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30 de mai. de 2011

Gabinete Digital e Grupo Permanente são instalados


O que é o Gabinete Digital

É um novo espaço de participação que tem como objetivo estimular uma nova cultura na gestão pública, por meio do estabelecimento de canais de diálogo e colaboração com a sociedade a partir do uso das ferramentas digitais. É um órgão articulador da política de Cultura e Governança Digital, vinculado diretamente ao Gabinete do Governador e coordenado pelo Chefe de Gabinete.
O objetivo é promover a cultura democrática e o fortalecimento da cidadania promovendo a eficiência e o controle social sobre o Estado, estruturando a relação do Governador com as diversas formas de escuta e participação através das redes digitais.
A concepção do projeto foi acompanhada por uma ampla pesquisa, que analisou iniciativas do Brasil e do mundo. Fundamentamos o conceito do Gabinete dentro dos termos de Cultura e a Governança Digital.
Neste portal, são 3 ferramentas de participação.
Governador Responde: Onde as pessoas elaboram perguntas diretamente ao Governador. A pergunta mais votada será respondida diretamente em vídeo no final de cada mês.
Governo Escuta: Audiências Públicas transmitidas via internet com participação via bate papo.
Agenda Colaborativa: Contribuições poderão ser enviadas para constituir a pauta do Governador durante as visitas ao interior do Estado.
Além disso, o Gabinete Digital coordenará um Grupo de Trabalho composto por diversas secretarias e unidades de governo, com o objetiovo de produzir diretrizes para assuntos relacionados a cultura e governança digital.

Gabinete digital e grupos permanentes são instalados.

Juntamente com o Lançamento festivo do Gabinete Digital, também foi editado o Decreto que institui o próprio Gabinete e o Grupo Permanente de Cultura e Governança Digital.
O Grupo será fundamental para a discussão das temáticas relacionadas ao licenciamento de conteúdos, a utilização e desenvolvimento de software livre, as metodologias de transparência e disponibilização de dados públicos, bem como o desenvolvimento de uma outra cultura de gestão pública, o que temos chamado de Gestão 2.0.
Este decreto, muito além de representar um documento formal, é um marco para o Gabinete Digital, no sentido que dá o início a uma sére de trabalhos que vem sendo iniciados desde o dia primeiro de Janeiro.
Também gostaríamos que você se sentisse a vontade a enviar sua sugestões, pautas sobre Cultura e Governança Digital que considere fundamental para o desenvolvimento do Estado.

DECRETO No 48.056,

Institui o Gabinete Digital do Governador do Estado e a Comissão Permanente de Cultura e Governança Digital e dá outras providencias.


O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 82, incisos V e VII, da Constituição do Estado,


Considerando o compromisso do Governo do Estado do Rio Grande do Sul com a ampliação da participação popular no âmbito da Administração Pública Estadual;

Considerando que o uso das ferramentas tecnológicas disponíveis permitem o desenvolvimento da participação cidadã e promoção da transparência no exercício da atividade pública;

Considerando que estas ferramentas tecnológicas serão importantes instrumentos de Cultura e Governança Digital e que esses mecanismos ampliarão o controle público sobre o Estado;

Considerando a necessidade de elaborar, aperfeiçoar e qualificar canais colaborativos entre governo e sociedade para estabelecer uma nova cultura na gestão pública, por meio de mídias digitais e uso de novas linguagens, contribuindo assim com o desenvolvimento do “ Sistema de Participação Popular e Cidadã do Rio Grande do Sul “

Considerando a necessidade de qualificar e de promover os processos de colaboração e compartilhamento, relativos à produção e distribuição livre de conhecimento.


D E C R E T A:

Art. 1º - Fica instituído o Gabinete Digital, órgão articulador da política de Cultura e Governança Digital, vinculado ao Gabinete do Governador e coordenado por seu Chefe de Gabinete, com o objetivo de promover a cultura democrática e o fortalecimento da cidadania, visando  aumentar a eficiência e o controle social sobre o Estado, e estruturar a relação do Governador com as diversas formas de escuta e participação, por meio das novas  tecnologias de informação.

Parágrafo único. Compete ao Gabinete Digital articular a  relação do Governador do Estado com a sociedade gaúcha através das novas tecnologias de informação, assessorar o Governador do Estado nas decisões sobre Cultura e Governança Digital, fomentar políticas públicas transversais de transparência e auxiliar na disponibilização digital de dados públicos.

Art. 2º – Compete ao Gabinete Digital :
I – articular a relação do Governador do Estado com a sociedade gaúcha por intermédio das novas tecnologias de informação;
II – assessorar o Governador do Estado nas decisões sobre Cultura e Governança Digital;
III – fomentar políticas públicas transversais de transparência e governança digital; e
IV – auxiliar na disponibilização digital de dados públicos;

Art. 3º - Fica instituída Comissão Permanente de Cultura e Governança Digital, sob coordenação do Gabinete Digital do Governador, composta por representantes, titulares e suplentes, dos seguintes órgãos:

I– Gabinete do Governador;
II– Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital;
III–Secretaria do Planejamento, Gestão e Participação Cidadã;
IV–Secretaria da Cultura;
V–Casa Civil;
VI–Secretaria da Educação;
VII–Secretaria da Fazenda;
VIII–Secretaria-Geral de Governo;
IX–Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico;
X–Companhia de Processamento de Dados de Estado do Rio Grande do Sul – PROCERGS; e
XI–Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado.


§ 1º Os integrantes da Comissão serão indicados pelos titulares dos respectivos órgãos e designados pelo Governador do Estado.

§ 2º O Coordenador da Comissão poderá convidar representantes de outros órgãos, entidades da administração pública ou de organizações da sociedade civil, para participar das reuniões e discussões por ele organizadas.

Art. 4º A Comissão Permanente de Cultura e Governança Digital deverá, no prazo de sessenta dias, contados da data da publicação da designação de seus membros, estabelecer as suas diretrizes de funcionamento.

Art. 5º A função de membro da Comissão será considerada prestação de serviço relevante, não remunerada.

Art. 6º  Compete à Comissão Permanente de Cultura e Governança Digital:

I– estabelecer os processos de canais de escuta nas redes digitais:

II– contribuir no processo de modernização e digitalização dos processos de gestão do Governo;

III– colaborar com o desenvolvimento das ferramentas digitais de transparência; e

IV– auxiliar no Sistema de Participação Cidadã nas suas interfaces digitais, bem com recomendar estas práticas para as outras unidades de Governo.

