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10 de ago. de 2011

O que é política?

Polis - Grécia antiga (imagem: arquivo)

"A desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta" - Platão

A palavra política tem origem no grego “ta politika” que, por sua vez, deriva da palavra grega “polis”. Mas o que é polis?

Polis é a Cidade, entendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos ( no grego “politikos” ), isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais. (Convite a Filosofia, capítulo 7, Marilena Chaui, Editora Ática).

Polis é o que chamamos, ao estudarmos a Grécia Antiga, de Cidades-Estado. Os moradores dasPolis eram os “politikos” (cidadãos), aqueles que exercem a civilidade.

Polis Grécia antiga (interior - VIII sec a.C) - clique na imagem para ler a história
Res Publica é a tradução latina de Ta Politika, e corresponde ao que chamamos de práticas políticas. Já a palavra Civitas (origem de: civil, cidade, cidadão e civilizado) é a tradução latina para Polis.

Esparta, Atenas, Corinto, assim como as demais cidades gregas da época, eram Cidades-Estado, portanto, eram Polis. As Polis tinham sua organização política e militar autônomas, isto é, eram independentes umas das outras.

Péricles fala ao povo Ateniense (séc V a.C ) - clique na imagem para ler a história
Ok, mas afinal... O que é política?


A afirmação “não gosto de política”, pode ser verdadeira, mas na maioria das vezes demonstra desconhecimento do que quer dizer política. Na verdade “o homem é um ser político” como afirma a aluna Vanessa Dias.


Por desconhecimento, “a maioria das pessoas afirma não gostar de política, mas na verdade estes não gostam das pessoas que exercem a profissão ‘política’”, afirma Fernanda Sommer. “Política, hoje, é confundida com as ações dos políticos profissionais, principalmente os maus políticos”, reforça Vanessa e completa “... não podemos confundir política com o ato de votar ou ser votado, na verdade fazemos política quando tomamos atitudes em nosso trabalho, escola etc ...”.


Ana Raniele exemplifica política como “o momento em que duas ou mais pessoas divergem sobre um determinado assunto e, estas para defender suas idéias, se lançam em uma discussão”. “Quando pessoas conversam e uma não concorda com a outra, gera uma discussão”, isso é política, afirma Mariana Nunes.


Política também é:

“a arte de governar” (1);

 “um certo diálogo” (2);
 “quando exigimos nossos direitos” (3);
 “alguém se opõe às idéias do outro” (4);
 “a exposição de nossas idéias a outros” (5)


Mas, para você, o que é política?

Fonte: Estudos de um grupo do 3o ano do ensino médio - baseado em livros didáticos: Grécia antiga - História antiga

3 de dez. de 2010

Utopia e barbárie



Por Roberto Saturnino Braga -  Fundação Perseu Abramo - 02.12.2010


UTOPIA E BARBÁRIE é um filme de cultura, não é um filme de entretenimento; é um filme de História e de Política; é um filme de Filosofia. Devia ser passado nas escolas de nível médio de todo o País. Sim, porque, se é realmente importante ter computador para os alunos nas escolas, é importante também passar filmes de cultura seguidos de comentários e debates sobre o conteúdo, enriquecer a consciência crítica dos jovens.

Acho que essa é uma função de responsabilidade da ANCINE no capítulo da formação cultural de platéias. Acho que é também uma responsabilidade do Ministério da Cultura no capítulo da formação cultural da nossa juventude.

UTOPIA E BARBÁRIE, este excelente documentário de Silvio Tendler, foi passado recentemente na ASA, uma associação cultural e recreativa de judeus esquerdistas que fica na rua São Clemente; foi aplaudido de pé por um auditório cheio e seguido de um debate de quase duas horas que teve de ser interrompido pelo horário da sala, porque a platéia queria mais. O próprio diretor, Silvio Tendler, participava do debate.

Meu sentimento aponta para uma carência profunda em nossa sociedade, que imagino seja de outras também do mundo de hoje. É a carência de filosofia, de pensamento e discussão em profundidade sobre a vida, o modo de vida atual, a ética e o ser do homem de hoje.

Penso que o próprio conceito corrente de cultura (e de política cultural, por conseguinte) está quase exclusivamente ligado ao conjunto das artes, música, cinema, teatro, artes plásticas, literatura. Ninguém argüirá nada contra as artes, evidentemente, pelo que elas têm de essencial na constituição do ser humano.

Mas acho que é necessário, urgentemente necessário, dentro deste conceito de cultura, abrir um espaço próprio para a Filosofia, a História, a Cultura Política. A propósito, esta é a característica principal do projeto do Instituto Cultural Casa Grande, que um grupo de pessoas ligadas à tradição daquele grande teatro está procurando desenvolver, até agora sem nenhuma compreensão ou interesse dos poderes públicos.

A Utopia é necessária, imprescindível mesmo à Humanidade, como farol iluminador de objetivos de longo prazo, e nunca foi desprezada ao longo da História, senão nas últimas décadas, quando o realismo exigente no dia a dia das sociedades contemporâneas dissolveu não só o espírito religioso do passado mas os sonhos utópicos do futuro.

 A meu juízo, é indispensável recompor a idéia e a formulação de utopias, como algo constituinte da própria humanidade do ser humano. E esta recomposição da utopia não virá da Ciência, cujo desenvolvimento, e cujo culto, constituem talvez as causa maior deste realismo radical das sociedades atuais. 

Só poderá vir da Filosofia esta recomposição; da Filosofia iluminada pela História e trabalhada pela razão comunicativa proposta por Habermas.

Fonte: Correio Saturnino 141

16 de jul. de 2009

A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo

De Leonardo Boff - 15.07.09

A nova encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises, que atingem a humanidade e que comportam ameaças severas sobre o sistema da vida e seu futuro, demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia "uma análise concreta de uma situação concreta". Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectiva não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.


Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permanece principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subtexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central - o desenvolvimento - hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: "correção", não a do profeta:"conversão".

Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.

O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente "neutro"como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transformação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construírem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

Curiosamente, abstraindo de laivos fideístas recorrentes ("só através da caridade cristã é possível o desenvolvimento integral"), quando se "esquece" do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana.

Parafraseando Nietzsche: "quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar"?

[Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005].

Teólogo, filósofo e escritor

Fonte: Adital

Democracia cultural

Frei Betto, Adital

“O homem e a mulher são os únicos seres vivos que se contrapõem à natureza. Os demais, das abelhas arquitetas aos macacos africanos que ordenam seus recursos de sobrevivência, são todos determinados pela natureza. Esse distanciamento humano frente ao mundo natural faz a realidade revestir-se de simbolismo e produz a emergência transcendental do imaginário.

Do interesse pelo fogo produzido pelo relâmpago nasce o conhecimento que desperta a consciência. Voltada sobre si mesma, a consciência humana sabe que sabe, enquanto os animais sabem, mas ignoram a reflexão. Através do símbolo e do significado, o ser humano se relaciona com a natureza, consigo mesmo, com os semelhantes e com Deus.

Nasce a cultura, o toque humano que faz do natural, arte. A vida social ganha contornos definidos e explicações categóricas. Do domínio das forças arbitrárias da natureza chega-se às armas que permitem a imposição de um grupo cultural sobre o outro. Porém, cultura é identidade e, portanto, resistência. Mesmo assim, a absolutização de sistemas ideológicos oferece o paraíso, induzindo o dominado a sentir-se excluído por não pensar pela cabeça alheia.”
Artigo Completo, ::Aqui::

Do Magazine Brasil - 15.07.09