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8 de mai. de 2012

A reviravolta europeia

Coluna Econômica - 08/05/2012
No primeiro dia de funcionamento, após a vitória dos socialistas na França, as bolsas de valores mundiais subiram. Sinal de que nem os mercados acreditam mais nas receitas recessivas que vêm afundando sucessivas economias.

22 de ago. de 2011

Vladimir Lenin

Vladimir Lenin nasceu em 4 de maio de 1870 em Simbirsk, Rússia. Seu pai era um inspetor escolar na área e sua mãe era filha de um médico rico. Vladimir era um aluno inteligente na escola, mas foi muitas vezes alienados por seus colegas como um resultado. Ele leu muitos livros, embora seus favoritos foram as obras de Goethe e Turgenev.


Em 1886, seu pai morreu de uma hemorragia cerebral e seu irmão foi enforcado depois de traçar uma tentativa de assassinar o czar Alexandre III. Vladimir imediatamente renunciou ao sistema político e todas as formas de religião. Ele foi aceito na Universidade de Kazan, onde começou a estudar Direito. No entanto, ele foi expulso após um curto período de tempo para participar de um protesto e abandonada pela academia da Rússia. Ele continuou estudando direito de forma independente e conseguiu passar no exame bar em 1891, obtendo a maior pontuação dos mais de cem estudantes de direito.
Vladimir mudou-se para São Petersburgo em 1893 e começou a exercer a advocacia. Em seu tempo livre, ele encontrou outros que gostaram das idéias de Karl Marx e formou um movimento subterrâneo revolucionário. Membros de seu grupo foram colocados em seis células pessoa, que realizou investigações dos pontos fracos do governo e escreveu panfletos. Ele conheceu uma mulher chamada Nadezhda Krupskaia, que mais tarde se tornaria sua esposa, em um dos grupos.



4 de jul. de 2011

Hugo Chávez en Venezuela (Video)



Al filo de las 7:30 am (hora de Caracas, 8:00 pm en La Habana) el presidente Chávez envió a sus seguidores en Twiter el mensaje que enunciaba que había llegado a Venezuela.

@chavezcandanga: Aquí estoy pues, en casa y muy feliz!! Buenos días mi Venezuela Amada! Buenos días pueblo amado! Gracias Dios Mio! Es el inicio del Retorno!

19 de mai. de 2011

Com presença de Lula, Foro de SP debate novos rumos da esquerda


Do Vermelho - 19.05.2011

Desafios para a esquerda na América Latina, crise do capitalismo, guerra na Líbia, crescimento econômico da China e imperialismo dos Estados Unidos são alguns dos temas que serão abordados na 17ª edição do Foro de São Paulo. O encontro começa nesta quarta-feira (18) em Manágua, Nicarágua, e vai até sexta (20).
Um dos principais assuntos discutidos será a integração latino-americana e caribenha, já que o encontro está programado para as vésperas da criação e consolidação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Caracas, na Venezuela. 
A reunião aproveitará o ano em que o país comemora o 32º aniversário da Revolução Sandinista – quando a oposição organizou constantes protestos contra a ditadura de Anastácio Somoza. A campanha, liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), levou à derrota militar da ditadura em 1979. Com isso, os esforços da FSLN, que governou de 1979 até 1990, levaram a sociedade a uma reforma econômica, fazendo o país adotar diretrizes de esquerda no governo.
Haverá, dentro da programação, exposições de representantes do governo nicaraguense e exibição de documentários da Frente Sandinista de Libertação Nacional. Está prevista uma exposição de Iván Acosta, vice-ministro da Fazenda da Nicarágua, e de Paul Oquist Kelley, secretário privado para Políticas Nacionais da Nicarágua, sobre as realizações do governo de Reconstrução e Unidade Nacional.
No evento de três dias, que terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se discutirá também a crise internacional do capitalismo, o “contra-ataque” da direita na América Latina e no Caribe, e os desafios atuais das esquerdas populares na região. As informações constam no documento de base elaborado pelo Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo.
“Em relação à Líbia, embora existam diferentes opiniões sobre o conteúdo do governo (de Muamar Kadafi, é fundamental uma rejeição categórica contra a ingerência externa, intervenção militar e contra os riscos à soberania nacional líbia”, indicou o documento.
Além disso, serão discutidas as manifestações populares na Tunísia, Egito, Bahrein, Omã, Iêmen e Marrocos, que “dificultam o exercício da hegemonia dos Estados Unidos e Israel na região” e “afetam os preços do petróleo”, de acordo com o documento oficial.
Outro aspecto do debate será a crescente participação chinesa na economia européia, africana e latino-americana, e inclusive na norte-americana. O documento de trabalho indica que o crescimento da China constitui não só um fenômeno econômico, mas tem “projeções políticas e militares que o Foro deve debater com muita atenção”.
A crise internacional do capitalismo e a deterioração da política norte-americana que procura enfrentá-la “lançando mão de sua hegemonia monetária e militar” serão outro tema de discussão no encontro da esquerda continental. Além disso, serão analisados os desafios das esquerdas populares, democráticas, nacionalistas, socialistas e comunistas na América Latina, entre eles, o de “manter os espaços conquistados”, assinala o texto base do Foro.
Espera-se a presença de mais de 80 partidos e organizações de 50 países, segundo o coordenador de evento, Jacinto Suárez, secretário de Relações Internacionais da legenda governista na Nicarágua, FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional). O encontro lembra o 50º aniversário da FSLN e o 116º aniversário de nascimento do herói nacionalista Augusto César Sandino, que inspirou a Revolução Sandinista.
Entre os integrantes do foro estão partidos socialistas e comunistas de diversos países, movimentos como Frente Ampla (Uruguai e Costa Rica) e a Frente Grande (Argentina), Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (El Salvador), Polo Democrático Alternativo (Colômbia), a Frente Nacional de Resistencia Popular de Honduras, Frente Sandinista de Liberación Nacional da Nicarágua e o Partido Comunista Cubano. Do Brasil participam o PT, o PCdoB, o PCB, o PDT e o PSB.
No dia 20, na maior plenária do encontro, o debate girará em torno do tema “Construindo uma mudança de era: o projeto alternativo dos setores populares, progressistas e de esquerda latino-americana”. E na plenária final, serão apresentadas as conclusões de todos os grupos de trabalho.
Antes do evento, três secretarias regionais deverão estar reunidas para discussão, entre elas, a Andino-Amazônica, Cone Sul e Centroamérica-Caribe. Durante o evento, os participantes assistirão ao documentário sobre a história da Frente Sandinista de Liberação Nacional, de acordo com a agenda divulgada.

Do Linha Direta

12 de set. de 2009

Karl Marx, Gênio e Profeta


Por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Karl Heinrich Marx

(1818-1883)

Música: Imagine, de John Lennon



"Uma das mais estranhas ironias da História é não haver limites para os erros de interpretação e as deturpações das teorias, mesmo numa época de acesso irrestrito às fontes; não há exemplo mais drástico desse fenômeno do que o acontecido com a teoria de Karl Marx nos últimos decênios. São constantes as referências a Marx e ao marxismo na imprensa, nos discursos de políticos, em livros e artigos escritos por 'respeitáveis' cientistas sociais e filósofos; no entanto, com poucas excessões, parece que os jornalistas e políticos (especialmente no Brasil) sequer viram de relance uma única linha que seja escrita por Marx (...). Aparentemente sentem-se a salvo em seu papel de peritos no assunto, visto como ninguém com poder e status no campo da pesquisa social contesta suas afirmações ignaras."

Erich Fromm, Psicanalista.


"Marx não é (...) o filósofo da tecnologia. Também não é, como pensam muitos, o filósofo (do estudo) da alienação. Antes de mais nada, Marx é o sociólogo e o economista do regime capitalista. Marx tinha uma teoria sobre este regime, sobre a influência que este exerce sobre os homens e sobre o seu vir-a-ser. Sociólogo e economista do que chamava de capitalismo e das suas transformações, não tinha (e não podia realemente ter) uma idéia precisa do que seria o regime socialista, e (antecipando seu tempo de ciência mecanicista-determinsta) não se cansava de respetir que o homem não podia conhecer o futuro antecipadamente. Não tem fundamento, portanto, perguntar se Marx foi leninista, stalinista, trotzkista, partidário de Gorbatchev ou de Mao. Karl Marx teve a sorte, ou a infelicidade, de ter vivido a mais de um século. Não deu respostas às questões desse tipo, que formulamos hoje. Podemos até fazer estas questões e procurar respondê-las por ele, mas as respostas serão sempre nossas, não dele. (...). Perguntar o que teria pensado Marx significa querer saber, realmente, o que um outro Marx, um Marx do século XX, talvez, teria pensado no lugar do verdadeiro Karl Marx. A resposta contudo, apesar de ser possível, é aleatória e de pouco interesse."

Raymond Aron, Cientista Social.

"A mudança do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico, a tendência crescente do monopólio (em nítido contraste com a pregação de que o capitalismo precisa mesmo é de competição), a desigualdade mundial, o declínio da alta cultura (agora simplificada e de domínio global), a formação de um mercado sem fronteiras, toda essa realidade já se prenunciava nos escritos de Marx."

Carlos Haag, Analista econômico do periódico Valor Econômico

"(...) Sem medo de erro, pode-se afirmar de imediato que, depois de Marx, é impossível o retorno à ciência social pré-marxista. Marx deu à humanidade olhos novos para que ela pudesse ver de modo diferente o mundo e a história dos homens. A influência do fator econômico sobre os fatos humanos não é invenção de sonhador."

Giovanne Reale e Dario Antiseri, Filósofos e Historiadores.

