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1 de jul. de 2013

Profissão MC retrata a vida dura nas comunidades

Divulgação
Profissão MC traz a história de um rapper da periferia, que num momento delicado de sua vida, desempregado e com a namorada grávida, recebe duas propostas: uma para entrar no tráfico de drogas e outra para seguir apostando no rap. É um filme sobre oportunidades, ou falta delas. 

27 de set. de 2012

Após incêndio, área ao lado de favela em São Paulo é cedida para estacionamento privado


Área ocupada pela comunidade Moinho Vivo. Fotos: Márcia Brasil
Trabalho de empresa de terraplenagem em terreno de 10 mil metros quadrados da Ceagesp começou dois dias após fogo destruir favela do Moinho, fechando o acesso ao que era chamado de 'bosquinho' 

São Paulo – Uma semana após o incêndio na favela do Moinho, no centro de São Paulo, uma porção de cimento começa a ganhar feição rapidamente no local que antes abrigava uma área verde, chamada pelos moradores de "bosquinho". O trabalho de uma empresa de terraplenagem começou apenas dois dias após o fogo destruir parte dos barracos em um terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) que, cedido ao setor privado, será transformado em um estacionamento de caminhões.

3 de set. de 2012

Serra desativou programa de prevenção de incêndios em favelas em São Paulo

 Enquanto prefeitura rejeita as boas ideias, população pobre sofre com sucessão de incêndios em favelas de SP (©Folhapress/Arquivo)

Gilberto Kassab teve a chance de reativar o projeto, de baixo custo e testado na gestão de Marta Suplicy, mas preferiu editar um decreto para um programa que não recebeu recursos até hoje.

25 de jan. de 2012

São Paulo, ontem e hoje

Um dos principais responsáveis por retratar a cidade de São Paulo no fim do século XIX e início do XX foi Guilherme Gaensly. Suas imagens, reunidas em um livro que leva seu nome, mostram uma cidade poética e inspiram afeto.
Hoje, São Paulo celebra 458 anos. Folheando Guilherme Gaensly, nos sentimos desafiados a conferir como estão algumas das paisagens centrais que serviram de inspiração para o fotógrafo. Apresentamos aqui o registro desse passeio

21 de dez. de 2010

Lula testa teleférico no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro

"Lula ao lado de Carlos Arthur Nuzman, Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Luiz Fernando Pezão"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (21), do lançamento da primeira fase de testes do teleférico do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ele pegou o transporte na estação de Bonsucesso e foi até o Morro da Baiana, percorrendo um trecho de 3,5 km de extensão. A inauguração do teleférico, primeiro transporte de massa por cabo no País, está programada para março do próximo ano.
O teleférico do Alemão tem 3.400 metros de rede de circulação, com 152 gôndolas - os chamados bondinhos, com capacidade para transportar até dez pessoas, o que permite atender 30 mil passageiros por dia. Serão seis estações: Bonsucesso, Adeus, Baiana, Alemão, Itararé e Fazendinha.
Na Rocinha, estão sendo inauguradas 144 moradias, e a Rua 4, com extensão de 650 metros, calçadas, baias para carga e descarga e áreas de lazer. A Rua 4 é a artéria principal da comunidade. Anteriormente uma viela de 60 centímetros de largura, a via foi transformada em um novo caminho, de até 12 metros de largura, e servirá como alternativa à Estrada da Gávea.
O empreendimento habitacional possui nove blocos com 16 unidades cada, sendo três blocos com unidades para portadores de necessidades especiais no nível térreo. Estas unidades têm acesso por meio de rampas pela Estrada da Gávea, as demais com acessos também pela Rua 4.
Os contratos de repasse das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na Rocinha com o governo do Rio de Janeiro somam R$ 272 milhões, incluídas as contrapartidas. São duas etapas que já estão com mais de 71% concluídas e beneficiam 30 mil famílias.
As obras incluem investimentos em saneamento, mobilidade urbana, habitação e equipamentos comunitários, como creche, mercado público, centros de integração, judô, cultura e saúde.

