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22 de mar. de 2015

O ódio chega às crianças: por que esse prazer de se lambuzar de raiva?



Crescente maré de ódio no Brasil já atinge as crianças. Mães e pais usam seus próprios filhos para propagandear intolerância, raiva e discriminação. Como serão e como estarão esses meninos e essas meninas num futuro próximo?

24 de abr. de 2010

Bala de prata


  Por Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior – Editor.*
Bala de prata é, de verdade, a única coisa que extermina seres malignos: lobisomens, bruxas, vampiros... Já na política, bala de prata é a mentira usada pela direita para derrotar líderes políticos quando os recursos normais e éticos não resolvem. Será empregada exaustivamente pelo PIG e a Casa millenium no programa eleitoral gratuito.
Acontece que a munição é tão abundante e eles usam-na de forma tão despudorada e extravagante, que, às vezes, cega e as bala de prata atingem seus próprios pés. A Rede Globo é campeã nisso, um exemplo foi a tentativa de evitar a correta contagem dos votos do Brizola – a Globo simplesmente recusava-se a noticiar a vitória, nas urnas, do governador eleito do Rio de Janeiro. Terminou dando direito de resposta a Leonel Brizola. Acertou os próprios pés, está manca até hoje e continuará assim para o resto da vida.
Depois, a Globo solenemente desconheceu a campanha das Diretas Já! – só parou quando seus veículos começaram a ser depredados nas ruas das capitais brasileiras. Mais tiro no pé. Agora é a propaganda da campanha eleitoral embutida pelos profissionais da imprensa golpista, os pig do millenium, ao aproveitarem-se do aniversário da Rede Globo e fazerem propaganda política, antecipadamente, do candidato tucano na televisão, incluindo o slogan da candidatura a presidente de José Serra “Pó demais”, já plagiado da campanha do presidente americano Barak Obama “We Can”, como palavras de ordem criadas pela emissora para comemorar seu aniversário.
A coisa foi tão descarada, que o alerta imediato da Blogosfera tirou do ar, em menos de 24 horas, a propaganda política dos tucanos à presidência da República embutida, dissimulada e subliminarmente vinculada domingo, no aniversário da Rede Globo de televisão. O tiro saiu pela culatra! E, desde então, têm sido suspensas as falas dos maiores artistas da Rede Globo dizendo que o Serra é pó demais. Diga aí se pode? No aniversário da rede?
A chamada Direção da Casa, que só aparece nessas horas e por meio de marionetes, informa e defende-se dizendo que o filme do aniversario foi feito há seis meses. O certo é que eles mesmos noticiaram as gravações feitas somente quatro dias depois do lançamento da campanha a presidente da República de Jose Serra, e dizendo o slogan da campanha no aniversário da rede. A Globo dá mais um tiro no pé. Eles agora vão ter que colocar uma prótese no pé, vão ficar como o pirata da perna de pau... Pior é bala de fragmentação. Tem muito artista que não quer ficar coxo de jeito nenhum. E aí, como é que fica? E pode mais, pode caber direito de resposta de vários partidos.
Porém, às vezes os tiros são certeiros e fatais. Lula já foi atingido assim duas vezes nas campanhas eleitorais para presidente, como no episódio, armado e muito bem planejado, da prisão dos sequestradores do dono do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, na véspera da eleição. A ida da Mirian Cordeiro, mãe de uma filha do Lula, à televisão para dizer que ele queria fazer o aborto, quando fora ele quem criara e educara a menina é um outro exemplo de bala de prata fluminante no mais fundo do coração. Além disso, temos a farsa montada no debate entre Lula e Collor. Abordei isso no artigo anterior.
Nesses casos, as balas de prata cumpriram seu papel direitinho, e Lula foi derrotado nas duas vezes. E podem ficar certos, “como 2 e 2 são 4”, de que vai ter bastante bala de prata para nossa Dilminha. Vejamos algumas.
