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12 de set. de 2010

Veja como isso é possível

Eles podem tudo e mais um pouco.

Em razão de algumas mensagens que recebemos é 

conveniente (re)esclarecer resumidamente.








15/0355/09/04 - Editora Abril S/A - Aquisição de 5.449 assinaturas da Revista Veja, 51 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino - Prazo: 364 dias - Data de Assinatura: 18/05/2009
- Valor: R$ 1.167.175,80

15/00547/10/04 - Editora Abril S/A - Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista Veja20/05/2010
- Valor: R$ 1.202.968,00 destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo - CEI e COGSP - Projeto Sala de Leitura - Prazo: 365 dias - Data de Assinatura:
TOTAL (parcial) = R$ 2.370.143,80

Estas são só duas compras da Veja e apenas da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, através da Fundação para o Desenvolvimento da Educação - FDE - em ato ratificado pelo seu Presidente, Sr. Bonini.

Outras compras à Editora Abril e congêneres, eternamente sem licitação, porque não há revistas similares no mercado (como aCarta Capital, por exemplo), então não é necessário aqui e aqui.

Não esqueça que a Prefeitura de SP e outras também são assíduas compradoras dos mesmos materiais, há séculos. Vide, por exemplo, o caso de Santana do Parnaíba. O município recentemente comprou parcos R$23.855,00, não se sabe em quantas assinaturas e nem para quem. Mas sabe-se que foi sem licitação, nos mesmos moldes e SP.Note bem que a capa da Veja com o sorridente Sr. Serra é de 14 de abril de 2010. E a segunda compra da Veja foi assinada pela FDE em 20 de maio do mesmo ano.

Tudo puríssima coincidência.



Fonte: NaMariaNews 


Leia mais


no @twitter ou na tag #vejafede ou   
#VejaeSuja


E a tag #vejafede já foi twittada mais de 8.000 vezes hoje:  http://topsy.com/s?q=%23vejafede  (Por @tuliovianna )

24 de abr. de 2010

Cê qué sê que nem o Tass?



PORQUE NÃO SOU MARCELO TASS

Raul Longo
Na falta de munição, a estoica resistência antilulista reduzida a 4% da população brasileira, tem lançado mão de velhas armas que já deram o tiro pela culatra da reeleição do Lula. Petistas e lulistas em geral, doidos para eleger a sucessora indicada pelo líder, agradecem.

Da minha parte, continuo acreditando que faz muita falta ao país uma oposição inteligente e consequente. Já escrevi sobre isso e quando se criou o PSOL até exortei petistas a considerar os benefícios de uma nova linha de esquerda que oferecesse ao eleitorado e à população em geral novos parâmetros, desenvolvesse novos paradigmas para futuras evoluções da tão retrógrada percepção política nacional, há 500 anos monitorada pela mesma elite ainda quase medieval. Eu disse quase?

Pra minha decepção, só o que mudou é que ao contrário de quando o Amazonas se desentendeu com o Prestes e criou-se o PCdoB, a Heloísa Helena foi sentar no colo do que há de mais reacionário na direita brasileira!

Não que eu fique com ciúme, pois esse negócio de mulher que diariamente usa blusa de rendinha branca, abotoada até o pescoço, sempre me cheirou a encrenca. Mas logo o Arthur Virgílio?! Mais à “esquerda” que isso, só a Eva Braun!

Por essa razão fiquei todo animado ao receber um desses reaproveitamentos bélicos dos demotucanos, assinado pelo Marcelo Tass. Nunca havia lido o Tass; mas, apesar de seu programa na Bandeirante me parecer uma versão dos Mamonas Assassinas com pretensões de jornalismo político, aprendi a admirá-lo quando Lucinha não perdia o Rá-Ti-Bum por nada. E adorava um professor não lembro das quantas, personagem interpretado pelo Tass.

Na versão desse ano, até que o programa do Tass na Bandeirante voltou um pouco melhor. Não digo isso porque nos que assisti puxaram o saco do Lula, o que seria de esperar: quem não vai querer aproveitar o vácuo dos 96% de popularidade do Presidente para avançar na corrida pela audiência? Até o Serra, se tiver chance.