Mulheres da Paz
Aproveitando a visita ao Complexo do Alemão, o presidente Lula recebe 40 integrantes do projeto "Mulheres da Paz", do Ministério da Justiça, e lideranças comunitárias do Morro do Alemão, além de inaugurar um posto de atendimento da Caixa Econômica Federal.

Fonte: Ministério das Cidades

11 de dez. de 2010

Karabtchevsky em Heliópolis

Maestro assume direção artística do Instituto Baccarelli; estreia será em abril, com a Sinfonia nº 2 de Mahler


  
O maestro Isaac Karabtchevsky foi confirmado oficialmente como novo diretor artístico do Instituto Baccarelli na tarde de quinta-feira. Sua estreia à frente da Sinfônica de Heliópolis, orquestra principal da entidade, será no dia 6 de abril, na Sala São Paulo, em concerto com a Sinfonia n.º 2, Ressurreição, de Mahler.
 
Orquestra Sinfônica de Heliópolis



Localizado em Heliópolis, maior favela da cidade de São Paulo, com cerca de 120 mil habitantes, o instituto foi criado nos anos 90 pelo maestro Silvio Baccarelli e tem hoje 1.200 alunos, que se dividem por 17 grupos corais e quatro orquestras. À sua frente, desde 2005, estava o maestro Roberto Tibiriçá. “Grande parte do reconhecimento internacional que temos hoje se deve ao seu trabalho de excelência em conjunto com nossa equipe”, diz o diretor executivo Edilson Venturelli. “Mas o ponto a que chegamos nos leva a crer na possibilidade de buscar novos horizontes, dificultados pela agenda complicada do maestro.”
Os “novos horizontes” estão ligados em especial a alguns marcos recentes na história do instituto. A Sinfônica de Heliópolis fez em outubro sua primeira turnê internacional – e já tem convites para voltar à Europa em 2011; por aqui, o instituto firmou um contrato com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo; e deve inaugurar nas próximas semanas a segunda parte de sua nova sede, com novas salas de estudo e de ensaio.
“Tudo isso nos fez repensar a nossa atividade. Teremos mais ensaios, os ensaios de naipes serão realizados ao mesmo tempo, para promover maior integração entre os professores. Para isso, vamos aumentar a bolsa que damos aos músicos em cerca de 80%, com base nos méritos individuais de cada um. E essas mudanças estruturais nos fizeram pensar também na possibilidade de ampliar nosso repertório, cobrindo mais épocas e estilos. Por tudo isso, o maestro Karabtchevsky nos pareceu a pessoa mais indicada a nos ajudar nesse processo.”


Isaac Karabtchevsky na regência da orquestra Petrobrás Sinfonica

Diretor da Petrobras Sinfônica, no Rio, Karabtchevsky se diz feliz por voltar a São Paulo, em especial nesse contexto. “Recentemente, deixei a Sinfônica de Porto Alegre, onde não consegui emplacar dois projetos que considerava fundamentais. Um deles era a construção de uma nova sala. O outro, a realização de um projeto social, que pudesse trabalhar a música em comunidades carentes. Tenho ido bastante à Venezuela, participando do projeto conhecido como El Sistema. E olhando a realidade dos barrios venezuelanos há muitas semelhanças com as nossas favelas. Portanto, não há porque não acreditar na possibilidade de realizar aqui um projeto tão importante quanto o deles, ainda mais levando em consideração a naturalidade com que a linguagem musical se desenvolve em nosso país”, diz. “Assim, quando recebi o convite do Instituto Baccarelli, fiquei muito feliz ao conhecer a estrutura de trabalho deles e perceber a possibilidade de dar um salto em direção à profissionalização da Sinfônica de Heliópolis.”