Como fica claro nos pensamentos, acima transcritos, de alguns dentre tantos famosos pensadores de nosso século que compreenderam o impacto da obra de Karl Marx, a filosofia e a ciência deste alemão universal, ao mesmo tempo que representa um dos mais agudos gritos contra o processo de coisificação, mecanização e alienação do homem pelo homem, contra sua perda de humanidade e sua transformação em objeto explorado, foi igualmente submetida a distorções, vilipêndios e manipulações - intencionais ou não - por parte dos pró-marxistas e dos não-marxistas, cada um tentando utilizar-se de Marx de acordo com sua própria e mesquinha visão de mundo. Talvez somente uns poucos, como o gênio Charlie Chaplin em seu filme Tempos Modernos, tenham tido um melhor insight sobre a mensagem de Marx do que muitos dos auto-intitulados marxistas militantes ou dos antimarxistas.

Esta página, é claro, não tem a prentensão de expor Marx tal qual ele é... Para isso seriam necessários muitos megabytes de informação e um conhecimento tão ou muito mais enciclopédico e imparcial do que teria tido o próprio Karl Marx. Nem pretende demonstrar nada. Visa apenas apresentar resumidamente o homem Marx, a originalidade e o humanismo de sua obra e o seu inconteste impacto em todo o século XX, em acordo com autores mundialmente reconhecidos como estudiosos íntegros do pensamento marxiano, como Erich Fromm, por exemplo. Porém, mais do que tudo, esta página representa a minha leitura de Karl Marx a partir do próprio Karl Marx, especialmente o jovem Marx dos Manuscritos Econômicos-Filosóficos de 1844.

O Homem Marx

Karl Heinrich Marx nasceu na Alemanha, em 15 de maio de 1818, na pequena cidade de Treves, filho de um advogado de origem judáica, Heinrich Marx, e de uma dona-de -casa, Henriette Pressburg.

O jovem Karl, sob o incentivo intelectual do pai, realizou os seus estudos básicos em Treves seguindo, posteriormente, para Bonn, cidade natal do grande compositor Ludwig van Beethoven, para estudar Direito. Karl, como a maioria dos jovens de todos os tempos, preferiu mergulhar no clima boêmio da cidade, imersa nos ideais do romantismo idealista de Schelling, Goethe e outros, que a se dedicar seriamente aos estudos das Leis. Por isso seu pai o transferiu para uma universidade mais disciplinada em Berlim, em 1836.

Ainda neste ano, o romântico Marx se apaixona e noiva secretamente com uma das mais belas mulheres de Treves, e tão jovem e idealista quanto ele: Jenny von Westphalen, cujo irmão, Ferdnand, seria ministro do Interior da Prússsia posteriormente. Marx casou-se com ela, finalmente, em 1843.

Em Berlim, Karl seguiu com destaque os cursos disciplinares e frequentou o "Doktor-Club", círculo de jovens e brilhantes intelectuais hegelianos. Lá eles discutiam a filosofia de Hegel e outros filósofos românticos. Em 1841, Karl laureou-se em filosofia.

Depois de formado, Karl tentou seguir a carreira acadêmica na universidade de Bonn com a ajuda de seu amigo, o teólogo Bruno Bauer. Mas este era considerado um teólogo progressista e ousado demais, e foi logo afastado da universidade, frustrando os anseios de Marx. Sem poder seguir seu sonho, Marx se dedica ao jornalismo, sendo o redator da "Gazeta Renana", órgão de concentração dos intelectuais da região. Logo Marx seria promovido a redator-chefe. Porém, como quase sempre ocorre, a força intelectual do jornal acabou por incomodar muitos 'poderosos' (o jornal não era governista nem mercantilista como boa parte da mídia popularesca do Brasil) e, após inflamar os ânimos da burguesia latifundiária tradicionalista de parte da Prússia, foi oficialmente interditado em janeiro de 1843.

Nesse mesmo período, a imensa produção intelectual de Marx estava em pleno vapor, mesmo que, no global de sua obra, estivesse ainda em seu início. Estudioso de Feuerbach, Marx escreve em 1843 a Crítica do direito público de Hegel, da qual a introdução foi publicada em Paris no ano sguinte por Ruge, nos "Anais Franco-Alemães", do qual Marx seria, a convite de Ruge, co-diretor. Na cidade Luz, Marx entrou em contato e foi bem recebido por vários grandes intelectuais como Proudhon, Blanc, Heine, Denizard Rivail, George Sand, Bakunin e, sobretudo, o seu grande amigo e colaborador de toda a vida, Friedrich Engels. Porém, mais uma vez, a ousadia e o impacto dos "Anais" acabaram por decretar o seu próprio fim, tendo sido publicado apenas um volume.

Marx, porém, com a ajuda de amigos da cidade alemã de Colônia, prosseguiu sua incansável pesquisa em filosofia e economia política. Foi nesta época que ele escreveu talvez a sua obra mais importantes antes de O Capital e, em muitos pontos, mais transparente e acessível ao pensamento de Marx que sua obra irmã posterior: Os Manuscritos Econômico-Filosóficos. Karl também contribuia com artigos políticos para o jornal dos artesães alemães, o Vorwärts. Como este jornal tinha uma linha crítica-socialista e os artigos de Marx eram muito brilhantes, e como o jornal era lido por várias outras pessoas além dos artesãos a quem se dirigia, especialmente estudantes, a colaboração de Marx acabou por inflamar mais uma vez os ânimos farisáicos do poderosos de todos os tempos, e Karl foi expulso da França em janeiro de 1845.

Passando a residir na Bélgica, Karl e Engels passam a aprofundar ainda mais seus estudos, com o apoio terno de Jenny. Em janeiro de 1848, Marx e Engels redigem o famoso e ainda altamente atual - em sua visão crítica do capitalismo - Manifesto Comunista, a pedido dos membros da "Liga Comunista" de Bruxelas. Com os movimentos sociais de 1848 na França, Marx volta a Colônia, na Alemanhã, onde tentar novamente o jornalismo. Posteriormente, depois de lhe ser negada permanência em Paris, Marx vai para Londres, em 1849, onde permancerá até sua morte.

Na capital do Reino Unido, Marx passa por toda sorte de dificuldades, mas com a ajuda de Engels e de seus artigos para vários jornais, Karl consegue se dedicar e aprofundar-se nos estudos de economia política, sociologia e história de tal modo que seu conhecimento e argumentação impressionam a todos os que o conhecem. Desta são as sementes que mais tarde iriam eclodir em O Capital, cujo primeiro volume, redigido por Marx, veio à luz em 1867, sendo os outros dois compilados por Engels a partir das notas originais e publicados após a morte de Karl, em 1883.

Dedicado quase que obsessivamente na atividade de organização política do movimento operário, Marx funda em Londres, em 1864, a "Associação Internacional dos Trabalhadores".

No período posterior, Marx se dedica febrilmente ao trabalho. Em 1881 morreu sua terna e doce companheira e grande incentivadora, Jenny. Semi-solitário, mas muito ativo, Marx finalmente expira em 14 de março de 1883.

Originalidade e Importância da Obra de Karl Marx

Que Karl Marx foi um gênio quer da Filosofia, quer da Sociologia, quer da Crítica da Economia Política, isso poucos ousam questionar, embora muitos - em especial os críticos que nunca o estudaram - costumem apontar "falácias"; aparentes em sua obra.

O grande problema, porém, surge quando o seu legado passa a ser 'apropriado' por seus seguidores e admiradores, ou mesmo - e principalmente - pelos seus inimigos (muitos e poderosos). Mas este é exatamente o mesmo problema que ocorre no legado de outros grandes homens, como Sócrates ou Cristo, muito em especial quando tentam institucionalizar e dogmatizar sua herança. Cristalizar e dogmatrizar a obra de Marx em catecismos rígidos é violentar e demonstrar alta ignorância da própria essência do mestre. Ao contrário da tradição filosófica alemã, eminentemente idealista e sistêmica, Marx não construiu nem pensava em uma nova filosofia de sistema que pretendesse ser uma representação acabada do mundo. Como bem aponta Denis Collin, em Marx, a filosofia é uma atividade essencialmente crítica. Crítica mesmo da inversão dos elementos da filosofia que costumam substituir o homem vivo por representações descarnadas ou racionalizadas dele mesmo e, em especial, crítica da Economia Política, das teorias clássicas da Economia que pretendem explicar como naturais e permanentes as conflitantes relações de produção do capitalismo que, de fato, são apenas frutos das relações de trabalho entre os homens vivos, algns que detêm os meios (terras, máquinas, capital) e outros que vendem sua capacidade de trabalho (a imensa maioria), homens que lutam pela sua existência e que, além da luta pelo básico, querem amar, ter filhos e criá-los diante de determinado período da História. Esta crítica é a fonte da atualidade de Marx e permanece uma ação sempre viva de rejeição de um mundo de consumismo exacerbado que personifica as coisas, endeusa o mercado e reifica/coisifica os homens. Compreender Marx não é, portanto, tentar retomar este movimento crítico, este questionar sobre um tipo de ação e pensamento que transforma o mundo em um lugar estranho ao homem e à vida, em geral.

