razão da campanha midiática contra Dilma. É fato que boa parte dos votos que as pesquisas indicavam para a petista foi desviada pela boataria fundamentalista. Recebi, em Brasília, panfletos acusando o governo Lula de querer implantar uma “rede de domínio do anticristo no Brasil”. O título da mini-revista, com tiragem de 100 mil exemplares, é: “Rebelião contra Deus quer destruir a família e a Igreja”. Mas acontece que o panfleto, pelo menos esse, não é apócrifo. Lá está a assinatura, em letra minúscula: “Coligação O DF pode mais – PSC, PRTB, PR, PSDB, DEM, PP, PMN, PTdoB, PSDC”. Observem que PSDB e DEM, partidos de Serra e seu candidato a vice, Índio da Costa, estão escondidinhos no meio da sopa de letrinhas.
Como esse, outros panfletos foram distribuídos por aí, assinados ou não. Pela internet a mesma coisa. Como já parece ser consenso na blogosfera, a campanha do PT demorou para desmentir os boatos. Para o segundo turno, é preciso ter uma equipe exclusivamente voltada para esse combate, tanto nas diversas mídias quanto nas ruas.
Por outro lado, esse não foi o único motivo. Além dos que estão de acordo com o projeto tucano – e isso tem que ser respeitado – houve muita gente votando no Serra simplesmente para que haja um “revezamento no poder”. Entre os votos de Marina, há os que não gostam nem do PT nem do PSDB (ou nem de Dilma-Lula e nem de Serra-FHC). Os verdes também podem ter identificado em Marina uma melhor candidata para tocar a pauta ambiental, ou a que melhor representa a classe trabalhadora (já que é negra e tem uma história de luta com Chico Mendes, foi alfabetizada aos 16 anos e etc.).
O PT deve considerar todas essas variáveis. E investir nos eleitores de Marina, observando suas várias nuances, e no combate à onda de mentiras e difamações que estão sendo divulgadas em documentos apócrifos ou assinados pela campanha de Serra. No lado propositivo, a campanha deve consolidar a posição que lhe garantiu 47 milhões de votos e se esforçar para comparar os dois projetos, em seus vários aspectos: desenvolvimento social e combate à fome (redução das desigualdades, aumento do salário mínimo, criação de 14 milhões de empregos, saída de 30 milhões de brasileiros da miséria), comunicação (plano nacional de banda larga, empenho na construção da comunicação pública – TV Brasil), cultura (pontos de cultura, pontos de mídia livre), educação (novas universidades e novos centros tecnológicos), desenvolvimento agrário (aumento de R$ 3 bilhões para R$ 16 bilhões no financiamento da agricultura familiar), economia (mais crescimento do PIB com Lula do que com FHC), relações exteriores (aumento do comércio sul-sul, maior presença na América do Sul e na África, diálogo de igual para igual com as potências mundiais), entre outras.
E o mais importante de tudo: todos e todas que acreditam que a eleição de Dilma é fundamental para a consolidação dos avanços conquistados pelo governo Lula devem conversar com os amigos, vizinhos, conhecidos e até desconhecidos. Não de maneira agressiva, impositiva, mas de forma respeitosa, sempre que sentir alguma abertura, naturalmente, apresentando essas e outras informações que evidenciem os dois projetos (Dilma-Lula x Serra-FHC), já que a comparação é extremamente favorável ao projeto público em detrimento do privatista. Também é preciso ter um discurso pronto para neutralizar mentiras e distorções, que estão centradas no campo do fundamentalismo religioso – aborto, casamento gay, drogas, domínio do anticristo. Funcionaria algo como: “Quando Jesus escolheu seus profetas o fez para que levassem a palavra de Deus. E não para professar falso testemunho, como estão fazendo contra Dilma”.
Adesivo no peito, bandeira em punhos, discurso afiado e sorriso confiante – que de cara fechada ninguém convence ninguém. Essas são as armas que a militância deve usar todo santo dia até 31 de outubro.

Marcelo Salles - Fazendo Média - 06.10.2010

30 de ago. de 2010

Ibope - Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra



Pesquisa nacional do Ibope, aplicada esta semana e que será publicada amanhã pelo jornal O Estado de S. Paulo, Dilma Rousseff abriu 24 pontos percentuais de vantagem sobre José Serra.