O inacabado caso Lina Vieira é uma espoleta contra a Dilma, um exemplo atual ensaiado de bala de prata, que começou com a resposta da então ministra da Casa Civil à pergunta do senador Agripino Maia, falando em Comissão do Congresso Nacional sobre ser ou não verdade que ela tinha mentido em depoimentos na policia. Dilma disse que sim. O porquê contou a verdade? Mentiu sob tortura. Naquela hora, para bom entendedor, ficou claro também que ela não era, neste aspecto, exatamente, a continuação do Lulinha Paz e Amor.
E tem mais: se o ministro Nelson Jobim tivesse (um tiquim de) vergonha na cara para ser cidadão brasileiro, como propõe Capistrano de Abreu, o ministro da Defesa tucana já teria feito a trouxa e se mandando “de fininho”. Mas ele não tem. E é tão cara de pau que vai ficar esperando o pé na bunda da Dilma, “podes crer”. Enquanto isso, continua arquitetando novas balas de prata, junto à canalha de sempre, a exemplo do que fez no caso dos aviões da aeronáutica, ou do golpe contra o Programa Nacional dos Direitos Humanos, ou mesmo quando queria que o Brasil apoiasse o golpe contra o presidente eleito de Honduras, Zelaia.
E o ministro, faz tempo, fraudou a constituinte, é réu confesso, para depois dizer que tinha sido o Ulisses Guimarães, estando o presidente da Constituição cidadã morto e desaparecido. Nelsom Jobim na Defesa é o que tem mais munição e outras armas de ataque abaixo da linha da cintura. E nisso, o maior fornecedor do seu arsenal é o parceiro Serra. É ele, por dentro, que você pode encontrar em toda nova republica, o que mais conspira para macular a democracia brasileira e o governo Lula.
Voltando a Lina Vieira, ela mentiu, dizendo que ouviu de Dilma, no Palácio do Planalto, que “maneirasse com a família Sarney”, não sabe o dia nem a hora. Dilma nega não só a conversa como, até mesmo, o encontro. Na verdade, Lina estava com duas balas de prata, uma para desmoralizar a Dilma, chamando-a de mentirosa contumaz, e, de quebra, tentar lavar a alma desmoralizada do patrão, o senador Agripino Maia. Essa bala ainda está em curso, vide a ficha de terrorista da Dilma que é só um rastilho de pólvora...
Algumas outras balas de prata vão ressurgir como terremotos, vulcões e tsunamis, na grande maioria, armadilhas e farsas requentadas dissimuladas, porém, por serem mais falsas que da primeira vez, com adornos e pirotecnias camufladas, por isso mesmo, mais explosivas. Lamentavelmente, poucas vão “bater catolé”. Breve chega a altura em que até fogo fátuo é nitroglicerina.
A outra bala é para realmente encobrir mutretas da família Sarney, que eles já tinham atingido com uma verdadeira bomba de prata amiga, “leal concorrente” à candidatura de Roseane Sarney ao Palácio do Planalto, com a foto-bomba da enorme pilha de dinheiro colorido vinculada em toda mídia, o que aniquilou definitivamente a candidatura à presidência do Brasil da filha do ex-presidente da República e atual mandatário do Senado, Jose Sarney. Mui amigo, si.
Hoje, nem Deus sabe o explosivo que nutre os artigos censurados no jornal Estado de São Paulo pelo filho do Sarney, isso há quase seis meses. Se é granada, bazuca, mina ou lança-chamas, e a quem mesmo se destina. Perdeu a validade, ou ainda fermenta? É relógio?
As balas de prata foram munição predileta da Operação Condor e da OBAN e vêm desde o Plano Cohen. Foram balas de pratas que deram o fim em J. K. e João Goulart, Marcos Freire, Zuzu Angel, Werzog, Rubem Paiva... são centenas... Bomba em banca de revista, na OAB, no Rio Centro... Bombardearam o palácio do governo chileno com o presidente eleito Salvador Alende dentro. Explodiram ministros de governo latino-americano em avenida de Washington, D.C. Foram balas de prata que deceparam as mãos de Victor Jará e ainda enlouquecem Geraldo Vandré.
Balas de prata podem, com certeza, ser autofágicas, fazem queima de arquivo, como o que aconteceu com Lacerda, Fleury, Von Baugarthenn, e outros mais. Há bem pouco tempo a linha dura, inesperadamente, mostra sua cara: o célebre General Newton Cruz reafirmou que o Maluf o procurou para dar uma bala de prata para o Tancredo Neves...
Podemos ficar certos tem muita bala de prata na próxima esquina.
* Memorialista, co-fundador do Partido dos Trabalhadores e editor do Blog da Dilma em Fortaleza/CE.