Talvez por saudade da Lucinha, mesmo nas edições do CQC que assisti no ano passado, procurei manter a impressão de que futuramente Tass viria a ser aquilo o que Jô Soares deve ter sonhado na vida, mas não lhe alcançou o conteúdo.

Lamentavelmente, nesse texto percebo que o Marcelo Tass sofre do mesmo problema do Jô. Confesso que gostei muito do Jô em seu início, no que talvez tenha sido o programa que o lançou na telinha. Chamava-se Jô Show e ainda era em branco e preto. Isso deve ter sido lá pelos anos 60... Mas nas décadas seguintes o Jô Soares foi definhando, definhando, até virar esse gordo vazio e cheio de ventos da fatuidade que todos conhecem, mas ninguém mais tem saco pra assistir.

Além de oposição política consequente, outra coisa que faz muita falta nesse país é vida inteligente na mídia. Principalmente no humor. Melhorzinho e que nas raríssimas vezes em que me cai na mão, procuro na Folha de São Paulo, é o Macaco Simão. Despretensioso e bastante repetitivo, mas consegue me fazer rir.

De resto: tédio total! Pra se divertir um pouco só restam os William Waack, as Lúcia Hipólito e Mirian Leitão mesmo. Isso sem contar, é lógico, com a Eliane Catanhede que depois da massa cheirosa do PSDB fez por merecer o primeiro lugar do quadro Top Five do Tass. Mas tem de ser o Top Five do Ano, ainda que mal tenha começado este promissor ano eleitoral.

Pois foi por essas e outras que quando recebi o texto assinado pelo Marcelo Tass, com o título: “Porque não sou PT”, fui ler ansioso de encontrar alguma crítica apropriada com humor inteligente.

Quê decepção!

Por esse texto, fica difícil imaginar para o quê servirá o Tass, depois de ter entretido a infância de Lucinha. Já começa plagiando o que eu sempre acreditei como incomparável idiotia de outro. Pois nesse texto, o Tass chegou junto.

Nem isso! Chegar não chegou, pois não fez esforço nenhum. Simplesmente copiou!

Já não ia continuar a leitura, afinal pra que ler a estupidez de um assinada por outro? Mas, preocupado com Lucinha que está para voltar e a qualquer momento poderá encontrar esse texto circulando pela internet, fui em frente, percebendo que de um parágrafo a outro só não piora porque desde o início não tem mais pra onde cair. É tudo um vácuo tão fútil que fica difícil destacar algum trecho para exemplificar.

Pensando em justificar alguma coisa pra amenizar a decepção da Lucinha, além de dizer ser muito provável que hoje o Marcelo Tass imite o FHC e torça para que esqueçam que tenha escrito isso (mas – pasmem! – fez publicar), acabei detectando um complexo de rejeição muito típico aos homófobos num parágrafo em que reclama dos petistas por o olharem como homossexuais a dizer que um dia seria como eles.

Não riam, pois o caso é sério. Requer acompanhamento. De toda forma servirá para tentar comover Lucinha, na possibilidade de que considere a situação do rapaz, pois, como todo mundo, certamente ela também nunca conheceu um político ou torcedor de futebol que não a olhasse como uma potencial companheira de partido ou arquibancada. Não por ter se tornado a moça bonita que é, mas por ser do natural de qualquer partido, igreja ou galera, tentar seduzir até mesmo o integrante da torcida organizada do time adversário.

Se com o Tass nunca se passou isso, conforme diz aí em seu texto, deve mesmo ser portador de algum problema que repele tais naturais manifestações de cooptação, mas um especialista pode ajudá-lo a olhar a situação por um lado positivo, demonstrando que assim ao menos se livra dos casos de violência como quando, incapaz de converter pelo argumento, o religioso joga bomba no da outra seita, o fanático de futebol parte pra porrada, e gente como o Arthur Virgílio e o ACMezinho ameaçam de tapas ao Presidente do Brasil e Estadista Global.

Mas mesmo que Lucinha compreenda as frustrações existenciais de seu ídolo de infância, difícil será ela aceitar que tenha escrito e (pasmem!) feito publicar tal declaração de incapacidade de percepção de quais interesses defendam os do DEM ou do PSDB.

Será que, com o caso Arruda, já deu pro Tass ter alguma prévia do que se trata? Ou já terá esquecido o Arruda como no texto demonstra ter se esquecido das privatizações? Da promessa de venda da Petrobrás com a reserva do Pré Sal de brinde?