Também o chamado “materialismo” de Marx é um ponto pouco entendido – mais freqüentemente, imensamente mal entendido. O materialismo de Marx é, em sua crítica filosófica e social, um anti-idealismo que, nos sistemas filosóficos e econômicos, tomam o genérico e o mercado como sujeito e as pessoas, como meros predicados destes pretensos universais. Não se trata de um materialismo ao modo vulgar ou no estilo do atomismo de Demócrito, mas da desconstrução das generalidades algo vazias dos conceitos da filosofia política. Assim, o Estado não é um ente, uma Idéia platônica a existir a priori, mas é, sim, um estrutura complexa que, na verdade, reflete o trabalho e a ação de homens vivos. Assim, o materialismo em Marx consiste em que ele rejeita a transformação e conceitos abstratos como “Estado”, o “Homem genérico”, a “mão invisível do mercado” como sendo realidades existentes por elas mesmas. Assim, a “matéria” do dito “materialismo” de Marx é constituída pela ATIVIDADE prática de pessoas vivas. Não há algo como uma demonstração do primado da matéria sobre o espírito – isso é uma interpretação vulgar e falsa do marxismo -, mas a do primado, ou seja, do destaque de que as pessoas valem por si e são muito mais que as representações racionais ou conceituais que se fazem sobre elas.

Isso nos remete imediatamente à questão do problema da religião em Marx. Seguindo seu método, Marx vê na Religião o reflexo do que está nos anseios das pessoas. Estes anseios podem levar a uma busca de concretização espiritual ou, ao contrário, dependendo de quem está no poder, a uma espécie de fanatismo tirânico incapaz de suportar qualquer visão de mundo diferente da sua e estimula seitas que perpetuem o mundo em que domina. Isto é fato e é atual. Basta ver o discurso fundamentalista e messiânico de Bush ou ligar a televisão à noite para se notar que a segunda modalidade de atividade ganha da primeira. Infelizmente, a fácil teologia de mercado midiático suplantou a sensível Teologia da Libertação. Assim temos o democrático e ecumênico “Encontro para a Nova Consciência” sendo atacado violentamente por um suposto “Encontro para a Consciência Cristã” evangélico e politicamente poderoso, etc. Mas, embora a famosa frase “a religião é o ópio do povo” seja usada fora de contexto e recortada do texto em que está muitas vezes de má fé por simpatizantes e críticos de Marx e da Religião institucionalizada, o que o pensador quer dizer de fato, está contida linhas acima desta finalização tão conhecida encontrada no texto da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel: :

“ “O homem faz a religião, não é a religião que faz o homem. A religião é, na realidade, a consciência e o sentimento próprio do homem que, ou não se encontrou ainda, ou já se perdeu de novo. Mas o homem não é um ser abstrato, exterior ao mundo real. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Esse Estado, essa sociedade produzem a religião (....)

“A religião é a teoria geral desse mundo, seu compêndio enciclopédico, sua lógica sob forma popular, seu ponto de honra espiritual, seu entusiasmo, sua sanção moral, seu complemento solene, sua razão geral de consolo e de justificação (...)

“A miséria religiosa é, de um lado, expressão da miséria real e, de outro, protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida pela infelicidade, a alma de um mundo sem coração, e é o espírito de uma época sem espírito. É o ópio (ou seja, a anestesia diante da crueldade de um mundo 'coisificado') do povo”.

Ainda hoje, mais de um bilhão de seres humanos vivem e são educados naquilo que se chama erroneamente de marxismo (China, Cuba). Porém, há décadas que se sabe que este marxismo não é a proposta social de Karl Marx, e tal qual ele se apresenta, há pouco de Marx e muito de outros, ou seja, está altamente contaminado. Na verdade, o tipo de governo socialista da Noruega, Suécia e Suíça estaria, em análise, mais perto do ideal socialista ( e de fato, os dois primeiros países constituíram seus governos dentro de um modelo socialista) do que de alguns países ditos “comunistas”.

Este "marxismo" de estado é uma vertente interpretativa do pensamento de Marx e dificilmente seria aceita por ele, mas, infelizmente, se tranformou numa ideologia rígida dos chamados países comunistas e foi, também, apropriada e altamente cristalizada tal como hoje se apresenta, calculadamente, pelos ditos capitalistas, sendo usada como arma para manter, por ambos os blocos, seu poder. De qualquer forma, não há que se negar que mesmo nestes países as conquistas sociais foram inúmeras. Dentre os bilhões de habitantes da China, quase ninguém passa fome, e em Cuba, apesar de um embargo econômico criminoso da superpotência dominante de mais de 40 anos contra a ilha indefesa, todos têm direito à educação, moradia e um dos melhores sistemas médicos do mundo. De qualquer modo, o poder intelectual de Marx abriu os olhos do ocidente para verdades terríveis de um modo de produção que explora e aliena o ser humano (para uma maior e melhor comprensão histórica da mecânica capitalista, veja-se o texto "Capitalismo, O Sepulcro Caiado"). De fato, tal foi a força e alcance de sua mensagem, que uns o usaram para obter o poder a qualquer custo, e outros, assustados com seu afiado bisturi, calculadamente deturparam suas idéias, inclusive falando as mais absurdas bobagens. Só um imbecil poderia responsabilizar Marx por desmandos de governos ditos "comunistas", do mesmo modo que só um imbecil poderia responsabilizar Jesus Cristo pela Inquisição ou pelo mercantilismo alienador de algumas seitas evangélicas. Talvez este imbecil seja educado pela Rede Globo ou pela sórdida Revista Veja (clique aqui para assistir ao video "Midiatrix", uma sátira a estes dois veículos de comunicação ideológicos). Por sinal, não faltaram televangelistas e radioevangelistas que chegassem a comparar Marx ao próprio Diabo, e incentivaram bastante as intervenções do imperialismo em vários países, usando e abusando da máquina de guerra para dizimar populações inteiras (em especial as que tenham escolhido a via socialista) e garantir os interesses comerciais, numa prática bastante sutil e bem própria do "amai-vos uns aos outros".

Como bem observa Francis Wheen:

A história do século XX é um legado de Marx. Vários ícones e monstros da era moderna se apresentam como seus herdeiros. Mas, se ele os reconheceria como tais, já é outra história. Mesmo durante a sua vida, as momices de pretensos discípulos costumava levá-lo ao desespero. Ao tomar conhecimento de que um novo partido francês se dizia marxista, ele respondeu que, neste caso, "Eu, pelo menos, não sou marxista". Não obstante, menos de cem anos depois de sua morte, metade da população mundial era dominada por governos que professavam ter no marxismo seu credo norteador. As idéias de Marx transformaram o estudo da economia, da história, da geografia, da sociologia, da filosofia e da literatura. Desde Jesus Cristo, nenhum pobretão obscuro havia inspirado tanta devoção global - ou sido tão calamitosamente mal interpretado.

Não podendo abarcar toda o alcance e extensão da obra de Marx, que é um dos pais da Sociologia e presença obrigatória nos cursos de História e Filosofia, podemos começar dizendo que o pensamento de Marx é, fundamentalmente, uma tentativa de compreensão da sociedade capitalista, onde uma minoria (os capitalistas) dita as regras para o viver e o pensar de uma maioria (os trabalhadores). Marx se dedica analisar as contradições entre estas duas classes. A distância imensa e o desequilíbrio entre os que detêm os instrumentos para a produção, como máquinas e equipamentos vários, e a terra (meios de produção) e os que nada têm a não ser sua força de trabalho (os assalariados, empregados e operários), constituindo duas classes básicas e cada vez mais polarizadas no sistema capitalista, é o que salta aos olhos nos primeiros estudos de Marx. A tensão entre estas duas classes, que a cada dia parece aumentar - mesmo que tacitamente - agora pode se mostrar em sua frieza já que não parece mais existir a ameaça socialista, desde o fim (há décadas buscada e aspirada pelas potências do Lucro) da União Soviética - e tal fim é amplamente propagado pelos meios de comunicação responsáveis pela divulgação da ideologia (visão de mundo) mais favorável ao capitalismo, e este pode agir como bem quiser, sem que haja o contrapeso 'marxista' para equilibrar seus exageros.

Cabe aqui uma reflexão do Psicólogo e Direitor da UNESCO para a Educação para a Paz, Dr. Pierre Weil:

NEOCAPITALISMO OU NEOFEUDALISMO?

Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: À medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos, do primeiro mundo.

As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.

Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.

Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.

A história se repete, mas com diferenças referentes à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?

Pierre = Weil

" "A história de toda a sociedade humana, até nossos dias, é a história do conflito entre classes, especialmente de uma minoria que explora uma imensa maioria. Entre o homem livre e o escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de ofício e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos se encontram sempre em conflito, ora disfarçada, ora abertamente, e que termina sempre por uma transformação revolucionária de toda a sociedade, ou então pela ruína das diversas classes em luta".

Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto Comunista, 1848.

Ora, hoje a exploração unilateral das grandes multinacionais tem um braço armado na maior potência mundial dos dias de hoje, e uma ideologia mecanicista e intelectualista que constrói artificialmente toda uma visão de mundo adequada à exploração natural e humana leveda às últimas conseqüências. Como "neoliberalismo" e "globalização" são duas palavras fabricadas para maquiar a velha exploração, usura e roubo, vejamos o que sobre isso nos diz o jornalista Sebastião Nery:

Agiotas globalizados


Eles são satânicos. Alugam, compram, corrompem a imprensa, economistas, analistas, assessores e consultores, inventam e impõem palavras novas para tentar disfarçar velhos crimes deles contra a humanidade. Colonialismo virou imperialismo, depois mundialização e afinal globalização. Desde a Bíblia, agiotagem era usura. Virou banca, investimento financeiro, agora é rentismo. Está todos os dias nos colunistas venais. Rentista é o agiota com a fatiota de patriota para enganar a patota idiota.



Portanto, para Marx, o que vemos constantemente na história humana é uma luta entre setores opostos, classes antagônicas, que, em seu processo de interação, buscam uma solução para as tensões econômicas resultantes de suas diferenças. E a sociedade atual capitalista, a sociedade da globalização econômica, não é diferente, ou é até ainda mais explicitamente antagônica do que a de outros tempos.