Ela subiu oito pontos percentuais nas intenções de voto. Foi para 51%. Serra caiu cinco pontos percentuais - de 32% para 27%. Marina Silva oscilou de 8% para 7%.

Todos os adversários de Dilma somam 34% de intenção de voto. Ela tem 17 pontos percentuais a mais do que eles. Se a eleição fosse hoje, ganharia no primeiro turno.

imagem chupada do blog Brizolaço
Geografia do voto. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais - respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País.

No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.

A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.

Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.

Na faixa de renda logo acima - de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.

Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.

Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).

Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que Dilma é a candidata de Lula.

O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.

E pensar que há exatos doze meses, tivemos que ler isso em Ibope: Lula não fará sucessor:

Em entrevista a "Veja", o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, diz que Lula não fará o seu sucessor, e que o PT está em processo de decomposição. Para ele, Marina Silva é um golpe na candidatura de Dilma Rousseff. [...] A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. [...] Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula". [...] Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também. [...] A Marina é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. [...] Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma.
Agora, a um mês das eleições e respaldado por números apresentados em pesquisas diárias, Montenegro faz um mea-culpa à revista IstoÉ.

"Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana", afirmou. "O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff." Segundo Montenegro, a ex-ministra da Casa Civil vem se conduzindo de forma convincente e confirma, na prática, o que o presidente disse sobre ela na histórica entrevista concedida à ISTOÉ na primeira semana de agosto: “Lula acertou. Dilma é um animal político. Está mostrando muito mais capacidade do que os adversários."

Eu nunca vi, em quase 40 anos de Ibope, uma mudança na curva, como aconteceu nesta eleição, reverter de novo. Por mais que ainda faltem 30 e poucos dias para a eleição, o Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Ela tem 80% de chances de resolver a eleição no primeiro turno. Mas, se não for eleita agora, será no segundo turno.

Houve uma série de fatores. Primeiro a transferência do Lula, que realmente vai sair como o melhor presidente do Brasil. Um pouco acima até do patamar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. O segundo ponto é o preparo da candidata Dilma. Ela tem mostrado capacidade de gestão, equilíbrio, tranquilidade e firmeza. A terceira razão é seu bom desempenho na televisão, inclusive nos debates e entrevistas. Lula acertou ao dizer, em entrevista à ISTOÉ, que ela era um animal político. Está mostrando muito mais capacidade que os adversários e mostra que tem preparo para ser presidente.

O Brasil nunca viveu um momento tão bom. E as pessoas estão com medo de perder esse momento. O Plano Real acabou derrotando o Lula duas vezes. Mas o Lula, com o governo dele, sem querer ou por querer, acabou criando um plano que eu chamo de imperial. É o império do bem, em que cerca de 80% a 90% das pessoas pelo menos subiram um degrau. Quem não comia passou a comer uma refeição por dia, quem comia uma refeição passou a fazer duas, quem nunca teve crédito passou a ter crédito, quem andava a pé passou a andar de bicicleta ou moto, quem tinha carro comprou um mais novo e quem nunca viajou de avião passou a viajar. Os industriais também estão felizes, vendendo o que nunca venderam. Os banqueiros idem.

Leia na revista IstoÉ, "O Brasil já tem uma presidente"

Do blog do Alê - 29.08.2010

5 de mai. de 2010

Ó xente, que maravilha, bá! O Nordeste puxa a a fila.


Há uma notícia que vai ser pouco lida, porque só saiu no Valor Econômico, mas que eu faço questão de dividir aqui com vocês. A região Nordeste vem aumentando sua participação no volume total do crédito no Brasil. No fim de 2004, estavam lá 9,5% do saldo das operações de crédito, este ano, subiram 11,6% ,em janeiro. No mesmo período, a participação do Norte passou de 3,21% para 3,58%, e a do Centro-Oeste foi de 9,23% para 9,32%.

O Nordeste tem 27% da população brasileira. Essa, portanto, deve ser sua participação ideal numa economia equilibrada. O avanço, que pode parecer pequeno, representa, proporcionalmente, muito. Principalmente porque tem sido enorme a expansão do crédito no país, como um todo.