Art. 7º  Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.


PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 24 de maio de 2011


TARSO GENRO,
Governador do Estado

Registre-se e publique-se.
CARLOS PESTANA NETO,
Secretário Chefe da Casa Civil.           

Fonte: Gabinete Digital - Governo do Rio Grande do Sul - 24.05.2011

7 de dez. de 2010

Record vence mais uma vez a Globo: o controle remoto está ficando mais democrático

Apesar da Globo ser líder em quase todos os horários de exibição da TV aberta brasileira, não tem sido raro episódios com este: A Globo vem sendo derrotada, cada vez com mais frequência pela sua principal concorrente.
A "Foxilização" da Vênus platinada durante o governo do presidente Lula e a possível radicalização editorial no governo Dilma, tem tornado amarga a programação da emissora.  A Record se apresenta, oportunamente, como uma alternativa ao "pensamento único global", empurrado para dentro das casas do telespectador diariamente pela emissora do Jardim Botânico.

Não penso que a Record detendo o quase monopólio que hoje a Globo possui seja a solução para um conteúdo da TV brasileira com mais brasilidade, diverso e democrático, mas creio que a disputa acirrada pela audiência e a divisão, em condições mais equilibradas, da verba publicitária tragam benefícios à sociedade, ao mercado artístico e jornalístico televisivo e à democracia brasileira.

Record fica em primeiro no Ibope

Marcelo Rezende comandou a reportagem que colocou o Domingo Espetacular em primeiro lugar no Ibope

Cada ponto corresponde a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo, ilustração R7.
A Grande Reportagem sobre o empresário Silvio Santos, exibida pelo Domingo Espetacular, da Rede Record, neste domingo (5), deixou a emissora em primeiro lugar disparado na audiência durante os 45 minutos de exibição.
A trajetória do "homem do baú" foi mostrada pelo jornalista Marcelo Rezende desde os tempos em que o dono do SBT era apenas um jovem empreendedor nas ruas do Rio de Janeiro até os dias atuais.
Personagens famosos e anônimos, todos ligados ao apresentador, deram depoimentos exclusivos e emocionantes ao programa.
Foi a maior audiência do quadro Grande Reportagem, do Domingo Espetacular, apenas comparada à exibição de quando o astro pop Michael Jackson morreu, em junho do ano passado.

Durante a apresentação da reportagem especial, as outras emissoras passavam suas principais atrações dominicais.
A Globo transmitia o Fantástico, o SBT tinha o próprio Silvio Santos à frente da programação, e a Rede TV! tinha a principal atração da emissora, o Pânico na TV.
Mesmo assim, a Record abriu quatro pontos de vantagem para o segundo colocado, marcou quase o dobro do terceiro e registrou três vezes mais público que o Pânico.

R7


Do Blog Palavras Diversas - 07.12.2010

7 de nov. de 2010

Se ler a Falha, tem que filtrar a informação para não ser manipulado.

Falha não dá para ler!

"A manchete da Folha (*) transforma golpistas em defensores do regime"

Conversa Afiada reproduz outro excelente artigo de Emir Sader, publicado em seu blog na Carta Maior:

Onde você estava em 1964?

Há momentos na história de cada país que são definidores de quem é quem, da natureza de cada partido, de cada força social, de cada indivíduo. Há governos em relação aos quais se pode divergir pela esquerda ou pela direita, conforme o ponto de vista de cada um. Acontecia isso com governos como os do Getúlio, do JK, do Jango, criticado tanto pela direita – com enfoques liberais ou diretamente fascistas – e pela esquerda – por setores marxistas.

Mas há governos que, pela clareza de sua ação, não permitem essas nuances, que definem os rumos da história futura de um país. Foi assim com o nazismo na Alemanha, com o fascismo na Itália, com o franquismo na Espanha, com o salazarismo em Portugal, com a ocupação e o governo de Vichy na França, entre outros exemplos.

No caso do Brasil e de outros países latinoamericanos, esse momento foi o golpe militar e a instauração da ditadura militar em 1964. Diante da mobilização golpista dos anos prévios a 1964, da instauração da ditadura e da colocação em prática das suas políticas, não havia ambigüidade possível, nem a favor, nem contra. Tanto assim que praticamente todas as entidades empresariais, todos os partidos da direita, praticamente todos os órgãos da mídia – com exceção da Última Hora – pregavam o golpe, participando e promovendo o clima de desestabilização que levou à intervenção brutal das FAA, que rompeu com a democracia – em nome da defesa da democracia, como sempre -, apoiaram a instauração do regime de terror no Brasil.

Como se pode rever pelas reproduções das primeiras páginas dos jornais que circulam pela internet, todos – FSP, Estadão, O Globo, entre os que existiam naquela época e sobrevivem – se somaram à onda ditatorial, fizeram campanha com a Tradição, Família e Propriedade, com o Ibad, com a Embaixada dos EUA, com os setores mais direitistas do país. Apoiaram o golpe e as medidas repressivas brutais e aquelas que caracterizariam, no plano econômico e social à ditadura: intervenção em todos os sindicatos, arrocho salarial, prisão e condenação das lidreanças populares.

Instauraram a lua-de-mel que o grande empresariado nacional e estrangeiro queria: expansão da acumulação de capital centrada no consumo de luxo e na exportação, com arrocho salarial, propiciando os maiores lucros que tiveram os capitalistas no Brasil. A economia e a sociedade brasileira ganharam um rumo nitidamente conservador, elitistas, de exclusão social, de criminalização dos conflitos e das reivindicações democráticas, no marco da Doutrina de Segurança Nacional.

As famílias Frias, Mesquita, Marinho, entre outras, participaram ativamente, no momento mais determinante da história brasileira, do lado da ditadura e não na defesa da democracia. Acobertaram a repressão, seja publicando as versões mentirosas da ditadura sobre a prisão, a tortura, o assassinato dos opositores, como também – no caso da FSP -, emprestando carros da empresa para acobertar ações criminais os órgãos repressivos da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Os cães de guarda”, da Editora Boitempo, relata com detalhes esse episódio e outros do papel da mídia em conivência e apoio à ditadura militar.)