Na verdade, a imensa maioria da população mundial depende de uma ridícula minoria para sobreviver. Esta detêm os meios de produção, ou seja, dos meios físicos necessários à produção (terra, maquinários, ferramentas, máquinas, instalações, etc.) que são inacessíveis ao homem/mulher comum, que não tem outra coisa para "vender" a não ser sua própria força de trabalho, que é considerada pelo capitalismo mais uma mercadoria, e cada vez menos valorizada.

Fala Marx em seus "Manuscritos Econômico-Filosóficos":

"Os salários tem parte de seu valor determinado pelo conflito entre o capitalista e o trabalhador. Neste, o capitalista sempre vence, impreterivelmente. Ele, afinal, pode viver mais tempo sem o trabalhador do que este sem aquele". Ora, desta forma, a pessoa do trabalhador passa a ser tratada como uma mercadoria ambulante - ou até menos que isso, já que a mercadoria "morta" não faz exigências por melhores condições de vida, e ainda pode ser vendida passivamente por um preço muito acima do que foi gasto em sua produção, dando bastante lucro. Ainda hoje, na contabilidade, o pagamento de salários não é registrado como investimento na produção, mas sim como "despesa".

Ora, o capital e seu sistema nada mais são que uma busca obsessiva pela acumulação crescente dos frutos do trabalho alheio (ao operário que produz algo é negada muitas vezes a possibilidade de poder comprar este mesmo algo que produz), o que implica que - ao menos na fase de expansão capitalista do século XIX (já que a de finais do século XX ficou escandalosamente pior com a globalização) - o crescimento econômico de um país se dá por um crescendo de alienação "quando uma quantidade cada vez maior dos frutos ou produtos produzidos do trabalhador lhe são retiradas, quando seu próprio trabalho o confronta crescentemente como propriedade alheia, e quando seus meios de vida e de atividade concentram-se cada vez mais nas mãos do patrão capitalista". Francis Wheen compara tal fato ao modo ocorrente em que "uma galinha inteligente (se existisse essa criatura improvável) teria a suprema consciência de sua impotência no auge da sua vida produtiva, ao por uma dúzia de ovos com o suor e a dores de seu corpo e vê-los surrupiados ainda quentes por quem nem de longe participa diretamente de sua produção".

Ora, numa nação onde há prosperidade econômica, há também uma crescente concentração de capital e de poderes ao seu redor junto com uma competição mais intensa, não só entre capitalistas, como também entre os trabalhadores, pelo inchamento de oferta de mão-de-obra jovem ávida por salários num mercado cada mais restrito. Continua Marx: "Os grandes capitalistas arruínam os pequenos, por absoluta impossibilidade destes fazerem frente economicamente àqueles, e uma parcela destes pequenos empresários mergulha na classe trabalhadora comum, a qual, em vista desse aumento de seus integrantes, sofre uma nova depressão salarial (o aumento do exército de desempregados é usado como motivação para se reduzir salários dos operários na ativa) e torna-se ainda mais dependente das decisões do punhado de grandes capitalista que, em sua busca do maior lucro no menor tempo possível, dão de cima para baixo todas as condições e exigências aos quais o trabalhador não tem outra escolha senão a de submeter-se. Como o número de capitalistas diminui diante dos grandes cartéis e monopólios multinacionais, praticamente deixa de existir entre eles uma competição pelos trabalhadores, que em se apresentando em grande número, acaba por constituir-se em um contingente muito maior que a da oferta de empregos. Ora, sendo cada vez maior o número de trabalhadores, ano após ano aumenta a competição entre estes por uma vaga de trabalho, a batalha por um lugar torna-se ainda mais considerável, ANTINATURAL, DESUMANA E VIOLENTA". Quem não consegue emprego - e as exigências do deus "mercado"para tanto são sempre crescentes - precisa sobreviver de alguma forma. Quem nada tem, nada tem a perder a não ser a vida, daí o surto de violência urbana contemporânea - sem esquecer que se existem traficantes bem equipados, grande parte do dinheiro que eles conseguem advêm da própria burguesia viciada que os sustenta. Mas quem consegue trabalho, nem por isso está em uma situação maravilhosa com melhores condições de dignidade humana. Este processo - que têm a frieza da lógica cartesiana dos gráficos da economia - aponta que, mesmo entre as economias mais propícias, e, ainda mais, como no caso do Brasil, nas economias "capengas", as únicas conseqüências para o infeliz trabalhador são, além do sentimento de "coisificação" e redução de homem em apêndice da máquina - um apêndice, de resto, descartável - é "o excesso de trabalho e a morte prematura, o estresse, o mal-estar, a redução à condição de máquina, a escravização ao capital". Isto foi escrito em 1848, mas Marx vai mais além, parecendo estar observando o século XX do pós-guerra: "Uma vez que o trabalhador é reduzido a uma máquina, a máquina em si pode confrontá-lo na condição de concorrente".

O processo, porém, chega a um ponto calamitoso quando os grandes monopólios produtivos e financeiros extrapolam seus países de origem e buscam consumidores em outra países, impondo toda uma cultura de consumo pelo consumo visivelmente suicida, já que esgotam os recursos naturais e humanos do planeta a uma taxa sempre crescente e irreversível. Fala Marx em O Manifesto Comunista o que todos os ecologistas dizem hoje em dia: "Pela exploração do mercado mundial, a alta burguesia imprimiu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países". Comenta Francis Wheen que "enquanto importa artigos exóticos, a burguesia impinge seus próprios produtos, gostos e hábitos a todas as outras pessoas". "Numa palavra", no dizer de Marx, "ela cria um mundo à sua própria imagem", sem se perguntar se o "MUNDO" natural agüenta toda essa imbecilidade. "Para reconhecer a veracidade disso", comenta Wheen, "basta visitarmos Pequim - a capital de uma nação declaradamente comunista -, onde o centro da cidade assemelha-se agora, estranhamente, a uma rua movimentada dos Estados Unidos, com lojas do McDonald's, da Monsanto, da Kentucky Fried Chicken, da Haagen-Dezs e do Pizza Hunt, sem falarmos das filiais do Chase Manhattan Bank e do Citibank em que se depositar os lucros".

Marx previra em vários de seus trabalhos, e em particular em "O Capital" - um dos livros mais importantes (e paradoxalmente um dos menos lidos na íntegra), e ainda menos compreendido - e por isso mesmo tão amplamente descartado pelos "intelectualóides" neoliberais da moda e outros ainda piores - dos últimos trezentos anos, que o amadurecimento do grande capitalismo de oligopólios e monopólios internacionais provocaria crises e recessões econômicas periódicas e sempre mais graves, uma dependência crescente da tecnologia que aumenta a produção e o desemprego e cujo mal uso causa a maior parte dos crimes ecológicos atuais, bem como o crescimento anti-natural, qual imenso Leviatã saturnino a devorar seus "filhos", de empresas transnacionais poderosas que, qual imensa aranha, projeta suas teias pegajosas aos quatro cantos do mundo, na sua insaciável e sempre exponencial fome de novos povos a explorar. E o que tem sido toda a história do século XX, incluindo duas Guerras Mundiais e centenas de outras menores mas não menos assassinas (Vietnã, Coréia, Guerra-Fria, "Tempestade no Deserto", etc.) senão a expressão da fúria por mercados, povos ou áreas com recursos naturais necessários ao deus "capitalismo"? E a dominação mundial da McDonald's e da Microsoft? E o desemprego endêmico na hoje ex-potência econômica que é o Japão? E pior, com a revolução tecnológica que "deveria" facilitar a vida do homem, o que se tem acrescido é um número maior de exigências físicas, financeiras e intelectuais que tomam todo o tempo e forças do homem, tornado as 24 horas do dia muito pouco tempo para o tanto de exigências que se abatem sobre um trabalhador que tenta, mais que viver, sobreviver, sacrificando horas valiosas que poderiam ser usufruidas na companhia dos filhos, dos amigos e da auto-instrução, no que a professora, filósofa, editora, conferencista e escritora brasileira Rose Marie Muraro chama de "a espiral enlouquecida". Mas há mais de cem anos Marx já tinha plena consciência de para onde caminhava o capitalismo e seu incentivo no progresso tecnológico, que ao invés do que nos fazem crer, tem menos a ver com o conforto humano que com a produção de lucros para os vampiros do capital, como encontramos em O Capital :

"Os meios pelos quais o capitalismo aumenta a produtividade distorcem o homem comum trabalhador em um fragmento de homem, rebaixam-no ao nível de apêndice de uma máquina, destroem o conteúdo real de seu trabalho, transformando-o num tormento cheio de exigências a serem cumpridas; alienam dele as potencialidades intelectuais do processo de trabalho, na mesma proporção em que a ciência é incorporada neste como uma força independente, de pessoas pagas para pensarem pelas demais; deturpam suas condições de trabalho e o submetem, durante o processo de trabalho, a um despotismo que é ainda mais odioso por sua mesquinhez; transforma-lhe a vida em horário de expediente e atiram sua esposa e filhos sob as rodas do carro de Jagrená do capital (...). A acumulação da riqueza num dos pólos, portanto, é, ao mesmo tempo, a acumulação da miséria, a tortura do trabalho que deveria ser um lazer e fonte de satisfação pessoal, a escravidão intelectual e física, a ignorância, a brutalização e a degradação moral no pólo oposto".

Mas isso pode se dar com características bizarramente caóticas em um mesmo país, no qual sua burguesia ajuda a importar valores e estilos do chamado "Primeiro Mundo" para atrair recursos e capitais externos, piorando a situação econômica interna.