Diz a
matéria que o Nordeste lidera a expansão do crédito nos últimos cinco anos em termos percentuais, com alta acumulada de 331,5% até o fim de 2009. Em segundo lugar aparece o Norte, com avanço de 296%, seguido por Centro-Oeste (259%), Sul (245,7%) e Sudeste (243,6%). De olho neste potencial, os bancos estão aumentando sua rede de agências e postos na região.

Sinal que esta região historicamente injustiçada está avançando e- que bom para todos nós – tornando o Brasil um país menos desigual. Ano passado, uma matéria do
Estadão mostrou que mesmo no pior da crise, no Governo Lula, o crescimento do Nordeste ficou acima da média nacional. Um carioca-gaúcho como eu só pode ficar feliz vendo nossos irmãos nordestinos, finalmente, tendo direito a um quinhão do progresso brasileiro.

O triste é que continue existindo tanto preconceito. Ao ler o jornal impresso, com a matéria correta e muito informativa do repórter Murillo Camaroto, do Recife, me deparei com um subtítulo e uma abertura que, certamente, foram acrescentados na edição, em São Paulo: “NORDESTE
ROUBA FATIA DAS DEMAIS REGIÕES BRASILEIRAS NO CRÉDITO”, seguida do texto que diz que “o crescimento da oferta de crédito no Nordeste, que há pelo menos cinco anos avança em ritmo mais acelerado que o das demais regiões do país, é alimentado com recursos captados na Região Sudeste, centro financeiro do país(…) “

Dá para perceber quanto preconceito se contém nessa forma de apresentar os fatos. Um pena que existam pessoas na elite brasileira que não conseguem entender que este país não poderá ser bom para ninguém se não puder ser bom para todos. O castigo do egoísmo é o medo e o drama de ter, mais cedo ou mais tarde, sua vida invadida pela miséria que cerca sua riqueza.

Do Blog do Saraiva - 05.05.2010

27 de abr. de 2010

Economia no Brasil - PIB de 2010 será o 3º maior do mundo.



Barros contempla a vigorosa expansão da economia

Do amigo navegante Carlos Barbosa.

Deu no IG:

Octavio de Barros: PIB terá 3ª maior alta do mundo

Economista do Bradesco projeta expansão de 6,4% para o PIB brasileiro neste ano

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá em 2010 o terceiro maior crescimento entre as 30 maiores economias do mundo. Segundo Octavio de Barros, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Bradesco, o Brasil deverá crescer 6,4% neste ano, “podendo chegar a 7%”.

Falando a uma plateia de investidores internacionais no evento Brazil Internacional Summit, organizado pela Terrapinn, nesta terça-feira, em São Paulo, Barros destacou que a taxa é “acima do que podemos crescer”. Nas projeções do economista, o crescimento sustentável do PIB está na casa dos 4,7%. “Poderia crescer mais, mas somos céticos com relação ao apetite por reformas.”

Clique aqui para ler a matéria de Klinger Portella no portal IG

Do Conversa Afiada - 27.04.2010

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8 de out. de 2009

IPEA - Instituto quer debate com redes de conhecimento


Ideia do Ipea é retomar o pensamento crítico nacional para o planejamento de longo prazo
Foto: Pedro Libânio
No primeiro de uma série de debates em comemoração aos 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea e a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-PE) realizaram nesta terça-feira (6) um seminário no Recife (PE). Houve consenso entre os pesquisadores de ambas as instituições sobre os rumos positivos que o Brasil vem tomando no sistema de assistência e proteção social, e sobre as conquistas de equidade no País desde o processo de redemocratização.

Houve consenso, também, sobre o fato de que ainda há muito a fazer: o Brasil continua a ocupar lugar de destaque no ranking dos mais desiguais e precisa crescer com melhor distribuição de riqueza e sustentabilidade ambiental. Como promover esse tipo de desenvolvimento? As discussões sobre o tema farão parte de uma rede de conhecimento que o Ipea está construindo com 25 instituições regionais de estudo e pesquisa, anunciou Mário Lisboa Theodoro, diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais (Dicod) do Ipea. Ele convidou a Fundaj a integrar a rede.

No seminário Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional, Theodoro mostrou ao público um panorama da economia brasileira com taxa de desemprego de 7,2% em 2008, menor patamar desde 1996, o que significa mais recursos previdenciários e poder de ampliação da rede de proteção social. Para ele, esse é um caminho sem volta que o Brasil precisa percorrer.