No momento mais importante da história brasileira, a mídia monopolista esteve do lado da ditadura, contra a democracia. Querem agora usar processos feitos pela ditadura militar como se provassem algo contra os que lutaram contra ela e foram presos e torturados. É como se se usassem dados do nazismo sobre judeus, comunistas e ciganos vitimas dos campos de concentração. É como se se usassem dados do fascismo italiano a respeito dos membros da resistência italiana. É como se se usassem dados do fraquismo sobre o comportamento dos republicanos, como Garcia Lorca, presos e seviciados pelo regime. É como se se usasse os processos do governo de Vichy como testemunha contra os resistentes franceses.

Aqueles que participaram do golpe e da ditadura foram agraciados com a anistia feita pela ditadura, para limpar suas responsabilidades. Assim não houve processo contra o empréstimo de viaturas pela FSP à Operação Bandeirantes. O silêncio da família Frias diante da acusações públicas, apoiadas em provas irrefutáveis, é uma confissão de culpa.

Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes insuportável moralmente e de fato o é. A figura de Dilma é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa.

Onde estava cada um em 1964? Essa a questão chave para definir quem é quem na democracia brasileira.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
Do Conversa Afiada - 07.11.2010

4 de nov. de 2010

SERRA NÃO CONSEGUIU IDENTIFICAR SEUS ELEITORES

Brilhante análise de Maria Inês Nassif sobre o PSDB de Serra e de como eles não conseguiram, pelo menos nas três últimas eleiçõe ultrapassar as fronteiras de São Paulo nem se afastar do discurso conservador



Uma das razões da derrota do candidato das oposições, José Serra (PSDB), foi a enorme dificuldade que teve de identificar quem eram seus eleitores. Um campanha sem debate de programa de governo favorece a situação - a administração já está lá e o eleitor identifica ideologias, intenções e opções de políticas públicas.

por Maria Inês Nassif para o Valor Econômico


Para um candidato de oposição, atirar a esmo na questão programática pode ser letal. A campanha deixa de ser debate político e passa a ser promessa. E promessa não conta para qualificar um candidato como representante de um setor social.

O PSDB e José Serra terão de decidir, definitivamente, que corneta tocam. O partido caminha para a direita desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), ocupou esse espaço no setor social correspondente, mas tem feito um suco ideológico na hora de ir para as urnas que não se mostra muito eficiente. O ex-presidente FHC tem razão numa coisa: o PSDB, de fato, tem que assumir sua real posição no cenário político, e essa posição tem a marca indelével de oito anos de seu governo, com todas as opções que fez de política econômica, monetária e de não-políticas públicas.

Esconder os oito anos de Fernando Henrique Cardoso é quase como apagar o partido da história. Foi nesse período que o PSDB cultivou uma base social identificável, conservadora, de alta renda e alta escolaridade, muito concentrada em São Paulo, à qual se somam uma classe média paulista que sempre deu votos a Paulo Maluf com prazer, e manteve um Orestes Quércia até que o PMDB do Estado fosse reduzido à inanição. A grande maioria dos quadros tucanos, que foi criada como social-democrata, fez essa transição sem grandes crises, amortecida pela ideia de que o único progressismo vinha do neoliberalismo - o Brasil moderno passava pela redução do Estado e pela autorregulação dos mercados. Foi com essa bandeira que o partido firmou-se no Estado mais rico da Federação, São Paulo, o centro nevrálgico do partido de José Serra. Foi aqui que o tucanato conquistou empresários, banqueiros e uma classe média altamente conservadora. Aqui o PSDB amoldou o seu eleitor típico. E foi com os olhos paulistas que a campanha de Serra à Presidência foi feita.

As três derrotas do PSDB nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010 decorrem de uma enorme dificuldade do partido paulista atender a um eleitorado majoritariamente conservador do Estado e, ao mesmo tempo, ganhar os votos necessários no resto do país para ganhar a eleição. A tentativa de unir essas duas necessidades - manter votos conservadores e atrair votos do povão beneficiado nos governos Lula - deu um nó na campanha serrista. As promessas de aumento real do salário mínimo, 13º salário para o Bolsa Família e aumento real das aposentadorias conviveram com o uso do tema aborto para acuar a candidata petista - ao agrado da elite paulista - ou pelas lembranças do passado de Dilma - a gosto de parcelas da classe média de São Paulo, que chegavam a trocar e-mails acusando a presidente eleita de "assassina".

Esse imbróglio ideológico resultou numa campanha que fugiu do debate pelo simples fato de que o PSDB não tinha programa. Não encontrou alternativas para se contrapor a um governo que terminou popular - o que nesse país é uma coisa rara - e não encontrou nada melhor para fazer do que dizer que ia fazer o mesmo que o partido que combateu de forma tão vigorosa. O conteúdo moral aplicado à campanha foi a diferenciação proposta ao eleitor.

A hegemonia paulista do PSDB provocou mais estragos do que trouxe votos no resto do país. O partido não consegue, com esse discurso, ultrapassar uma barreira de rejeição que o PT carregou até as eleições de 2002. O "até logo" de Serra, no discurso em que reconheceu a derrota, pode ter sido a sinalização da manutenção dessas contradições internas que se originam fundamentalmente nos quadros paulistas do PSDB e que dificultam a proximidade de seu discurso com setores de menor renda e menor escolaridade, que são a maior parte do eleitorado brasileiro. O isolamento do PSDB paulista em relação ao resto do partido tem cobrado seu preço, que é pago de forma socializada pelo partido nacional.

O país tem passado por profundas transformações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer pela facilidade com que conversa com as classes populares, quer pelo sucesso de uma política de distribuição de renda, mudou o padrão de relacionamento da política com a população de baixa renda. Os partidos, em geral, serão obrigados a se adaptar a essa nova realidade. Essa realidade inclui também uma redução da força política relativa do Estado de São Paulo e de suas elites. Redução de concentração de renda resulta, de forma quase que automática, em uma redistribuição regional das riquezas nacionais. Um partido que não for realmente nacional, ou não tiver apoios e uma visão nacionalizada, dificilmente conseguirá angariar os votos necessários para se eleger num pleito nacional.