Senão vejamos: no Brasil existe ou subsiste ainda uma forma bastante primária de capitalismo no Nordeste. No Sul, existe uma forma mais sofisticada, onde uma burguesia industrial e agrária convive com uma burguesia insdutrial internacional que impõe modelos de consumo e comportamento. Estes membros formam a força economicamente privilegiada da nação por deter em suas mãos os meios técnicos e físicos para a produção econômica. E para manter indefinidamente seu poder, é necessário resguardar sempre o domínio destes meios de produção o que é feito mediante o aperfeiçoamento técnico dos mesmos, daí a ênfase e o apóio nas chamadas ciências técnicas: engenharia mecânica e elétrica, computação, etc. Marx fala que "a burguesia não pode subsistir sem transformar os instrumentos de produção e, portanto, as relações de produção (ou seja, a forma como se dá a relação entre as máquinas e as pessoas que trabalham com elas), o que implica na transformação do conjunto das condições sociais (...). A burguesia criou forças produtivas mais maciças (por exemplo, as grandes fábricas mecanizadas) e mais colossais do que as que haviam sido criadas por todas as gerações do passado, em conjunto (op.cit). Desse jeito, é incentivado um processo de mecanização e obsolescência, onde instrumentos que deveriam servir como auxiliares e meios (veja-se o caso dos computadores), por serem rapidamente descartáveis, se tornam fins em si, realimentando o processo, matando o emprego e, com este, a dignidade da pessoa humana, que só tem valia se for consumidora.

Surgem assim duas formas básicas de contradição na sociedade capitalista:

1º. Contradição entre os Meios Técnicos e as Relações de Produção. - Os capitalistas, ou seja, os donos daas máquinas, da terra e das fábricas criam ou incentivam a criação incessante de meios de produção mais poderosos, por exemplo, novos computadores que controlam novos robôs, dispensando mão de obra humana e liberando o patrão de pagar os encargos sociais dos empregados. Os desempregados, que se aglomeram nas cidades, acabam formando um exércido de mão-de-obra de reserva que, igualmente, é usado para inibir os operários e empregados que ainda trabalham e que podem ser facilmente substituídos pelos que estão desempregados, caso tentem causar problemas aos patrões. Mas as relações de produção, ou seja, as relações entre propriedade, trabalho e a distribuição das rendas não se transformam no mesmo rítimo, ao contrário, tenta-se sempre deixar aos detentores dos meios de produação todo os direitos que deveriam ser compartilhado com todos, inclusive a renda. Por isso a grande Belíndia (mistura entre Bélgica e Índia) ou o Texas-África que é o Brasil: uma perversa distribuição de renda que se mantêm às custas da alienação política da nação, em grande parte mantida e incentivada pelos meios de comuncação de massa, como a mídia eletrônica que, em nosso país, é praticamente controlada pela Rede "Mundo" de Televisão, surgida na ditadura militar criada com apoio dos EUA em 1964, e sempre governista. Favelas ao lando de grandes prédios... Indústrias no Sul contra o sistema fundiário do Norte, etc. (para um estudo do Golpe Militar de 1964, Clique Aqui).

2º. Contradição entre o Aumento das Riquezas e a Miséria Crescente da Maioria.- Os que não detêm os meios de produção, ou seja, a grandiosa maioria da população, ficam à mercê do que querem os detentores dos meios de produção. Ora, estes querem sempre obter mais lucros e garatir seu poder e padrão de vida, sendo assim, tentam minimizar as despesas com pessoal e manter o controle sobre o pensamento público. Isso aumenta o desemprego e afunila as maravilhas do mundo moderno, como educação e saúde, apenas para quem tem o poder de COMPRÁ-LOS. Empenhados em uma concorrência louca - que transborda as fábricas e rrecai sobre o modo de vida de todos e nas relações entre as pessoas -, os capitalistas não podem deixar de aumentar seus meios de produção e, com isso, ampliar o número de dependentes proletários e sua miséria (veja a Home Page Capitalismo: o Sepulcro Caiado).

Como nos fala Raymond Aron, "o caráter contraditório do capitalismo se manifesta no fato de que o crescimento dos meios de produção em vez de se traduzir pela elevação do nível de vida dos trabalhadores leva a um duplo processo de proletarização (os pequenos agricultores vedem suas terras para procurar empregos nas cidades) e pauperização (crescem os miseráveis nas favelas por falta de emprego)"(Aron, 1993, p. 137).

Sendo assim, o capitalismo alienou, isto é, separou, divorciou o trabalhador comum dos seus meios de produção, pois, por exemplo, um artesão não poderá competir com uma fábrica. Só lhe resta vender sua oficina e ir trabalhar nesta fábrica aceitando as ordens do patrão em troca de um salário pela venda de sua força de trabalho. A industrialização de lucro, a propriedade privada e o assalariamento separam o trabalhador dos meios de produção e do fruto de seu trabalho. Essa é a base da alienação econômica, fortalecida pela alienação cultural (os programas de televisão aos domingos e as redes evangélicas pentecostalistas traduzem bem isto), que ajuda na alienação política.

A alienação política se dá assim: o Estado, que é administrado pelos políticos eleitos, é mantido pelos que são eleitos devido não ao debate de idéias ou presença de competência mas, na maioria das vezes, à manipulação da propaganda e dos meios de comunicação, às custas do abuso do poder econômico. Nisso, então, a Democracia passa a ser uma farsa, pois os direitos não são iguais entre os candidatos. O Aparentar, o Parecer suplanta o Ser. Basta ver o modo tendencioso da Rede "Mundo" de televisão nas últimas três primeiras eleições presidenciais no Brasil para se ter uma idéia disso (a mesma poderosa organização da mídia eletrônica ajudou a eleger Collor de Mello e o acompanhava todos os domingos na sua marotona calculada na Casa da Dinda para, para, posteriormente, descartá-lo do cenário político quando seus interesses começaram a ser ameaçados pela mediocridade deste primeiro Dom Fernando). Assim sendo, os que estão no poder não representam o povo em si, mas a CLASSE ECONÔMICA DOMINANTE, ou seja, a dos grandes empresários, banqueiros latifundiários e entidades internacionais. FHC e ACM são os dois ícones máximos dessa representatividade elitista (e, agora, por cúmulo do paroxismo esquizfrênico, o próprio "Príncipe Operário", que transformou, ao chegar ao Poder, a esperança de um Partido dos Trabalhadores em um pesadelo dirigido por um Partido de Traidores).

Os programas de comunicação de massa refletem bem essa ideologia do poder de um determinado grupo. A revista "Observe", por exemplo, juntamente com a Rede "Mundo" de Televisão fizeram e desfizeram tudo o que quiseram para enegrecer Lula (no tempo em que ele e o PT ainda eram - ou pareciam ser - os representantes e o partido dos trabalhadores, o que infelizmente mudou, e muito) e engradecer FHC, o doador-mor das riquezas nacionais à ganância internacional. Esquecendo facilmente que o maior Presidente Norte-Americano, Abrahan Lincoln, era um lenhador sem estudos, o pobre ex-operário (e atual traidor) Lula foi avacalhado diante do nobre Doutor Sociólogo... Hipocrisias que trazem os frutos para que delas usam... Hoje os estudantes universitários são tachados de mal-educados por estes dois veículos de comunicação ao protestarem contra o sucatemento com vistas a privatização das universidades públicas, enquanto FHC é chamado de gentleman mesmo quando chama o povo brasileiro de capira, os aposentados de vagabundos (hoje ele não os chama mais assim, é verdade. Ele apenas age com eles como se realmente o fossem), os sem-terra de maconheiros, etc... Muito imparcial esses instrumentos de comunicação.

Assim, mutilado e alienado econômica e socialmente, o homem só pode se recuperar sua condição humana se despertar e se educar. Educação? No Brasil isso não pode se dar, pois assim muitos iriam despertar para a sujeira política de nosso sistema, iriam ter uma visão crítica de mundo, como sonhava Paulo Freire. Assim, é melhor sucatear a educação pública e as universidades. Só os que têm dinheiro, e são do lado da burguesia dominate, ao menos concordantes com sua idelogia, é que podem e devem ser educados para, assim mesmo, ajudar a manter o sistema. Não é sem luta que os trabalhadores comuns podem burilar a si mesmos.

E, depois de conscientizado e esclarecido, o homem tem de agir politcamente para mudar o quadro de desigualdades. Quando isso ocorre, a tão propalada democracia, especialmente na América Latina, dá lugar ao apóio da burguesia e dos latifundiários ao Golpe Militar ou ao Golpe de Estado, para se proteger da ameaça marxista. Foi assim no Brasil com o infame Golpe de 64, foi assim no Chile, na Argentina.... Fala-se muito das atrocidades dos "comunistas" mas se calam quanto aos porões das várias ditaduras das repúblicas de bananas da América Latina. Ainda pior e quase cômicas são as cruzadas de certos "intelectuais" de direita que, não podendo fazer frente ao poder intelectual de Marx, reconhecido e admirado no mundo todo, menos dos Estados Unidos e - por imitação subserviente - no Brasil, apelam para os maiores absurdos com o aval da mídia comercial, geralemnte aso de grandes conglomerados industriais, para desacreditar os pensadores de esquerda, mesmo os mais úteis ao país, em especial no Brasil. Nomes como Roberto Campos ou do auto-intitulado "filósofo" - e também astrólogo - Olavo de Carvalho (articulista de um império de telecomunicações que põe e tira da presidência quem quer, desde que seja de direita, sob o comando de um nonagenário Cidadão Kane tupininquim, como diz o excelente documentário da BBC Brazil, Beyond the Citizen Kane) já são suficientes exemplos de tais "pseudo-pensadores" ou os poucos privilegiados pelo sistema injusto, tipos M. Kadayan e seus aviõezinhos. Para um aprofundamento desta questão veja a entrevist de Noam Chomsky para a jornalista Regina Zappa, intitulada "Mídia e Poder".