"Grande parte da equidade conseguida no País se deve ao sistema de proteção social. Precisamos reconstruir um sistema de planejamento de proteção social que pense o Brasil até 2030", afirmou, depois de observar a tendência de baixa fecundidade e aumento no número de idosos previsível nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Papel das instituições
O pesquisador do Ipea Giorgio Romano Schutte, ao expor sobre a inserção internacional do Brasil na governança global, apontou alguns acertos do País nas relações internacionais, por conta de ter mantido bancos públicos, políticas sociais e foco no crescimento com melhor distribuição de renda.

Trata-se, segundo ele, de um debate que já ocorria internacionalmente na Organização das Nações Unidas (ONU). "Na década de 1990, as crises financeiras mostravam os limites do Consenso de Washington para os países emergentes", disse. "A crise financeira global mostrou a importância do papel das instituições nacionais e internacionais", ponderou, ao lembrar que o "milagre" de alguns países asiáticos ocorreu justamente porque eles não seguiram o receituário do consenso.

Romano acredita que a crise agilizou a volta do coletivo e do Estado, e que não está em debate a desglobalização, mas sim a globalização organizada, a governança global. "Falta uma convenção sobre o desenvolvimento, e o Brasil terá papel de destaque nessa convenção", acrescentou o pesquisador ao observar que o País foi convidado a integrar o G-20, o Comitê da Basileia e acaba de conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. As mudanças climáticas, na visão de Romano, também "criaram um novo paradigma tecnológico com janelas de oportunidades para áreas ricas em biodiversidade, como o Brasil".

Mercado interno
Para a economista da Fundaj Tania Bacelar (foto), um dos maiores acertos da política econômica dos últimos anos foi o de investimento no mercado interno. Na região Nordeste, representou uma diminuição de 50% da pobreza. "Mas ainda há muito a ser feito. Continuamos desiguais e com índice de desenvolvimento humano muito baixo", afirmou. Ela sugeriu que o Ipea e a rede de pesquisadores do Nordeste discutam a reforma da estrutura fundiária "perversa" que existe na região. "O quadro econômico e social no meio rural precisa ser revisto", ressaltou.

A economista destacou os benefícios dos investimentos da Petrobras no Nordeste, mas observou que a região parece ter ficado de fora da integração com os países vizinhos. "Vão fazer rodovias ligando vários estados aos países vizinhos, mas o Nordeste parece estar meio esquecido nesse planejamento", destacou, ao solicitar estudos a respeito do assunto.

Formação de quadros
O diretor da Dicod anunciou que em breve o Ipea vai complementar o sistema de formação de quadros técnicos no Brasil. Já está pronta a minuta de um projeto de lei que o governo pretende mandar ao Congresso criando a Escola Nacional de Planejamento para o Desenvolvimento, que funcionará no Instituto. A proposta é formar mais técnicos que pensem o planejamento em longo prazo.

3 de out. de 2009

Paulo Renato: classe média não deve fazer as provas do ENEM em favelas!

Paulo Renato (PSDB-SP), ex-ministro da Educação de FHC
e atual secretário da Educação de São Paulo

Talvez esteja interpretando, equivocadamente, o comentário que o secretário da Educação de São Paulo, Paulo Renato Costa Souza (PSDB-SP), fez ao Estadão sobre o aparato logístico montado pelo MEC e que, segundo o ex-ministro da era FHC, teria sido falho. A falha - de logística ou não - foi comprovada, a partir da denúncia de vazamento do conteúdo das provas, e trouxe prejuízos, sobretudo, psicológicos aos candidatos.

Entretanto, não consigo digerir um aspecto da fala do ex-ministro. Refiro-me à exemplificação para o argumento de que houve falhas logísticas no ENEM/2009: "Problemas de logística vinham acontecendo. Começaram a chegar casos de alunos de classe média de tal bairro que teriam de fazer a prova em favelas". Interessante, para não dizer assustador, a constatação do secretário do PSDB. É essa a proposta do tucanato para a Educação: manter a classe média estudantil longe das favelas? Quer dizer, então, que "alunos de classe média" são de uma assepsia tamanha que não "teriam de fazer a prova em favelas"? E os alunos originários de classes menos abastadas devem ser confinados em seus redutos, posto que, pelo raciocínio do ex-ministro da Educação, não deve haver trânsito espacial entre entes de realidade social e econômica diversa? Os que moram em favelas são seres acometidos de um mal que os segrega e com os quais não se deva ter contato? Os bancos escolares das instituições fincadas em favelas transferem para quem neles se sentem as mazelas e as dificuldades por que passam os que ali estudam? Foram perguntas que turvaram minha mente ao ler o que um ex-ministro da Educação deixou escapar nas entrelinhas.