As três últimas eleições acirraram as divergências na base social - polarizaram a eleição entre duas forças e o PT firmou-se na posição social-democrata antes pleiteada pelo PSDB, enquanto o partido de Serra assumia o eleitorado conservador. Nos momentos de grande radicalização da campanha, o conservadorismo parece que vai tomar o eleitorado menos escolarizado. Um fato a ser lembrado, e estudado, todavia, é que essas três eleições acabaram se sobrepondo ao preconceito que é estimulado, nas bases, para favorecer um candidato conservador. O conservadorismo está fazendo mais barulho do que produzindo resultados. Como democracia é alternância de poder, isso um dia muda. Por enquanto, ficamos assim: duas eleições de um ex-metalúrgico e uma eleição de uma mulher que militou em grupos que defendiam a luta armada durante a ditadura. O preconceito, ao menos nessas vezes, não surtiu resultado.

Fonte: O Terror do Nordeste

1 de nov. de 2010

Vitória de Dilma, das mulheres, do Brasil!

Imagem baseada em arte do portal UOL 


 Por Claudio Ribeiro - Palavras Diversas - 31.10.2010

O Blog Palavras Diversas parabeniza Dilma Roussef pela sua expressiva e histórica vitória: o Brasil  elege a sua primeira mulher presidente!
Consideramos que a vitória de uma mulher na disputa do cargo mais importante do país, consolida o necessário avanço e conquista de todas as mulheres do país.
Reforça a necessidade de ampliação de políticas públicas de equidade de gêneros no mercado de trabalho, por remunerações mais justas e reconhecimento do papel que desempenham para o desenvolvimento do país.
A vitória de Dilma, tal como representou a de Lula para o cidadão comum, significa a capacidade inequívoca da competência e da força de comando da mulher brasileira.
Melhor ainda: qualidades aliadas a sensibilidade e generosidade a flor da pele, da mulher que lutou pela democracia, enfrentou a ditadura e participou do governo mais popular da história do Brasil, administrando programas de cunho social extremamente importantes como o "Luz para todos" e o "Minha casa, minha vida", além de comprovar sua competência no gerenciamento do maior programa de investimento público do mundo, o PAC.
Parabéns, mais uma vez, à Dilma Roussef, ao povo brasileiro e a todas as mulheres brasileiras, pela maior conquista de suas vidas.

Dilma eleita: maioria para governar e mudar!


A presidente Dilma Rousseff e o presidente Lula construiram uma coalização política poderosa.

Maioria no Senado.

Maioria da Camara.

Maioria dos governadores.

Além de fazer o sucessor, Lula teceu, ponto por ponto, a aliança com o PMDB e os partidos da esquerda para formar esse conjunto político que pode mudar o Brasil significativamente.

Não só manter controle do pré-sal e da Petrobrás (a maior vitoria de Lula !).

Não só uma Ley de Medios e a democratização da informação.

Uma reforma tributária.

Uma reforma política.

Além de montar os mecanismos que aprofundem a educação dos mais pobres .

Dilma pode fazer o Brasil seguir mudando.

Sem o gerundio, pode fazer, sim,  uma mudança profunda.

Poucos presidente desfrutaram de uma coalização tão ampla.

É um patrimônio político respeitável.


Por Paulo Henrique Amorim - Conversa Afiada - 31.10.2010

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6 de out. de 2010

Povo, ás ruas... O Futuro do país está em nossas mãos.