Orquestra Sinfônica da Venezuela regida por José Antonio Abreu

Segundo Venturelli, rearranjos na agenda do maestro Karabtchevsky vão permitir que ele faça seis programas diferentes com a orquestra em 2011, número que deve crescer a partir de 2012, em especial quando a terceira parte do prédio do instituto, composta por um teatro idealizado pelos mesmos engenheiros acústicos dos teatros Alfa e Bradesco, ficar pronta. O diretor executivo ressalta, no entanto, que a atividade de Karabtchevsky não vai se limitar à regência. “O que propusemos a ele foi ir além do trabalho como regente que, claro, é fundamental. O maestro vai nos ajudar a estabelecer um diálogo mais próximo entre a parte artística e pedagógica, mantendo contato frequente com os professores e alunos na discussão de repertório, por exemplo.”
Karabtchevsky não descarta parcerias com o projeto venezuelano. E aposta no poder multiplicador do instituto. “Essa orquestra está viajando pelo interior, onde pode ajudar a criar estruturas de formação. Não há limites para os voos que podemos alçar.”

Por Luis Favre - Blog do Favre - 11.12.2010

Fonte: João Luis Sampaio - OESP 

2 de ago. de 2010

PCC ataca em São Paulo. Imprensa faz silêncio para não atrapalhar campanha dos tucanos Serra/Alckmin

A maior facção criminosa do estado de São Paulo, o PCC, que nasceu dentro dos presídios paulistas há 16 anos dentro do governo tucano está de volta e em grande estilo. (Os tucanos administram o governo de São Paulo desde 1995, sendo que cinco anos foram com Alckmin como governador.) Em 2008, o então governador tucano de São Paulo, José Serra, hoje candidato a presidente, declarou a imprensa que a organização criminosa havia acabado.




Acho que está havendo algum problema entre os tucanos e os jornais paulistas. Ainda que sem mencionar nome da facção criminosa para não prejudicar a campanha Serra/Alckimin notícias foram publicadas neste final de semana que o PCC existe e domina São Paulo. Nem o Terra Magazine teve coragem de falar a palavra PCC.

As matérias publicadas mostram como o PCC está dominando grande parte dos bairros da periferia da Capital paulista.

Entre a 0h e as 3h40 deste domingo, os Bombeiros foram acionados para combaterem as chamas em dez carros incendiados em regiões diferentes da zona leste de São Paulo.

Também nesta madrugada, o quartel da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, na Luz, região central da capital paulista, sofreu um atentado, por volta das 3h50 deste domingo.

PCC também atacou no sábado

Na manhã de sábado, outro episódio contra a Rota foi registrado. O tenente-coronel Paulo Telhada, comandante da tropa, sofreu uma tentativa de homicídio. Segundo a corporação, ele foi alvo de disparos por volta das 11h, na zona norte da capital. Nenhum tiro acertou o oficial. Leia todas as notícias do ataque ao PCC aqui neste link.
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Fonte: Os Amigos do Presidente Lula

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Marina, também, critica o tucano José Serra

Segurança pública de SP sofre com "descontrole", diz Marina

Agência Estado

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, criticou hoje o governo do PSDB em São Paulo, após ser questionada sobre os recentes atentados contra as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e os incêndios provocados em pelo menos dez veículos na capital paulista neste fim de semana. Segundo Marina, é necessário "fazer uma reforma na segurança pública que está há mais de 20 anos no mesmo governo", disse, sem citar o PSDB.

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29 de abr. de 2010

Criança morre em incêndio que destruiu favela


Uma criança morreu carbonizada hoje no incêndio que atingiu a favela do Pau Queimado, na Vila Moreira, na zona leste de São Paulo. O incêndio teve início às 18h20 e, quarenta minutos depois, o Corpo de Bombeiros começou a fazer o trabalho de rescaldo.

Segundo a corporação, um morador da favela que inalou fumaça foi levado ao Pronto-Socorro Vila Maria. Vinte veículos dos bombeiros foram enviados para controlar o fogo no local, na Rua Arnaldo Cintra, perto da Marginal do Tietê. As causas do incêndio serão investigadas.