Fonte - Desabafo Brasil

Do Blog do Saraiva - 23.04.2010

21 de out. de 2009

Blog de direita chama Serra de Nosferatu


Por Luis Mag - do Entrelinhas - 21.10.09

Este blog prometeu não mexer muito com Nivaldão Cordeiro, o direitoso do Mídia Sem Máscara que se arma de argumentos fortes no debate político. Não dá para não reproduzir, porém, o texto abaixo, está um primor, talvez seja a peça de humor político mais importante do ano. Segundo o autor, há um acordo sendo tramado para que "a esquerda" permaneça no poder com Serra na presidência e o PT no governo de São Paulo. Ademais, ele qualifica a família Moreira Salles, que publica a revista Piauí, de banqueiros que abraçaram a causa esquerdista!! Alguém já avisou os Setúbal? Enfim, realmente não dá para não ler. É de rolar de rir.

O Brasil elegerá Nosferatu?

Nivaldo Cordeiro | 17 Outubro 2009

José Serra é um desenvolvimentista marxista convicto, à moda dos anos cinqüenta e, se eleito presidente, não hesitará em pôr em prática as suas crenças. Elas são o receituário consolidado da teses do PCB, do ISEB e da CEPAL. Não por acaso a narrativa de Daniela Pinheiro registra que o único ser que ousa fumar na frente do Serra, na sala dele, é João Manuel Cardoso de Mello, aquele mesmo que concebeu o Plano Cruzado.

serra"O Serra é uma alma atormentada"
Fernando Henrique Cardoso

Meu caro leitor, confesso-lhe que fiquei fortemente impressionado com a reportagem trazida a público pelo último número da revista Piauí. Claramente na origem a matéria tinha puro objetivo propagandista eleitoral, mas a jornalista que a escreveu é demasiado talentosa e conscienciosa para se limitar a fazer um mero panfleto. Acompanhou José Serra por mais de um ano e trouxe à luz flashes valiosos, não apenas para o eleitor brasileiro, como também para quem se debruça cientifica e profissionalmente sobre a cena política brasileira.

Muita gente não conhece a revista Piauí. Eu habitualmente não a leio, pois a acho uma publicação insossa e pretensiosa, recheada de conteúdo para diletantes da esquerda tida por mais culta e sofisticada. É editada por Mario Sergio Conti, talentoso jornalista que passou por vários órgãos de imprensa e escreveu um livro magnífico (NOTÍCIAS DO PLANALTO). É propriedade de gente ligada a uma família de conhecidos banqueiros que abraçaram a causa esquerdista e transitam em meio à esquerda revolucionária brasileira e mundial com desenvoltura. Este número da revista está especialmente ótimo, com a matéria sobre José Serra e com um ensaio magnífico do peruano Mario Vargas Lllosa sobre a arte de escrever romance. A página de poesia nos apresenta uma poetisa, Rose Ausländer, que escreveu no idioma alemão. Vale conferir. Na internet os poemas estão abertos ao público não assinante, bem como seu resumo biográfico.

Mas o relevante é a matéria com o Serra. Ela traz nuances psicológicas assustadoras do governador de São Paulo e um retrato biográfico primoroso do político da Mooca. Enganam-se os que pensam que José Serra tenha qualquer vestígio do que poderíamos chamar de político de direita. Ele mesmo declarou: "O governo Lula é de esquerda? Não dá para falar nisso. Com o significado do passado, eu estaria à esquerda do PT. Desenvolvimento virou coisa de esquerda. Política econômica é quase subversiva".