Este é o projeto de Educação de José Serra (PSDB-SP) exposto pela boca do oráculo Paulo Renato, Secretário da Educação paulista: alunos de "classe média" não devem testar seus conhecimentos em ambientes "impróprios" (diga-se, favelas!), ainda que este o exame tenha caráter nacional como o ENEM.

Aos candidatos (de qualquer origem social e econômica) resta buscar oxigênio, aproveitar a extensão do prazo dado para a realização das novas provas e voltar ao preparo. A nós, professores, cabe retornar ao campo de batalha e trabalhar para garantir a nossos alunos, indistintamente, a concretização do tão sonhado ingresso no tão sonhado curso de nível superior. Ao MEC cumpre determinar a apuração rigorosa desse lamentável imbróglio. A Polícia Federal está aí para servir o povo brasileiro e não para agradar a A ou a B.

Leia o que foi dito pelo secretário da Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato, ao Estadão. (Aqui)

Professor Di Afonso - Terra Brasilis - 03.10.2009

25 de set. de 2009

Divulguem - Programa Nova Africa, na TV Brasil

Por Conceição de Oliveira - 25.09.09

Nova África é a nova série jornalística da TV Brasil (http://www.tvbrasil.org.br/) que estreou dia 25/09/2009 e é exibida todas as sextas às 22 hs (com reprise nas segundas-feiras às 20 hs) foi produzida pela Baboonfilmes, produtora independente, vencedora do edital público promovido pela TVBrasil/EBC.

A série tem como objetivo retratar o continente africano da perspectiva dos africanos. Como escreveu o autor Mia Couto, a África vive uma tripla condição restritiva: prisioneira de um passado inventado por outros, amarrada a um presente imposto pelo exterior e, ainda, refém de metas que lhe foram construídas por instituições internacionais que comandam a economia.

Nesta série os africanos narram seus problemas e soluções: trabalhadores, políticos, assim como intelectuais, artistas e ativistas sociais africanos, cujas vozes e idéias estão quase ausentes no cotidiano dos brasileiros são nossos entrevistados.

Vários países africanos foram e estão sendo visitados e priorizamos os países com os quais o Brasil - pelas relações históricas estabelecidas ao longo de séculos - tem maiores afinidades culturais e econômicas, além dos acordos de cooperação firmados na atualidade.

Informamos, ainda, que temos um blog que pretendemos tornar um espaço de diálogo entre a equipe e o público em geral sobre o continente africano. Vamos disponibilizar fotos, textos, vídeos e publicarmos comentários. o endereço é www.tvbrasil.ebc.com.br/novaafrica


Ficha Técnica
Direção Geral: Henry Daniel Ajl e Luiz Carlos Azenha
Direção de Fotografia: Markus Bruno
Projeto editorial: Luiz Carlos Azenha e Conceição Oliveira
Coordenação de Produção: Tatiana Barbosa
Reportagem: Aline Midlej
Produção: Paulo Eduardo Palmério
Assistentes de produção: Erica Teodoro, Yuri Gonzaga
Montagem: Marco Korodi, Augusto Simões
Roteiro programa estréia: Eduardo Prestes Diefenbach
Roteiro: Angela Canguçu
Consultoria Histórica: Conceição Oliveira
Finalização Gráfica: Fernando Clauzet
Trilha Original e Mixagem: Rafael Gallo
Coordenação de Pós-produção: Eduardo Prestes Diefenbach
Narração: Phil Miler
Narração "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões: Gero Camilo
Agradecimentos a: Carlos Serrano, Rita Chaves e Adelto Gonçalves.
Aline veste: Kailash e Neon

Produtora: BaboonFilmes: http://www.baboon.com.br/
Categoria: Educação

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A seguir um artigo do Diretor Luiz Carlos Azenha a respeito da nova série