Do Estado - 28.04.2010

21 de out. de 2009

As barricadas que dividem São Paulo

Do Brasil de Fato - 19.10.09

por Michelle Amaral da Silva
última modificação 20/10/2009 16:01

Protestos expõem insatisfação das periferias em face às diversas formas de violência a que são submetidas

Protestos expõem insatisfação das periferias em face às diversas formas de violência a que são submetidas


19/10/2009


Patrícia Benvenuti
da Reportagem


O helicóptero sobrevoa e flagra as chamas que tomam conta de pneus, entulhos e até de um ônibus em uma avenida interditada. O estampido dos tiros e das bombas se mistura ao barulho de sirenes histéricas de viaturas. Muito corre-corre. A cena descrita narra mais um confronto entre policiais e moradores em uma favela de São Paulo.

Só neste ano, foram pelo menos dez grandes protestos em diversas regiões de periferia da capital paulista, que resultaram em enfrentamentos com a polícia e um saldo de destruição de casas e pertences familiares, pessoas presas e feridas.

Orquestradas, ou não, para coincidirem com os programas policialescos dos finais de tarde, o fato é que essas manifestações parecem expressar a revolta dos moradores contra as tantas formas de exclusão e violência de que são testemunhas diárias.

O caso de Heliópolis

A manifestação mais recente aconteceu em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, a maior favela paulistana, com cerca de 100 mil habitantes. Na noite de 31 de agosto, a estudante Ana Cristina Macedo foi assassinada enquanto voltava do curso supletivo, alvejada por um tiro que partiu de um guarda civil metropolitano de São Caetano do Sul, no ABC paulista, que perseguia um grupo suspeito de roubar um carro.

Baleada no momento em que tentava se esconder atrás do carro, Ana Cristina só foi socorrida pelos guardas civis, segundo os moradores, depois da autorização de um policial militar que chegou ao local. Segundo relatos, os guardas teriam segurado a estudante pelos braços e pernas e jogado seu corpo dentro da viatura. A jovem ainda chegou com vida ao hospital, falecendo em seguida.

Sob gritos de "assassinos", os moradores atiraram pedras contra policiais e contra o veículo que foi motivo da suposta troca de tiros. Os manifestantes também montaram barricadas com pneus e pedaços de madeira, além de terem incendiado e apedrejado carros e ônibus. Com apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), a polícia lançou bombas de efeito moral e tiros de borracha para conter o protesto.

Intensificação

Para a urbanista e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, "a intensificação dos confrontos tem a ver, de um lado, com a retomada de investimentos em infraestrutura e urbanização, em grande escala, afetando as comunidades e, por outro, com uma atitude mais truculenta, menos negociadora, por parte da prefeitura e governo do Estado na relação com os moradores", argumenta.

Opinião semelhante tem o integrante da União dos Movimentos de Moradia (UMM) Benedito Roberto Barbosa, que atribui o aumento dos protestos à interferência agressiva do poder público nas comunidades, atingidas de forma crescente por grandes intervenções urbanas. "As obras chegam e não levam em conta que aí tem uma comunidade", pontua.

Como exemplo, Barbosa cita o projeto de ampliação da Marginal do Tietê, cujas obras devem remover cinco favelas do entorno, na zona norte. Revoltados, os moradores da Favela do Sapo, localizada na Água Branca, organizaram um protesto contra uma ordem de despejo emitida para 450 famílias e contra a inserção de apenas as cem famílias mais antigas da comunidade em programas habitacionais. Para o restante, foi oferecido apenas o chamado "cheque-despejo", com valores entre 1,5 mil e 8 mil reais.

A mesma situação foi vivenciada pelos moradores de Paraisópolis, na zona sul, onde dezenas de famílias foram despejadas e tiveram suas casas demolidas para dar espaço a obras de "revitalização" da favela. Sem direito à indenização, foi oferecido o financiamento de um novo imóvel e, para as famílias que não tivessem renda suficiente, um "cheque-despejo" de cinco mil reais, um cômodo em um albergue ou uma passagem de retorno para suas cidades de origem.

Esse tipo de política, para Barbosa, traz consequencias negativas não apenas para os moradores, mas para todo o conjunto da sociedade. "A Prefeitura chega com uma proposta de oferecer uma indenização pífia para as famílias, porque isso nem é indenização, é uma vergonha. Então as pessoas vão morar nas margens dos rios e dos mananciais, aumentando os problemas ambientais da cidade", explica.