"Mas há um fenômeno que nem Marx nem eu tínahmos previsto: é que, no fim da década de 1990, depois do fim da Guerra Fria e da aparente vitória que para os ricos e bem postos seria a de Deus sobre Satanás, em que um sem-número de sabichões declarara que havíamos chegado ao que Francis Fukuyama chamou, presunçosamente, de o Fim da História, e depois de ter sido descartado pelos liberais da moda, Marx viesse a ser subitamente saudado como um gênio pelos próprios velhos burgueses capitalistas maldosos. O primeiro sinal dessa reavaliação bizarra surgiu em outubro de 1997, quando uma edição especial do New Yorker rotulou Karl Marx de 'o próximo grande pensador', um homem que tem muito a nos ensinar sobre a corrupção política, o monopólio, a alienação, a desigualdade e os mercados globais. 'Quanto mais tempo passo em Wall Street, mais me convenço que Marx tinha razão', disse um rico banqueiro de investimento à revista. ' Estou absolutamente convencido de que a abordagem de Marx é a melhor maneira de pensar o capitalismo'. Desde então, economistas e jornalistas de direita começaram fazer fila para prestar homenagens semelhantes (...)."

Francis Wheen

É essa a mensagem básica de Karl Marx, e a sua grandeza. O conceito de alienação é, para mim, o mais básico e brilhante da teoria marxiana do capitalismo. Em muitos pontos, foi sua bagem humanista e filosófica que levou Marx ao estudo aprofundado da Economia e da História. Marx tinha o que hoje chamamos de consciência sistêmica ou ecológica das coisas, mas não desenvolveu muito - nem poderia com os recursos de seu tempo - um trabalho nesse sentido. Mas ele viu muito à frente do seu tempo. Ele fez muito para uma só existencia e isso já basta. Seu trabalho foi levado adiante em nosso século por nomes como Rosa Luxembrugo, Antonio Gramsci, Pablo Picasso, Frida Kahlo, Edgar Morin, Jean Paul Sartre, Che Guevara, Mário de Andrade, Antonio Houaiss, Paulo Freire, Florestan Fernandes, Barbosa Lima Sobrinho, Chico Buarque de Holanda, Carlos Chagas... E podemos ver que o pensamento marxiano, no que tem de profundamenteo humanista, está concordo com os trabalhos progressistas e profundamente e cristão de Leonardo Boff, Dom José Maria Pires, Dom Hélder Câmara, ou de organizações como Greenpeace, ONGs várias, entre inúmeros outros nomes e associações.

"A alienação imputável à propriedade privada dos meios de produção se manifesta no fato de que o trabalho, atividade essencialmente humana, que define a humanidade (e criatividade) do homem, perde suas características humanas, já que passa a ser, para os assalariados, nada mais que um meio de sobrevivência. Em vez do trabalho ser a expressão do próprio homem, o trabalho se vê degradado em instrumento, em meio de viver.

"Os empresários também são alienados, pois a finalidade das mercadorias de que dispõem não é atender a necessidades realmente sentidas pelos outros, mas são levados ao mercado para obter lucro. O empresário se torna escravo de um mercado imprevisível, sujeito aos azares da concorrência. Explora os assalariados mas nem por isso ele é humanizado no seu trabalho, pelo contrário, aliena-se em benefício de um mecanismo anônimo."

Raymond Aron



Links:

  • A Crise Financeira do "Cassino Global" dos Bancos e Bolsas em setembro de 2008
  • Observatório da Imprensa

  • A hipocrisia do Bradesco com seu "Banco do Planeta"

  • O jornalista Helio Fernandes escreve sobre o desperdício vindo da "doação" da Vale do Rio Doce

  • Os efeitos negativos das reestruturações neoliberais no Banco do Brasil"
  • Quantro Frases sobre Ecologia que Fazem Crescer o Nariz Capitalista
  • A Trajetória da Implantação do Neoliberalismo"
  • A Herança Liberal na América Latina
  • Neoliberalismo X Humanismo
  • Capitalismo: O Sepulcro Caiado
  • Revista Veja: estultícia e Oportunismo
  • Globalização: Genocídio hig tec
  • Cara, Cadê o Meu País?
  • Homenagem à Irmã Dorothy Stang e a Chico Mendes
  • A Luta contra o "Latifúndio" da Mídia
  • A direita Imperialista Norte-Americana de George "War" Bush - A Humanidade Contra o IV Reich
  • O filósofo e linguista norte-americano Noam Chomsky analisa os atos insanos do governo Bush, extensão do governo Reagan e da direita reacionária americana
  • Ronald Reagan "reabilitado" pela morte?"
  • Da criação tática da Guerra Fria à invenção calculada do "Choque de Civilizações"
  • 11 de setembro de 1973: os Estados Unidos apoiam o golpe militar de Pinochet contra o legítimo governo de Salvador Allende
  • Macaquices e americanalhices na inauguração do "Instituto" FHC
  • O Fundamentalismo protestante na Casa Branca
  • Arrogância: Bill Gates ameaça Governo Brasileiro por este dar preferência à softwares livres, como o Linux, que aos produtos Microsoft
  • Os Crimes Assombrosos das Doações-Privatizações das estatais. Quando irão apurar a base maior da Corrupção?
  • Além do Cérebro - Holismo, Ecologia e Psicologia Transpessoal
  • Algumas leituras críticas da Revista Veja
  • A Cruel Sina da Dependência
  • O Vampirismo dos bancos contra o bem-estar de todos
  • O Brasil e o FMI (ou O Brasil no FIM)



  • Bibliografia:

    Aron, Raymond (1993). As Etapas do Pensamento Sociológico. Martins Fontes, São Paulo

    Fromm, Erich (1979). Conceito Marxista do Homem. Zahar Editores, Rio de Janeiro

    Marx, Karl (1997). Manuscritos Econômico-Filosóficos. Coleção Os Pensadores. Ed. Abril, SP.

    Marx, K. & Engels, F. (1997) O Manifesto Comunista. Paz e Terra, São Paulo.

    Marx, Karl (1997). O Capital. Coleção Os Economistas. Abril Cultural, São Paulo.

    Reale, G. & Antiseri, D. (1993). História da Filosofia, volume III. Ed. Paulus, São Paulo.

    Wheen, Francis (2001). Karl Marx. Editora Record, Rio de Janeiro.


    "Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único"

    John Lennon

    4 de ago. de 2009

    Saudades do comunismo - Leandro Fortes

    Búúúú!

    Búúúú!

    Não deixa de ser engraçado – e emblemático – o pavor físico que a presença de Hugo Chávez na presidência da Venezuela provoca numa quantidade razoável de colunistas e analistas de aleatoriedades políticas que abundam na imprensa brasileira. De certa forma, o chavismo veio suprir a lacuna deixada pelo comunismo como doutrina do medo, expediente muito caro à direita no mundo todo, mas que no Brasil sempre oscilou entre o infantilismo ideológico e o mau caratismo. Antes do fim dos regimes comunistas da União Soviética e de seus países satélites, no final dos anos 1980, era fácil compor um bicho-papão guloso por criancinhas, ateu e cruel, prestes a ocupar condomínios de luxo com gente grosseira e sem modos, a mijar nas piscinas e sujar o mármore dos lavabos com graxa e estrume roubado a latifúndios expropriados. Ao longo dos anos 1990, muita gente ainda conseguiu sobreviver falando disso, embora fosse um discurso maluco sobre um mundo que não mais existia. Entende-se: certos vícios, sobretudo os bem remunerados, são difíceis de largar.

    No vasto império da América do Norte, onde o fim do comunismo também foi comemorado como o fim da História, os falcões republicanos perceberam de cara que seria inviável continuar a assustar os eleitores com o fantasma débil e inacabado da ditadura de Fidel Castro, esse sujeito que, incrivelmente, ainda faz sujar as calças dos ruralistas brasileiros e de suas penas de aluguel. Por essa razão, e para manter azeitado o bilionário negócio de venda de armas, os americanos inventaram a tal guerra contra as drogas, cujo resultado prático, duas décadas depois, vem a ser o aumento planetário da produção e do consumo de todo tipo de entorpecente, da maconha às super anfetaminas. O Brasil, claro, embarcou na mesma canoa furada, quando, assim como no resto da América Latina de então, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu militarizar o comando do combate às drogas no país – o que, aliás, não mudou muito. Na Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas (Senad), da Presidência da República, reina soberano, desde o governo FHC, o general Paulo Roberto Uchoa.

    Georg W. Bush usou o medo do terrorismo para também suprir a ausência da ameaça comunista, embora não tenha sequer tido o cuidado de mudar os métodos, baseados na mentira e na tortura, nem sempre nessa ordem. Assim foi, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, com as invencionices sobre as armas de destruição de massa do Iraque e a prisão de Guantánamo, em Cuba, uma espécie de Auschwitz hightech. Ao sul do Equador, consolidou o tal Plano Colômbia, um desaguadouro de dólares cujo pretexto é o combate às drogas, embora qualquer índio isolado da fronteira saiba que o país de Gabriel García Márquez se tornou um estado preposto dos EUA, um Israel sulamericano. No fim das contas, uma estratégia para se opor ao “perigo chavista”, embora não haja nenhum argumento realmente sério que sustente essa novíssima e encomendada paranóia tão bem nutrida pelas elites locais.