Em vez de esperar por Marina, PT deve tomar ruas e mídias

O futuro do Brasil e do continente latino-americano será decidido em outubro. Não em 31 de outubro, mas em todos os dias do mês. Tudo o que for feito hoje e amanhã terá reflexos no dia da votação. Deve ficar claro que o povo brasileiro vai escolher entre dois projetos. O liderado por Dilma-Lula, cuja proposta é de desenvolvimento com distribuição de renda e fortalecimento do Estado, ou o de Serra-FHC, que defende o livre mercado gerador de desigualdades.
Em vez de esperar 15 dias pelo PV, ou Marina Silva, o PT deve ocupar as ruas e as mídias, todas quanto possível, para comparar os dois projetos e combater as mentiras e informações distorcidas contra Dilma. Não vale a pena esperar o PV por dois motivos. Um de seus mais importantes caciques, Alfredo Sirkis, é de extrema direita. Presidente do partido no Rio, duvido que permita apoio ao PT. Em segundo lugar, os eleitores de Marina não são militantes orgânicos a ponto de acatar uma decisão partidária. Então não vale a pena esperar. Se o apoio vier, ótimo. Se não vier, vida que segue.
Apesar de não ter vencido no primeiro turno, Dilma teve excelente votação. Se não a maior, seguramente uma das maiores votações em primeiro turno na história do país. Cerca de 47 milhões de brasileiros apertaram o 13 no domingo dia 3 de outubro. Desses, a maioria veio das classes populares. Em favelas da zona norte do Rio, por exemplo, Dilma chegou a ter 60% dos votos contra cerca de 15% dos adversários. Já na zona sul, como Ipanema e Leblon, a petista perdeu feio. O corte de classe ficou evidente. No segundo turno, manter a estratégia para os espaços populares e repensá-la da classe média pra cima.
Boa parte dos votos que a candidata petista deixou de receber se deve à campanha aberta que fizeram as corporações de mídia durante todo o mês de setembro. Nesse período, praticamente não houve debate sobre o país. Foi denuncismo puro, o que envolveu Dilma numa agenda extremamente negativa. Isso deve, pelo menos, servir para a esquerda entender a importância de democratizar os meios de comunicação de massa.
Mas não a sangria não se deu apenas em razão da campanha midiática contra Dilma. É fato que boa parte dos votos que as pesquisas indicavam para a petista foi desviada pela boataria fundamentalista. Recebi, em Brasília, panfletos acusando o governo Lula de querer implantar uma “rede de domínio do anticristo no Brasil”. O título da mini-revista, com tiragem de 100 mil exemplares, é: “Rebelião contra Deus quer destruir a família e a Igreja”. Mas acontece que o panfleto, pelo menos esse, não é apócrifo. Lá está a assinatura, em letra minúscula: “Coligação O DF pode mais – PSC, PRTB, PR, PSDB, DEM, PP, PMN, PTdoB, PSDC”. Observem que PSDB e DEM, partidos de Serra e seu candidato a vice, Índio da Costa, estão escondidinhos no meio da sopa de letrinhas.
Como esse, outros panfletos foram distribuídos por aí, assinados ou não. Pela internet a mesma coisa. Como já parece ser consenso na blogosfera, a campanha do PT demorou para desmentir os boatos. Para o segundo turno, é preciso ter uma equipe exclusivamente voltada para esse combate, tanto nas diversas mídias quanto nas ruas.
Por outro lado, esse não foi o único motivo. Além dos que estão de acordo com o projeto tucano – e isso tem que ser respeitado – houve muita gente votando no Serra simplesmente para que haja um “revezamento no poder”. Entre os votos de Marina, há os que não gostam nem do PT nem do PSDB (ou nem de Dilma-Lula e nem de Serra-FHC). Os verdes também podem ter identificado em Marina uma melhor candidata para tocar a pauta ambiental, ou a que melhor representa a classe trabalhadora (já que é negra e tem uma história de luta com Chico Mendes, foi alfabetizada aos 16 anos e etc.).
O PT deve considerar todas essas variáveis. E investir nos eleitores de Marina, observando suas várias nuances, e no combate à onda de mentiras e difamações que estão sendo divulgadas em documentos apócrifos ou assinados pela campanha de Serra. No lado propositivo, a campanha deve consolidar a posição que lhe garantiu 47 milhões de votos e se esforçar para comparar os dois projetos, em seus vários aspectos: desenvolvimento social e combate à fome (redução das desigualdades, aumento do salário mínimo, criação de 14 milhões de empregos, saída de 30 milhões de brasileiros da miséria), comunicação (plano nacional de banda larga, empenho na construção da comunicação pública – TV Brasil), cultura (pontos de cultura, pontos de mídia livre), educação (novas universidades e novos centros tecnológicos), desenvolvimento agrário (aumento de R$ 3 bilhões para R$ 16 bilhões no financiamento da agricultura familiar), economia (mais crescimento do PIB com Lula do que com FHC), relações exteriores (aumento do comércio sul-sul, maior presença na América do Sul e na África, diálogo de igual para igual com as potências mundiais), entre outras.
E o mais importante de tudo: todos e todas que acreditam que a eleição de Dilma é fundamental para a consolidação dos avanços conquistados pelo governo Lula devem conversar com os amigos, vizinhos, conhecidos e até desconhecidos. Não de maneira agressiva, impositiva, mas de forma respeitosa, sempre que sentir alguma abertura, naturalmente, apresentando essas e outras informações que evidenciem os dois projetos (Dilma-Lula x Serra-FHC), já que a comparação é extremamente favorável ao projeto público em detrimento do privatista. Também é preciso ter um discurso pronto para neutralizar mentiras e distorções, que estão centradas no campo do fundamentalismo religioso – aborto, casamento gay, drogas, domínio do anticristo. Funcionaria algo como: “Quando Jesus escolheu seus profetas o fez para que levassem a palavra de Deus. E não para professar falso testemunho, como estão fazendo contra Dilma”.
Adesivo no peito, bandeira em punhos, discurso afiado e sorriso confiante – que de cara fechada ninguém convence ninguém. Essas são as armas que a militância deve usar todo santo dia até 31 de outubro.

Marcelo Salles - Fazendo Média - 06.10.2010

4 de out. de 2010

Leitor Sérgio: Os resultados no Senado Federal

Azenha - Vi o Mundo 
do leitor Sérgio

Artur Virgílio – FORA
Heráclito Fortes – FORA
César Maia – FORA
Tasso Jereissati – FORA
Gustavo Fruet – FORA
Marco Maciel – FORA
José Carlos Aleluia – FORA
Heloísa Helena – FORA
Mão Santa – FORA
Rita Camata – FORA
Germano Riggoto (o censurador) – FORA
Raul Jungmann – FORA
Antero Paes de Barros – FORA

13 de abr. de 2010

A decadência da imprensa brasileira


Por Emir Sader - Carta Maior - 02.04.2010


A imprensa brasileira teve momentos da historia do país em que desempenhou papel determinante. Basta recordar o peso que teve nas mobilizações de desestabilização que levaram ao golpe de 1964, em que jornais como O Estado de Sao Paulo, a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, entre outros, tiveram o papel, pela primeira vez, de condutores ideológicos e políticos das forcas opositoras.


Setores da imprensa tiveram também um papel positivo, na campanha das diretas, quando outros tentavam esconder a amplitude do movimento e seu verdadeiro significado.

Assistimos hoje à decadência generalizada dessa mesma imprensa, que martela, cotidianamente, praticamente de forma total e monótona, ataques contra o governo Lula, logrando, no entanto, que apenas 5% da população rejeite o governo, enquanto mais de 80% o apóie. Nunca a imprensa brasileira esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.

As organizações Globo, que só possuiam um jornal, sem nenhuma importância, no Rio, antes do golpe, tiveram na ditadura sua grande alavanca, mas, ao mesmo tempo, o golpe insuperável de falta de credibilidade. Ficaram com a marca da ditadura, por mais que tentassem se reciclar, importando colunistas, usando a audiência da televisão para tentar conseguir mais público.

Atualmente dispõe de um trio que atenta contra qualquer credibilidade, que dá a tônica do jornal: Merval Pereira, Ali Kamel e Miriam Leitão. Todos os três se caracterizam por serem as vozes do dono, por sua postura propagandística, sem nenhum interesse no que dizem, nem brilho ou criatividade no que escrevem. São funcionários burocráticos da empresa, que exercem, da maneira que conseguem, seu burocrático papel de opositres, buscando catar supostas fraquezas do governo, que é seu único objetivo.

Nenhum tipo de análise, nenhuma nuance, nenhuma idéia. Para um jornal que precisaría desesperadamente de credibilidade, eles são um tiro no pé, uma confirmação da falta de credibilidade do jornal. O resto do jornal – das manchetes de primeira página às colunas de notícias – padece desse freio da rígida linha editorial, fazendo um jornal sem graça, sem interesse, sem repercussão.