Nesta frase está contida a sua psicologia e o seu dégradé político. José Serra é um desenvolvimentista marxista convicto, à moda dos anos cinqüenta e, se eleito presidente, não hesitará em pôr em prática as suas crenças. Elas são o receituário consolidado da teses do PCB, do ISEB e da CEPAL. Não por acaso a narrativa de Daniela Pinheiro registra que o único ser que ousa fumar na frente do Serra, na sala dele, é João Manuel Cardoso de Mello, aquele mesmo que concebeu o Plano Cruzado. Sarney levou a fama de ter feito explodir a inflação, mas foi este indigitado senhor, auxiliado pelo Luiz Gonzaga Belluzzo, o autor intelectual do desastre inflacionário daqueles tempos. A velha herança do PCB, do ISEB e da CEPAL, tudo somado, é o maior equívoco teórico sobre o papel do Estado e o capitalismo que se tem notícias. O Plano Cruzado é a prova histórica da alucinação teórica dessa gente. Nunca se ouviu uma palavra de mea culpa dessa gente, é como se tudo tivesse nascido da pena nefando do Sarney.

A primeira lição que a revista nos dá é que essa gente, que está fora do poder federal, desde aquela época, voltará em peso com José Serra, se eleito for. Ele mesmo é um expoente dessa corrente, que tem dominado a Unicamp desde a fundação. Lembremos que FHC teve a sensatez de pegar os brilhantes economistas da PUC-Rio para debelar a inflação criada pela Unicamp. Com Serra certamente teremos todo o arsenal intervencionista posto em marcha de uma só vez: tabelamento de câmbio e preços, estatização, controle dos salários, do comércio exterior e uma perseguição tributarista sobre as empresas e as pessoas, do que tem dado mostra Jose Serra e seu secretário da Fazenda aqui em São Paulo, destruindo setores inteiros da economia paulista na ânsia pelo esbulho tributário. Será um retrocesso enorme em matéria de política econômica. Serra considera empresários algo próximo de delinqüentes e a propriedade privada uma espécie de roubo, à moda de Rousseau. Ele declarou que seu compromisso é eliminar a pobreza e bem sabemos o que significa isso na boca de um poderoso intelectual orgânico da esquerda stalinista: a opressão do Estado sobre os que trabalham e produzem riquezas, tentando redistribuir riquezas de forma arbitrária. Essa gente acha que a lei da escassez é mito e que pobreza existe por falta da vontade política do governante. Acha também que a igualdade idealizada no plano das posses econômicas é empreendimento perfeitamente exeqüível e desejável, um imperativo moral, cabendo ao Eleito realizar a empreitada, pelo instrumento do Estado.

Não podemos esquecer que José Sarney, à época, com todos os defeitos, tinha ainda limites morais e culturais que serviam de contrapeso ao ímpeto esquerdista da gangue da Unicamp. Com Serra será bem diferente. Ele é de natureza autoritária e consolida larga experiência legislativa e executiva, o que o credencia a ser altamente eficaz na consecução dos seus objetivos. Seus auxiliares também, o que significa que nem de um período de aprendizado necessitam na sua chegada ao poder. Praticarão o mal coletivista desde a primeira hora. Um governo desse naipe pode enveredar o Brasil pela senda da tirania burocrática como jamais houve, como nem o PT ousou imaginar.

O retrato psicológico do Serra é de um homem obcecado pelo poder, incapaz de aceitar o contraditório de quem quer que seja. Bem notado que ele se relaciona bem com mulheres, mas não com homens. Mesmo Fernando Henrique relata que Serra sempre preferiu conversar com Dona Ruth a conversar com ele. Serra está sempre pronto para o enfrentamento com aqueles que ousam dizer-lhe "não" para alguma coisa. É a psicologia do ditador. Teremos um Nosferatu eleito Chanceler, como no filme V de Vingança? Uma psicologia assim é um perigo, sobretudo se obtiver o poder de mando sobre as Forças Armadas e a Polícia Federal. As dificuldades da realidade podem ser confundidas como má vontade da população ou de certas pessoas indesejadas pelo governante. A tentação de usar o poder de Estado para corrigir o mundo "rebelde" pode ser irresistível.