Esqueceu também, ou não conseguiu perceber, dos interesses de quais “trabalhadores” estiveram envolvidos no caso Alstom e os governadores de seu próprio estado? Tantos enroscados ali, ao seu lado, por qual razão divaga nos enroscos do presidente da França? O que é que esse rapaz andava usando na época em que escreveu esse texto?

A quais “trabalhadores” imagina que tenham defendido as porteiras fechadas dos contratos de construção do Metrô de sua cidade? Àqueles soterrados no buraco da estação Pinheiros?

Por essa absurda falta de percepção em alguém que se anuncia como um profissional de comunicação, jamais serei Marcelo Tass, por maior carinho que tenha à Lucinha.

Nem ela, claro, vai querer se lembrar de que algum dia, quando criança, quis ser como Marcelo Tass quando crescesse.

Cresceu, é linda e, felizmente, muito inteligente. Não tem nada de Marcelo Tass.

Quem haveria de se querer como alguém que se autoassume tão totalmente néscio que nem tenta entender como uma nação inteira, numa primeira eleição após quase 3 décadas impedida de exercer a democracia, leve para segundo turno o candidato de um partido que, na debilidade do Tass, é entendido como de gente que não faz nada na vida.

É verdade que o extinto e meteórico PRN do Collor de Melo nunca havia feito coisa alguma ou sequer existido, mas todo mundo sabia que o verdadeiro partido do Collor era o que só mais tarde Paulo Henrique Amorin reconheceu como PiG, o Partido da Imprensa Golpista. Roberto Marinho declarou isso: “Nós o colocamos na presidência”. Impossível que Marcelo nunca tenha sabido disso!

Se Lula, então, perdeu apenas para a associação de esforços das 4 famílias detentoras do estrito monopólio de comunicação e informação do país, vencendo os mais tradicionais movimentos políticos da história do Brasil, como o getulismo ali representado por ninguém menos que Leonel Brizola, o maior ícone depois da morte do próprio Getúlio; certamente não foi porque, como sugere Tass nesse infelicíssimo texto, um dia Lula tenha aparecido na porta da fábrica para combinar com seus “cumpanhero”:

“- Oi aqui, ô Florestan, você é o mais conceituado do país na sociologia; e você, Freire, já tá consagrado pelo mundo como dos maiores pedagogos da história; e você, ô Sérgio, além de ser o mais importante historiador do Brasil já tem um irmão famoso como dicionarista e um filho famoso como sambista... Então vamô juntá aqui cum os cumpanhero das oficinas e vamo fundá um partido político. É porque o Frei Beto, o Dom Paulo e o Boff disseram que vão dar uma força, já tá tudo acertado lá em Recife com o Dom Helder e vai ser uma boa porque daí a gente não precisa fazer mais nada na vida. Já chamei o Suplicy, o Mercadante, o Dirceu, o Genoíno, o pessoal todo. Ah! O Vicentinho também tá nessa. Ele e o Bittar. Tem mais uma turma aí: tem o Tarso lá de Porto Alegre, o Olívio. Tem o Palmeira lá do Rio, um tal de Chico Mendes do Acre. O Singer, o Apolônio, a Conceição Tavares, essa raça toda. E essa gente tá doidinha pra fazer um partido político pra não ter mais de trabalhar, nem o que fazer na vida.”

Claro que não dá para fazer aqui a relação inteira dos fundadores do PT, mas é difícil compreender como pode um pretenso jornalista ignorar o significado histórico desses a que chama de vagabundos!

Que o Cony, o Alexandre Garcia, o Boris Casoy e outros dessa geração se passem por estúpidos para defender os interesses de seus patrões, justificando melhores salários, vá lá! Estão mesmo perto da aposentadoria e o negócio é faturar o que puderem no fim de carreira. Mas alguém com tanto futuro pela frente como o Tass, se prestar a fazer papel de total beócio, incapaz para o exercício de qualquer atividade que exija desenvolvimento de raciocínio elementar, é muito triste!

Fico triste pela Lucinha, coitada! Está trazendo tantas experiências, com tanta vontade de se lançar na atividade aqui no Brasil... Quando se deparar com um exemplo desses, vai querer pegar o primeiro voo de volta.