Raquel Rolnik também critica as medidas, que evidenciam falta de vontade política para solucionar as questões habitacionais. "As desapropriações e despejos forçados não resolvem o problema da falta de moradia. O exemplo do 'cheque-despejo', da prefeitura de São Paulo, é um caso emblemático no qual o poder público empurra o problema com a barriga, sem desenvolver estratégias adequadas para mitigar suas raízes", analisa.

Além destes casos, Barbosa alerta para outras obras que devem ser a causa de mais tensionamentos. Uma delas é a construção de um parque linear na zona leste, como compensação ambiental para a ampliação da Marginal do Tietê, que pretende desalojar cerca de 12 mil famílias dos bairros de São Miguel Paulista e Itaim Paulista.

Na zona sul, a construção de um túnel de 4,5 quilômetros que ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes será responsável pelo despejo de aproximadamente oito mil famílias. "É um confronto anunciado, vai ter conflito", prevê Barbosa, que atenta também para a relação entre a força do mercado imobiliário e o discurso repressivo que estigmatiza os moradores. "Como tem amplo apoio do setor imobiliário, a Prefeitura remove as famílias e ainda diz isso, que [quando ocorrem manifestações] todos são bandidos", completa.

Violência policial

A violência policial sistemática nas comunidades também funciona como um catalisador de tensões nas periferias. Para o coordenador auxiliar do Núcleo Especial de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo Antonio Maffezoli Leite, os conflitos são o resultado final do descontentamento da população de áreas pobres com o tratamento recebido pelas forças de segurança do Estado.

“Pegando o último caso de Heliópolis, em que há perseguição de um suposto bandido que viria de São Caetano, com tiroteio. Fato que jamais aconteceria em um bairro rico. O Rio de Janeiro tem vários casos recentes. Isso acaba só demonstrando uma forma que já é histórica das polícias não só de São Paulo, de como elas veem e tratam os moradores de comunidades carentes" analisa.

As ações da polícia na periferia, de acordo com o Maffezoli, refletem a maneira como a sociedade, em geral, encara seus pobres. "A sociedade brasileira, com esse sistema de desigualdade social, acaba segregando uma grande parcela dela para os guetos, e essas pessoas não são vistas como iguais a todas as outras. As forças de segurança, quando têm que intervir em qualquer coisa, simples ocorrências do cotidiano, acabam usando uma força totalmente desproporcional e uma atuação sem controle", critica.

O defensor público aponta, ainda, que a falta de investigações para abusos policiais e a impunidade, na imensa maioria dos casos, contribuem para a agitação da comunidade. "Normalmente, em casos que envolvem excessos policiais, as investigações são extremamente superficiais e acabam não chegando em lugar nenhum. É exceção que uma armação e um excesso feitos pela polícia acabem sendo desvendado", assegura.

Para o integrante da União de Movimentos de Moradia, é preciso estar atento à repressão nas favelas, na medida em que são graves e crescentes as denúncias sobre abusos policiais. "Acompanhamos com preocupação por causa da violência da polícia, é um desrespeito com as pessoas. A periferia de São Paulo hoje está sitiada, qualquer coisa é motivo para a polícia entrar e matar as pessoas", afirma.

Integração

Para Raquel Rolnik, o fim dos conflitos só cessarão com o fim da separação entre favela e cidade, possibilitada por uma série de medidas que regularizem as comunidades que hoje estão isoladas e sem acesso pleno a serviços públicos. "[Isso] envolve, necessariamente, as ruas estarem no cadastro da prefeitura; o caminhão de lixo da prefeitura entrar no local; todos receberem o carnê do IPTU, mesmo que seja isento do pagamento; regras de uso e ocupação do solo, sobre onde pode haver casas ou comércio etc", explica a urbanista.