Como vai ser a série Nova África

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A repórter Aline Midlej faz anotações ao sair de um vilarejo dos Himba quase na fronteira da Namíbia com Angola, na África. Notem o braço avermelhado dela. Uma mulher Himba aplicou na repórter a mistura de gordura e ocre que tinge as mulheres himba de vermelho.

por Luiz Carlos Azenha

Nos próximos dias pretendo apresentar a vocês um projeto do qual orgulhosamente faço parte. Trata-se da revista Nova África, que estréia dia 25 de setembro, 10 da noite, na TV Brasil. Uma série de 26 programas semanais em que uma equipe da Baboon Filmes viaja pela maior parte do continente.

Mas, antes, uma explicação: a Baboon Filmes disputou uma concorrência pública com várias produtoras de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília -- todas interessadas em fazer o projeto. E venceu. A Baboon pertence a dois jovens empresários de São Paulo, Henry Ajl e Markus Bruno, ambos repórteres cinematográficos. Fui convidado pela produtora para escrever o projeto editorial, o que fiz em parceria com a historiadora Conceição Oliveira. E, depois de 28 anos como repórter de televisão -- comecei em 1980, na TV Bauru, da Rede Globo -- faço minha estréia como diretor.

Na verdade integro uma equipe de feras, uma mistura de gente que tem grande experiência no ramo, como eu, e de novatos como a repórter Aline Midlej. Estou certo de que vocês vão se encantar com a Aline. É uma mulher batalhadora e dedicada, que ontem estava com o Henry em algum lugar do Congo, a caminho de um encontro com os pigmeus na região fronteiriça com Ruanda. Como a maioria dos brasileiros afrodescendentes, ela tem poucas informações sobre suas raízes na África. Nossa idéia foi colocá-la não só como repórter, mas também como personagem dessa descoberta, que é de muitos.

Para todos os envolvidos no projeto, aliás, tem sido uma descoberta. Quando eu comecei a me interessar pela África eu ainda morava nos Estados Unidos. Fui notando aos poucos que quase toda a historiografia refletia o olhar europeu sobre um continente partilhado pelas potências européias no auge do imperialismo mercantil. E que, mesmo títulos recentes, embora descartassem o racismo mais aberto, estavam impregnados de preconceito. Notei que quase não existia nada escrito em português sobre a rebelião Mau-Mau no Quênia, a matança dos Herero no que hoje é a Namíbia ou os crimes do rei Leopoldo no Congo. Pela dimensão dessas tragédias, há pouco escrito sobre esses temas mesmo em inglês.

Com certeza, não é por acaso. Descobri também que quando os europeus buscaram ocupar fisicamente o território africano, em nome do "comércio, cristianismo e civilização", se esforçaram para apagar a história da África e descrevê-la como território dos "bárbaros". Os negros como símbolo de barbárie era do que os europeus precisavam para justificar a expropriação das terras, a exploração dos recursos naturais e a implantação de regimes racistas, dos quais o da África do Sul se tornou símbolo, embora vários tenham sido tão perversos quanto o dos africâners.

Entendendo episódios como a rebelião Mau Mau e outros eventos que podemos classificar grosseiramente na categoria de lutas de resistência, cresce a admiração pelas estratégias que os africanos adotaram para preservar sua cultura e tradição. Foi o que vimos, por exemplo, na ilha de Moçambique, com o povo Macua. Os Macua reciclaram as influencias que "desembarcaram" na costa de Moçambique mas nunca perderam a energia vital -- podemos vê-la hoje por aí, nas ruas do Rio de Janeiro e Salvador.

A África real também é surpreendente por não se encaixar na África "da diáspora". Como observou com propriedade o pintor moçambicano Naguib, numa entrevista que gravamos com ele em Maputo, os afrodescendentes muitas vezes idealizam, à distância, uma África que já não existe mais. E resistem bravamente a qualquer fato que não se encaixe nesse mundo idealizado, em que a cor de pele é definidora de quem é "herói" e quem é "vilão".

Modestamente, aos poucos, pretendemos dar conta dessa complexidade, ouvindo especialmente os protagonistas que o Jornalismo em geral relegou ao papel de "coadjuvantes exóticos": os próprios africanos.