O pior de tudo é que o tonto não só escreveu, como (pasmem!) fez editar. Como alguém que se queira jornalista pode publicar um texto de própria lavra onde demonstre não ter a menor noção do que tenha realizado um dos mais notáveis dirigentes sindicais de sua época, em todo o mundo? Eram apenas dois: o Lula e o Lech Wallesa.

Wallesa promoveu a greve do estaleiro de Gdansk, fez a central de trabalhadores Solidarsnosk, mobilizou os poloneses e com o apoio de seu patrício papa, o Karol Wojtyla (João Paulo II), tornou-se o primeiro Presidente da Polônia depois da ditadura comunista. Foi uma presidência fracassada e Wallesa hoje está esquecido.

Lula promoveu a maior greve da história do país; criou a CUT, talvez a maior central sindical do mundo; promoveu o maior movimento de massas da história do Brasil: o das Diretas Já; fundou o segundo partido trabalhista da história política do país (o primeiro foi o PTB de Getúlio Vargas); e como não teve o apoio de ninguém, muito pelo contrário, foi o terceiro presidente eleito democraticamente depois da ditadura nazista.

Hoje, além de indicado como Estadista Global pelo Conselho de Davos, possui tantos títulos de honra e mérito, concedidos por academias e instituições públicas e privadas internacionais, que seria fastidioso relacionar a metade. É verdade que essa bobagem que torna a circular, Tass escreveu lá por 2006, quando Lula ainda só recebera algumas dessas honrarias; mas se fosse minimamente inteligente, já que fez questão de se declarar tão anti PT, não devia deixar tamanha brecha para que aqui, eu, que nem sou petista, fale sobre Lula ser o Presidente mais reconhecido e homenageado internacionalmente que tivemos em toda nossa história.

É como dizia o Serra: tem de ter capacidade para fazer. Então, se vou malhar o Serra, não deixo brecha pra tucano botar azeitona na minha empada. E se deixar, é porque quero comer a azeitona na volta. Aí eu pergunto: quanto pagam por estes textos mais cheios de buraco do que queijo bola? No Brasil se pratica o maior desperdício de verba de marketing político do mundo! Vou propor à Dilma Roussef que me prepare um clipping de cada texto desses. É material suficiente para duas eleições garantidas. Nem precisa maiores informações sobre programa e propostas de governo, tá tudo fornecido nas besteiras que essa gente escreve e fala pelas rádios e emissoras de TV.

E o jovem jornalista que, por amor à Lucinha, um dia imaginei inteligente, descubro no que escreve que não passa de mais um informante desinformado! Mais um comunicador desconectado! Um formador de opinião que se revela sem opinião formada sobre as funções e utilidades dos sindicatos.

“Que será um sindicato?” – pergunta-se o Tass naquele estilo de adolescente sequelado, em que aqui se especializa – “Quem inventou? Os gregos? Os romanos? Os etruscos?”

Num lampejo ou arranco, deduz: - “Os soviéticos, é claro!” – mas, recaindo em dúvidas sobre a própria astúcia: “E se foi o Fidel Castro?”

E o mais incrível é que o cara não só escreve isso, como (pasmem!) faz publicar. Não foi em qualquer Veja, Folha ou Estado de São Paulo, não! Se apenas houvesse proferido tais besteiras pela TV, como faz o Arnaldo Jabor, tudo bem. Passava batido. Mas não! O mané fez questão de publicar no próprio blog!

Tô pra ver alguém dando caô maior em si mesmo! É coisa de fazer avestruz enfiar a cabeça na pedra! Vá ser assim despojado de inteligência lá adiante!

Fosse aqui, toda mão que saísse pra rua, alguém ia perguntar: - Tás tolo, Tass?

Pobre Lucinha! Certamente não contava com tamanha estupidez no interprete de seu personagem preferido quando criança. Melhor se, ao invés do Ra-ti-bum, tivesse passado suas tardes infantis assistindo ao Chapolin Colorado.

_________________


*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA

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Por Rizoma Beatrice - 24.04.2010

11 de jan. de 2010

Chomsky e as estratégias de manipulação

Por Altamiro Borges - Blog do Miro - 10.01.10

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como “companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites. Vale a penar ler e reler:


1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Crias problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público a achar "cool" pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.