No Rio de Janeiro, o conjunto dos órgãos da empresa, mesmo atuando fortemente a favor de algum candidato, perdem sempre. Lula ganhou nas duas últimas eleições no Rio; os Garotinhos, Sergio Cabral, Paes, mesmo Cesar Maia, se elegeram sem o apoio do jornal, que os atacava. Hoje, contra a vontade majoritária da grande maioria dos brasileiros, ficam de novo, acintosamente, na contramão da opinião do povo e do país, incluído claramente o povo do Rio de Janeiro, que sabe separar programas de diversão que lhe gosta ver, das inverdades que diz o jornal e os noticiários de rádio e televisão da Globo.

Diminuem sua tiragem, perdem público abertamente para a internet, para os jornais gratuitos, para os jornais populares vendidos. Melancolicamente, se arrasta o jornal, na fúria antilulista, sem repercussão política alguma.

O Estadão sempre foi o jornal conservador por excelência, com certa discrição, boa cobertura internacional, posições claramente direitistas. Conforme foi perdendo público para a FSP, que aparecia mais atraente para os jovens, mais ligada à oposicao à ditadura, tratou de rejuvenescer. Como jornal mais organicamente ligado às entidades empresariais, tem uma avaliação mais equilibrada da política econômica, valorizando seus avanços, no marco das críticas tradicionais do liberalismo dos “gastos excessivos do Estado”.

Além do papel do Estado na economia, suas maiores preocupações e críticas ao governo são na política internacional. Sua predileção, em tudo e por tudo, com os EUA, fica ferida com as alianças com os países do Sul do mundo e com os da América Latina em particular. A política externa soberana do Brasil os incomoda profundamente, transformando-se num dos temas mais usuais e violentos dos editorais.

O outro são os movimentos sociais, em particular o MST, que causa ojeriza ao Estadão, pela defesa intransigente do direito à propriedade privada, pilar do sistema capitalista. (O jornal foi praticamente o órgão oficial das passeatas de preparação do golpe de 64, na defesa da “liberdade, da família e da propriedade”, valores aos quais continua fiel.) A liberdade, que inclui centralmente a de “imprensa” (privada, diga-se), protagonizada pela SIP – Sociedade Interamericana de Prensa -, órgão da Guerra Fria, cenário a que o jornal, rançoso, ainda se sente apegado. Os editoriais, sempre, e atualmente Dora Kramer, são os momentos mais patéticos do jornal, saudoso da Guerra Fria.

A FSP é o jornal que mais teve oscilações de imagem. Era um jornal sem nenhum peso até o golpe e mesmo durante boa parte da ditadura militar. O Estadão era o grande jornal de São Paulo. A FSP apoiou ativamente a preparação do golpe militar, sua realização e a instauração da ditadura, cumpriu tudo o que a ditadura determinava, com noticiários que escondiam os sequestros, desaparecimentos, execuções, publicando as versões oficiais, emprestando carros da empresa para a Oban.

Foi ao longo dos anos 80, quando levou Claudio Abramo do Estadão, que a FSP, pela primeira vez, ganhou prestígio, buscando espaço próprio na oposição liberal à ditadura. Pretendeu ser o órgão da “sociedade civil” contra o “Estado autoritário”, conforme a ideología hegemônica na oposição, advinda da teoria do autoritarismo de FHC. (A FSP tirava, todo ano, uma foto no teto do seu prédio na Barão de Limeira, com os que ela consderava os representantes da “sociedade civil”, de empresários a líderes sindicais, como que para expresar físicamente esse vínculo organizado com os setores que se opunham, em graus distintos, à ditadura.)

Consolidou essa imagen emprestando suas páginas para uma certo pluralismo, com um cronista semanal – Florestan Fernandes, Marilena Chaui, entre os mais conhecidos – do PT, e distintos políticos, intelectuais e líderes sociais escrevendo na sua página de opinião.

Desde a eleição de FHC, entrou em decadência, perdendo totalmente a credibilidade que o diferenciava. Colunistas com vínculos pessoais com os tucanos, como Clovis Rossi, Eliane Catanhede, outros, decadentes, como Jânio de Freitas, se arrastam melancolicamente na decadência geral do jornal, o que mais despencou na tiragem e o que mais se transformou nas duas últimas décadas. O filho do Frias pai conduz o jornal pelo abismo da intranscendência e do rancor, se parecendo cada vez mais com a Tribuna da Imprensa da época de Carlos Lacerda.

A Veja se assume, grotescamente, como o Diario Oficial da extrema direita, com paquidermes como colunistas, sensacionlismo de capa, projetando-se como má espécie de bushismo brasileiro. Com dificuldade para conciliar sua imagem de revista de generalidades com esse papel de brucutu da imprensa nacional, foi perdendo aceleradamente tiragem, o que aumenta a crise financeira que levou a empresa a pendurar-se em capitais externos.

Poderia ser menos afetada pela crise generalizada da imprensa, por ser uma revista semanal. Mas a brutalidade da sua orientação política a fez incorporar-se de cheio nessa queda. Terá papel ainda mais truculento na campanha eleitoral, jogando tudo para tentar barra a vitória do governo, esperando-se os golpes mais sujos da campanha da empresa dos Civita.

No conjunto, o cenário da imprensa brasileira – com a única exceção da Carta Capital, entre as publicações diárias e semanais – é deprimente e decadente. Uma vitória de Dilma – que os apavora, seria ficar mais quatro ou oito anos nessa posição de dirigentes opositores -, trará dilemas difíceis para essas empresas. É possível que uma ou outra busque reciclar-se para adaptar-se a novos tempos, em que inclusive tem que contar com o fim de toda uma geração de políticos estreitamente associados a ela, como FHC, Serra, Jereissatti, etc. Isso, associado a uma intensificação da crise econômica das empresas, deve colocar dilemas cruciais para órgãos que assumiram atitudes suicidas, contra a vontade expressa da maioria do povo brasileiro e pagam preço caro por isso.

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A antiga imprensa, enfim, assume partido# IMPRENSA - MÍDIA - BRASIL

Postado por Emir Sader às 04:03

9 de jan. de 2010

Boris Casoy, da BAND, era do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) na década de 60.

A notícia do título é antiga, de 68, sendo capa da antiga revista Cruzeiro. A descoberta dessa preciosidade foi feita pelo ótimo blog Cloaca News, bem na semana em que Casoy ofende dois garis na televisão, demonstrando profundamente sua índole no presente, porque no passado a revista deixa claro, e no futuro, bem, “tipos” assim não mudam.