Devemos ter em conta também que Serra não é inimigo do PT, muito ao contrário. A estranha forma como está sendo conduzida a sucessão paulista pode esconder ações surpreendentes de bastidores: Alckmin, o favorito ao governo do Estado, está sendo rifado em favor de um principiante desconhecido, Aloysio Nunes Ferreira, talvez o único homem que conta com a confiança irrestrita de José Serra; a decisão de Gilberto Kassab de elevar de forma escandalosa o IPTU paulistano em véspera de um pleito capital e a vinda inesperada de Ciro Gomes para São Paulo, sob o patrocínio do PT, tudo somado pode indicar um acordo por cima entre grupos do PSDB de José Serra e do PT. Não devemos esquecer também que o próprio presidente da FIESP, Paulo Skaf, deve sair candidato pela legenda do PSB, o mesmo partido de Ciro Gomes agora. É de se sublinhar também que as opiniões emitidas por José Serra sobre Geraldo Alckmin não tiveram autorização para serem publicadas na matéria, por motivos óbvios.

Parece haver um acordo para a partilha prévia do poder entre as facções principais da esquerda que hoje têm o controle total da política do Brasil: Serra presidente e alguém ligado ao PT para governador do Estado de São Paulo parece ser a solução salomônica. Por isso o PT insiste na candidatura natimorta da inexpressiva Dilma. A eleição não passará assim de um mero circo grotesco com o fito de cumprir o calendário eleitoral, com tudo decidido previamente por debaixo do pano. Um engodo para com a opinião pública, que pensará que participa de um pleito sério. Ninguém dos interessados perderia com um acordo deste e todos nós seríamos feitos de tolos.

É notável a perspicácia de FHC quando disse não basta arrotar competência gerencial no comando do Estado para seduzir o eleitorado. Que uma eleição é sobretudo um processo de sedução de almas, como fez Obama nos EUA. E completou: "O Serra é um ótimo gestor e ponto final. Mas acho que ele é mais administrador e economista do que formulador. É mais pragmático que imaginativo". Disse tudo. Serra é um trator que age no mundo do imaginário político sem pensar. FHC viu o que eu vi, a alma atormentada que pode guardar a psicologia de um ditador. Estrategicamente Serra é mal formado. A declaração de FHC não foi do agrado de José Serra, que a rebateu dizendo que ele também é "teórico". Ora, FHC não se referia à cultura teórica quando falou que ele não é "formulador". O ex-presidente percebeu que em Serra há um operacional subalterno que não amadureceu ainda o suficiente para ser o primeiro mandatário, o formulador, aquele que pensa grande e que tem a capacidade de administrar e enxergar além dos conflitos passageiros dos agentes políticos do dia. É a mesma percepção minha e é aquilo que mais me apavora em pensar no day after da eventual eleição do Serra. Um sargento assumindo a posição de general.

Depois de ler a revista Piauí fiquei com a sensação de que Lula poderá deixar saudade, mesmo com seu ar estúpido e risonho de torcedor de futebol. Ao menos tem alma pacificadora, não atormentada. Não vejo bons augúrios, infelizmente, se admitirmos que não há nenhum nome capaz de derrotar José Serra para a Presidência da República.

21 de set. de 2009

Falar de Marina deu o que falar

Por Gilvan Freitas - Do Blog O Terror do Nordeste - 21.09.09

Analise perfeita. Sem tirar nem por. Marina se bandeou pro lado da direita, sim. Não há duvidas.E vai pagar caro por isso.