    O mote agora, replicado aqui e acolá por analistas apavorados, é a sombra de Hugo Chávez sobre Honduras, onde um golpe de Estado passou a ser descaradamente justificado nesse contexto. Graças aos golpistas, visivelmente uma elite branca e desesperada, como aquela que faz manifestações trajando jogging em Caracas, o chavismo teria sido abortado em Honduras, antes que virasse coisa como a Bolívia, o Equador e o Paraguai – ou seja, repúblicas perigosamente dominadas por governos populares. São os novos comunistas, revolucionários da pior espécie porque, justamente, abriram mão das revoluções para tomar o poder pela via do voto, da democracia. E, pior, muitos são cristãos.

    Quando tucanos e pefelistas se mobilizaram, inclusive à custa de compra de votos, para aprovar o projeto de reeleição de FHC, em 1997, os editoriais e colunas da mídia nacional se desmancharam em elogios e rapapés. Saudaram a quebra da regra eleitoral como um alento à democracia e condição essencial à continuidade do desmonte do Estado e à privatização dos setores estratégicos da economia, a qualquer custo. Quando o assunto é Chávez, no entanto, qualquer movimento institucional, todos previstos nas regras constitucionais da Venezuela, é golpe. Reeleição? É golpe. Plebiscito? É golpe. TV pública? É golpe. Usar o dinheiro do petróleo em projetos populares? Isso, então nem se fala: é mais do que golpe, é covardia.

    As tentativas de re-reeleição de Álvaro Uribe, na Colômbia, contudo, ainda passeiam no noticiário brasileiro como “nova reeleição” do corajoso cruzado contra os narcoguerrilheiros das Farc. No Brasil, a simples insinuação de que Lula pudesse querer o mesmo virou o “golpe do terceiro mandato”. Em Honduras, as multidões contrárias ao golpe contra o presidente Zelaya são chamadas de “manifestantes contrários ao governo interino”. Mais ou menos o que acontece com a resistência iraquiana à invasão das tropas americanas, cujos membros foram singelamente apelidados de “insurgentes” pelo jornalismo nacional.

    Os tempos do anticomunismo eram estúpidos, mas pelo menos a gente sabia do que os idiotas tinham medo, de verdade.

    3 de ago. de 2009

    Trabalho e Capitalismo Contemporâneo: Precariedade Global

    Sucessivos processos de desregulamentação e liberalização da circulação de pessoas, mercadorias e capitais, alargaram, nos últimos anos, o mercado de trabalho do capitalismo global: milhões de trabalhadores da China, Índia e Europa Oriental passaram a participar activamente no mercado planetário de mercadorias e serviços, juntando-se à Europa Ocidental, à Oceânia e à América. A «força de trabalho global» terá multiplicado por quatro nas últimas duas décadas, através do grande aumento das exportações a partir de países que, até há poucos anos, não estavam integrados nos circuitos capitalistas globais. 

    17 de jul. de 2009

    OS RISCOS DA VOLTA DA DIREITA.

    Emir Sader

    Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.

    Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.

    Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.

    É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.

    A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.

    Fonte:Agência Carta Maior.


    Por Carlos Dória - 17.06.09

    16 de jul. de 2009

    A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo

    De Leonardo Boff - 15.07.09

    A nova encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises, que atingem a humanidade e que comportam ameaças severas sobre o sistema da vida e seu futuro, demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia "uma análise concreta de uma situação concreta". Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectiva não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.


    Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permanece principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subtexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central - o desenvolvimento - hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: "correção", não a do profeta:"conversão".

    Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.

    O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente "neutro"como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

    E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transformação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construírem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

    Curiosamente, abstraindo de laivos fideístas recorrentes ("só através da caridade cristã é possível o desenvolvimento integral"), quando se "esquece" do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana.

    Parafraseando Nietzsche: "quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar"?

    [Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005].

    Teólogo, filósofo e escritor

    Fonte: Adital

    31 de mai. de 2009

    Eu não sou do PT, o PT é que é MEU

    Por pouco que esse "trem" não descarrilha de vez da "blogosfera", tamanha a frustração, o desânimo e o abatimento de me sentir persistentemente falando de nós para nós mesmos, escrevendo para o próprio umbigo ou para os umbigos de quem partilha dos mesmos sentimentos e mesmos ideais. Parei por uns tempos e fui visitar e ler o que outros estão pensando por aí. É sabido por todos os "passageiros" de nossas viajens, de que sou assíduo frequentador do blog "Balaio do Kotscho" hospedado no portal IG e que lá por ter um espectro de amplitude maior de leitores e comentaristas é comum me verem metido em "esfregas" e "dedos nas caras" com adversários ideológicos das mais variadas marcas. Tem de tudo, de "raparigas inocentes" a "cachorros loucos indecentes", de "provocadores amestrados" a "dissimulados desavisados", de "metidos a caba hômes" a "boquirrotos menestréis" e de "apenados Serafins" a "arrependidas Jezebéis". Mas lá há também alguns poucos opositores dignos de imenso respeito, de admiração, de honra e que fazem por merecer que construamos uma prazeirosa, gratuita e duradoura amizade. Um desses é o Sr. Manoel Ferreira, ferrenho e teimoso opositor de Lula e do PT, mas que JAMAIS em nossos debates ousou se valer de qualquer ofensa que seja ou de alguma falta de respeito e educação. Defende suas posições com galhardia e "truca" ou retruca com conhecimento de causa. "Mané Véinho", (como de forma carinhosa eu lhe chamo) mora no Vale do Paraíba em São Paulo, é um ex-militar e distinto PROFESSOR de tantos e tantos jovens por este mundão afora, trocamos vários e-mails e com esse meu amigo eu pude saber das tantas batalhas e guerrilhas por que já passou nesta vida (e ainda passa). Gosto muito dele, apesar de enxergarmos o mundo por angulos contrarios e direções antagônicas. Outro dia depois de alguns "bate-bocas estabefados" por lá, ele me repreendeu da seguinte forma:

    -"...Quanta ironia, será que isto não acaba, será que isto que leio é o melhor de vocês?
    Bem o Enio eu já conversei algumas vezes em particular com ele, conheço seu posicionamento e seu comprometimento, mas mesmo assim Enio, isto é o seu melhor? Cara, acredito que você é maior que isto, e maior que o próprio PT, seja SÓ por você Enio, e todos os comentaristas vão te respeitar, esqueça um pouco o partido, seja só você!"

    Parei, murchei as orelhas, refleti, e por ser ele uma extraordinária figura humana e um grande amigo, lhe respondi assim:

    -"Meu Caro Manoel Ferreira
    Sempre digo que a minha participação na area de comentários aqui do nosso Balaio (que é também do Kotscho ) se dá por pura diversão. Não é aqui que faremos qualquer revolução e nem é aqui que elegeremos o melhor destino para o nosso país. Essas questões são muito mais amplas e mais importantes do que os embates do tipo “Fla-Flu” que envolvem de um lado os petistas e de outro os anti-petistas. Concordo com voce que essa inútil troca de farpas e xingamentos nada constrói.
    PORÉM, ACHO EU que o BALAIO DO KOTSCHO é o melhor palco ou espaço da internet hoje em dia para um verdadeiro debate CIVILIZADO de idéias e de propostas ou projetos de país e nação, dada as características e variedades dos temas aqui apresentados (QUE NÃO TRATAM SÓ DE POLÍTICA) que fazem com que as pessoas reflitam, se coloquem e opinem para que todos possam enxergar um pequeno mas significativo RETRATO DO POVO BRASILEIRO. E isso só é possível graças ao talento, a generosidade e a LIBERDADE CONCEDIDA pelo nosso amigo e excepcional jornalista Ricardo Kotscho. As regras (se é que existam) estão bem claras na sua “carta de intenções” apresentada desde o início da publicação deste apaixonante blog. Não estou bajulando ninguém (o Kotscho não precisa), estou constatando FATOS. Aqui não há censura e se eu quiser, todos quiserem, guardadas as boas maneiras, o respeito e a devida educação, “manda-lo pra onde a Luzia ganhou destaque” eu posso, “Yes We Can” e ELE PUBLICA !!! e isso SÓ ACONTECE AQUI !!! (é triste a sina de um blogueiro democratico mas acredito também ser o seu momento mais apaixonante )
    Isto posto, querido "Véinho", aqui pode e acredito que deva ser um maravilhoso palco ou espaço para que haja um GRANDE DEBATE QUALIFICADO para as pertinentes disputas naturais sobre os destinos do nosso amado Brasil. Mas nós constatamos (voce também) que alguns comentaristas insistem em somente agredir e não em debater (voce foge a essa regra) e às vezes um lado acaba, para se defender, agredindo também ao outro e isso não ajuda, não constrói, é realmente tedioso como voce diz e acaba por “sujar” o chão da sala a nós gratuitamente oferecida pelo nosso bom Kotscho (mesmo ele moderando).
    “Mané Véinho”, quantas vezes eu já não escrevi bobagens por aqui e depois me arrependido e até de certa forma me envergonhando por determinadas colocações infelizes? já cheguei até a ser repreendido “justa e justificadamente ” pelo Ricardo pelos meus exageros, mas te digo que jamais foram com a intenção de magoar ou denegrir ninguém, isso não faz parte das minhas maneiras de bem viver, FOI NO CALOR DO FUROR DAS MINHAS IDEOLOGIAS EXÓTICAS. Sou um socialista por instinto e convicção e um solidário por escolha e vocação e acredito na construção de uma sociedade mais justa, humanitária, igualitária e libertária onde as minorias tenham voz e sejam respeitadas e as maiorias sejam dignas de merecimento de louvor até que um dia se torne real a utopia de sermos de um só mundo mas não de uma humanidade só (só, de solitária ao invés de solidária). Onde não hajam mandantes e mandados ou donos de todas as verdades e ouvintes sem expressão. Um mundo melhor onde não haja (aja ) o opressor e não há o oprimido (saudades do Augusto Boal)
    Manoel Ferreira, EU SOU PETISTA !!! E sou petista porque nunca encontrei no nosso Brasil outro partido onde eu pudesse sonhar dos meus sonhos sem os grilhões da imposição de dialéticas que enrigessem almas e entorpecem corações. Encontrei no PT a honra de poder ser companheiro, conviver e aprender com homens como o Perseu Abramo e mulheres como a sua irmã Lélia Abramo. Com homens como o Carlito Maia, que dizia "Eu não sou do PT. O PT é que é MEU !!!", com homens como o historiador Sérgio Buarque de Holanda e o seu filho, o magnífico Chico, com o Florestan Fernandes que foi professor e mestre de FHC sem também nunca possuir “diploma” universitário, era professor da USP por mérito e acumulo intelectual e não por título ou “papel impresso” e o seu mais conhecido aluno negou tudo o que com ele aprendeu e tudo o que depois escreveu. Conheci e convivi no PT com Mário Pedrosa, escritor, crítico de arte e líder socialista; Manoel da Conceição, líder camponês que amedrontou generais e que teve a perna amputada sob tortura; o educador do mundo Paulo Freire (com quem trabalhei no governo Luiza Erundina), Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa, um dos maiores líderes dos movimentos da resistência popular no Brasil (ele era também oficial do Exercito Brasileiro). com o filólogo Antonio Houaiss, com o escritor e pensador Antonio Candido, com Chico Mendes; com o inesquecível compositor Gonzaguinha que nos ensinou “O que é, o que é” A VIDA, com os que se foram e com os que ainda estão presentes na incansável luta por nosso sonho de um Brasil decente e digno. Conheci, ri, chorei e aprendi com o Henfil e fui um dos que sonhou com a volta do seu irmão, o Betinho, eternizados na voz da Elis Regina em “o Bêbado e a Equilibrista”. No PT eu ajudei no que pude ao Herbert de Souza, o Betinho, na formação dos seus “comitês de combate à fome” e "Ação pela Cidadania"em plena adversidade da “Era FHC”, que fazia de tudo para atrapalhar em razão dos seus sentimentos anti-povo e de suas alianças com os “coronéis dos grotões” e toda marca de gente de direita. Enquanto o Betinho em seu santo e incansável trabalho humanitário tentava matar a fome dos brasileiros menos favorecidos, FHC chamava o nosso povo de vagabundo e de caipira. Betinho era segundo ele mesmo, nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico. Por ser hemofílico ELE, E OS SEUS IRMÃOS FORAM ASSASSINADO PELA SAÚDE PÚBLICA comandada por essa gente que nos governava naquela época por conta das suas necessárias e cotidianas transfusões de sangue que garantiriam as suas sobravivências ( não vejo ninguém morrendo de Aids hoje em dia por omissão do governo). Como soropositivo e sabedor da morte iminente ao invés de ir viver o "resto de vida que lhe restava" para seus ultimos prazeres pessoais, ELE FOI TENTAR ACABAR COM A FOME NO BRASIL ATÉ O DIA DE MORRER !!! O Betinho só poderia ter sido, E FOI, mais um filiado do PT !!!
    Manoel Ferreira, eu ficaria horas aqui te lembrando e me lembrando de tantos nomes, e preste atenção, EU NÃO CITEI AINDA nenhum parlamentar, prefeito, governador ou até mesmo o nosso PRESIDENTE LULA !!! Digo e repito: GOVERNOS PASSAM, MAS O PT FICA !!!
    A disputa política E PARTIDÁRIA não só é legítima como é inerente aos seres vivos, SEMPRE HAVERÁ DISPUTA PELO PODER. Desde o início das civilizações, havia e ainda há um só castelo para ser conquistado e ocupado e quem estava dentro se defendia e quem estava de fora atacava, É DO JOGO !!! E O JOGO É JOGADO !!!

    SOU VERMELHO, “MANÉ” !!! porque desde meados do Século 15 a bandeira vermelha é conhecida como a “bandeira de desafio”. Foi hasteada em cidades e castelos sob ataque para indicar que NÃO HAVERIA RENDIÇÃO. O oposto era a bandeira branca. Ainda não vejo condições de sequer pensar em hastea-la pois OS NOSSOS ATUAIS OPOSITORES NÃO APRESENTAM NENHUMA PROPOSTA OU PROJETO ALTERNATIVO ao enorme sucesso do Governo Lula para aqui debatermos de forma civilizada.
    SÓ SE PRESTAM PARA NOS AGREDIR E NOS XINGAR !!!

    Abraços e fique com Deus também. Meu querido e sempre bem vindo “bom opositor” !!!"

    Este post do Kotscho tratava de "Fla-Flu dos leitores e jornalismo isento” onde mais tarde apareceria também este outro comentário:

    "19/05/2009 - 23:30
    Enviado por: Ana Luiza
    Kotscho, pena que entrei tarde na net. Li seu texto e fui até o do Ênio Barroso Filho, 18:51. . É de fato como você diz. Pesa, fica um clima de revolta, recalque e sangue. Será que é isso que o povo quer? Parabéns ao Ênio por ser tão explícito, gentil e educado. Não tenho tanto conhecimento sobre os bastidores da política e estava aprendendo bastante, mas há coisas que é melhor que eu continue ignorando. Enio mostrou que a oposição pode e deve existir seja qual for a cor da bandeira. Defender suas idéias não vai dividir pessoas. Afinal todos queremos o melhor para o País e consequentemente para nós. Ou não?
    Ana Luiza"

    Os leitores mais assíduos do Balaio do Kotscho por afinidades ou nem tanto, acabaram por se conhecerem e trocarem e-mails entre si de forma paralela e chegamos até a criar um grupo, uma legítima família, amorosa e que se tornou de fato e de direito a principal "filial" do blog. Nós o denominamos o "Boteco do Balaio" e foi através do querido amigo Robson de Oliveira deste Boteco, que eu vim a saber que este foi o ULTIMO comentario em vida da nossa doce "borboletinha amarela", a Ana Luiza. Essa menina nos deixou no dia seguinte àquele, vitima de complicações cardíacas e de um infarto fulminante com apenas 29 aninhos.
    Ela comentava sempre por lá e também no nosso Boteco, o Robson que se tornou seu mais proximo amigo disse depois que a Ana Luiza era uma ferrenha anti-petista e descrente de tudo por conta de vida sofrida com intensidade e repleta de perdas, apesar da sua pouca idade. Mas que este ultimo comentário dela revelava uma certa mudança em relação ao teor e grau da sua raiva ao PT em temas por eles antes conversados.
    Que pena Ana Luiza !!! Te preferia mil vezes mais opositora, mais questionadora e adversária a ter que receber da pior forma possível esta GRANDE LIÇÃO que agora nos ensina. A de que somos TODOS BRASILEIROS, que AMAMOS TODOS NÓS ao mesmo país e que despidos das bandeiras ideológicas, somos TODOS IGUAIS !!! DE UMA MESMA NAÇÃO !!! Mesmo que flagelados de patriotismo por história curta e ainda por tantos maus exemplos do passado e do presente também. Mas nem assim entendo o sentido dessas discussões inúteis e enfadonhas de tantos blogs controlados por estúpidos provocadores de "fla-flu" e de tantas declarações mútuas de ódio, se a nós o que interessa de fundo é que o Brasil realize de vez esse sonho de GRANDE NAÇÃO para o qual esta destinada a NOSSA QUERIDA PÁTRIA. Para isso precisamos todos ouvirmos mais uns aos outros e quando possível falarmos de menos.

    Mas veja bem :
    -Não precisamos e nem devemos contudo abdicarmos dos nossos ideais e da nossa história para isso ( muito pelo contrario ) . O que devemos sim e PODEMOS é disputar a política e o nosso ideário intensamente e com ardor, posto que somos seres que pensam e que só sobrevivem no coletivo, mas SEMPRE lutando de forma correta, honrada, democrática, sem desvios e entupida de valores da ÉTICA. Valores sem os quais NADA se constrói e todo sonho se desfaz. Já dizia Lênin:
    -"Infeliz do revolucionário incapaz de revolucionar-se !!!"
    É possível mudar para a casa nova sem destruir a casa antiga, é possível ganhar sem fazer o outro perder seus valores, é possível fazer valer tua grandeza sem humilhar e diminuir teu irmão da Pátria e companheiro, é possível fazer toda uma Revolução sem desferir um só tiro. E revoluções se fazem a todo tempo e a todo instante, basta te sentires um eterno revolucionário de ti mesmo.

    Gostaria muito, Ana Luiza, se o tempo concordasse, de ter te oferecido dados da razão e do intuito de que nós os petistas, assumimos nossas convicções e nossos sonhos com tanto amor, fé, dedicação e despreendimento de tudo, até das nossas vidas, na defesa da nossa causa socialista e solidária, mas não podendo por enquanto, te dedico este vídeo aqui em baixo (e daqui de baixo) para que quando eu também vier a virar estrela, possamos nós, lá aprofundarmos, aprimorarmos ou "acertarmos" para sempre as nossas questões e quiziras.

    É PELA ANA LUÍZA QUE ESSE "TREM" AGORA VAI É VOAR !!!

    Por Ênio - 31.05.09