Visite o Cloaca News e leia a reportagem publicada pela Revista Cruzeiro na época, onde afirma-se que Boris Casoy andava armado para assustar alunos na USP, mas era tido como “incapaz”, ninguém acreditava que ele atiraria.

Casoy forçou o Brasil Autogestionário a criar uma nova “TAG” – “vergonha”.

Clique na imagem abaixo para ampliar, Boris Casoy esta na última fila, primeiro a esquerda.

ISSO É UMA VERGONHA né Boris Casoy?

Boris Casoy é “uma vergonha” – Por Altamiro Borges*

Primeiro vídeo: ao encerrar o Jornal da Band da noite de 31 de dezembro de 2009, dois garis de São Paulo aparecem desejando feliz ano novo ao povo brasileiro. Na sequência, sem perceber o vazamento de áudio, o fascistóide Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, faz um comentário asqueroso: “Que merda… Dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… Dois lixeiros… O mais baixo da escala do trabalho”.

Segundo vídeo: na noite seguinte, o jornalista preconceituoso pede desculpas meio a contragosto: “Ontem durante o programa eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Eu peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores”.

Numa entrevista à Folha, porém, Boris Casoy mostra que não se arrependeu da frase e do seu pensamento elitista, mas sim do vazamento. “Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”.

Do CCC à assessoria dos golpistas
Este fato lastimável, que lembra a antena parabólica do ex-ministro de FHC, Rubens Ricupero – outras centenas de comentários de colunistas elitistas da mídia hegemônica infelizmente nunca vieram ao ar -, revela como a imprensa brasileira “é uma vergonha”, para citar o bordão de Boris Casoy, com seu biquinho e seus cacoetes.

O episódio também serve para desmascarar de vez este repugnante apresentador, que gosta de posar de jornalista crítico e independente.

A história de Boris Casoy é das mais sombrias. Ele sempre esteve vinculado a grupos de direita e manteve relações com políticos reacionários. Segundo artigo bombástico da revista Cruzeiro, em 1968, o então estudante do Mackenzie teria sido membro do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o grupo fascista que promoveu inúmeros atos terroristas durante a ditadura militar. Casoy nega a sua militância, mas vários historiadores e personagens do período confirmam a denúncia.

Âncora da oposição de direita
Ainda de 1968, o direitista foi nomeado secretário de imprensa de Herbert Levy, então secretário de Agricultura do Governo biônico de Abreu Sodré – em plena ditadura. Também foi assessor do ministro da Agricultura do general Garrastazu Médici na fase mais dura das torturas e mortes do regime militar.

Em 1974, Casoy ingressou na Folha de S.Paulo e, numa ascensão meteórica, foi promovido a editor-chefe do jornal de Octávio Frias, outro partidário do setor “linha dura” dos generais golpistas. Como âncora de televisão, a sua carreira teve início no SBT, em 1988.

Na seqüência, Casoy foi apresentador do Jornal da Record durante oito anos, até ser demitido em dezembro de 2005. Ressentido, ele declarou à revista IstoÉ que “o Governo pressionou a Record [para me demitir]… Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu”.

Na prática, a emissora não teve como sustentar seu discurso raivoso, que transformou o telejornal em palanque da oposição de direita, bombardeando sem piedade o presidente Lula no chamado “escândalo do mensalão”.

Nos bastidores da TV Bandeirantes
Em 2008, Casoy foi contratado pela TV Bandeirantes e manteve suas posições direitistas. Ele é um inimigo declarado dos movimentos grevistas e detesta o MST. Não esconde sua visão elitista contra as políticas sociais do Governo Lula e alinha-se sempre com as posições imperialistas dos EUA nas questões da política externa.

O vazamento do vídeo em que ofende os garis confirma seu arraigado preconceito contra os trabalhadores e tumultuou os bastidores da TV Bandeirantes.

Entidades sindicais e populares já analisam a possibilidade de ingressar com representação junto à Procuradoria Geral da República. Como ironiza Beto Almeida, presidente da TV Cidade Livre de Brasília, seria saudável o “Boris prestar serviços comunitários por um tempo, varrendo ruas, para ter a oportunidade de fazer algo de útil aos seus semelhantes”.

Também é possível acionar o Ministério Público Federal, que tem a função de defender os direitos constitucionais do cidadão junto “aos concessionários e permissionários de serviço público” – como é o caso das TVs.

Na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro, Walter Ceneviva, Antonio Teles e Frederico Nogueira, entre outros dirigentes da Rede Bandeirantes, participaram de forma democrática dos debates. Bem diferente da postura autoritária das emissoras afiliadas à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), teleguiadas pela Rede Globo.

Apesar das divergências, essa participação foi saudada pelos outros setores sociais presentes ao evento. Um dos pontos polêmicos foi sobre a chamada “liberdade de expressão”. A pergunta que fica é se a deprimente declaração de Boris Casoy faz parte deste “direito absoluto”, quase divino.

(*) Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).

Blog Brasil Autogestionário - 08.01.10


23 de out. de 2009

Os três poderes do PIG: o judiciário


Por Odair Rodrigues * - Portal do Vermelho - 23.10.09

As fami(g)lias marinho, frias, mesquita, civita e repetidores, doravante escritas com letras minúsculas para fazer jus à estatura de seu "jornalismo", sofrem de intensa síndrome de Luís XIV, monarca francês que proferiu a famosa frase - Eu sou a Lei, eu sou o Estado; o Estado sou eu - (Je souis la Loi, Je souis l'Etat; l'Etat c'est moi).


Arrogam-se no direito de exercer simultaneamente os três poderes da República ,usando seus mercenários da palavra ou ampliando a voz daqueles que nunca se atreveram a sair às ruas, sejam demo-tucanos, latifundiários, velha direita, nova direita, etc.

O poder judiciário do PIG tem dois nomes: Marco Aurélio de Mello e Gilmar Mendes, ambos ministros do STF.

Marco Aurélio tem no currículo a libertação do estelionatário Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, que realizou operações fraudulentas em dólar, lesando pessoas e empresas brasileiras na era FHC. Foi preso, mas o ministro do STF concedeu habeas corpus e logo depois Salvatore fugiu para Europa.