21 de Setembro de 2009

Regina Abrahão *

Quando entendemos que não existe proteção ambiental no capitalismo, entendemos que por mais bem intencionada que qualquer indústria papeleira possa nos parecer, ela sempre precisará de cloro no processo de branqueamento. E que este cloro sempre será residual, e que o lucro sempre estará em primeiro lugar, portanto a papeleira bem intencionada jamais fará uma campanha para reduzir o consumo de papel.

Explique isto para uma criança, e ela entenderá. Marina não entendeu. Alguns verdes não entendem. Explique isto para a mídia, e ela criará um factóide, inocentará a papeleira e culpará o governo. Quiçá este novo factóide não envolva também Lula com a extinção do pau-brasil, a madeira aquela que os portugueses usavam para fazer tinta vermelha.

Certas épocas mais parecem com as tardes de férias de verão: modorrentas, calmas, abafadas. A vida parece andar em câmera lenta mesmo quando tudo anda na velocidade normal. Cada vez mais raros dias como estes, e cada vez mais comuns os fast-days. Mas 2009, como ano pré-eleitoral está cada vez mais frenético. No sul, traz de quebra a possibilidade concreta do empechemant da governadora paulista-gaúcha e toda a movimentação que isto representa. No planalto central, o frenesi que precede a sucessão presidencial faz com que a cada minuto surjam novos fatos e deles a possibilidade da criação de factóides destinados a comprometer o projeto que deu certo, a despeito da mídia, da crise, do capital, dos que torciam pelo fracasso do operário de nove dedos sem diploma.

A direita no Brasil nunca pegou leve, como ademais no resto do mundo. Este povo não brinca em serviço. E nem poderia. Sua influência, seus tentáculos, seu preconceito tem objetivo definido. Eles sabem, como ninguém, explorar fraquezas, vaidades, semear discórdias. Não à toa, a direita se mantém e se renova.

Poderíamos dizer, de forma simplista, que ninguém está imune ao poder de convencimento, de cooptação e de coerção do capital. Nem de seus encantos, que o capital sabe bem os produzir. Como definir poder? Depende de para quem, e de, para o quê, e de como será usado.

Depende dos melindres de quem, ao ver-se contrariado, imagina-se subtraído do poder. E por aqui começo então a dialogar com os muitos comentários que me foram feitos sobre a coluna passada, "Marina e os Tucanos". Porque o rio tem dois lados, e de um deles, Marina está. Para mim, a opção feita deixa claro qual. A maioria dos leitores concordou, alguns apresentaram dúvidas e outros discordaram.

Marina teve o poder enquanto ministra? Não como gostaria, e por isto saiu. Do governo primeiro, depois do Partido que fundou. Não comentarei assuntos internos, de possíveis atritos ou disputas da ex-ministra em seu ex-partido, mas penso que outras opções partidárias, isto ela tinha, muitas. Mas reafirmo a idéia que o ingresso de Marina no PV me passa: Opção por uma candidatura de oposição ao governo Lula. Ela mesma começa a dar mostras concretas de sua mudança. Ao jornal El Clarín, elogia de forma quase explícita FHC, dando a ele os créditos pela atual estabilidade econômica. Penso haver concordância que esta postura, de elogios ao tucanato por parte da ex-ministra, até pouco tempo atrás, seria impensável.

Poderíamos dizer, de forma apressada, que Marina não viu a questão ambiental ser valorizada suficientemente no governo Lula. Falando bem a verdade, a maior parte dos ambientalistas tem esta queixa de seus Partidos. Mas como foi o governo de FHC na área ambiental? Marina terá esquecido o desmonte da legislação ambiental, o desmatamento da Amazônia, da Mata Atlântica, a falta de investimento em saneamento básico, o absurdo aumento de atividades poluentes da Vale após sua privatização?

Não será de estranhar se agora descobrirmos que todos os problemas ambientais iniciaram no governo Lula. Mas o Partido Verde, o que fez até agora em termos de prevenção e recuperação do ambiente? Quais são as leis feitas por seus parlamentares? Além do discurso, o que realmente o PV propõe de concreto para os problemas brasileiros? A maior cidade do país diminuiu seus índices de poluição com a participação do verde Eduardo Jorge na Secretaria do Meio Ambiente? Os paulistanos que o digam: a mim, parece cada vez mais poluída. O que diminuiu, parece, foi o número de moradores de rua embaixo dos viadutos. Que foram cimentados, claro.