Simultaneamente , Maffezoli indica a necessidade de aproximação entre moradores e policiais, a fim de destruir estereótipos. "A polícia comunitária é um pouco isso. O policial está inserido naquele contexto, ele conhece todo mundo, se envolve com aquilo e não é uma força inimiga, uma força externa que chega em um determinado local em algum momento do conflito, vendo aquelas pessoas como inimigas", argumenta.


Veja mapa dos conflitos em 2009:


mapa_conflitosurbanos



Favela Chica Luísa, zona norte

31 de julho – Moradores da favela Chica Luísa realizaram um protesto contra a morte de um mecânico pela Polícia Militar. De acordo com a PM, o homem teria reagido durante a uma abordagem. Os moradores atiraram pedras contra viaturas da polícia e, mais tarde, um ônibus foi incendiado próximo ao Rodoanel. O motorista do coletivo ficou ferido.



Favela Filhos da Terra, Tremembé, zona norte

26 de agosto - A execução de um inocente, tido como traficante pela polícia, foi a causa da revolta dos moradores, que organizaram um protesto para denunciar a violência policial na comunidade. Durante a ação, ônibus e carros foram queimados.



Favela Tiquatira, zona leste

6 de janeiro - Protesto contra falta de abrigos municipais depois de um incêndio que destruiu diversos barracos na comunidade. Os manifestantes interditaram a Marginal Tietê, queimando pneus e outros objetos. Também foram lançadas pedras contra os policiais, que usaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e dispararam tiros de borracha. Três pessoas foram presas.


13 de maio - Moradores fizeram um protesto contra a prisão de um jovem, autuado por tráfico de drogas, e de sua mãe, acusada de desacato. Os manifestantes bloquearam uma rua com pneus e pedaços de madeira e atearam fogo em quatro veículos. Em resposta, a PM lançou balas de borracha e bombas de efeito moral. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas. Pai e vizinhos do rapaz preso asseguram que ele não tem envolvimento com crimes.



Favela do Sapo, na Água Branca, zona oeste

15 de julho - Moradores realizaram uma forte manifestação nos arredores da comunidade, revoltados com a ameaça de despejo por parte da Prefeitura, que alega que as casas estão em áreas de risco. As famílias, no entanto, afirmavam ter recebido apenas a oferta de um cheque-despejo no valor máximo de cinco mil reais.



Favela Cidade Jardim, zona sul

6 de abril – Moradores da comunidade realizaram uma manifestação contra a falta de água no bairro, que ocupou totalmente a pista na altura da Ponte Engenheiro Ary Torres.



Favela da Cidade Tiradentes, zona leste

6 de maio - A desocupaçãode mais de 20 casas depois de um deslizamento de terra foi o estopim de um protesto na comunidade. Moradores atearam fogo em pneus e em um ônibus que estava quebrado. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar os manifestantes. Cerca de 120 pessoas ficaram desalojadas.



Paraisópolis, zona sul

2 de fevereiro – Policiais e moradores da comunidade entraram em confronto após o assassinato de um homem durante uma abordagem. A polícia sustenta que o homem assassinado era um traficante; os moradores afirmam que a vítima não tinha relação com o crime. Em protesto, eles montaram barricadas e atearam fogo em veículos, pedaços de madeira e outros objetos, ocupando as ruas da comunidade. Seis pessoas ficaram feridas e nove foram presas.



Heliópolis, zona sul

31 de agosto – Moradores da maior favela de São Paulo revelaram-se contra a morte de uma estudante de 17 anos atingida por um tiro disparado por um guarda civil durante um suposto tiroteio com um suspeito de roubar um carro. Os moradores montaram barricadas com madeira e pneus incendiados e receberam bombas de efeito moral e tiros de borracha por parte dos policiais. Pelo menos dois moradores se feriram.



Jardim Aracati, zona sul

25 de maio - O atraso de linhas de ônibus na região foi o motivo da revolta de moradores da comunidade, que apedrejaram nove coletivos nas proximidades da Estrada do M'Boi Mirim. Com a chegada da polícia, os moradores fugiram. Um passageiro ficou ferido durante a ação.