Porém, a notoriedade de Aurélio de Mello aumentou com as fami(g)lias proprietárias do PIG pela sua ferrenha oposição ao governo Lula. No momento, faz coro com o presidente do Supremo ao acusar o governo federal de abuso de poder, de usar o Estado para fazer a campanha de 2010, acusação que nunca fez a FHC e nem faz a Aécio e Serra.

Gilmar Mendes também é um conhecido por conceder habeas corpus para acusados de crime de colarinho branco; libertou Daniel Dantas, conhecido especulador, fraudador, corruptor e líder de quadrilha, segundo acusações da polícia federal e do ministério público.

Diferente de Cacciola, Dantas ficou no Brasil e usa sua influência no PIG e em cargos do governo para desmoralizar que o expõe. Vide o ex-delegado Protógenes e o juiz Fausto de Sanctis, implacavelmente perseguidos pela mídia após as duas prisões do capo do banco Oportunity.

Além de libertar um dos maiores patrocinadores dos mercenários da pena da Veja, Folha, Estadão, Globo e Isto É, Mendes também leva ao delírio a elite da Casa Grande quando este propõe a criminalização dos movimentos sociais, particularmente o MST.

Fazendeiro, praticante do coronelismo no Mato Grosso do Sul, lobista do ensino privado, segundo apuração da revista Carta Capital, o ministro Gilmar Mendes chega a irritar colegas de magistratura, como aconteceu com o ministro Joaquim Barbosa que expressou a vontade de milhões de brasileiros ao questionar a postura do presidente do Supremo, em sessão do STF de abril de 2009.

Estrelas da mídia

Marco Aurélio de Mello e Gilmar Mendes não escondem o desejo de aparecer na mídia golpista a qualquer custo. Quando não têm nada a dizer, expõem seus gostos pessoais, opiniões sobre futilidades como qualquer outra estrela instantânea de reality show, cujo cachê depende do tempo de exposição pública nos meios de comunicação. São considerados "polêmicos", quando na verdade expressam a vontade de conservadores que sonham com um golpe ao estilo hondurenho.

O PIG se utiliza do narcisismo midiático de ambos para perseguir julgar e condenar qualquer um que não esteja de acordo com seus preceitos neoliberais. Fazem mais que divulgar a voz da magistratura dos ricos - praticamente assumem-se como o próprio judiciário.

14 de out. de 2009

Os Frias defendem a democracia contra as crianças brasileiras

Por Emir Sader - Carta Maior - 14.10.09

A família Frias é uma família democrática. O pai, democraticamente, legou ao filho a direção da empresa que dirigia há décadas, para garantir que continue sendo uma empresa defensora da democracia.

O filho, desde então, é democraticamente reeleito pelo Comitê Editorial para dirigir a empresa do seu pai. Escreve democraticamente os editoriais do jornal para expressar a opinião da empresa, sem consulta aos jornalistas – que ele mesmo escolhe e demite para democraticamente trabalhar na empresa.

Em nome da democracia, a empresa emprestou graciosamente seus carros para serem usados pela OBAN – Operação Bandeirantes -, que zelava, durante a ditadura militar, pela democracia, em nome da qual – com o apoio entusiasta dos jornais da empresa – deu o golpe militar de 1964 -, seqüestrando, torturando, fuzilando, desaparecendo pessoas que se opunham à democracia. Assim a democracia brasileira foi salva de um governo eleito – antidemocraticamente – pela maioria do iletrado (tanto assim que não consome os produtos da empresa Frias) povo brasileiro.

Na semana passada a empresa democrática prestou mais um serviço à democracia brasileira, ao desmascarar o governo federal, que pretende – de forma demagógica, populista, com recursos públicos – cometer mais um crime contra a democracia: doar gratuitamente uniformes escolares para 50 milhões de crianças. Não importa o fato, mas que, alem de gastar recursos dos impostos que a empresa não paga ao governo, fazê-lo em ano eleitoral (dois dos quatro anos do mandato são eleitorais, o que deveria fazer com que um governo democrático se abstivesse desses atos populistas pelo menos durante a metade do seu mandato, cumprindo com os mandatos democráticos do Estado minimo).

Danem-se os 50 milhões de crianças. Afinal, não são consumidores das mercadorias produzidas pelas empresas Frias, não consomem automóveis do ano, não viajam três vezes por ano ao exterior, não bebem uísque importado – em suma, não são leitores que interessem às agencias de publicidade que mantêm, com a propaganda dos seus produtos, a família e suas empresas. Danem-se então. As grandes empresas têm o direito democrático de seguir recebendo isenções, subsídios, créditos, etc., durante os quatro anos dos mandatos, porque seus proprietários e acionistas são pessoas isentas, que só pensam nos interesses do Brasil, não se deixariam levar, de forma mesquinha, nas suas preferências eleitorais, por medidas justas que um governo democrático deve tomar, para resguardar as empresas privadas, democraticamente.

Mas as criancinhas, os seus pais, sedentos de vantagens governamentais para venderem seus votos, sem consciência cívica, serão vitimas dessas medidas que só prejudicam a classe média dos jardins paulistanos, quando acabam tendo que pagar algum imposto, para vê-lo ser desviado para uma obra assistencialista.

Bem fez o candidato democrático dos Frias à presidência, que quando passou fugazmente pela prefeitura de São Paulo, teve tempo de corrigir o abuso dos recursos públicos da sua sucessora petista, que havia doado gratuitamente os uniformes para as crianças das escolas municipais. Esse desperdício foi rapidamente corrigido pelo democrático tucano – perdão pela redundância, tucano é sinônimo de democrata -, que instituiu a publicidade nos uniformes das crianças das escolas públicas.

Mas como se trata de um democrata com critério, proibiu que esses uniformes portassem publicidade de bebidas alcoólicas e de cigarros. As crianças poderiam circular com publicidade de bancos, do McDonald, de empresas de telefonia, dos jornais e revistas dos Frias. Poderiam assim, além de contribuir para as arcas da prefeitura, democraticamente, para que fossem construídos viadutos e tuneis para o eleitorado tucano, se sentir como corredores de Fórmula 1, povoados de publicidades. Esse o destino que o serrista-friista promete para as 50 milhões de crianças que venham a receber os uniformes que, de forma antiditatorial, o governo federal, na sua ânsia incontida de corromper o espírito do povo ignorante e conquistar seus votos, pretende com essa medida que, felizmente para a democracia, a democrática família Frias denunciou.