Não entendi porque relacionaram minha crítica à Marina com autoritarismo. Ela pode sair e eu não posso criticar? Não considero esta crítica muito democrática... Outros, logo lembraram de Sarney. Bueno, quem lembrou de Sarney não especificou se foi de Sarney pai ou Sarney filho. Sim, porque o Zequinha, filho de José, foi por bastante tempo presidente nacional do PV. E se a ex-ministra se dizia incomodada com o pai, bom que se dá bem com o filho. E aqui não se trata de uma aliança eleitoral, pontual, onde não se abre mão do programa, dos pontos ideológicos, mas se concorda em pontos comuns, objetivando algo maior e mais amplo. Nada de garantias de governabilidade, como no caso do governo Lula. A ida de Marina para o PV, repito, cumpre seu papel. Tem função.

São estas as virtudes da democracia. Como foi dito em um dos comentários, morreram camaradas para garantir que hoje pudéssemos ter um espaço como o Vermelho, onde várias pessoas possam expressar suas opiniões. Comunistas, anarquistas, muita gente morreu, morre e ainda vai morrer. Gente como Chico Mendes morreu, pelas bandas do Acre, justamente por causa da política neoliberal nojenta, suja e cruel, que não respeita homens, mulheres crianças, natureza, animais, nada. Aquela política DEM-PSDB com quem a ex-ministra subirá no palanque em 2010 para cumprir sua tarefa de tentar não deixar que se reeleja o projeto popular.

* Funcionária pública, dirigente municipal do PCdoB de Porto Alegre, estudante de ciências sociais da UFRGS.

Dirigente da Semapi - RS.Vermelho Org

30 de jul. de 2009

Director de Le Monde: Estamos frente a una contraofensiva brutal de la derecha

“Estamos frente a una contraofensiva brutal de la derecha en el continente (América Latina), y creo que el tema comenzó en Bolivia, y luego con el golpe de Estado en Honduras”, dijo este jueves el director del Le Monde Diplomatique, Omar Roberto Rodríguez.

En el programa Despertó Venezuela, que transmite Venezolana de Televisión, Rodríguez sostuvo que hoy es un hecho que el monopolio de la información es parte de la estrategia cotidiana de la derecha.

Señaló que para el caso venezolano se juegan metas de desafío institucional frente a las elecciones presidenciales de 2012.

Rodríguez argumentó que el presidente de Colombia, Álvaro Uribe, representó el factor político ligado al latifundio, al narcotráfico, y no existe un remplazo diferente a él.

Destacó Rodríguez que al imperio le conviene que siga Uribe siendo presidente. “Uribe nunca ha sido amigo de Venezuela”, agregó.

El director del diario Le Monde destacó que la instalación de las bases estadounidenses en Colombia es parte de la activación de la cuarta flota del imperio, lo que le permitirá tener control sobre todos los países de la región.

El periodista aseveró que en Colombia existe un terrorismo mediático manejado completamente por los poderes militares y políticos del país neogranadino.

“En Colombia, 50 mil hombres asesinados, dirigentes sociales, impide que el pueblo pueda ir madurando. En Colombia el movimiento social debe moverse a riesgo, sin logística”, agregó Rodríguez.

Destacó: “Esta alianza (entre Colombia y Estados Unidos) va a poner a prueba el nivel de conciencia de los venezolanos (...) América Latina sigue adelante, no le será fácil a la derecha”.

Caracas, ABN. - Da Agência Bolivariana de Notícias - 30.07.09

17 de jul. de 2009

OS RISCOS DA VOLTA DA DIREITA.

Emir Sader

Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.

Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.

Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.

É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.

A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.

Fonte:Agência Carta Maior.


Por Carlos Dória - 17.06.09